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segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Vemos, ouvimos e lemos... #17



1. A Casa da Arquitectura – Centro Português Arquitectura comemora, a partir do dia 17 de novembro, o seu 3º aniversário no Quarteirão da Real Vinícola, em Matosinhos, com uma programação que oferece entrada gratuita na Exposição até dia 22 de novembro e conteúdos online nas suas redes sociais. De 17 a 20 de novembro, a Casa abre com horário alargado até às 20h00. No fim-de-semana de 21 e 22 de novembro, as portas estão abertas até às 12h30, permitindo visitas à exposição sem aglomerados de pessoas. Devido às restrições motivadas pela pandemia covid-19, as comemorações deste ano vão privilegiar também as iniciativas online para diferentes públicos, com transmissão a partir das páginas de Facebook e Youtube da Casa da Arquitectura. Seja presencialmente ou nas redes sociais, o convite é para que se junte às celebrações. Saiba mais em https://casadaarquitectura.pt/.

2. Entre os próximos dias 18 e 21 de Novembro, a Casa das Artes, no Porto, acolhe o OLHO Animation Film Festival, certame de referência no panorama português do Cinema de Animação. Constituídas sobretudo por filmes de autor produzidos entre 2017 e 2020, as sessões destinam-se maioritariamente ao público em geral, havendo uma dedicada exclusivamente a um público infanto-juvenil. A competição atribuirá prémios nas categorias melhor curta nacional, melhor curta internacional, melhor curta escola nacional e melhor curta escola internacional, sendo 66 os filmes a concurso no conjunto destas quatro categorias. Fortíssima, a categoria de melhor-curta nacional permitirá ver ou rever obras de nomes consagrados como os de Mónica Santos, Alice Guimarães, David Doutel, Vasco Sá e Bruno Caetano, entre outros. O programa pode ser consultado em https://olho.pt/.

3.  Durante o mês de novembro, o Centro Comercial Alameda Shop & Spot acolhe uma exposição virtual de caricaturas que homenageiam Pablo Picasso, o pintor das "infinitas distorções". Através de um conjunto de 40 desenhos pertencentes ao Prémio Especial de Caricatura, integrado na 19.ª edição do Porto Cartoon World Festival - uma parceria com o Museu Nacional da Imprensa - a mostra virtual reúne diferentes perspetivas do aclamado pintor espanhol, também ele um caricaturista. Evocando o humor através da arte, a exposição integra trabalhos de artistas de cerca de trinta países, da Bulgária à Ucrânia, do Egipto à Costa Rica. As obras podem ser apreciadas na galeria situada no Piso 2 ou virtualmente, na página oficial do Centro Comercial portuense, em https://alamedashopping.pt/art-spot/picasso-na-caricatura-internacional/.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

CONCERTO: "An Evening With Avishai Cohen"



CONCERTO: “An Evening with Avishai Cohen”
Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música convida Avishai Cohen Trio
Matosinhos em Jazz
Praça Guilhermina Suggia, Matosinhos
27 Jul 2019 | sab | 22:00


Foi com chave de ouro que encerrou a edição deste ano do Matosinhos em Jazz. Num concerto a roçar a perfeição, a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música e o Avishai Cohen Trio proporcionaram ao vasto público que, na noite do passado sábado, acorreu à Praça Guilhermina Suggia, momentos únicos, de fruição e deleite. Composto quase exclusivamente por peças da sua autoria, Avishai Cohen propôs um alinhamento representativo do seu universo musical, onde cabem uma grande mistura de tradições, culturas, línguas e estilos. Assim, numa “soirée” única, o público bebeu o melhor do Jazz contemporâneo e das músicas do mundo, envolto nas sonoridades classicistas de uma Orquestra que, sob a direcção do maestro Bastien Stil, soube adequar-se na perfeição a tão estimulante espaço de modernismo.

Honrando as suas origens sefarditas, “Puncha Puncha” e “Morenika” foram temas cantados em ladino – uma língua que conserva partes próprias do espanhol medieval final –, num sussurro quente e sensível, a arranhar a alma de todos os presentes. Intimista e de uma enorme beleza, “Kumi Venetse Hasadeh” contrastou com um ritmado “Arab Medley”, fusão de três temas originários do Líbano e da Síria popularizados por Samira Tawfiq e que nos veio mostrar que, por muito grandes que possam ser as diferenças que separam os povos, a música aí está para os unir. Com “A Child is Born”, Cohen trouxe-nos um dos mais belos standards do Jazz, composto pelo trompetista Thad Jones, enquanto “Two Roses” e “Alon Basela” fizeram brilhar, respectivamente, o piano de Elchin Shirinov e a bateria de Noam David.

Após uma breve pausa para uma saúde aos presentes com um copo vinho tinto português levantado bem alto, “agora que já nos conhecemos”, Avishai Cohen “dispensou” a Orquestra e os restantes membros do trio, brindando os presentes com “Motherless Child”, um vibrante canto de escravos negros do Sul dos Estados Unidos e ainda “Alfonsina y el Mar”, essa zamba doce e melancólica composta pelo pianista argentino Ariel Ramirez e popularizada pela voz de Mercedes Sosa. Com “Remembering”, melodioso e ritmado momento de grande música, chegava ao fim o programa de uma noite mágica, que haveria de se estender ainda pelo inefável “Seven Seas”, um dos temas mais conhecidos do artista, num muito reclamado “encore” que foi ouro sobre azul. A pensar já em 2020, diríamos que a fasquia está a um nível galáctico e que vai ser muito difícil esquecer o marcante ponto final da edição deste ano do Matosinhos em Jazz. Até para o ano!

domingo, 28 de julho de 2019

CONCERTO: "Good Times - Orquestra Jazz de Matosinhos convida Fay Claassen"



CONCERTO: “Good Times”
Orquestra Jazz de Matosinhos convida Fay Claassen
Matosinhos em Jazz
Praça Guilhermina Suggia, Matosinhos
26 Jul 2019 | sex | 22:00


A abrir o último fim de semana do Matosinhos em Jazz, a Orquestra de Jazz de Matosinhos convidou a cantora holandesa Fay Claassen para um concerto intitulado “Good Times” e que teve lugar, como habitualmente, nesse magnífico anfiteatro natural que é a Praça Guilhermina Suggia, ali a dois passos da Igreja do Senhor de Matosinhos. E foram, de facto, bons momentos os vividos pelo público na noite da passada sexta-feira, não apenas pela qualidade das figuras em palco mas também pela forma criteriosa como foi desenhado o alinhamento do concerto, uma mistura de géneros onde couberam os grandes standards do jazz, a folk e até mesmo a música popular.

Depois duma introdução da Orquestra de Jazz de Matosinhos, sob a direção de Pedro Guedes, Fay Claassen subiu ao palco para um primeiro grande momento com “Blackbird”, uma composição de Paul McCartney lançada no álbum “The Beatles” (ou “Álbum Branco”) de 1968. Este tema, que nos fala da luta do povo negro no sul dos Estados Unidos, viria a ser grandemente valorizado pelos magníficos momentos de guitarra e piano, da responsabilidade de José Miguel Moreira e de Carlos Azevedo, respectivamente. O tom em português chegou pelas mãos de António Carlos Jobim com uma das imagens de marca da Bossa Nova, “A Felicidade”, com a cantora a revelar, a propósito, que o seu nome próprio é Felicitas, de onde deriva Fay. Seguiu-se “Shall I compare thee to a Summers day?”, um tema extraído do Soneto 18 de William Shakespeare, um dos mais conhecidos dos 154 sonetos escritos pelo dramaturgo e poeta, Fay Claassen e Carlos Azevedo num intimista e delicado momento de voz e piano.

Marcado pela emoção, “How deep is the Ocean?”, do trombonista, pianista, arranjador e compositor Bob Brookmeyer, lançou um olhar a “Standards”, com a New Art Orchestra a voz de Fay Claassen, o último álbum deste “monstro” do Jazz antes do seu desaparecimento, em 2011. “One Trick Pony”, tema que dá título ao quinto álbum de originais a solo de Paul Simon, mostrou de novo a guitarra de José Miguel Moreira em plano superior, muito justamente acompanhado por João Cunha na bateria e com a cantora em grande ao tecer elogios à orquestra navegando na música em pleno improviso. O momento mais alto do concerto viria com “Love For Sale”, de Cole Porter, as palavras e a música a fluírem num ritmo muito lento, “picante”, o “amor à venda” mas com regras: “Old love, new love, every love but true love”.

“Zing, Vecht, Huil, Bid, Lach, Werk en Bewonder”, do compositor Ramses Shaffy e que a cantora traduziu para “Cante, lute, chore, reze, ria, trabalhe e, principalmente, admire” levou o público ao encontro da música popular holandesa, aqui surpreendente de colorido e ritmo e com um toque jazzístico a fazer lembrar “New York, New York”. O resto do concerto privilegiou originais holandeses, primeiro com “Five Up High”, tema do compositor Benjamin Herman e que trouxe ao de cima o virtuosismo de Mário Santos no saxofone e de Andreia Santos no trombone, e depois, já no “encore” com “Turks Fruit”, um tema do compositor holandês Rogier Van Otterloo para a banda sonora do filme “Turkish Delight”, e que foi dedicado ao actor holandês Rutger Hauer, desaparecido esta semana. Resumidamente, um concerto muito bom e que só não foi melhor face às condições vocais da cantora, a rouquidão a acentuar-se com o avançar do concerto. Quanto à Orquestra de Jazz de Matosinhos, esteve ao seu nível, ou seja, superior!

segunda-feira, 1 de julho de 2019

CERTAME: Open House Porto 2019


[Clicar na imagem para ver mais fotos]

CERTAME: Open House Porto 2019
Matosinhos, Porto e Vila Nova de Gaia
29 Jun > 30 Jun 2019


Nascido em Londres, em 1992, o Open House disseminou-se pelo mundo inteiro, tendo chegado a Lisboa duas décadas depois e, em 2015, ao Porto, Matosinhos e Gaia. Organizado e produzido pela Casa da Arquitectura, o evento a norte conheceu no passado fim de semana a sua quinta edição, com um programa cujo desenho pretendeu ir ao encontro daquilo a que os comissários da iniciativa, Joana Couceiro e Nuno Valentim, designaram por “Vida Interior”. Como pode ler-se no belíssimo programa, “(…) é sob a lente de uma ideia de ‘vida’ (histórica, arquitectónica, sociológica, antropológica) que se propõe uma viagem pelos lugares de interioridade”, viagem essa que este ano abraçou 70 espaços diferentes, da Piscina da Quinta da Conceição às Quatro Casas na Aguda, do Hotel Tipografia do Conto à Ilha na Rua de S. Vítor, da Casa da Imagem aos Lavadouros, Sanitários e Balneários de S. Nicolau.

Naturalmente curto para tão vasta oferta, o fim de semana permitiu visitar apenas uma décima parte dos espaços, embora o balanço seja extraordinariamente positivo porquanto todas as visitas se revelaram divertidas e enriquecedoras. Das sete visitas efectuadas, quatro delas foram “comentadas” e as restantes “acompanhadas”. Pelo seu extraordinário interesse e pela relevância dos ensinamentos colhidos, as visitas comentadas – Reitoria da Universidade do Porto, Ponte de S. João, Mosteiro da Serra do Pilar e Edifício da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto – terão uma abordagem destacada neste espaço do blogue. Quanto aos restantes três espaços, todos eles no concelho de Vila Nova de Gaia e percorridos com visita acompanhada, falarei resumidamente.

A primeira das sete visitas, ao início da manhã de sábado, teve como alvo as Caves Cockburn’s, por muitos consideradas como as mais bonitas de Vila Nova de Gaia. Embora tenha ficado aquém das expectativas – não nos podemos esquecer que estávamos numa grande festa da Arquitectura, um aspecto que foi aqui totalmente descurado –, a visita teve um cunho marcadamente sensorial e valeu por isso: Pelo intenso aroma a Vinho do Porto que se percebe mal se transpõem as portas de acesso aos armazéns pela beleza do percurso pela avenida central, o pavimento todo ele em calçada portuguesa, ladeada por cascos e balseiros de carvalho onde envelhecem os melhores lotes de Vinho do Porto e ainda pela possibilidade de degustar um cálice do famoso néctar.

Foram duas as visitas que preencheram a manhã de domingo, a primeira das quais ao Edifício Heliântia, na Avenida dos Sanatórios, em Francelos. Designada inicialmente por Clínica Sanatorial Heliântia, foi projectada pelo arquitecto Francisco de Oliveira Ferreira – responsável, entre outros, pelo Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular, em Lisboa, pelo edifício do Clube Os Fenianos ou pelo Café A Brasileira, ambos no Porto – e inaugurada em 1930. Voltada ao mar, é de planta rectangular e possui quatro pisos com pé direito duplo e uma cobertura plana revestida por lajes de betão. Em todo o edifício existem varandas abertas ornadas com girassóis, elemento decorativo que iremos encontrar também no interior do edifício, tanto na escadaria principal como nas grades de um antigo elevador, nas molduras da porta da entrada, em candeeiros de tecto e mosaicos no pavimento. Perdida a sua função hospitalar, o edifício foi intervencionado pelo arquitecto Manuel Magalhães, reabrindo em 1991 como estabelecimento de ensino. 

Finalmente, a Torre do Centro Emissor do Monte da Virgem ou Torre Altice, a mais alta estrutura do género em Portugal. Projectada pelo arquitecto António da Silva Botelho e construída entre 1993 e 1995, sob a direcção do Engenheiro João Pires da Fonseca, tem 177 metros de altura e permitiu um olhar demorado sobre o vasto espaço em redor depois de vencida uma ascensão em elevador que demorou algo como dois minutos. Foi uma bela aposta já que, apesar da neblina, edifícios como a Casa da Música, a Torre dos Clérigos ou o Estádio do Dragão foram facilmente reconhecidos. Espinho só dificilmente se adivinhava, mas as torres da Petrogal, em Leça da Palmeira, eram suficientemente perceptíveis. Um aspecto que merece ser destacado é o acolhimento junto à Torre, com uma estrutura devidamente montada para tornar menos pesada a longa espera face à elevada procura que este equipamento suscita.