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domingo, 29 de novembro de 2020

Vemos, ouvimos e lemos... #18



1. Numa altura em que Ovar celebra a inscrição do “Cantar dos Reis” no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, está patente ao público no Museu Júlio Dinis uma exposição dedicada a António Dias Simões, dilecto filho da terra e grande arauto da tradição do Cantar dos Reis, para além de historiador, poeta, dramaturgo, comediógrafo, pintor, miniaturista e calígrafo. Em “150 Anos do Nascimento de António Dias Simões 1870 – 2020”, o visitante é convidado a recuar a um tempo determinado pela memória, revivendo com “o devido respeito e imensa gratidão a grandeza deste homem e a mística que alimentava naquelas obras que o projectavam na comunidade vareira”. Fotografias de época, recortes de jornais, correspondência vária e uma detalhada linha cronológica constituem o cerne desta exposição que se irá manter aberta ao público até ao dia 03 de Abril do próximo ano.

2. Instalada no primeiro andar do Centro de Memória, em Vila do Conde, a Galeria Julio assinala 118 anos do nascimento de Julio-Saúl Dias com a exposição “Julio e a memória da arte popular”. Patente até 09 de Maio do próximo ano, a exposição integra um conjunto de óleos, desenhos e peças de cerâmica da coleção da Câmara Municipal de Vila do Conde, da autoria de Julio e doados por José Alberto Reis Pereira, filho do artista. Trata-se de peças desconhecidas da maioria do grande público onde se inclui um conjunto de figurado em barro de Estremoz. Esta nova proposta expositiva contribuirá certamente para dar a conhecer uma faceta para muitos desconhecida de Julio: o seu enorme interesse pela arte popular e a atividade de colecionador. Assim, nesta exposição, será possível ao visitante conhecer obras de cerâmica que o próprio executou e que também coleccionou, o que permitirá explorar as relações entre a sua obra plástica e a rica tradição popular de cerâmica em Portugal.

3.  O Circuito Aberto de Arte Pública de Paredes é o resultado de uma iniciativa da Câmara Municipal de Paredes que visa dotar a cidade de obras de arte geradoras de um percurso urbano que ilustra a diversidade de linguagens da arte contemporânea e que exprime diferentes possibilidades de intervenção no espaço público. Composto por 18 obras criadas por reconhecidos artistas nacionais e internacionais – com destaque para João Cutileiro, Fernanda Fragateiro, Rui Chafes, António Olaio, José Pedro Croft e Artur Fontinha -, o circuito configura um património artístico de grande atualidade, criado no quadro da operação de regeneração urbana e de dinamização cultural que o núcleo urbano de Paredes conhece com vista à sua definição enquanto Cidade Criativa focada no Design de Mobiliário. O projeto é da autoria do arquiteto Belém Lima e a sua implementação ficou a cargo da Escola de Artes da Universidade Católica, através do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes.

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Vemos, ouvimos e lemos... #15



1. Ao longo da próxima semana, a cidade de Espinho volta a ser a Capital Nacional do Cinema de Animação. Trata-se da 44ª edição do CINANIMA – Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho que, de 09 a 15 de Novembro, se derrama nos ecrãs do Centro Multimeios de Espinho, estendendo-se aos espaços da Junta de Freguesia de Espinho, Biblioteca Municipal e às nossas casas por subscrição na plataforma Kinow, em https://cinanima.kinow.tv. Os quadros competitivos nacionais e internacionais mantêm-se no formato dos anos anteriores, destacando-se, na competição nacional, o Prémio António Gaio ao melhor filme e também o Prémio Jovem Cineasta Português. O Countryside Animafest (Chipre) e o Zlín Film Festival (República Checa) são os festivais convidados desta edição. Dentre o vasto conjunto de iniciativas, destaque ainda para a retrospectiva do trabalho da realizadora francesa Florence Miailhe. Saiba tudo em https://www.cinanima.pt/.

2. Iniciativa do coletivo de galerias FORUM fotografia/filme PORTO, o MIP - Mês da Imagem do Porto arrancou no passado dia 31 de Outubro e vai estender-se até ao final do ano, ocupando os espaços do MIRA FORUM, OPPIA, Espacio Jhannia Castro, Espiga, Galeria Adorna, Salut au Monde! e The Cave Photography. Inicialmente agendada para Abril, esta terceira edição do certame traz com ela um conjunto de exposições imperdíveis, das quais destacaria “Transa, Baladas do Último Sol”, de Ângela Berlinde, co-fundadora dos Encontros da Imagem de Braga, Curadora do Museu da Fotografia de Fortaleza (Brasil) e Curadora convidada da Bienal de Fotografia de Pequim (China). Renata Siqueira, Pedro Cadilhe, Adélia Gonçalves, Gregor Sailer, José Sérgio, Lionel Jusseret, Maria Oliveira e Mathilde Cudeville são outros nomes cujos trabalhos podem ser vistos no âmbito do certame. Visitas comentadas, workshops, mostras de cinema, apresentações de livros e um vasto de conjunto de conversas completam o programa que pode ser consultado na íntegra em https://www.mesimagemporto.pt/.

3. De 11 a 14 de Novembro, em Tondela, celebra-se a 26ª edição do FINTA - Festival Internacional de Teatro ACERT. Projectos teatrais, tanto nacionais como internacionais, espectáculos de sala, exposição Cut & Paste, formação e apresentação de livros são ingredientes de uma iniciativa marcante para a ACERT e que se pretende igualmente marcante para todos quantos tiverem o ensejo de nela participar. “Antevôo da Passarola”, uma criação do Trigo Limpo teatro ACERT a partir da adaptação do romance “Memorial do Convento”, de José Saramago, será a peça de abertura do Festival. Acontecimento ímpar, esta festa do teatro vem ao encontro da necessidade de “sermos alimentados de sonhos, de magia, de cumplicidade, de outras vivências… “, conforme se pode ler na apresentação do Festival. O programa do festival pode ser detalhado em https://acert.pt/finta/.

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Vemos, ouvimos e lemos... #14



1. De 31 de outubro a 22 de novembro, o Fórum da Maia acolhe a exposição World Press Photo 2020. A mostra, inserida na digressão mundial, apresenta as histórias que importam no mundo jornalístico com as fotografias premiadas do 63º concurso anual World Press Photo. Os vencedores foram escolhidos por um júri independente que analisou quase 74 mil fotografias inscritas por 4.283 fotógrafos de 125 países. Em lugar de destaque encontramos “Straight Voice”, título da foto do japonês Yasuyoshi Chiba, vencedor do concurso World Press de Fotografia em 2020. Nela se pode ver um jovem recitando um poema no meio de um protesto contra o governo no Sudão. O júri escolheu esta imagem por “servir de inspiração em tempos de incerteza”. A foto também foi a vencedora na categoria “Notícias gerais, individual”. Saiba mais em https://www.worldpressphoto.org/collection/photocontest/winners/2020.

2. Recorrendo, uma vez mais, ao espólio da Coleção Treger/Saint Silvestre, um dos mais significativos acervos europeus de arte bruta, o Centro de Arte da Oliva, em S. João da Madeira, abre ao público no próximo dia 31 de Outubro a exposição “Sereno Variável”, com curadoria de Antonia Gaeta. O enigma que a esfinge nos coloca à entrada do parque dos monstros de Bomarzo marca o arranque de ideias que esteve presente na construção desta exposição que congrega cerca de 170 obras de diversos criadores. A seleção de trabalhos testemunha o gosto dos colecionadores para o retrato e a figura humana mas também para diferentes aproximações tanto ao nível do detalhe fisionómico e de processos de registo primorosos, como do desproporcional e do indeterminado, sem centro e sem margens. Para ver até 02 de Maio de 2021. Toda a informação em http://centrodearteoliva.pt/exposicao/sereno-variavel/. 

3. De 2 a 7 de novembro tem lugar a 6ª edição do Ymotion - Festival de Cinema Jovem de Famalicão, certame organizado pelo pelouro da Juventude do Município de Vila Nova de Famalicão e que este ano se distribui pela Casa da Juventude, Centro de Estudos Camilianos e Fundação Castro Alves. Esta edição do Festival é composta pela secção competitiva, com oito categorias a concurso, um ciclo formativo, uma sessão especial com foco no trabalho de uma produtora cinematográfica portuguesa, uma homenagem ao ator brasileiro Rodrigo Santoro, um tributo ao ator português Diogo Morgado e a atribuição do Prémio Carreira ao ator Nuno Lopes. Com cinco anos de vida, o festival tem-se vindo a afirmar no circuito de mostras e festivais de cinema do país, dando a oportunidade a jovens dos 12 aos 35 anos para invocar um cinema próprio. Na edição de 2019, foram mais de 180 as curtas-metragens em competição e o realizador Pedro Cabeleira recebeu o Grande Prémio Joaquim de Almeida pelo seu filme "Filomena". Mais informações e programa completo na página do evento em https://www.ymotion.org/.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Vemos, ouvimos e lemos... #12



1. Até 15 de Outubro estão abertas as candidaturas ao concurso internacional de fotografia “A Inclusão na Diversidade”, uma iniciativa da Plural & Singular, numa parceria com o Centro Português de Fotografia. Naquela que será a sua 7ª edição, este concurso de fotografia continua à procura da “inclusão na diversidade” e desafia tanto fotógrafos amadores como profissionais a participar. Composto por Sónia Silva, técnica superior do Centro Português de Fotografia, Paulo Pimenta, fotojornalista do jornal Público e pela actriz e activista Maria Gil, ao Júri cumprirá a tarefa de avaliar com rigor a forma como os concorrentes, através das suas imagens, reflectem sobre os conceitos de “inclusão” e de “diversidade” no seio de uma sociedade sem barreiras físicas nem psicológicas. Os premiados verão as suas fotografias expostas no Centro Português de Fotografia e serão destacados na 25ª edição da revista “Plural & Singular”, com a fotografia vencedora a ilustrar a capa. Informação detalhada em https://www.pluralesingular.pt/.

2. De 09 a 18 de Outubro, as marionetas, os objetos e as matérias espalham-se pelos palcos da Invicta e ganham vida. Fazem-no para nos desafiar a pensar sobre o mundo das coisas de uma perspetiva diferente – talvez mais próxima da sua –, para nos redescobrirmos na nossa velha e irredutível humanidade sempre renovada. É a edição de 2020 do Festival Internacional de Marionetas do Porto, oferecendo-nos universos e estéticas muito diversos e que, no seu conjunto, articulam algumas possibilidades para um discurso sobre as ciências e a política na performance da matéria animada. Numa edição marcada pelo surto de um vírus que poderá ter vindo para ficar, pelo menos por uns tempos, estreias absolutas, formações, mostras de trabalhos em processo e até algumas surpresas são os trunfos da programação do FIMP 2020. A organização garante que “vir assistir aos espetáculos do FIMP é seguro (...), não apenas pelo rigoroso cumprimento das regras sanitárias mas porque o teatro é um lugar muito bem frequentado: no teatro estarão aqueles que, em consciência individual e colectiva, não cedem à cultura do medo e do isolamento, que não abdicam da cultura, do espírito crítico e da empatia.” Programação completa e demais informações em https://www.fimp.pt/.

3. O que é que acontece quando três fotógrafos e uma videógrafa se juntam? Abrem um “quiosque” que também é zine, retratando e difundindo universos em A5. José Farinha, Paulo Pimenta, Daniel Rodrigues e Inês Branco são os rostos por detrás da Kioskzine, convidando-nos a franquear as portas desta nova “casa” através de uma publicação (cujo número zero conta já com duas edições esgotadas) que “cabe na mochila, carteira e coração de quem ama, respira, vive da e para a fotografia”. A preto e branco ou a cores, guardam e contam histórias de um mundo visto por quem o celebra e documenta, tornando-o acessível, abrangente e dinâmico, zine e plataforma de arquivo documental fotográfico, mas também fórum onde a fotografia possa ser questionada e discutida. O projecto será lançado “cara a cara” no Mira Forum, em Campanhã, no próximo dia 16 de Outubro, pelas 21h30. Entretanto, os mais curiosos podem ir espreitando a Kioskzine e, se for caso disso, proceder à sua encomenda em https://www.kioskzine.com/.

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Vemos, ouvimos e lemos... #11



1. A bordo do Navio Gil Eannes, foi inaugurado no passado dia 19 de Setembro o Centro de Imagem, Identidade e Memória da Câmara Municipal de Viana do Castelo, valência criada como instrumento funcional para fomentar o conhecimento do património imagético do Município, que compreende os espólios fotográficos, o fundo postal e o fundo fílmico em arquivo, bem como promover o reconhecimento da produção contemporânea de fotografia, no universo de identidade local. A assinalar o momento, está patente ao público até finais de Outubro a exposição de fotografia “Estaleiros de Viana: Trabalho e memória”, da autoria de Egídio Santos. Documentando o quotidiano dos antigos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, formalmente extintos em 31 de Março de 2018, a mostra é o resultado de uma reportagem que o fotógrafo fez para o jornal Independente, complementada por novos registos, datados de 1992, ”pelo prazer de fotografar", recorda Egídio Santos, considerando que o seu espólio retrata "o ambiente do que era a vida dos estaleiros nessa altura". Mais informações em http://www.cm-viana-castelo.pt/pt/directorio/centro-de-imagem-identidade-e-memoria.

2. Promovido pela Companhia de Dança Contemporânea de Évora, decorre até ao dia 10 de Outubro o FIDANC – Festival Internacional de Dança Contemporânea. Com uma programação reestruturada de forma a responder ao atual contexto de pandemia e oferecer aos públicos dança contemporânea, o cartaz revela-se mais intimista que em edições anteriores, acolhe menos público, mas a grande dimensão artística da linguagem da dança contemporânea não estará menos presente. Espetáculos, workshops e conversas com o público, direcionados a plateias reduzidas, espalham-se por três espaços da cidade de Évora. Online apresentam-se espetáculos para a infância, a estreia absoluta da nova criação “Algo Novo” de Gonçalo Almeida Andrade, e Curtas de Dança, uma oferta para a infância e família para ser vista em casa ou na escola. O festival abriu com a criação “A Universal Weakness” (excerto) da coreógrafa Carla Jordão, uma produção da Companhia de Dança de Almada, premiada na Alemanha, em 2019, prosseguindo agora com um pequeno ciclo de mostra de obras da criadora Amélia Bentes. No dia 3 de Outubro, na Igreja de S. Vicente, apresenta-se “Ensaio sobre a Cegueira” baseado na obra de José Saramago, uma criação de Nélia Pinheiro. O programa completo pode ser consultado em http://www.cdce.pt/.

3.  De 30 Setembro a 09 de Outubro, decorre em vários espaços da capital a quarta edição do Mental – Festival da Saúde Mental, uma produção da Safe Space Portugal cujo objectivo continua ser quebrar estigmas, dar visibilidade e manter aberta a conversa entre “absolutamente toda a gente” sobre a saúde mental. O evento traz cinema, música, dança, teatro, literatura, debates e conversas temáticas aos espaços do Cinema S. Jorge, epicentro do Festival, Espaço Atmosfera M Lisboa e Fábrica de Braço de Prata. O arranque é feito com o debate “Pandemia: do real ao digital” no Cinema São Jorge, esta quinta-feira. Do programa contam as imprescindíveis M-talks, uma Mostra Internacional de Curtas-Metragens, filmes e teatro dedicados aos mais novos, uma performance de dança “Acontece”, interpretada por pessoas com histórico de doença mental, o lançamento do livro “Cartas do Confinamento”, de Tiago Salazar e Frederico Duarte Carvalho. O encerramento terá lugar na Fábrica Braço de Prata, onde Kátia Guerreiro e Sumar irão falar “de um episódio menos bom da sua vida e cantar temas que ajudaram a passar essa fase”. Saiba tudo em https://mental.pt/.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Vemos, ouvimos e lemos... #10



1. Desde que a pandemia se instalou, muitos de nós fechámo-nos em casa, mas a solidariedade nunca deixou de sair à rua, afoita e decidida. Nestes dias de recolhimento e isolamento social, percebemos o quão realmente importantes são os pequenos gestos. Na Antena 1, ao longo de 15 semanas, Tiago Alves e Ana Rita Ramos deram-nos a escutar “Um Mundo Melhor”, programa do qual me tornei ouvinte assíduo. Muitas das histórias que por lá passaram são de uma riqueza incrível, sublimes, inspiradoras. Muitas mais poderiam ter passado, mas não haveria tempo para as contar a todas. Entre as que ficaram de fora uma há que merece ser aqui partilhada. Chama-se “Pé d’Orelha” e é uma iniciativa conjunta de Clara Oliveira e Inês Severino, duas mulheres com um coração enorme, que se propõem, no breve espaço de uma chamada telefónica, recitar um poema ou contar uma pequena história. Sem truques, sem custos, só por amor à poesia e porque precisamos muito de nos voltarmos a aproximar uns dos outros. Eu quis experimentar e, do outro lado da linha, uma voz disse-me assim: “Pensei em desenhar-te uma praia, cheia de sol e de rochedos onde, ao longe, alguém te perguntasse por mim e tu, mesmo sem saberes, dissesses: vem já, não demora! Mas não tenho papel, nem lápis coloridos, nem tintas, nem nada. Olha, se estiveres de acordo, invento-te um percurso, entre dois pedaços de mar! E depois tu vais, pés descalços sobre a areia, ao encontro do último brilho do sol que se deita sempre além, entre azuis, laranjas e verdes (...).” Tão, mas tão belo. Muito obrigado às duas. Direi apenas que a Clara responde no 928 056 848 e que a Inês atende no 919 170 047. Deixe-se tentar.

2. O iNstantes – Festival Internacional de Fotografia de Avintes está de regresso, e com ele, o mundo volta a abrir-se na magia de um clique, graças ao olhar e à sensibilidade de fotógrafos das mais variadas geografias. De 04 a 30 de Setembro, difícil vai ser acertar o calendário para poder apreciar todas as propostas que esta sétima edição do Festival tem para oferecer. Espalhados por quatro pólos, em 15 lugares distintos, fotógrafos de Espanha, Itália, Holanda, Finlândia, Brasil, Colômbia, Cabo Verde, Moçambique, Japão e Portugal mostram o seu trabalho em 26 exposições imperdíveis. Entre elas, chamada de atenção para “Conexões”, uma colectiva luso-finlandesa que irá estar patente na galeria da Junta de Freguesia de Avintes, “Via Crucis”, do fotógrafo espanhol Blas González, montada no Clube Recreativo Avintense e “A Jaula”, de António Campos Leal, que pode ser visitada na Casa da Cultura de Avintes. “Trilhos d’alma, sulcos de luz”, de Cristina Vicente, “Madrinhas de guerra”, do moçambicano Amilton Neves, “11 Milhas”, do espanhol Quico Garcia e “Tás co’ olho !?”, conjunto de 75 imagens da autoria de Milton Ostetto, Tadeu Vilani e Orlando Azevedo sobre os descendentes de açorianos no sul do Brasil, são ainda alguns exemplos do muito que o iNstantes tem para oferecer. O programa completo pode ser consultado em http://www.instantesffa.com/.

3.  No tempo de Egas Moniz, o único Prémio Nobel português da Medicina, a Quinta do Marinheiro era uma festa. Sempre que ele chegava a Avanca para as férias de verão, a quinta ganhava vida. É esse lado carismático da personalidade do cientista que inspira mais uma edição do evento “Há Festa na Quinta”. Nos próximos dias 04, 05 e 06 de Setembro, os portões da Quinta do Marinheiro abrem-se a todos com uma enorme oferta de atividades culturais e de lazer. No primeiro dia, o serão estará a cargo de João Diogo Leitão, tangedor de violas várias, nomeadamente de viola braguesa, num momento que se espera de grande intimismo. No sábado haverá passeios de moliceiro, com experiência piscatória e observação de flora e fauna, mas também visitas guiadas e encenadas à Casa Museu num espetáculo que tem por título “Confidências de Acafem” e que repetirá no domingo. “Por um fio”, espectáculo de acrobacia aérea, encerra o segundo dia do evento, enquanto a tarde de domingo será preenchida com Yoga para crianças (entre os 3 e os 10 anos), o “Circ’au’léu”, espectáculo circense para famílias, uma demonstração e exibição de aves de rapina e ainda o teatro de marionetas tradicional, o nosso bem conhecido Dom Roberto. Mais informações em https://casamuseuegasmoniz.com/ ou através do telefone 234 884 518.

domingo, 16 de agosto de 2020

Vemos, ouvimos e lemos... #9



1. Depois de projectada para ter o seu início no último dia do passado mês de Abril, a 17ª edição do IndieLisboa irá arrancar no próximo dia 25 de Agosto, trazendo com ela cinco longas-metragens e 17 ‘curtas’, de produção ou coprodução portuguesa. O destaque da Competição Nacional vai para “O Fim do Mundo”, de Basil da Cunha, seleccionado para o festival de Locarno, e “A Metamorfose dos Pássaros”, primeira ‘longa’ de Catarina Vasconcelos, que já deu à realizadora os prémios da crítica internacional, na secção Encontros do Festival de Berlim, e o de melhor filme, em Vilnius. A competição de ‘curtas’ inclui “O Cordeiro de Deus”, de David Pinheiro Vicente, já seleccionado pelo Festival de Cannes 2020 e “A Mordida”, de Pedro Neves Marques, estreado no Festival de Toronto do ano passado, entre um “conjunto muito grande” de 17 filmes, “de vozes emergentes”, como destaca a organização do Festival. A secção Novíssimos inclui 13 ‘curtas’ das “novas vozes” do cinema, como “À Tarde, sob o Sol”, de Gonçalo Pina, “Nestor”, de João Gonzalez, e “Selvajaria”, de Camila Vale. A Competição Internacional do IndieLisboa inclui 43 filmes, 12 longas-metragens e 31 ‘curtas’, com destaque para o documentário “L’Île aux oiseaux”, da dupla luso-suíça Maia Kosa e Sérgio da Costa – em competição em 2019 nos festivais de San Sebastian (Espanha) e Locarno –, e “Si yo fuera el invierno mismo”, filme da argentina Jazmin Lopez, com direção de fotografia de Rui Poças. Programa completo e demais informação em https://indielisboa.com/.

2. A partir do mote “Alegria para o fim do mundo”, transcrito do livro de Andreia C. Faria, a Feira do Livro do Porto prepara-se para abrir as portas ao público, pelo sétimo ano consecutivo, nos Jardins do Palácio de Cristal, decorrendo entre os dias 28 de Agosto e 13 de Setembro. Pela primeira vez, o espaço físico estende-se até à Casa do Roseiral, com concertos ao pôr do sol, e ao Pavilhão Rosa Mota, onde terá lugar o ciclo de debates e uma sessão especial das Quintas de Leitura. Lições, conversas, palavra soprada, rádio, cinema, concertos, oficinas e espectáculos são, a par dos 119 stands inscritos em representação de oito dezenas de entidades (entre livreiros, editoras, alfarrabistas, distribuidores e entidades públicas e privadas), os pontos nevrálgicas da grande festa do livro na Invicta. Garantidas estão as necessárias medidas preventivas e de segurança, com a disponibilização de álcool gel e desinfectante e o controlo das entradas até um limite máximo de 3.500 pessoas. Todas as novidades para acompanhar em https://www.facebook.com/feiradolivrodoporto.cmp/.

3.  O Centro de Artes Visuais (CAV), em Coimbra, assinala os 40 anos dos Encontros de Fotografia com uma exposição colectiva que atravessa toda a história do certame. Intitulada “Spectrum”, com curadoria de Ana Anacleto, a mostra explora a história de quatro décadas dos Encontros com uma selecção de obras pertencentes à colecção da instituição. Organizada em quatro núcleos sub-temáticos, esta exposição coloca em diálogo obras de autores nacionais e internacionais, “em muitos casos desenvolvidas no âmbito de projectos de investigação específicos que resultaram de convites e encomendas realizadas ao longo dos últimos 40 anos, pela organização dos Encontros de Fotografia”, explica o CAV. Na exposição, estão presentes obras de André Cepeda, Christian Vogt, Daniel Blaufuks, Debbie Fleming Caffery, Dolorès Marat, Gabriele Basílico, Jorge Molder, Julião Sarmento, Stéphane Duroy e Wim Wenders, entre outros. Para além da mostra central, está também disponível para visita uma exposição individual de Pedro Henriques, intitulada “Cápsula”, na sala “Project Room” do CAV. Inaugurada a 27 de junho, a exposição vai estar patente até 13 de setembro, sendo a entrada gratuita. Mais informações em https://www.facebook.com/cav.encontrosdefotografia.

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Vemos, ouvimos e lemos... #7



1. Contra “queixas, lamúrias e mal-dizeres” nasce a Minimalista, editora livreira independente que surge da comunhão de esforços de doze escritores e três pessoas das artes plásticas e gráficas. Mapeando o seu território entre dois continentes separados pelo Atlântico, a Minimalista publica cada livro “como se fosse o mais especial do mundo” e entrega-se a ele “de corpo e alma”. Mas apesar de todo o idealismo em torno do projecto, os seus responsáveos não deixam de ser pragmáticos: “Chegaremos até onde os leitores permitirem, comprando os nossos livros”, afirmam. Lançado esta semana, “Aviões de papel”, de Paulo Kellerman, é o primeiro de um conjunto de treze títulos agendados até ao final de 2022. Já em Setembro sairá o primeiro romance de Sandrine Cordeiro e em novembro será publicada uma antologia com contos originais dos doze minimalistas. Para mais informações, visite a Editora em https://www.facebook.com/minimalista.editora/.

2. Rui Paixão vai usar o seu Instagram como uma galeria para exibir uma exposição de fotografia.  Intitulada “O vazio tem como abertura o desconhecido”, a mostra é o primeiro trabalho que o artista oferece ao público depois do seu regresso do Cirque du Soleil e da crise pandémica motivada pelo novo coronavírus. Inspirado na poesia de Edmond Jabès (1912-1991), poeta e escritor franco-egípcio, e em colaboração com os fotógrafos Carlos Gomes e Nélson Gomes, o artista pretende, desta forma, reflectir sobre o vazio, o desconhecido, a ausência e o isolamento. Palavras que espelham bem os tempos atuais e que na fotografia ganham forma de poema visual, expondo uma nova sociedade asfixiante e com poucas alternativas para o futuro. As fotografias vão ser postadas ao longo do mês de agosto, ao ritmo de uma fotografia por dia. Pode acompanhar a exposição fotográfica de Rui Paixão em: https://www.instagram.com/_ruipaixao_/?hl=pt.

3.  “As close as far away can be” é o mote da 16ª edição do FEST – Novos Realizadores, Novo Cinema, que arranca amanhã em Espinho e se estende este ano às cidades do Porto e de Lisboa. No total são mais de 230 filmes que, até 09 de Agosto, poderão ser vistos no Auditório da Junta de Freguesia de Espinho e num cinema drive-in instalado no Parque de Estacionamento da Nave Desportiva daquela cidade. As extensões simultâneas às duas maiores cidades do país farão circular as longas em competição pelo Cinema Trindade e Cinema Ideal e as curtas pela Casa Comum da Reitoria da Universidade do Porto. Entre os trunfos da edição 2020 do Festival estão, como não podia deixar de ser, a selecção de longas em competição, mas também o foco no cinema Letão e as agora reveladas sessões “Fast Forward” onde o evento continua a olhar os mais recentes trabalhos de cineastas que passaram pelas suas edições passadas. Programa completo e demais informação em https://site.fest.pt/pt.

terça-feira, 28 de julho de 2020

Vemos, ouvimos e lemos... #6



1. A pandemia da covid-19 fez com que este ano a 37.ª edição do “Jazz em Agosto” fosse cancelada. A alternativa surge com a designação de “Jazz 2020” e resulta de uma parceria entre a Fundação Calouste Gulbenkian, a Associação Porta-Jazz, sediada no Porto, e o Jazz ao Centro Clube, que opera em Coimbra. Assim, entre os dias 31 de Julho e 09 de Agosto, o magnífico Anfiteatro ao Ar Livre da Fundação receberá o “Coreto”, formação que reúne muitos dos músicos que gravitam em torno da associação portuense, mas também o quinteto da trompetista Susana Santos Silva, “Impermanence”, e o projeto “Dentro da Janela”, comandado pelo saxofonista João Mortágua. As propostas passam ainda pelo quinteto feminino “Lantana”, a harpista Angélica Salvi, o trio “The Selva” e o pianista Daniel Bernardes com o “Drumming GP”. Coimbra receberá actuações de dois trios (o “TGB” de Sérgio Carolino, Mário Delgado e Alexandre Frazão, e a parceria entre Luís Vicente, Hugo Antunes e Pedro Melo Alves) e pelo Porto passarão o “André Rosinha Trio” e o quarteto que junta Ricardo Toscano, Rodrigo Pinheiro, Miguel Mira e Gabriel Ferrandini. O programa completo pode ser consultado em https://gulbenkian.pt/musica/jazz-2020/.

2. Sob o tema “Diversidade-Investigação. O Complexo Espaço da Comunicação pela Arte”, a XXI Bienal Internacional de Arte de Cerveira está de regresso e volta a marcar o calendário nacional de eventos de 01 de Agosto a 31 de Dezembro de 2020. Mantendo-se estruturado segundo o modelo que o carateriza desde a primeira edição, em 1978, o evento integra, para além da exposição do concurso internacional e artistas convidados, onze projectos curatoriais, intervenções artísticas, conferências, conversas e visitas guiadas, oferecendo ao público as mais recentes realizações artísticas e tendências estéticas da arte moderna em Portugal e no mundo. Para além da integração de trabalhos no espaço público da ‘Vila das Artes’, e contribuindo para a descentralização cultural, o evento volta a expandir-se pelo Norte de Portugal, com exposições em Alfândega da Fé, Viana do Castelo, Vila Praia de Âncora e Monção. Reforçando a internacionalização do evento, a Fundação Bienal de Arte de Cerveira apresenta, pela primeira vez, uma edição digital que permitirá ao público a visita virtual à bienal de arte mais antiga do país e da Península Ibérica a partir de qualquer parte do mundo. Saiba tudo em https://bienaldecerveira.pt/.

3.  A Tinta-da-china acaba de lançar, numa edição limitada a duzentos exemplares e numerada, “A Cidade Que Não Existia”, do fotógrafo Alfredo Cunha. A este propósito, recuperamos as palavras de Luís Pedro Nunes: “Este não é um livro de imagens (só) sobre a Amadora. É um retrato de Portugal e dos portugueses. Revejo aquelas caras dos anos 70 na minha Escola Primária do Alentejo, todos índios, sujos e (sejamos sinceros) um pouco ranhosos. A pobreza era o denominador comum — sendo que havia um grande fosso entre o ‘remediado’ e o pobre, entre a janela do apartamento e o outro lado da ribeira. Estes são os portugueses de antes, mas também os de hoje. Nos anos 70, Alfredo fotografou na Amadora um país que já não podia existir, mas que teimosamente queria estar só no mundo. Voltou 50 anos depois para fotografar o país a ser, a rir — a querer ousar. Apanhou um país suspenso, num pânico enclausurado — a antítese do que quer para o seu trabalho. Viu ruas sem gente, caras tapadas por máscara e sem expressão, aquele momento em que se está a cair no abismo e ainda não se sabe como vai ser o impacto.” O preço de cada exemplar é de € 95,00 e vem acompanhado de uma fotografia autografada pelo autor e carimbada. Encomendas directamente com a editora em https://tintadachina.pt/produto/a-cidade-que-nao-existia-edicao-especial-fotografia/.

domingo, 19 de julho de 2020

Vemos, ouvimos e lemos... #5



1. Em 2020, o Eixos - Ciclo de Teatro de Marionetas foi repensado e muda de casa, deixando o Cineteatro António Lamoso e o périplo pelas escolas concelhias e levando as histórias das marionetas aos espaços públicos e museus feirenses. De 1 a 16 de agosto, propõe-se um conjunto de eventos de enorme interesse, que inclui uma exposição retrospectiva, uma oficina de construção de marionetas e mais de uma dezena de espectáculos com cinco companhias de teatro, três portuguesas e duas galegas. Fora dos Eixos é uma aposta do Município de Santa Maria da Feira na retoma das actividades culturais programadas que tinham sido suspensas devido à pandemia. O ciclo de marionetas apresenta-se como programação de Verão para as famílias, distribuída por seis espaços públicos e equipamentos culturais. Atendendo às recomendações da Direcção-Geral da Saúde, a participação nos espectáculos exige inscrição prévia, ficando asseguradas questões como a segurança de distanciamento e a higienização dos espaços. Programa completo e inscrições em https://cm-feira.pt/web/guest/fora-dos-eixos.

2. Pelo quarto ano consecutivo, o FFIL – Freixo Festival Internacional de Literatura instala-se na vila manuelina de Freixo de Espada à Cinta para um fim de semana dedicado aos livros e à leitura. Promovida pela Editorial Novembro e pelo Município local, a iniciativa arranca às 21h00 do dia 24 de julho, no jardim do Museu da Seda e do Território, com a entrega do Prémio Literário Guerra Junqueiro à poeta Ana Luísa Amaral. Esta quarta edição vai oficializar a realização do FFIL Lusofonia, que terá lugar em Novembro deste ano, em Cabo Verde. Para assinalar este momento solene, estarão presentes Berta Nunes, secretária de Estado das Comunidades Portuguesas, o Embaixador da República de Cabo Verde em Portugal, Eurico Correia Monteiro, e a Embaixatriz Manuela Jorge Brito, em representação do município da Cidade da Praia, anfitriã do Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia 2020. Completa o programa a conversa que juntará, na Congida, os escritores Lídia Praça e José Manuel Barata-Feyo, cujo encontro está marcado para as 11 horas do dia 25 de julho. Saiba mais em https://www.facebook.com/Freixo-Festival-Internacional-de-Literatura-216506098842164/.

3.  Entre os dias 22 a 26 de Julho tem lugar a 24ª edição do Avanca Film Festival – Encontros Internacionais de Cinema, Televisão, Vídeo e Multimédia. Organizado em parceria pelo Cine-Clube de Avanca e pela Câmara Municipal de Estarreja, o certame reúne um conjunto de 111 obras cuja exibição será distribuída por Avanca, Estarreja e Ovar. A pequena mas acolhedora sala do Cinema Dolce Espaço, em Ovar, começou já a exibir os filmes mais marcantes da edição anterior e prepara-se, a partir de amanhã, para dividir as atenções entre as mostras de cinema de Itália, Japão, Croácia e Bósnia-Herzgovina (sempre às 16h00) e os filmes em competição (dias 23, 24 e 25, às 18h15 e 21h15), onde se percebe uma fortíssima presença do cinema português. Já esta noite, em modo antecipação, a longa-metragem “Sonhos”, que Joaquim Pavão rodou entre Santo Tirso e o Festival de Avanca do ano passado, abre mais cedo o espaço de competição, com exibição agendada para as 21h30 no Cine-Teatro de Estarreja. As Avanca Pitch Sessions e o Cinentertainment 9 completam o programa que pode ser consultado em http://www.avanca.com/.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Vemos, ouvimos e lemos... #3



1. Entre os próximos dias 09 e 12 de Julho, Leiria recebe a 7ª edição do Leiria Film Fest. Organizado por Bruno Carnide e Cátia Biscaia, o Festival centra-se exclusivamente no cinema independente em “dose curta”, distribuindo a sua secção competitiva pelas curtas-metragens de ficção, animação e documentário e premiando-as a nível local, nacional e internacional. Particularmente marcado pela pandemia de COVID-19 que nos assola, o programa deste ano será apresentado maioritariamente online, via facebook e instagram, com a passagem dos filmes da secção competitiva a ter lugar nos dias 09 e 10 de Julho, a partir das 21h00, e estando a sessão de exibição dos filmes vencedores agendada para as 21h00 do dia 11 de Julho, no Teatro Miguel Franco, em Leiria. Completam o programa conversas sobre escrita de cinema e direcção de actores e sessões várias, uma das quais, dedicada aos Filmes sobre Inclusão, a ter lugar no Auditório Municipal da Batalha, no dia 12 de Julho, pelas 17h00. Tudo para conferir em https://leiriafilmfest.com/. 

2. Arrancou na passada sexta-feira e prolonga-se até ao próximo dia 03 de Setembro. Falo da Feira do Livro de Braga, este ano a trocar o espaço físico pelo ambiente digital, mas a deixar aos seus habituais frequentadores um “cheirinho” da Feira que todos conhecem, dando-lhes a possibilidade de percorrer as habituais ruas deste certame, escolher as suas livrarias preferidas ou encontrar os espaços de eleição através do conhecido sistema Street View. Recomendações literárias, passatempos, loja online e conversas com autores nacionais e estrangeiros em streaming, são alguns dos aliciantes de um programa particularmente rico e diversificado. Nas conversas deste mês de Julho, sempre às 21h30, Joana Bértholo (dia 09), Lídia Jorge (dia 16), João Tordo (dia 21) e Afonso Cruz (dia 30) são alguns dos escritores convidados. Saiba mais em https://www.facebook.com/FeiraDoLivroDeBraga/.

3.  Referi aqui no blogue, há uns tempos atrás, que “visitamos uma exposição de Elizabeth Leite com a mesma emoção com que se visita um amigo querido. A franqueza no olhar e no traço são como o abraço que aquece e anima. Sem dissimulações nem falsidades, a vida vive-se aqui olhos nos olhos e a verdade é um ideal de todas as horas. Das personagens tão vivas, tão gente, derrama-se uma tal bondade que é com o coração pequenino que nos deixamos invadir pela sua sinceridade e nos revemos naquilo que fomos, naquilo que somos.” É desta notável artista, nascida na Venezuela em 1982 e a residir em Oliveira de Azeméis desde 1989, que por estes dias pode ser vista a série de trabalhos intitulada “Rosário” e que está patente ao público até ao próximo dia 31 de Julho, no belíssimo espaço da Casa das Artes de Miranda do Corvo. Fica o apontamento e o convite a uma visita que não deixará ninguém indiferente. Elizabeth Leite e a sua pintura estão ali para nos mostrar quão curta é a distância que vai da tela ao coração.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Vemos, ouvimos e lemos... #2



1. “O silêncio abre o coração das sombras. Por tal sossego, as árvores caminham. Mas são as mulheres quem lhes assegura a elegância do porte (...)”. Foi com estas palavras, bebidas do poema “Uma beleza dificílima”, de Eduarda Chiote, e ditas pela voz de Carlos Nuno Granja, que teve início a 200ª emissão do programa radiofónico “A Ler É Que A Gente Se Ouve”. No ar todas as segundas feiras, entre as 21h00 e as 22h00 nos 98.7 da Antena Vareira FM ou em www.radioavfm.net, o programa prepara-se para soprar cinco velas e tem-se afirmado como um veículo ímpar nesse esforço de divulgação da literatura e da prova da importância dos livros nas nossas vidas. As 2000 sugestões de livros enunciadas até à data e as mais de duas centenas de escritores homenageados, estão aí a atestar o valor deste verdadeiro porta-estandarte cultural tão brilhantemente assumido por Carlos Nuno Granja. Nesta edição “redonda”, o apresentador – que é também escritor – trouxe-nos a poesia de Wanda Ramos e de Eduarda Chiote, prestando-lhes a devida homenagem e realçando a importância de ambas no surgimento e afirmação do movimento pós-modernista. Ao longo do programa, Luísa Sobral assumiu a vertente musical, emprestando ao momento uma invulgar suavidade e delicadeza. Depois disto, será que vai perder o próximo programa?

2. Chama-se “Margarida Espantada” e é o mais recente romance de Rodrigo Guedes de Carvalho. Editado pela Dom Quixote e abordando temas como a violência doméstica e a saúde mental, o livro é apresentado pelo próprio autor como sendo “um livro duro”, que não devemos recear: “As histórias que mais nos prendem trazem uma catarse que nos carrega as mágoas, personagens que apresentam as suas semelhanças connosco. Gosto da ficção que é número arriscado de circo, com fogo e espadas, que nos faz chegar muito perto da queimadura que não vamos realmente sentir. Mas reconhecemos”, diz. É possível ouvir Rodrigo Guedes de Carvalho ler um excerto deste seu livro a partir da sua conta do Facebook, e é também possível saboreá-lo como audiolivro, pela voz do próprio jornalista, adquirindo-o em kobo.com. Mas o melhor, digo eu, é mesmo comprar o livro na sua versão papel, disponível nas bancas desde o passado dia 02 de Junho.

3. Depois de Afonso Cruz, Ana Margarida de Carvalho e Bruno Vieira Amaral, o Plano Municipal de Leitura de Matosinhos (PML) regressa já na próxima semana com a escritora Isabel Stilwell. Moderada pelo escritor e jornalista Sérgio Almeida, a sessão terá lugar no dia 25 de Junho, às 18h30, podendo ser acompanhada a partir da página do Facebook da autarquia em facebook.com/camaramunicipalmatosinhos/. Jornalista e escritora, Isabel Stilwell estreou-se na escrita de romances históricos com “Filipa de Lencastre”. O seu mais recente livro, “D. Manuel I – Duas Irmãs para um Rei”, com chancela da Editorial Planeta, acaba de ser editado, nele se contando a história de um dos reis mais importantes da nossa História, construtor do império global português, na verdade um homem que não nasceu para ser rei e que chegou ao trono depois de ver morrer o sobrinho e ver assassinar o irmão e o cunhado. Tudo isto numa época fascinante dos Descobrimentos, em que Lisboa se enche de espiões e especiarias. Este será, certamente, um dos temas de conversa do próximo PML, mas haverá muitos mais. Anote já na agenda e não perca!