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sábado, 9 de setembro de 2023

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “Siza e Óscar: Para Além do Mar”


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EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “Siza e Óscar: Para Além do Mar”,
de José Roberto Bassul
Curadoria | Ângela Berlinde
Casa da Arquitectura - Espaço Luís Ferreira Alves
07 Set > 14 Out 2023


Linhas. Próximas ou distantes. Que se cruzam ou se afastam. Se intersectam, constroem e desconstroem. Se interrompem ou se prolongam para lá daquilo que nos é dado ver (até ao infinito, talvez, porque infinitos são os mecanismos da mente, os caminhos da própria imaginação). Linhas nas quais se firma “Siza e Óscar: Para Além do Mar”, exposição de fotografia de José Roberto Bassul que, por estes dias, pode ser apreciada no Espaço Luís Ferreira Alves da Casa da Arquitectura. Linhas como que desenhadas numa fachada, num muro, num vão, num terraço. Cuja forma e definição adivinhamos efémeras, reféns da luz e das sombras, lavradas num preto e branco ora depurado, isento de “ruído”, ora apenas esboçado, esbatido, esquiço de um criador volátil e caprichoso. Singulares, minimalistas, assumidamente abstractas, as imagens oferecem-se ao visitante no risco do desafio. Contam histórias e convocam memórias. Convidam à viagem e abrem espaço ao sonho.

“O real não está na saída nem na chegada, ele se dispõe para a gente é no meio da travessia.” A viagem, precisamente, evocada nas palavras de João Guimarães Rosa, epígrafe de um texto muito belo da autoria de Ângela Berlinde, curadora da exposição. Um texto que se derrama em poesia, no que a travessia pode ter de fantasioso e onírico. É nessa travessia que nos vemos envolvidos, as linhas à nossa frente como margens, balizas, espaços de fronteira para além dos quais ousar é sinónimo de abraçar o desconhecido. Noção de chão firme no que é textura, de salto no vazio no que é enigma, navegamos entre a partida e a chegada, o antes e o depois, o dentro e o fora, o real e o aparente. Certos apenas do nosso crer e da nossa vontade, a progressão faz-se devagar. Tacteamos na escuridão como na luz, desafiamos limites, vivemos a aventura. Satisfeita a curiosidade, abraçamos novos reptos, novas metas. Navegar é preciso!

Arquitecto de formação, José Roberto Bassul fotografou o extraordinário edifício da Fundação Iberê Camargo em Porto Alegre, tendo consciência de que essa era a única obra de Álvaro Siza edificada no Brasil. Entretanto, deu-se conta de uma coincidência: Oscar Niemeyer, o mais importante arquitecto brasileiro, tinha igualmente uma obra apenas em Portugal, na ilha da Madeira (apesar da controvérsia em torno da paternidade do edifício, que o próprio negou). Daí que a visita ao Pestana Casino Park surgisse como corolário lógico desta constatação e o diálogo visual entre os “dois imensos modernistas” se estabelecesse mediante o olhar de Bassul. Ante as imagens, à falta de legendas, é com legitimidade que nos perguntamos o que é Siza e o que é Niemeyer. O trabalho expositivo desvia o foco dessa preocupação, poupando o visitante ao estéril exercício da comparação. Importa a travessia. Admirar, empreender, arriscar, sonhar, viver, é isso que importa. Como importa, no traço dos dois imensos arquitectos, beber “o idioma sem fronteiras da poesia”.

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

EXPOSIÇÃO: “Geografias Construídas: Paulo Mendes da Rocha” 


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EXPOSIÇÃO: “Geografias Construídas: Paulo Mendes da Rocha”
Curadoria | Jean-Louis Cohen, Vanessa Grossman
Consultadoria científica | Catherine Otondo
Projeto expositivo | Eduardo Souto de Moura, Nuno Graça Moura
Casa da Arquitectura
26 Mai 2023 > Fevereiro 2024


Primeiro Associado Honorário da Casa da Arquitectura e amigo de longa data da instituição, Paulo Mendes da Rocha é agora objeto de um tributo alargado que percorre sete décadas de actividade e convoca várias dimensões da sua pessoa, do homem que pensa o mundo ao arquiteto que o constrói. A exposição assenta no acervo doado pelo arquitecto à Casa da Arquitectura, representando parte significativa da sua produção profissional, desde finais dos anos 50, logo após a sua formação académica, concluída em 1954. Trata-se de um conjunto documental extenso e riquíssimo, constituído por desenhos, textos, fotografias e maquetes, quer dos seus primeiros projetos, ainda em co-autoria com o arquiteto João Eduardo de Gennaro, quer de obras emblemáticas como a sua própria casa em São Paulo, denominada Casa Butantã, a Casa Gerber em Angra dos Reis, o Estádio Municipal Serra Dourada em Goiânia, o Museu Nacional dos Coches em Lisboa ou o Museu Brasileiro de Escultura em São Paulo, entre outros.

O arquitecto estreou-se em 1958, em S. Paulo, com a construção do Ginásio do Clube Atlético Paulistano, um marco emocionante para o modernismo brasileiro. A partir dos seus primeiros projetos, como este anel de betão combinado com finos cabos de aço, até às suas últimas obras, e desde moradias privadas a programas de grande escala, a exposição reformula, na sua complexidade, um contributo muitas vezes catalogado, de forma simplista, como brutalismo. As principais obras de Mendes da Rocha inscrevem-se na rede variável e transgeracional de parceiros e colaboradores, entre estudantes, arquitetos, artistas e engenheiros, com quem trabalhou desde os anos 1960 até à década de 2010. Inseridas na cultura urbana do Brasil, exprimem uma preocupação constante com os recursos naturais e os materiais da Terra. A exposição reúne uma consciência geográfica de trabalho à escala das casas e prédios que estabelecem diálogo com a topografia de São Paulo e de grandes volumes que abordam as majestosas paisagens do Brasil e o maior litoral inter e subtropical do mundo.

Uma seleção de materiais de arquivo documenta a imaginação e os métodos de concepção do arquitecto, desde os seus impressionantes esquissos conceituais até ao desenho preciso de detalhes de construção que ele dispôs em folhas de grandes dimensões. Um espaço criativo dentro da exposição combina fotografias e imagens antigas de edifícios com as sombras e o movimento das contemporâneas incursões de vídeo dentro deles e à sua volta. As lendárias delicadas maquetas de estudo do arquiteto, de pequena escala e em papel, dialogam com grandes maquetas produzidas especialmente para a exposição. Concebida por Eduardo Souto de Moura e Nuno Graça Moura, a instalação orquestra uma intensa relação entre os materiais de arquivo, apresentados numa mesa central, e as paredes pontuadas por grandes projecções que mostram aos visitantes a vida quotidiana dos edifícios. Passo a passo, o percurso desvela as geografias expandidas da obra de Mendes da Rocha, desde os confins mais íntimos das casas que ele projetou e construiu ao longo da sua vida até às suas vastas visões, que se estendem desde São Paulo até ao continente americano e ao cosmos.

Num segundo momento, a Galeria da Casa acolhe a exposição “Paulo: Para além do Desenho – Conversando com Paulo Mendes da Rocha”, com curadoria de Marta Moreira e Rui Furtado e projeto expositivo de Ricardo Bak Gordon. À espera do visitante está um vídeo composto por dez entrevistas e palestras de Paulo Mendes da Rocha, disponível em cinco ecrãs de forma assíncrona e acompanhado de uma seleção de cento e sessenta imagens exibidas em tablets. Desta forma, propõe-se um diálogo entre o arquitecto e o visitante para que, de uma forma íntima, sem filtros ou interpretações, sejam abordados os mais variados temas, expondo o que pensava, o que o movia e por que lutava Mendes da Rocha. Espera-se que o que resultar desse encontro possa contribuir para que melhor se compreenda o pensamento que está por detrás das obras que realizou, dos projectos que propôs e da concepção do mundo por que lutou.

[Texto composto a partir do Dossier de Imprensa que acompanha a exposição]

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Vemos, ouvimos e lemos... #17



1. A Casa da Arquitectura – Centro Português Arquitectura comemora, a partir do dia 17 de novembro, o seu 3º aniversário no Quarteirão da Real Vinícola, em Matosinhos, com uma programação que oferece entrada gratuita na Exposição até dia 22 de novembro e conteúdos online nas suas redes sociais. De 17 a 20 de novembro, a Casa abre com horário alargado até às 20h00. No fim-de-semana de 21 e 22 de novembro, as portas estão abertas até às 12h30, permitindo visitas à exposição sem aglomerados de pessoas. Devido às restrições motivadas pela pandemia covid-19, as comemorações deste ano vão privilegiar também as iniciativas online para diferentes públicos, com transmissão a partir das páginas de Facebook e Youtube da Casa da Arquitectura. Seja presencialmente ou nas redes sociais, o convite é para que se junte às celebrações. Saiba mais em https://casadaarquitectura.pt/.

2. Entre os próximos dias 18 e 21 de Novembro, a Casa das Artes, no Porto, acolhe o OLHO Animation Film Festival, certame de referência no panorama português do Cinema de Animação. Constituídas sobretudo por filmes de autor produzidos entre 2017 e 2020, as sessões destinam-se maioritariamente ao público em geral, havendo uma dedicada exclusivamente a um público infanto-juvenil. A competição atribuirá prémios nas categorias melhor curta nacional, melhor curta internacional, melhor curta escola nacional e melhor curta escola internacional, sendo 66 os filmes a concurso no conjunto destas quatro categorias. Fortíssima, a categoria de melhor-curta nacional permitirá ver ou rever obras de nomes consagrados como os de Mónica Santos, Alice Guimarães, David Doutel, Vasco Sá e Bruno Caetano, entre outros. O programa pode ser consultado em https://olho.pt/.

3.  Durante o mês de novembro, o Centro Comercial Alameda Shop & Spot acolhe uma exposição virtual de caricaturas que homenageiam Pablo Picasso, o pintor das "infinitas distorções". Através de um conjunto de 40 desenhos pertencentes ao Prémio Especial de Caricatura, integrado na 19.ª edição do Porto Cartoon World Festival - uma parceria com o Museu Nacional da Imprensa - a mostra virtual reúne diferentes perspetivas do aclamado pintor espanhol, também ele um caricaturista. Evocando o humor através da arte, a exposição integra trabalhos de artistas de cerca de trinta países, da Bulgária à Ucrânia, do Egipto à Costa Rica. As obras podem ser apreciadas na galeria situada no Piso 2 ou virtualmente, na página oficial do Centro Comercial portuense, em https://alamedashopping.pt/art-spot/picasso-na-caricatura-internacional/.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

CERTAME: Open House Porto 2019


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CERTAME: Open House Porto 2019
Matosinhos, Porto e Vila Nova de Gaia
29 Jun > 30 Jun 2019


Nascido em Londres, em 1992, o Open House disseminou-se pelo mundo inteiro, tendo chegado a Lisboa duas décadas depois e, em 2015, ao Porto, Matosinhos e Gaia. Organizado e produzido pela Casa da Arquitectura, o evento a norte conheceu no passado fim de semana a sua quinta edição, com um programa cujo desenho pretendeu ir ao encontro daquilo a que os comissários da iniciativa, Joana Couceiro e Nuno Valentim, designaram por “Vida Interior”. Como pode ler-se no belíssimo programa, “(…) é sob a lente de uma ideia de ‘vida’ (histórica, arquitectónica, sociológica, antropológica) que se propõe uma viagem pelos lugares de interioridade”, viagem essa que este ano abraçou 70 espaços diferentes, da Piscina da Quinta da Conceição às Quatro Casas na Aguda, do Hotel Tipografia do Conto à Ilha na Rua de S. Vítor, da Casa da Imagem aos Lavadouros, Sanitários e Balneários de S. Nicolau.

Naturalmente curto para tão vasta oferta, o fim de semana permitiu visitar apenas uma décima parte dos espaços, embora o balanço seja extraordinariamente positivo porquanto todas as visitas se revelaram divertidas e enriquecedoras. Das sete visitas efectuadas, quatro delas foram “comentadas” e as restantes “acompanhadas”. Pelo seu extraordinário interesse e pela relevância dos ensinamentos colhidos, as visitas comentadas – Reitoria da Universidade do Porto, Ponte de S. João, Mosteiro da Serra do Pilar e Edifício da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto – terão uma abordagem destacada neste espaço do blogue. Quanto aos restantes três espaços, todos eles no concelho de Vila Nova de Gaia e percorridos com visita acompanhada, falarei resumidamente.

A primeira das sete visitas, ao início da manhã de sábado, teve como alvo as Caves Cockburn’s, por muitos consideradas como as mais bonitas de Vila Nova de Gaia. Embora tenha ficado aquém das expectativas – não nos podemos esquecer que estávamos numa grande festa da Arquitectura, um aspecto que foi aqui totalmente descurado –, a visita teve um cunho marcadamente sensorial e valeu por isso: Pelo intenso aroma a Vinho do Porto que se percebe mal se transpõem as portas de acesso aos armazéns pela beleza do percurso pela avenida central, o pavimento todo ele em calçada portuguesa, ladeada por cascos e balseiros de carvalho onde envelhecem os melhores lotes de Vinho do Porto e ainda pela possibilidade de degustar um cálice do famoso néctar.

Foram duas as visitas que preencheram a manhã de domingo, a primeira das quais ao Edifício Heliântia, na Avenida dos Sanatórios, em Francelos. Designada inicialmente por Clínica Sanatorial Heliântia, foi projectada pelo arquitecto Francisco de Oliveira Ferreira – responsável, entre outros, pelo Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular, em Lisboa, pelo edifício do Clube Os Fenianos ou pelo Café A Brasileira, ambos no Porto – e inaugurada em 1930. Voltada ao mar, é de planta rectangular e possui quatro pisos com pé direito duplo e uma cobertura plana revestida por lajes de betão. Em todo o edifício existem varandas abertas ornadas com girassóis, elemento decorativo que iremos encontrar também no interior do edifício, tanto na escadaria principal como nas grades de um antigo elevador, nas molduras da porta da entrada, em candeeiros de tecto e mosaicos no pavimento. Perdida a sua função hospitalar, o edifício foi intervencionado pelo arquitecto Manuel Magalhães, reabrindo em 1991 como estabelecimento de ensino. 

Finalmente, a Torre do Centro Emissor do Monte da Virgem ou Torre Altice, a mais alta estrutura do género em Portugal. Projectada pelo arquitecto António da Silva Botelho e construída entre 1993 e 1995, sob a direcção do Engenheiro João Pires da Fonseca, tem 177 metros de altura e permitiu um olhar demorado sobre o vasto espaço em redor depois de vencida uma ascensão em elevador que demorou algo como dois minutos. Foi uma bela aposta já que, apesar da neblina, edifícios como a Casa da Música, a Torre dos Clérigos ou o Estádio do Dragão foram facilmente reconhecidos. Espinho só dificilmente se adivinhava, mas as torres da Petrogal, em Leça da Palmeira, eram suficientemente perceptíveis. Um aspecto que merece ser destacado é o acolhimento junto à Torre, com uma estrutura devidamente montada para tornar menos pesada a longa espera face à elevada procura que este equipamento suscita.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

EXPOSIÇÃO: "Infinito Vão - 90 Anos de Arquitetura Brasileira"


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EXPOSIÇÃO: “Infinito Vão – 90 Anos de Arquitetura Brasileira”
Curadoria | Fernando Serapião, Guilherme Wisnik
Casa da Arquitetura, Matosinhos
28 Set 2018 > 08 Set 2019


“O verdadeiro amor é vão

Estende-se, infinito
Imenso monolito
Nossa arquitetura
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer!”

Excerto da letra de “Drão”, composta por Gilberto Gil e que faz parte do álbum “Um Banda Um” (Universal Music Publishing Group, 1982)


Fruto de um processo de dois anos de trabalho levado a cabo no Brasil, “Infinito Vão – 90 Anos de Arquitetura Brasileira” surge na linha das duas anteriores mostras na Casa da Arquitetura - “Os Universalistas” e “Poder Arquitetura”, a exposição que inaugurou aquele espaço, em Novembro de 2017. Quer isto dizer que estamos perante mais uma fantástica exposição, reveladora da importância e alcance da arquitectura nas sociedades actuais, extraordinariamente “arquitectada” por Fernando Serapião e Guilherme Wisnik e contada ao pormenor através de 90 projectos de 136 arquitectos, seleccionados duma colecção constituída por 103 projetos e mais de 50 mil elementos entre desenhos, fotografias, documentos textuais, filmes, maquetes, cerâmicas, perfazendo quase três toneladas de material que veio do Brasil.


Inspirado na música e na voz de Gilberto Gil, o título desta mostra dá o mote para aquilo que poderemos encontrar, demonstrando a excelência da arquitetura e cultura brasileiras para além dos limites da disciplina. Repartida por seis núcleos temporais - cujos nomes são igualmente inspirados nas músicas de conhecidos autores brasileiros -, o visitante é convidado a viajar pela arquitetura, cinema, literatura e música brasileiras, desde 1924 até aos nossos dias. Esse é um dos aspectos mais interessantes desta exposição, o de poder cruzar uma marchinha carnavalesca de Lamartine Babo com o cartaz do filme “Os Fuzis” de Ruy Guerra, transitar entre o samba e a Bossa Nova ao mesmo tempo que se folheia “Brasilia”, de Clarice Lispector ou perceber o colorido e animação da Avenida Paulista ao som de “Bye Bye Brasil” de Roberto Menescal e Chico Buarque.


O cerne da exposição, contudo, é a arquitectura brasileira naquilo que ela tem de edificado. Ocasião, então, para visitar em detalhe alguns projectos emblemáticos, do conjunto da Pampulha, em Belo Horizonte, ao Teatro Castro Alves, em Salvador, do Museu de Arte de S. Paulo, ao Palácio do Planalto e ao edifício do Congresso Nacional, em Brasília. Mas também o Pavilhão S. Cristovão e o Hospital da Rede Sarah Kubitschek, ambos no Rio de Janeiro, o complexo de centrais hidroeléctricas de Urubupunga, nos rios Paraná e Tieté, o Centro de Convivência Cultural, em Campinas, as Estações-Tubo, em Curitiba, a Galeria Adriana Varejão, em Brumadinho ou essa incrível Casa Bola, em S. Paulo e, ao mesmo tempo, conhecer o trabalho de Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Roberto Burle Marx, Vilanova Artigas, Lina Bo Bardi, João Filgueiras Lima (o Lelé) e Paulo Mendes da Rocha, entre muitos outros arquitectos brasileiros. O melhor mesmo, porém, é cada um apreciar por si. O enorme interesse que a mostra vem suscitando levou a que o seu encerramento fosse adiado, ficando patente até 08 de Setembro. Imperdível!


domingo, 14 de abril de 2019

CONCERTO: "Músicas Brasileiras, Músicos Portugueses"



CONCERTO: “Músicas Brasileiras, Músicos Portugueses”,
com Zuza Homem de Mello, Orquestra Jazz de Matosinhos e Kiko Freitas (bateria)
Casa da Arquitectura (Espaço Tanoaria), Matosinhos
12 Abr 2019 | sex | 21:30


No último fim de semana de um extenso programa paralelo da exposição “Infinito Vão – 90 Anos de Arquitectura Brasileira”, o Espaço Tanoaria da Casa da Arquitectura encheu-se de um publico entusiasta e conhecedor para “ouvir arquitectura”. Talvez isto possa soar estranho para muitos, mas aqueles que já tiveram o privilégio de apreciar a magnifica exposição, com curadoria de Fernando Serapião e Guilherme Wisnik, percebem perfeitamente o que é isto de “ouvir arquitectura”, tão fortemente sobressai da mostra a íntima relação entre as duas expressões artísticas. Da parte dos curadores houve essa clara intenção de associar épocas e estilos arquitectónicos às correntes musicais vigentes à época e Zuza Homem de Mello “bebeu” deste princípio. Daí, o concerto ter um alcance muito maior, de tal forma ele se constitui uma extensão da própria exposição e não um mero apanhado de músicas.

Com uma profunda ligação ao Jazz, Zuza Homem de Mello foi o convidado de honra deste concerto, cabendo-lhe “desenhar” o alinhamento de noventa minutos verdadeiramente únicos, ao longo dos quais se evidenciou o seu enorme talento e brilhantismo, mas também – não menos importante! - o grande conhecimento e um gosto particularmente apurado pela melhor música que se faz do lado de lá do Atlântico. Cobrindo um espaço temporal que vai de “Carinhoso”, escrito por Pixinguinha e publicado em 1917, aos recentes “Organdi e Gomalina” e “Só Xote”, ambos de Nelson Ayres e lançados em 2017, o concerto visitou, num século de música, géneros tão fundamentais como o frevo ou o choro, o samba ou a MPB e nomes incontornáveis como os de Moacir Santos, João Bosco, Nailor Proveta, Letieres Leite, António Adolfo, K-Ximbinho ou o incontornável António Carlos Jobim, de quem se escutou “Corcovado” e “Wave”.

Porque a noite era de “música brasileira”, mas também de “músicos portugueses”, importa referir mais uma notável prestação da Orquestra Jazz de Matosinhos, sob a direcção do maestro Pedro Guedes. Brilhantes os solos de trompete de Ricardo Formoso, Luís Macedo ou Javi Pereiro, de saxofone tenor de José Pedro Coelho ou de trombone de Daniel Dias ou Andreia Santos. E que dizer da qualidade de um Carlos Azevedo no piano, de Demian Cabaud no contrabaixo ou de Andres Tarabbia nas percussões? Para o fim, propositadamente, deixo Kiko Freitas, baterista profissional desde 1987, um homem que acompanha João Bosco há 19 anos e que já tocou com nomes como Michel Legrand, Gonzalo Rubalcaba, Lee Ritenour ou a NDR Big Band. Ele veio propositadamente do Brasil para este momento (na verdade, terá sido uma “exigência” de Zuza Homem de Mello) e a sua actuação foi brilhante. A cereja no topo do bolo de um concerto memorável!

quarta-feira, 18 de julho de 2018

EXPOSIÇÃO DE ARQUITECTURA: "Os Universalistas - 50 Anos de Arquitectura Portuguesa"


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EXPOSIÇÃO DE ARQUITECTURA: “Os Universalistas – 50 Anos de Arquitectura Portuguesa”
Casa da Arquitectura, Matosinhos
13 Abr > 19 Ago 2018


Haverá uma maneira portuguesa de fazer arquitectura? Procurando responder a esta questão, a belíssima nave da Casa da Arquitectura recebe “Os Universalistas – 50 Anos de Arquitectura Portuguesa”, exposição multimédia comissariada pelo arquitecto Nuno Grande e organizada e produzida pela Casa da Arquitectura em articulação com a Fundação Calouste Gulbenkian e Cité de l’Architecture et du Patrimoine. Com uma disposição circular, a mostra distribui-se por cinco momentos chave da arquitectura portuguesa contemporânea – (inter)nacionalismo (1960-1974), colonialismo (1961-1975), revolução (1974-1979), europeísmo (1980-2000) e globalização (2001-2016) –, propondo um olhar sobre meio século de pensamento e produção arquitectónica portuguesa.

Mostrada inicialmente em Paris, por alturas das comemorações dos 50 anos da Fundação Gulbenkian, a mostra percorre o trabalho de arquitectos de referência como Fernando Távora, Manuel Tainha, Pancho Guedes, Álvaro Siza, Eduardo Souto de Moura ou Carrilho da Graça, e também de alguns dos mais promissores arquitectos portugueses das últimas décadas, como Manuel e Francisco Aires Mateus, Paula Santos, Cristina Guedes ou Francisco Vieira de Campos. Do material expositivo, para além das fotografias das 50 obras exibidas, da autoria de Alfredo Cunha, fazem parte as palavras do filósofo Eduardo Lourenço, as caricaturas de João Abel Manta, o filme “Revolução”, de Ana Hatherly, depoimentos de críticos convidados e um enorme conjunto de materiais relativos a cada um dos projectos, incluindo textos, maquetes, desenhos técnicos e fac-símiles de esquissos ou esboços de arquitectos.

Da resposta à “portugalidade” da ditadura salazarista, com propostas de risco que misturaram tradição e modernidade, às obras em contexto colonial, passando pelo 25 de Abril e pela chamada “arquitectura de participação” resultante do programa SAAL (Serviço Ambulatório de Apoio Local), pela entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia e pela globalização dos anos 2000 - com o definitivo despoletar da arquitectura portuguesa nas esferas internacionais (e recorde-se que Portugal foi distinguido com dois prémios Pritzker , os Óscares da Arquitectura, por intermédio de Álvaro Siza Vieira, em 1992 e Eduardo Souto Moura, em 2011) -, é todo um manancial de informação que se abre ao nosso olhar e que nos mostra essa "maneira portuguesa de fazer arquitectura”. A não perder, até ao próximo dia 19 de Agosto!

domingo, 1 de julho de 2018

CERTAME: Open House Porto 2018


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CERTAME: Open House Porto 2018
Matosinhos, Porto e Vila Nova de Gaia
30 Jun > 01 Jul 2018


Espalhado por 65 espaços das cidades de Matosinhos, Porto e Vila Nova de Gaia, o Open House Porto 2018 voltou a ser uma grande festa da arquitectura, atraindo, segundo os organizadores, quase 32.000 visitantes. Das grandes infraestruturas e fábricas em laboração à reputada arquitetura portuguesa moderna de Matosinhos, das reconversões de Caves de Vinho do Porto aos armazéns industriais históricos ao longo da marginal de Gaia ou das fábricas, casas de ilha, tipografias, oficinas, clubes, hotéis e palácios aos meios de transporte e comunicação, hospitais, quartéis, pontes ou cemitérios do Porto, o certame revelou uma abrangência incomum, com tudo para agradar a todos. Difícil foi mesmo escolher.

Com a minha disponibilidade limitada a um dia apenas, a opção passou por um critério de proximidade geográfica para que fosse possível abarcar o maior número de espaços a visitar, privilegiando as visitas comentadas. A única visita não comentada teve lugar no edifício da Câmara Municipal do Porto e nela destacaria a extraordinária obra de Guilherme Camarinha plasmada nas tapeçarias que forram as paredes da Sala das Sessões. No Clube Fenianos Portuenses, o Arquitecto Luis Aguiar Branco deu uma verdadeira lição de urbanismo, falando do projecto do edifício, com assinatura de Francisco Oliveira Ferreira e das vicissitudes por ele sofridas, ampliando essa discussão a vários outros espaços da cidade, muitos deles infelizmente desaparecidos.

No Museu Militar do Porto, foi possível fazer uma visita comentada por uma das técnicas daquela instituição, acompanhando o período negro deste edifício de finais do século XIX, quando aqui funcionou a delegação no Porto da PIDE/DGS. Não muito longe daqui, no Reservatório de Água Nova Sintra, um Técnico das Águas do Porto comentou a visita ao espaço, colocando particular ênfase no facto de ser esta a maior infraestrutura de armazenamento de água da cidade. O Arquitecto Carlos Machado e Moura comentou a visita ao Edifício Garagem Passos Manuel, um ícone da Art Deco na cidade, projectado por Mário Abreu, valorizando o seu carácter vanguardista e encontrando relações com o vizinho Coliseu. Finalmente, o grande momento do dia foi mesmo a visita ao Palácio do Bolhão, brilhantemente comentada pelo Arquitecto José Gigante e que mostrou, da forma mais simples, como a arquitectura é uma arte.

quinta-feira, 22 de março de 2018

EXPOSIÇÃO: "Poder Arquitectura"



EXPOSIÇÃO DE ARQUITECTURA: “Poder Arquitectura”
Casa da Arquitectura, Matosinhos
17 Nov 2017 > 18 Mar 2018


Pela primeira vez aqui no Blogue falamos especificamente de Arquitectura. Isto a propósito duma magnífica exposição que inaugurou a Casa da Arquitectura, em Matosinhos, e que esteve patente ao público até ao passado domingo. Com curadoria de Jorge Carvalho, Pedro Bandeira e Ricardo Carvalho, “Poder Arquitectura” pretendeu evidenciar de que forma o poder da sociedade é, em si mesmo, um desafio ao arquitecto, em que medida condiciona o seu trabalho e, por outro lado, quais as soluções encontradas para ultrapassar os obstáculos. Interrogando de forma sistemática o visitante, levando-o o reflectir sobre o óbvio e o menos óbvio, esta exposição relevou o papel determinante da arquitectura e a sua importância na construção das cidades, dos territórios e das sociedades actuais.

Outrora armazém da Real Companhia Vinícola, a imensa galeria com cerca de 800 metros quadrados foi transformada num extraordinário espaço expositivo, reunindo dezenas de projectos e traçando um mapa da arquitectura mundial de finais dos anos 90 do século passado até aos nossos dias. Imagens, maquetes, desenhos, textos e objectos conviveram num espaço delimitado por uma rede metálica, formando três camadas de informação: uma mais “superficial”, mais vizinha do público, maioritariamente constituída por imagens; uma camada intermédia onde se acrescentou informação e se relacionaram diferentes abordagens; finalmente uma camada mais “profunda”, onde o visitante mais interessado pode beber a informação completa sobre cada projecto, relacionando-o com um particular tipo de poder.

Colectivo, regulador, tecnológico, económico, doméstico, cultural, mediático, ritual – são estes os oito poderes seleccionados pelos curadores e respigados um pouco por todo o mundo: da Holanda ao Bangladesh, do Sri Lanka ao Brasil, dos Estados Unidos à Bélgica… sem esquecer Portugal, representado em oito obras dentro de fronteiras e três de arquitectos portugueses na Europa. Da sua análise, com base nos exemplos apresentados, se percebe que a Arquitectura não é apenas a expressão de um único poder, havendo uma enorme articulação entre eles: “Um poder não é em si negativo ou positivo. Por vezes os poderes anulam-se, por vezes criam sinergias, por vezes dão origens a contrapoderes”, lê-se no texto de apresentação do catálogo da exposição. Extraordinariamente bem arquitectada, esta exposição exerce uma natural atracção no visitante, desafiando-o a compreender a importância e o impacto da Arquitectura nos dias de hoje e a perceber melhor este fascinante mundo. Sem dúvida, uma das grandes exposições que foi possível apreciar nos últimos tempos.