CONCERTO: António Zambujo
XXII Encontro de Culturas
Praça da República, Serpa
07 Jun 2025 | sab | 22:00
Admirador confesso da música de António Zambujo, do seu modo de cantar, da sua forma de comunicar com o público, já o escutei nas mais variadas ocasiões: em sala de espectáculos e ao ar livre, com grupos de cante alentejano e sem grupos de cante alentejano, em nome próprio ou como convidado, inclusive numa tertúlia, ao lado de um historiador e de outro músico, e até num “drive-in”. Daí que não enjeitasse a possibilidade de poder escutá-lo de novo, desta feita em Serpa, no âmbito do XXII Encontro de Culturas. Serpa que é, indiscutivelmente, um Município onde o Cante está mais arreigado, que mais tem pugnado pela salvaguarda e promoção deste seu vínculo histórico e cultural e onde está implantado o Museu do Cante Alentejano, com um Centro Interpretativo no qual o visitante é convidado a viajar pela história desta prática poético-musical, conhecer os seus aspectos mais importantes e ouvir e cantar modas que são hoje Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.
Foi a esta terra rica de tradições que António Zambujo regressou, trazendo na bagagem as músicas do seu mais recente álbum, “Cidade”, a par com muitas outras de um repertório que vai “viralizando” entre nós. Em palco, a acompanhar o músico, estiveram o pianista José Salcedo, o saxofonista José Miguel Conde, o trompetista João Moreira, o contrabaixista Emanuel Inácio e o guitarrista André Santos, cinco músicos de excepção que sabem interpretar na perfeição o estilo do músico e adaptar-se a novos e desafiantes arranjos. Mas se “Cidade”, álbum editado em 2023 e que integra apenas músicas compostas e escritas por Miguel Araújo, foi uma espécie de fio condutor do concerto, foi com “Guia” que tudo começou, o cantor a “atravessar o oceano” e a encontrar “terra firme” precisamente em Serpa, numa Praça repleta de alegria e entusiasmo, na expectativa de uma grande noite.“Sagitário” deu “a ler o Expresso (e a Bola)”, mas foi com “Catavento da Sé” que se começaram a ensaiar as primeiras vozes na plateia.
Num todo marcadamente romântico, “Reader’s Digest” foi uma espécie de ilha no meio de “Canção de Brazzaville”, “A Casa Fechada” e “Apelo”, músicas que a precederam. “Flagrante” e “Lua” proporcionaram fantásticos solos a José Miguel Conde e André Santos, abrindo espaço ao mais arrepiante momento da noite, com a praça inteira a cantar a “Gota de Água”. O momento impulsionou um trio de canções que tiveram, igualmente, uma boa resposta do público, nomeadamente “Zorro”, “Visita de Estudo” e o incontornável “Pica do Sete”. Seguiu-se o inescapável “momento Max”, homenagem ao cantor madeirense, uma das referências da música de António Zambujo, com “Bate o Pé” e “Nem às Paredes Confesso” e a particularidade de a primeira destas músicas ter sido interpretada por Emanuel Inácio, contrabaixista elevado à categoria de cantor, e muito bem. “No Rancho Fundo” foi uma revisitação dos concertos dos “ujos” em 2016 e “Dancemos um Slow” colocou um ponto final no alinhamento. Já no “encore”, sozinho em palco, António Zambujo dava uma voltinha na “Lambreta” e, de novo com a banda, terminaria em beleza com “Sinal da Cruz”, numa interpretação arrebatada de mais um dos grandes êxitos de Max.
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