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segunda-feira, 1 de julho de 2019

CERTAME: Open House Porto 2019


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CERTAME: Open House Porto 2019
Matosinhos, Porto e Vila Nova de Gaia
29 Jun > 30 Jun 2019


Nascido em Londres, em 1992, o Open House disseminou-se pelo mundo inteiro, tendo chegado a Lisboa duas décadas depois e, em 2015, ao Porto, Matosinhos e Gaia. Organizado e produzido pela Casa da Arquitectura, o evento a norte conheceu no passado fim de semana a sua quinta edição, com um programa cujo desenho pretendeu ir ao encontro daquilo a que os comissários da iniciativa, Joana Couceiro e Nuno Valentim, designaram por “Vida Interior”. Como pode ler-se no belíssimo programa, “(…) é sob a lente de uma ideia de ‘vida’ (histórica, arquitectónica, sociológica, antropológica) que se propõe uma viagem pelos lugares de interioridade”, viagem essa que este ano abraçou 70 espaços diferentes, da Piscina da Quinta da Conceição às Quatro Casas na Aguda, do Hotel Tipografia do Conto à Ilha na Rua de S. Vítor, da Casa da Imagem aos Lavadouros, Sanitários e Balneários de S. Nicolau.

Naturalmente curto para tão vasta oferta, o fim de semana permitiu visitar apenas uma décima parte dos espaços, embora o balanço seja extraordinariamente positivo porquanto todas as visitas se revelaram divertidas e enriquecedoras. Das sete visitas efectuadas, quatro delas foram “comentadas” e as restantes “acompanhadas”. Pelo seu extraordinário interesse e pela relevância dos ensinamentos colhidos, as visitas comentadas – Reitoria da Universidade do Porto, Ponte de S. João, Mosteiro da Serra do Pilar e Edifício da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto – terão uma abordagem destacada neste espaço do blogue. Quanto aos restantes três espaços, todos eles no concelho de Vila Nova de Gaia e percorridos com visita acompanhada, falarei resumidamente.

A primeira das sete visitas, ao início da manhã de sábado, teve como alvo as Caves Cockburn’s, por muitos consideradas como as mais bonitas de Vila Nova de Gaia. Embora tenha ficado aquém das expectativas – não nos podemos esquecer que estávamos numa grande festa da Arquitectura, um aspecto que foi aqui totalmente descurado –, a visita teve um cunho marcadamente sensorial e valeu por isso: Pelo intenso aroma a Vinho do Porto que se percebe mal se transpõem as portas de acesso aos armazéns pela beleza do percurso pela avenida central, o pavimento todo ele em calçada portuguesa, ladeada por cascos e balseiros de carvalho onde envelhecem os melhores lotes de Vinho do Porto e ainda pela possibilidade de degustar um cálice do famoso néctar.

Foram duas as visitas que preencheram a manhã de domingo, a primeira das quais ao Edifício Heliântia, na Avenida dos Sanatórios, em Francelos. Designada inicialmente por Clínica Sanatorial Heliântia, foi projectada pelo arquitecto Francisco de Oliveira Ferreira – responsável, entre outros, pelo Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular, em Lisboa, pelo edifício do Clube Os Fenianos ou pelo Café A Brasileira, ambos no Porto – e inaugurada em 1930. Voltada ao mar, é de planta rectangular e possui quatro pisos com pé direito duplo e uma cobertura plana revestida por lajes de betão. Em todo o edifício existem varandas abertas ornadas com girassóis, elemento decorativo que iremos encontrar também no interior do edifício, tanto na escadaria principal como nas grades de um antigo elevador, nas molduras da porta da entrada, em candeeiros de tecto e mosaicos no pavimento. Perdida a sua função hospitalar, o edifício foi intervencionado pelo arquitecto Manuel Magalhães, reabrindo em 1991 como estabelecimento de ensino. 

Finalmente, a Torre do Centro Emissor do Monte da Virgem ou Torre Altice, a mais alta estrutura do género em Portugal. Projectada pelo arquitecto António da Silva Botelho e construída entre 1993 e 1995, sob a direcção do Engenheiro João Pires da Fonseca, tem 177 metros de altura e permitiu um olhar demorado sobre o vasto espaço em redor depois de vencida uma ascensão em elevador que demorou algo como dois minutos. Foi uma bela aposta já que, apesar da neblina, edifícios como a Casa da Música, a Torre dos Clérigos ou o Estádio do Dragão foram facilmente reconhecidos. Espinho só dificilmente se adivinhava, mas as torres da Petrogal, em Leça da Palmeira, eram suficientemente perceptíveis. Um aspecto que merece ser destacado é o acolhimento junto à Torre, com uma estrutura devidamente montada para tornar menos pesada a longa espera face à elevada procura que este equipamento suscita.

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