EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “Amostra”,
de José M. Rodrigues
Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo
18 Mai > 07 Set 2025
“As minhas fotografias não têm uma mensagem particular, são momentos da nossa vida quotidiana. Não quero prender-me a estilos ou direcções. Fotografo uma pedra com o mesmo prazer com que faço um retrato. É o mistério das coisas e a vida das pessoas que me seduzem.”
José M. Rodrigues
“Troco segundos por horas quando fotografo. O tempo é ponderoso no espaço. Sim, vivo vivendo imerso em imaginação numa grande floresta. Nasço ao encontrar uma fotografia. Estou dividido em pequenos segundos que me levam ao encontro dos grandes espaços e emoções na geografia dos campos e dentro das identidades. O som é a união com perda de consciência no acto de fotografar. A ressonância é uma prova de continuidade entre o vento na fotografia e a penetração de formas de ar, até a perfeição me abandonar. O infinito é flexível e encontra um enquadramento com o tempo na geometria dos ângulos. A luz e as sombras encontram a forma dando à alma o suor que pára a fricção. As estrelas são o espelho do sublime inexistente. A imagem fica. Congelada sem frio.” As palavras são de José M. Rodrigues e a sua poesia prolonga-se no tanto que a sua fotografia convoca. Encontramos um notável exemplo disso no conjunto de imagens agora expostas no Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo e que podem ser apreciadas até ao próximo dia 07 de Setembro.
Inaugurada a 18 de Maio, Dia Internacional dos Museus, “Amostra” é o título da nova exposição de José M. Rodrigues. Com obras que vão dos anos 80 do século passado até 2023, a retrospectiva reúne quinze fotografias de grande formato e três objectos que dialogam com o acto de ver. Trata-se de uma retrospectiva breve do trabalho do fotógrafo, na qual se destacam as linhas de força do seu trabalho, de que são exemplos a escolha e o cuidado da luz, os lugares e o tempo, as pedras, a pele e as vísceras, a água e as atmosferas. Outra das grandes linhas de força da obra de José M. Rodrigues prende-se com a escala das fotografias, que obrigam o visitante a confrontar-se com o seu próprio corpo. Trata-se de um trabalho que tira um grande partido das coisas que existem no mundo e que faz com que sejam o que são. Ao mesmo tempo, o artista encontra razão para a sua existência na fotografia e é a fotografia que acaba por justificar a sua própria existência.
Nascido em Lisboa, em 1951, José M. Rodrigues dividiu o seu percurso académico e artístico por França e pelos Países Baixos, tendo aqui sido co-fundador da associação dedicada à fotografia Perspektief e membro do Conselho das Artes de Amesterdão. A sua primeira exposição individual em Portugal, em 1981, foi realizada precisamente no Museu de Évora, então dirigido por Maria Alice Chicó. O artista tinha acabado de regressar da Holanda e o olhar único e esclarecido de António Sena, autor de referência na História da Fotografia, ao ver essa exposição logo detectou a força e o cuidado nas imagens que se davam a ver. José M. Rodrigues regressou a Portugal de forma intermitente a partir de 1992 e definitivamente em 1995, passando a viver perto de Évora, no Alentejo. Ensinou Fotografia em diversas instituições de ensino superior em Portugal e no estrangeiro, recebeu diversos galardões, como o Prémio Pessoa em 1999, e tem exposto a sua obra em mostras individuais e colectivas em Portugal e em diversos países.
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