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quinta-feira, 6 de março de 2025

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: "Folia" | Egídio Santos



EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “Folia”,
de Egídio Santos
Escola Secundária de Almeida Garrett - Espaço Augusto Pires
22 Fev > 14 Mar 2025


“Ó entrudo chocalheiro / Que não deixas assentar / As mocinhas ao solheiro”
José Afonso, “Moda do Entrudo”

Enquanto perduram as emoções do Carnaval e não se instala em definitivo esse tempo de expiação e pesar que é a Quaresma, é tempo de olhar “Folia”, exposição de fotografia de Egídio Santos que, até 14 de Março, pode ser vista no Espaço Augusto Pires, na Escola Secundária de Almeida Garrett, em Gaia. São mais de trinta fotografias que nos transportam a Vila Boa de Ousilhão, no concelho de Vinhais, ao encontro das suas gentes nesta particular quadro do Entrudo. Fruto de um trabalho que se estende de 2012 até aos dias de hoje e que acompanha uma das mais vincadas tradições nesta aldeia da Terra Fria Transmontana, “Folia” constitui-se num completo e precioso retrato da festa nas suas múltiplas dimensões, do cuidado posto nos preparativos aos característicos folguedos e tropelias, sem esquecer o jantar e o baile de fim de festa. Com grande sensibilidade e um raro sentido de oportunidade, o artista dá-nos a ver “máscaros”, “madamas” e “marafonos” em galhofas e folias de uma energia transbordante, sempre prontos a investir com as suas chocalhadas sobre as moças solteiras, como manda a tradição.

O cromatismo dos trajes e a exuberância dos gestos levam a que nos aproximemos de cada uma das imagens em busca das notas de originalidade ou de pormenor que as tornam distintas e únicas. Levado pela imaginação, o visitante parece escutar a estridência da vozearia onde o português e o galego se misturam, as invectivas provocadoras de quem pretende afirmar a sua masculinidade, os gritos das jovens (e menos jovens) assediadas ou o tinir constante das campainhas e dos pesados chocalhos que os foliões trazem ao peito e à cintura. A isto junta-se um intenso cheiro a fumo que se desprende das gigantescas fogueiras que ardem nos terreiros da festa, tornado mais acre devido à humidade que cobre o ar. Ao mesmo tempo, o olhar viaja ao encontro das intrigantes máscaras, preciosas obras de arte “com assinatura”, que têm por base a madeira, num ou noutro caso pintada, e que podem também ser de couro ou de zinco. De qualquer modo, sempre expressivas, conferindo aos mascarados um ar demoníaco.

Dança, arreliação, brincadeira e devoção são características de uma tradição que se perde na noite dos tempos, um acto simbólico que remete para uma possível ligação aos rituais agrários e de fertilidade numa altura em que o Inverno está a despedir-se e se anuncia a Primavera em brilho, cor e novidade. A sul de Vila Boa de Ousilhão, distando dela cerca de 40 quilómetros, Podence, no vizinho concelho de Macedo de Cavaleiros, tem na tradição do Entrudo Chocalheiro a sua marca distintiva, o que levou a que esta prática social viesse a ser inscrita na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO em 2019. Louve-se o trabalho e a dedicação de quem não desiste de manter viva a tradição; e louve-se a resiliência, persistência e a arte de bem fotografar de Egídio Santos, incansável guardião dos mistérios e doutrinas desta festa tão especial. Quem quiser apreciar esta exposição deverá fazê-lo até ao próximo dia 14 de Março, mediante marcação através do endereço monicamendes@esgarrett.com.pt. Boa visita!

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Vemos, ouvimos e lemos... #11



1. A bordo do Navio Gil Eannes, foi inaugurado no passado dia 19 de Setembro o Centro de Imagem, Identidade e Memória da Câmara Municipal de Viana do Castelo, valência criada como instrumento funcional para fomentar o conhecimento do património imagético do Município, que compreende os espólios fotográficos, o fundo postal e o fundo fílmico em arquivo, bem como promover o reconhecimento da produção contemporânea de fotografia, no universo de identidade local. A assinalar o momento, está patente ao público até finais de Outubro a exposição de fotografia “Estaleiros de Viana: Trabalho e memória”, da autoria de Egídio Santos. Documentando o quotidiano dos antigos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, formalmente extintos em 31 de Março de 2018, a mostra é o resultado de uma reportagem que o fotógrafo fez para o jornal Independente, complementada por novos registos, datados de 1992, ”pelo prazer de fotografar", recorda Egídio Santos, considerando que o seu espólio retrata "o ambiente do que era a vida dos estaleiros nessa altura". Mais informações em http://www.cm-viana-castelo.pt/pt/directorio/centro-de-imagem-identidade-e-memoria.

2. Promovido pela Companhia de Dança Contemporânea de Évora, decorre até ao dia 10 de Outubro o FIDANC – Festival Internacional de Dança Contemporânea. Com uma programação reestruturada de forma a responder ao atual contexto de pandemia e oferecer aos públicos dança contemporânea, o cartaz revela-se mais intimista que em edições anteriores, acolhe menos público, mas a grande dimensão artística da linguagem da dança contemporânea não estará menos presente. Espetáculos, workshops e conversas com o público, direcionados a plateias reduzidas, espalham-se por três espaços da cidade de Évora. Online apresentam-se espetáculos para a infância, a estreia absoluta da nova criação “Algo Novo” de Gonçalo Almeida Andrade, e Curtas de Dança, uma oferta para a infância e família para ser vista em casa ou na escola. O festival abriu com a criação “A Universal Weakness” (excerto) da coreógrafa Carla Jordão, uma produção da Companhia de Dança de Almada, premiada na Alemanha, em 2019, prosseguindo agora com um pequeno ciclo de mostra de obras da criadora Amélia Bentes. No dia 3 de Outubro, na Igreja de S. Vicente, apresenta-se “Ensaio sobre a Cegueira” baseado na obra de José Saramago, uma criação de Nélia Pinheiro. O programa completo pode ser consultado em http://www.cdce.pt/.

3.  De 30 Setembro a 09 de Outubro, decorre em vários espaços da capital a quarta edição do Mental – Festival da Saúde Mental, uma produção da Safe Space Portugal cujo objectivo continua ser quebrar estigmas, dar visibilidade e manter aberta a conversa entre “absolutamente toda a gente” sobre a saúde mental. O evento traz cinema, música, dança, teatro, literatura, debates e conversas temáticas aos espaços do Cinema S. Jorge, epicentro do Festival, Espaço Atmosfera M Lisboa e Fábrica de Braço de Prata. O arranque é feito com o debate “Pandemia: do real ao digital” no Cinema São Jorge, esta quinta-feira. Do programa contam as imprescindíveis M-talks, uma Mostra Internacional de Curtas-Metragens, filmes e teatro dedicados aos mais novos, uma performance de dança “Acontece”, interpretada por pessoas com histórico de doença mental, o lançamento do livro “Cartas do Confinamento”, de Tiago Salazar e Frederico Duarte Carvalho. O encerramento terá lugar na Fábrica Braço de Prata, onde Kátia Guerreiro e Sumar irão falar “de um episódio menos bom da sua vida e cantar temas que ajudaram a passar essa fase”. Saiba tudo em https://mental.pt/.