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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

O MELHOR DE 2025: CONCERTOS



10. António Zambujo
XXII Encontro de Culturas
Praça da República, Serpa
07 Jun 2025 | sab | 22:00

“ (…) Mas se “Cidade”, álbum editado em 2023 e que integra apenas músicas compostas e escritas por Miguel Araújo, foi uma espécie de fio condutor do concerto, foi com “Guia” que tudo começou, o cantor a “atravessar o oceano” e a encontrar “terra firme” precisamente em Serpa, numa Praça repleta de alegria e entusiasmo, na expectativa de uma grande noite.” Tudo para ler em https://errosmeusmafortunaamorardente.blogspot.com/2025/06/concerto-antonio-zambujo.html



9. Lina_ & Marco Mezquida
Misty Fest
Casa da Música - Sala 2
14 Nov 2025 | sex | 21:30

“ (…) Ao longo de quase uma hora e meia, “O Fado” abriu-se em certeza e diálogo, unindo e reinventando, revelando uma simbiose perfeita com outros géneros e ritmos - da música tradicional aos sons do Brasil, da canção espanhola às marchas de Santo António. Reconhecidamente rica e expansiva, a voz de Lina_ ofereceu-se pura e límpida, ganhando asas e elevando-se nos acordes cristalinos do piano, tecnicamente irrepreensível, ainda que redundante e menos contido aqui e ali. Mesmo assim, Marco Mezquida soube encontrar o equilíbrio entre o lirismo subtil e uma abordagem quase sinfónica, criando uma tensão estrutural que encheu o palco e seduziu o público.” Tudo para ler em https://errosmeusmafortunaamorardente.blogspot.com/2025/11/concerto-lina-marco-mezquida.html



8. The Art of Song vol.2 - Between Sacred and Profane
Com | Filipe Raposo (piano e composição musical), Rita Maria (voz e composição musical)
Auditório de Espinho – Academia
23 Fev 2025 | dom | 18h00

“ (…) Extraída de “Galinhas do Mato”, o último álbum editado em vida por Zeca Afonso, “Alegria da Criação” abriu o concerto e foi dele “pedra de toque”. Escutar em fundo a voz e adufe de Idalina Gameiro (também o adufe de Emília Antunes) como uma ladainha, sobre a qual se impõe a pureza das cordas (vocais de Rita Maria e do piano de Filipe Raposo), é no mínimo arrepiante. Os ritos e os mitos que se estendem ao longo do concerto levam-nos de regresso à origem, explicando mistérios, apaziguando e reconfortando, conferindo significado e valor à nossa existência.” Tudo para ler em https://errosmeusmafortunaamorardente.blogspot.com/2025/02/concerto-art-of-song-vol2-between.html



7. Dino d’Santiago
Casa da Criatividade
12 Jun 2025 | qui | 21:30

“ (…) Ao longo de quase duas dezenas de temas, Dino d’Santiago e a sua banda definiram o pendor da festa, oferecendo a um público esfuziante de entusiasmo momentos de verdadeira igualdade, celebração e partilha. De uma energia sem limites, o artista começou por cantar “Nos tradison” e vincar a importância de olhar para trás, para os valores e para a tradição, se queremos seguir em frente.” Tudo para ler em https://errosmeusmafortunaamorardente.blogspot.com/2025/06/concerto-dino-dsantiago.html



6. A garota não
Com | Cátia Mazari Oliveira (guitarra e voz), Sérgio Miendez (guitarra e baixo), João Mota (teclados, guitarra, baixo e voz) e Diogo Arranja Sousa (bateria)
Centro Cultural de Paredes
25 Out 2025 | Sab | 21:30

“ (…) A apresentar “Ferry Gold”, o seu mais recente trabalho discográfico, A garota não tornou a bater na tecla da música de intervenção com uma frescura e vivacidade como há muito se não via, o que faz do seu projecto um dos mais estimulantes, emotivos e inspiradores da nova música portuguesa. Marcado pela consciência social, pela recusa da complacência e pela denúncia da injustiça, desigualdade e discriminação, o seu trabalho é fruto de uma trajectória pessoal, de quem viveu a precariedade nas mais diversas formas e teve de ser fazer à vida com “uma força a crescer-lhe nos dedos e uma raiva a nascer-lhe nos dentes”.” Tudo para ler em https://errosmeusmafortunaamorardente.blogspot.com/2025/10/concerto-garota-nao.html



5. Voz e Guitarra
Com | Carolina Deslandes (voz), Feodor Bivol (guitarra)
Cineteatro António Lamoso
09 Mai 2025 | sex | 21:30

“ (…) Cruzando canções que ilustram treze anos de uma carreira recheada de belíssimos momentos, com alguns exemplares de um novíssimo álbum a sair ainda este mês, Carolina Deslandes provou que os sonhos de uma artista e uma artista de sonho podem ser uma e a mesma coisa. “Dois Dedos de Testa” abriu as hostilidades de forma afirmativa - “Quero ser dona da festa / Tenho dois dedos de testa” - e deu o mote para um concerto fortemente intimista, de emoções à flor da pele.” Tudo para ler em https://errosmeusmafortunaamorardente.blogspot.com/2025/05/concerto-voz-e-guitarra-carolina.html



4. Pedro Abrunhosa
Centro de Arte de Ovar
13 Jun 2025 | sex | 21:30

“ (…) Em Ovar, num Centro de Artes há muito esgotado, o artista começaria por saudar o público, afirmando ser a sua presença “o maior tributo à cultura portuguesa”. Uma cultura que, referiria, “nunca foi tão importante para defender a soberania, a democracia e, sobretudo, a paz.” E foi sob o signo da Paz que o concerto decorreu, com a música a carregar consigo mensagens onde as palavras “paz”, “luz” e “amor” foram signos e símbolos de um enorme momento: Íntimo, profundo, intenso, vivo, espiritual.” Tudo para ler em https://errosmeusmafortunaamorardente.blogspot.com/2025/06/concerto-pedro-abrunhosa.html



3. Jorge Palma & Júlio Resende
Cine-Teatro de Estarreja
21 Jun 2025 | sab | 21:30

“ (…) Os acordes que precederam “O Meu Amor Existe”, tema de abertura do concerto, faziam antever algo de muito especial. Ainda que facilmente reconhecíveis, Júlio Resende soube revesti-los de um lirismo único, uma quase pureza, transportando o público ao “grau zero” da criação. Mas foi quando as palavras, frágeis e incertas, se soltaram da garganta de Jorge Palma, que o concerto se estabeleceu nesse lugar único onde os homens e os deuses se tocam.” Tudo para ler em https://errosmeusmafortunaamorardente.blogspot.com/2025/06/concerto-jorge-palma-julio-resende.html



2. Inspirar
Danças Ocultas
Com | Artur Fernandes, Filipe Cal, Filipe Ricardo, Francisco Miguel
Misty Fest 2025
Teatro Aveirense
12 Dez 2025 | sex | 21:30

“ (…) A música dos Danças Ocultas nunca é sombria, mesmo quando se move na melancolia. Nela encontramos sempre uma fresta de luz, uma promessa de clareza no meio da contenção. Não é música para consumo rápido, mas para escuta profunda, exigente e, paradoxalmente, reconfortante. Mais do que um simples concerto, o que se viveu no Teatro Aveirense foi uma experiência de partilha sensível, onde os acordes pareceram procurar um lugar íntimo na memória daqueles que tiveram o privilégio de os escutar. Inspirar, como o título bem sugere, foi gesto de recolha, de interiorização, contrastando com a trilogia de álbuns anteriores, mais voltados para fora, para o “respirar” como movimento de saída.” Tudo para ler em https://errosmeusmafortunaamorardente.blogspot.com/2025/12/concerto-inspirar-dancas-ocultas.html



1. Meredith Monk
Com | Meredith Monk (voz e teclados), Katie Geissinger (voz), Allison Sniffin (voz, violino e teclados)
Auditório de Espinho – Academia
14 Out 2025 | ter | 21:30

“ (…) O que à primeira escuta pode parecer uma música “simples”, revela-se, na verdade, como um refinado processo de despojamento, reduzindo a composição ao essencial, na busca de uma forma de pureza quase espiritual. Depurada ao máximo, esta, como todas as restantes peças que compuseram o concerto, não conta uma história no sentido narrativo convencional, antes convoca sensações, estados de alma, geografias interiores. A voz, esse enorme instrumento, é moldada com uma liberdade quase xamânica — como se Monk quisesse cantar antes das palavras, antes da gramática, antes mesmo da consciência de ser. Há algo de poeira e terra molhada, de vento nas montanhas, de infância da humanidade em cada composição.” Tudo para ler em https://errosmeusmafortunaamorardente.blogspot.com/2025/10/concerto-meredith-monk.html

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

CONCERTO: "Inspirar" | Danças Ocultas



CONCERTO: “Inspirar”
Danças Ocultas
Com | Artur Fernandes, Filipe Cal, Filipe Ricardo, Francisco Miguel
Misty Fest 2025
Teatro Aveirense
12 Dez 2025 | sex | 21:30


Há mais de três décadas que os Danças Ocultas ocupam um lugar singular no panorama da música portuguesa, erguendo o acordeão diatónico, de instrumento associado ao folclore, para uma linguagem de câmara subtil e profundamente emotiva. Fundado em 1989 por Artur Fernandes, Filipe Cal, Filipe Ricardo e Francisco Miguel, o quarteto tem sabido construir uma obra coerente e exigente, onde o minimalismo e o lirismo se vestem de contenção expressiva e de um virtuosismo envolvente e sedutor. A sua música, tantas vezes descrita como “folk impressionista”, vive de equilíbrios delicados entre o popular e o erudito, entre o enraizamento na tradição e uma vocação universal que os tem levado a percorrer as mais diversas geografias e a pisar dezenas de palcos um pouco por todo o mundo. Ao longo de álbuns como “Ar”, “Pulsar”, “Amplitude” ou “Dentro Desse Mar”, e de colaborações com coreógrafos, orquestras e músicos de diferentes latitudes, os Danças Ocultas foram afinando uma gramática própria, feita de escuta mútua, emoção colectiva e uma rara inteligência do silêncio. Não tocam para danças existentes, mas para movimentos ainda por inventar, nessa suspensão residindo grande parte do seu magnetismo.

Foi com esse património artístico bem presente que os Danças Ocultas regressaram a um Teatro Aveirense completamente esgotado, ao mesmo palco onde se estrearam em maio de 1989 num Sarau Académico. A apresentação de “Inspirar”, o seu décimo álbum de estúdio e o primeiro após um ciclo marcado por colaborações mais expansivas, soou como um regresso à essência: quatro músicos, quatro cadeiras em semicírculo, e uma música que respira para dentro antes de se expandir no ouvido de quem escuta. A abertura com “Pulsar” estabeleceu desde logo o tom meditativo do concerto, seguida de “Pedra do Sol” e da recuperação de temas como “Tarab”, “Bulgar” ou “Alento”, num alinhamento que cruzou o presente com diferentes momentos de uma extraordinária carreira. Houve especial destaque para “Amplitude”, álbum charneira, de onde surgiram seis temas, culminando num final com “Diatónico”, recebido com o mais longo e caloroso aplauso. Atento e cúmplice, o público soube responder com uma escuta quase ritual, quebrada apenas por manifestações de entusiasmo destinadas a agradecer não só a música, mas também a fidelidade a uma visão artística sem concessões.

A música dos Danças Ocultas nunca é sombria, mesmo quando se move na melancolia. Nela encontramos sempre uma fresta de luz, uma promessa de clareza no meio da contenção. Não é música para consumo rápido, mas para escuta profunda, exigente e, paradoxalmente, reconfortante. Mais do que um simples concerto, o que se viveu no Teatro Aveirense foi uma experiência de partilha sensível, onde os acordes pareceram procurar um lugar íntimo na memória daqueles que tiveram o privilégio de os escutar. Inspirar, como o título bem sugere, foi gesto de recolha, de interiorização, contrastando com a trilogia de álbuns anteriores, mais voltados para fora, para o “respirar” como movimento de saída. Na noite da passada sexta-feira, em Aveiro, confirmou-se uma evidência antiga: poucas formações conseguem transformar um instrumento de limitações técnicas assumidas num território tão vasto de emoção partilhada. Daí o espanto, daí o aplauso devido a um agrupamento apostado em provar que a tradição, quando pensada com rigor e imaginação, não é um lugar de nostalgia, mas de empatia. Um espaço vivo, contemporâneo, aberto ao mundo e a cada um de nós.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

CONCERTO: Danças Ocultas com Jacques Morelenbaum e Dora Morelenbaum



CONCERTO: Danças Ocultas com Jacques Morelenbaum e Dora Morelenbaum
Misty Fest 2018
Casa da Música
21 Nov 2018 | qua | 21:00


Quando todos pensavam que, com o sublime “Amplitude” - álbum lançado em 2016 e que contou com a participação da Orquestra Filarmonia das Beiras -, os Danças Ocultas tinham atingido o topo duma carreira de duas décadas de enorme sucesso e já pouco mais teriam para dar, eis que surgem agora, com redobrado “fole”, oferecendo uma nova pérola à qual deram o nome de “Dentro Desse Mar”. Um mar que é o vasto e imenso Atlântico, esse mar que abraça, com mãos ambas, Portugal e o Brasil. Foi para nos dar conta desse “abraço” que Artur Fernandes, Filipe Cal, Filipe Ricardo e Francisco Miguel, quarteto de Águeda que trata as concertinas como ninguém, subiram ao palco da Casa da Música, trazendo na bagagem mil histórias para contar e mil imagens para mostrar. Mas não vieram sós. No seu seio, acolheram o violoncelista Jacques Morelenbaum – igualmente produtor deste novo trabalho -, Dora Morelenbaum e Carminho, que emprestaram a voz a quatro temas interpretados ao longo do concerto, um quarteto de cordas composto por Mafalda Vilan, Tiago Afonso, João Tiago Dinis e Raquel Andrade e ainda Quiné Teles nas percussões e Marco Figueiredo nas teclas.

Com o som e o ritmo de “Azáfama” a colorirem uma sala bem composta de público, dir-se-ia que o concerto não poderia ter tido melhor começo. Trata-se dum tema alegre e cheio de vida, que remete para sonoridades do centro da Europa, mais propriamente para os Balcãs (quem viu “Gato Preto, Gato Branco” e é fã de Emir Kusturica perceberá muito bem a particular geografia desta música). Entre “S. João”, a música seguinte, e o intimista e muito belo “Oniris” (também aqui podemos associar o cinema e a geografia a este tema, situando-o na Grécia e invocando “A Eternidade e um Dia”, um filme de Theo Angelopoulos com música de Eleni Karaindrou), Dora Morelenbaum marcou presença no palco para interpretar magistralmente “Dessa Ilha”, um poema de Arnaldo Antunes, e “As Viajantes”, com letra de Carlos Rennó. Seguiu-se “Esse Olhar”, um dos temas icónicos do trabalho anterior, e ainda duas músicas de cariz bem popular, “Moda Assim ao Lado” e “Queda d'Água”, do álbum de estreia que tomou o nome do grupo. Embora sem intervalo, devemos aceitar que “Sorriso” marcou o fim da primeira parte do concerto, revelando-se preciosa a forma como o grupo recuperou um tema surgido em 2004 com o álbum “Pulsar”, transformando-o, quiçá, no mais bem acabado exemplo desta ponte musical entre os dois países irmãos.

E se “Sorriso” fechou a primeira metade do concerto, “O Teu Olhar” deu o “pontapé de saída” para a segunda parte, na voz inigualável de Carminho. O resto do concerto foi um saltitar constante entre sons e ritmos, fazendo alternar temas como “Bailar em Silêncio” ou “Soldado”, do álbum mais recente, com autênticos clássicos dos Danças Ocultas, como “Bulgar” (do álbum “Ar”, de 2011), “Tristes Europeus” e “Casa do Rio”, ambos do já referido “Pulsar”, ou ainda “Dança II”, do álbum “Danças Ocultas”. Tempo ainda para um momento de erudição verdadeiramente inesquecível onde se fizeram sentir, um arrepio na pele, os acordes de “Summertime”. Já nos encores, com duas longas ovações e outras tantas vindas ao palco, o público teve o privilégio de voltar a escutar Carminho, recordando a sua participação em “Amplitude” com “O Diabo Tocador”. A finalizar, “No(c)Turno das 7”, talvez aquele que é o tema mais bonito de todos quantos os Danças Ocultas escreveram até hoje e que nos é oferecido logo no álbum de estreia. O mais belo final de todos, um bálsamo para o espírito e com ele a certeza de ter sido este um dos mais fantásticos concertos do ano!

[Foto: dn.pt]