Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta Editora Minimalista. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Editora Minimalista. Mostrar todas as mensagens

sábado, 14 de novembro de 2020

LIVRO: "Florbela"



LIVRO: “Florbela”,
de Sandrine Cordeiro
Ed. Minimalista, Setembro de 2020


“Aninhada no cadeirão do pai, fechou o livro. Inspirou profundamente. Tinha acabado de regressar da sua viagem literária. Num instante, afligiu-se. Não se lembrava de uma única frase, nem de uma única palavra, lidas nas duas horas anteriores. Levantou-se num ápice, sentiu tonturas e voltou a deixar-se cair no cadeirão. Não entendia nada daquilo. Este livro ainda me mata, pensou. Olhou em redor, a casa estava limpa.”

Saúde-se “Florbela”, primeiro romance da artista plástica, encenadora, actriz, realizadora e professora Sandrine Cordeiro, e saúde-se, igualmente, o projecto editorial Minimalista que, com o seu querer e a sua coragem, decidiu abrir-se ao mundo em tempos de pandemia, favorecendo o surgimento de obras literárias de inegável força e enriquecendo o mundo editorial e essa tão necessária partilha entre autores, maioritariamente desconhecidos, e os leitores.

Dar vida a um livro, pô-lo em diálogo com o leitor e, assim, acentuar a influência do objecto literário nas nossas vidas, tal é o desígnio de “Florbela”. É com emoção que, desde as primeiras páginas, vemos impor-se esta verdade e nos abandonamos à escrita de Sandrine Cordeiro, deixando-nos guiar através de uma floresta de sensíveis e delicadas cores, retratos de alma que nos mergulham na narrativa e nos tornam parte integrante sua. Saltitando entre o real e o imaginário, a autora faz de cada passagem um comovente momento poético que exalta os sentidos e predispõe ao sonho e à fantasia.

Cruzando escalas de tempo distintas, misturando personagens e conferindo à própria literatura um protagonismo insuspeitado, “Florbela” move-se num mundo fantástico onde a acção é obra do imponderável e o acaso só espreita uma brecha para nos surpreender. É assim com esta criança que decide começar a juntar as letras precocemente e adopta o nome de Florbela perante o espanto e a raiva da sua própria mãe. Um nome que não surge por acaso, como não serão fortuitos os passos que conduzem a menina à idade adulta e a levam a cruzar-se com outras personagens (ou com a ideia que delas faz) ao longo do seu trajecto de vida. Mas isso é algo que o leitor terá de desvendar, ao mesmo tempo percebendo que tem em mãos uma jóia rara que nos obriga a fixar o nome da autora e a aguardar ansiosamente por novos trabalhos.

sexta-feira, 31 de julho de 2020

Vemos, ouvimos e lemos... #7



1. Contra “queixas, lamúrias e mal-dizeres” nasce a Minimalista, editora livreira independente que surge da comunhão de esforços de doze escritores e três pessoas das artes plásticas e gráficas. Mapeando o seu território entre dois continentes separados pelo Atlântico, a Minimalista publica cada livro “como se fosse o mais especial do mundo” e entrega-se a ele “de corpo e alma”. Mas apesar de todo o idealismo em torno do projecto, os seus responsáveos não deixam de ser pragmáticos: “Chegaremos até onde os leitores permitirem, comprando os nossos livros”, afirmam. Lançado esta semana, “Aviões de papel”, de Paulo Kellerman, é o primeiro de um conjunto de treze títulos agendados até ao final de 2022. Já em Setembro sairá o primeiro romance de Sandrine Cordeiro e em novembro será publicada uma antologia com contos originais dos doze minimalistas. Para mais informações, visite a Editora em https://www.facebook.com/minimalista.editora/.

2. Rui Paixão vai usar o seu Instagram como uma galeria para exibir uma exposição de fotografia.  Intitulada “O vazio tem como abertura o desconhecido”, a mostra é o primeiro trabalho que o artista oferece ao público depois do seu regresso do Cirque du Soleil e da crise pandémica motivada pelo novo coronavírus. Inspirado na poesia de Edmond Jabès (1912-1991), poeta e escritor franco-egípcio, e em colaboração com os fotógrafos Carlos Gomes e Nélson Gomes, o artista pretende, desta forma, reflectir sobre o vazio, o desconhecido, a ausência e o isolamento. Palavras que espelham bem os tempos atuais e que na fotografia ganham forma de poema visual, expondo uma nova sociedade asfixiante e com poucas alternativas para o futuro. As fotografias vão ser postadas ao longo do mês de agosto, ao ritmo de uma fotografia por dia. Pode acompanhar a exposição fotográfica de Rui Paixão em: https://www.instagram.com/_ruipaixao_/?hl=pt.

3.  “As close as far away can be” é o mote da 16ª edição do FEST – Novos Realizadores, Novo Cinema, que arranca amanhã em Espinho e se estende este ano às cidades do Porto e de Lisboa. No total são mais de 230 filmes que, até 09 de Agosto, poderão ser vistos no Auditório da Junta de Freguesia de Espinho e num cinema drive-in instalado no Parque de Estacionamento da Nave Desportiva daquela cidade. As extensões simultâneas às duas maiores cidades do país farão circular as longas em competição pelo Cinema Trindade e Cinema Ideal e as curtas pela Casa Comum da Reitoria da Universidade do Porto. Entre os trunfos da edição 2020 do Festival estão, como não podia deixar de ser, a selecção de longas em competição, mas também o foco no cinema Letão e as agora reveladas sessões “Fast Forward” onde o evento continua a olhar os mais recentes trabalhos de cineastas que passaram pelas suas edições passadas. Programa completo e demais informação em https://site.fest.pt/pt.