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quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Vemos, ouvimos e lemos... #15



1. Ao longo da próxima semana, a cidade de Espinho volta a ser a Capital Nacional do Cinema de Animação. Trata-se da 44ª edição do CINANIMA – Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho que, de 09 a 15 de Novembro, se derrama nos ecrãs do Centro Multimeios de Espinho, estendendo-se aos espaços da Junta de Freguesia de Espinho, Biblioteca Municipal e às nossas casas por subscrição na plataforma Kinow, em https://cinanima.kinow.tv. Os quadros competitivos nacionais e internacionais mantêm-se no formato dos anos anteriores, destacando-se, na competição nacional, o Prémio António Gaio ao melhor filme e também o Prémio Jovem Cineasta Português. O Countryside Animafest (Chipre) e o Zlín Film Festival (República Checa) são os festivais convidados desta edição. Dentre o vasto conjunto de iniciativas, destaque ainda para a retrospectiva do trabalho da realizadora francesa Florence Miailhe. Saiba tudo em https://www.cinanima.pt/.

2. Iniciativa do coletivo de galerias FORUM fotografia/filme PORTO, o MIP - Mês da Imagem do Porto arrancou no passado dia 31 de Outubro e vai estender-se até ao final do ano, ocupando os espaços do MIRA FORUM, OPPIA, Espacio Jhannia Castro, Espiga, Galeria Adorna, Salut au Monde! e The Cave Photography. Inicialmente agendada para Abril, esta terceira edição do certame traz com ela um conjunto de exposições imperdíveis, das quais destacaria “Transa, Baladas do Último Sol”, de Ângela Berlinde, co-fundadora dos Encontros da Imagem de Braga, Curadora do Museu da Fotografia de Fortaleza (Brasil) e Curadora convidada da Bienal de Fotografia de Pequim (China). Renata Siqueira, Pedro Cadilhe, Adélia Gonçalves, Gregor Sailer, José Sérgio, Lionel Jusseret, Maria Oliveira e Mathilde Cudeville são outros nomes cujos trabalhos podem ser vistos no âmbito do certame. Visitas comentadas, workshops, mostras de cinema, apresentações de livros e um vasto de conjunto de conversas completam o programa que pode ser consultado na íntegra em https://www.mesimagemporto.pt/.

3. De 11 a 14 de Novembro, em Tondela, celebra-se a 26ª edição do FINTA - Festival Internacional de Teatro ACERT. Projectos teatrais, tanto nacionais como internacionais, espectáculos de sala, exposição Cut & Paste, formação e apresentação de livros são ingredientes de uma iniciativa marcante para a ACERT e que se pretende igualmente marcante para todos quantos tiverem o ensejo de nela participar. “Antevôo da Passarola”, uma criação do Trigo Limpo teatro ACERT a partir da adaptação do romance “Memorial do Convento”, de José Saramago, será a peça de abertura do Festival. Acontecimento ímpar, esta festa do teatro vem ao encontro da necessidade de “sermos alimentados de sonhos, de magia, de cumplicidade, de outras vivências… “, conforme se pode ler na apresentação do Festival. O programa do festival pode ser detalhado em https://acert.pt/finta/.

terça-feira, 18 de junho de 2019

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: "A Cidade Que Não Existe"


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EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “A Cidade Que Não Existe”,
de João Pádua
OPPIA – oPorto Picture Academy
Mês da Imagem do Porto 2019
10 Jun > 21 Jun 2019


“Entrincheirada entre duas utopias situa-se a cidade que não existe. É uma cidade imaginada, enleada em medos e desejos. Tendo como musas, por um lado, “As Cidade Invisíveis”, imaginadas pelo Italo Calvino e, por outro, o filme “Blade Runner”, de Ridley Scott, serviram estas de mote e moldura em filigrana que entrevi e registei na minha visita a Chongqing, na China. Sem qualquer tipo de preocupação em documentar fidedignamente o local, apropriei-me das peças soltas que fui encontrando pelo caminho e com elas reconstruí a cidade que tinha imaginado antes, ou melhor, aquela cidade que sensibilizou o meu imaginário. A cidade que necessitava ser expressa.”

Gérard Castello Lopes afirmava que “a fotografia é uma forma de ficção” e João Pádua, com esta série de belíssimas imagens, mais não faz do que reforçar essa ideia, aclarando-a no texto acima. “A fotografia é ao mesmo tempo um registo da realidade e um auto-retrato, porque só o fotógrafo vê aquilo daquela maneira”, dizia ainda o mestre e é nessa medida que a cidade que João Pádua nos dá a ver, na verdade, “não existe”. Atentando nestas imagens que se abrem ao nosso olhar, percebemos que a sua fotografia é feita de reflexos, silhuetas, vislumbres fugidios que, à luz dos néons, oferecem um espaço virtual onde se penetra como num sonho. São instantes de vida que ora estão, ora desaparecem no momento imediato, congelados na lente do artista e assim devolvidos, envoltos em misteriosa névoa, deixando no ar uma inquietação em volta do espaço e do tempo.

“A Cidade Que Não Existe” foi uma das peças integrantes do MIP – Mês da Imagem do Porto, conjunto de exposições, colóquios e workshops que conheceu, em Abril passado, a segunda edição. Patente só até ao próximo dia 21 de Junho, no simpático espaço da OPPIA - oPorto Picture Academy, à Rua Barão de S. Cosme, esta exposição foi “recuperada” numa oportuna finissage, dando àqueles que não conseguiram, por diversas razões, testemunhar e comungar deste magnífico conjunto de imagens que João Pádua propõe artisticamente, a possibilidade de o fazerem agora. A não perder!

quarta-feira, 10 de abril de 2019

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: "Desmantelamento de um Rio"


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EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “Desmantelamento de um Rio”,
de Bruno Silva
Mês da Imagem do Porto
IPCI – Instituto de Produção Cultural e Imagem
06 Abr > 11 Mai 2019


Com o nome ligado ao rio que a atravessa e cuja origem remete para uma lenda que nos fala duma sangrenta batalha no período da Reconquista e que terá deixado as águas do pequeno curso tingidas de sangue, Rio Tinto é uma freguesia do concelho de Gondomar, localizada a oriente da cidade do Porto. O rio nasce em Ermesinde, muito perto do limite norte da freguesia e é a principal, e quase única, linha de água existente. Durante séculos forneceu água às populações que viviam nas margens, bem como às dezenas de moinhos que permaneceram activos até ao final dos anos 60. Nas últimas décadas, porém, a expansão urbanística fez com que parte do rio fosse entubado e os crimes ecológicos sucederam-se, tornando Rio Tinto num dos rios mais poluídos da região norte. Hoje decorre uma reestruturação profunda, que irá mudar para sempre o rio Tinto e a vida nas suas margens.

Desenvolvido ao longo de um ano, “Desmantelamento de um Rio” procura guardar a memória possível dum espaço marcado pelo rio de forma indelevel. Embora o fotógrafo nos abra a possibilidade de observarmos o seu curso, é na forma como o rio se faz presente, no efeito produzido naqueles que com ele coabitam, que Bruno Silva se foca. A nota é a de uma ruralidade marcada, com gente que continua a retirar da terra os seus proventos e que ainda tem do rio uma imagem idílica. O que Bruno Silva não mostra – e muito bem! -, é o entorno urbanístico excessivo, próprio de uma comunidade com mais de 50.000 habitantes numa área inferior a 10 km2, uma pressão que apenas subtilmente se percebe nas águas poluídas ou nos detritos que inundam as margens do rio e que o artista disseca, sem outra pretensão que não a de partilhar o seu olhar sobre um território em mutação, deixando ao visitante os julgamentos devidos. Conjunto de 25 belíssimas imagens a preto e branco, “Desmantelamento de um Rio” integra o programa do MIP – Mês da Imagem do Porto e pode ser apreciado até ao dia 11 de Maio.

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Bruno Silva, nasceu na cidade do Porto, em 1983. Embora ao longo dos anos tenha frequentado pequenos cursos, workshops e masterclass, considera-se um autodidacta. Utiliza a fotografia como veículo narrativo em projectos na área do documental/pessoal. Em 2017 foi o vencedor da Bolsa Emergente Fotografia Documental Manifesto/I.P.C.I e fez parte da secção oficial do festival Galego Outono Fotográfico. Em 2018 integrou o Festival Encontros da Imagem de Braga e foi o vencedor da Bolsa Estação Imagem Coimbra.