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terça-feira, 28 de julho de 2020

Vemos, ouvimos e lemos... #6



1. A pandemia da covid-19 fez com que este ano a 37.ª edição do “Jazz em Agosto” fosse cancelada. A alternativa surge com a designação de “Jazz 2020” e resulta de uma parceria entre a Fundação Calouste Gulbenkian, a Associação Porta-Jazz, sediada no Porto, e o Jazz ao Centro Clube, que opera em Coimbra. Assim, entre os dias 31 de Julho e 09 de Agosto, o magnífico Anfiteatro ao Ar Livre da Fundação receberá o “Coreto”, formação que reúne muitos dos músicos que gravitam em torno da associação portuense, mas também o quinteto da trompetista Susana Santos Silva, “Impermanence”, e o projeto “Dentro da Janela”, comandado pelo saxofonista João Mortágua. As propostas passam ainda pelo quinteto feminino “Lantana”, a harpista Angélica Salvi, o trio “The Selva” e o pianista Daniel Bernardes com o “Drumming GP”. Coimbra receberá actuações de dois trios (o “TGB” de Sérgio Carolino, Mário Delgado e Alexandre Frazão, e a parceria entre Luís Vicente, Hugo Antunes e Pedro Melo Alves) e pelo Porto passarão o “André Rosinha Trio” e o quarteto que junta Ricardo Toscano, Rodrigo Pinheiro, Miguel Mira e Gabriel Ferrandini. O programa completo pode ser consultado em https://gulbenkian.pt/musica/jazz-2020/.

2. Sob o tema “Diversidade-Investigação. O Complexo Espaço da Comunicação pela Arte”, a XXI Bienal Internacional de Arte de Cerveira está de regresso e volta a marcar o calendário nacional de eventos de 01 de Agosto a 31 de Dezembro de 2020. Mantendo-se estruturado segundo o modelo que o carateriza desde a primeira edição, em 1978, o evento integra, para além da exposição do concurso internacional e artistas convidados, onze projectos curatoriais, intervenções artísticas, conferências, conversas e visitas guiadas, oferecendo ao público as mais recentes realizações artísticas e tendências estéticas da arte moderna em Portugal e no mundo. Para além da integração de trabalhos no espaço público da ‘Vila das Artes’, e contribuindo para a descentralização cultural, o evento volta a expandir-se pelo Norte de Portugal, com exposições em Alfândega da Fé, Viana do Castelo, Vila Praia de Âncora e Monção. Reforçando a internacionalização do evento, a Fundação Bienal de Arte de Cerveira apresenta, pela primeira vez, uma edição digital que permitirá ao público a visita virtual à bienal de arte mais antiga do país e da Península Ibérica a partir de qualquer parte do mundo. Saiba tudo em https://bienaldecerveira.pt/.

3.  A Tinta-da-china acaba de lançar, numa edição limitada a duzentos exemplares e numerada, “A Cidade Que Não Existia”, do fotógrafo Alfredo Cunha. A este propósito, recuperamos as palavras de Luís Pedro Nunes: “Este não é um livro de imagens (só) sobre a Amadora. É um retrato de Portugal e dos portugueses. Revejo aquelas caras dos anos 70 na minha Escola Primária do Alentejo, todos índios, sujos e (sejamos sinceros) um pouco ranhosos. A pobreza era o denominador comum — sendo que havia um grande fosso entre o ‘remediado’ e o pobre, entre a janela do apartamento e o outro lado da ribeira. Estes são os portugueses de antes, mas também os de hoje. Nos anos 70, Alfredo fotografou na Amadora um país que já não podia existir, mas que teimosamente queria estar só no mundo. Voltou 50 anos depois para fotografar o país a ser, a rir — a querer ousar. Apanhou um país suspenso, num pânico enclausurado — a antítese do que quer para o seu trabalho. Viu ruas sem gente, caras tapadas por máscara e sem expressão, aquele momento em que se está a cair no abismo e ainda não se sabe como vai ser o impacto.” O preço de cada exemplar é de € 95,00 e vem acompanhado de uma fotografia autografada pelo autor e carimbada. Encomendas directamente com a editora em https://tintadachina.pt/produto/a-cidade-que-nao-existia-edicao-especial-fotografia/.

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