CERTAME: FESTA - Sons da Lusofonia
Com | OSSN, Daniel Pereira Cristo + Comunidade, Carla Castelhano, Bárbara Bandeira, Blaya, Lucas Santtana, Cheny Wa Gune, Do Cabo Do Mundo, Expresso Transatlântico, António Zambujo e Stereossauro + Convidados
Parque Urbano de Ovar
10 e 11 Jul 2025 | sex e sab | 18:00 às 00:30
Com uma forte adesão do público, o FESTA voltou a transformar o Parque Urbano de Ovar num amplo espaço de encontro entre a música de expressão lusófona, a natureza e a comunidade. Afirmando-se como uma das mais sólidas marcas identitárias da cultura ovarense, a 11.ª edição do festival reuniu milhares de pessoas em torno de uma programação que cruzou diferentes geografias, gerações e linguagens musicais, distribuída por três palcos e complementada por iniciativas que reforçaram a dimensão participativa do evento. Para além dos doze concertos, o “Lugar das Infâncias” voltou a afirmar-se como um espaço para todos, com oficinas, teatro, jogos e histórias, enquanto o “Espaço Conversas”, dinamizado pelo jornalista Rui Miguel Abreu, promoveu encontros informais entre artistas e público. A componente comunitária ganhou especial expressão no espectáculo de Daniela Pereira Cristo, desenvolvido com elementos dos coros Canto Décimo, Cáster Antiqua e Suspiro, bem como com o grupo de cordofones do Grupo Folclórico As Tricanas de Ovar, num projecto que reforçou a ligação do festival ao território e às colectividades locais. Mais do que uma sucessão de concertos, o FESTA voltou, assim, a afirmar-se como uma celebração da cultura em língua portuguesa, da partilha e da participação, proporcionando uma experiência vivida em família ou entre amigos, onde palco e plateia se encontraram num ambiente de proximidade e convivialidade.
A jornada inaugural abriu ao final da tarde de sexta-feira com OSSN, que apresentou um “live act” inspirado nas memórias e sonoridades cabo-verdianas, cruzando electrónica, ritmos hipnóticos e ambientes de forte carga evocativa. Seguiu-se um dos momentos mais marcantes desta edição, com Daniela Pereira Cristo a revisitar a música de raiz portuguesa num espectáculo construído em conjunto com dezenas de participantes locais, sublinhando a vocação comunitária do FESTA. Um pôr-do-sol exuberante viu Carla Castelhano assumir a banda sonora do recinto com um “dj set” que percorreu influências do jazz, da folk e das músicas do mundo e preparando o ambiente para os concertos da noite. Bárbara Bandeira foi a primeira cabeça-de-cartaz do FESTA, apresentando “Lusa: Acto II”, novíssimo trabalho que assinala uma nova etapa do seu percurso artístico e que conciliou os temas mais recentes com alguns dos maiores êxitos da cantora. O encerramento da primeira noite pertenceu a Blaya que, com “ARRAIÁ.L”, trouxe ao Parque Urbano um espectáculo marcado pela energia contagiante, cruzando o espírito dos arraiais portugueses com as festas juninas brasileiras, numa actuação de forte interacção com o público e que colocou milhares de pessoas a dançar pela noite fora.
O segundo dia evidenciou de forma ainda mais clara a matriz lusófona do festival, iniciando-se com Lucas Santtana, que apresentou os temas de “Brasiliano”, trabalho onde celebra a riqueza da língua portuguesa. Cheny Wa Gune prosseguiu a viagem musical através da fusão entre a tradição da timbila moçambicana e o afro-pop contemporâneo, antecedendo Do Cabo do Mundo, projecto que recria a obra de Fausto Bordalo Dias através da participação de músicos imigrantes residentes em Portugal e que se cotou como um dos pontos altos do certame. Expresso Transatlântico encerrou a programação da tarde com a energia do álbum “Trópico Paranóia”, voltando Carla Castelhano a assumir, ao início da noite, o habitual momento de transição entre os concertos. António Zambujo protagonizou o espectáculo mais aguardado do festival, percorrendo canções do seu mais recente disco, “Oração ao Tempo”, sem esquecer um vasto conjunto de temas que marcam a sua carreira e fizeram as delícias do público. O encerramento ficou entregue a Stereossauro que, acompanhado por um conjunto de convidados especiais, apresentou um espectáculo onde a electrónica dialogou com o património musical português. Foi o ponto final festivo numa edição que voltou a afirmar o FESTA como uma referência cultural da região e um espaço privilegiado de encontro entre artistas, público e comunidade.