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domingo, 14 de abril de 2019

CONCERTO: "Músicas Brasileiras, Músicos Portugueses"



CONCERTO: “Músicas Brasileiras, Músicos Portugueses”,
com Zuza Homem de Mello, Orquestra Jazz de Matosinhos e Kiko Freitas (bateria)
Casa da Arquitectura (Espaço Tanoaria), Matosinhos
12 Abr 2019 | sex | 21:30


No último fim de semana de um extenso programa paralelo da exposição “Infinito Vão – 90 Anos de Arquitectura Brasileira”, o Espaço Tanoaria da Casa da Arquitectura encheu-se de um publico entusiasta e conhecedor para “ouvir arquitectura”. Talvez isto possa soar estranho para muitos, mas aqueles que já tiveram o privilégio de apreciar a magnifica exposição, com curadoria de Fernando Serapião e Guilherme Wisnik, percebem perfeitamente o que é isto de “ouvir arquitectura”, tão fortemente sobressai da mostra a íntima relação entre as duas expressões artísticas. Da parte dos curadores houve essa clara intenção de associar épocas e estilos arquitectónicos às correntes musicais vigentes à época e Zuza Homem de Mello “bebeu” deste princípio. Daí, o concerto ter um alcance muito maior, de tal forma ele se constitui uma extensão da própria exposição e não um mero apanhado de músicas.

Com uma profunda ligação ao Jazz, Zuza Homem de Mello foi o convidado de honra deste concerto, cabendo-lhe “desenhar” o alinhamento de noventa minutos verdadeiramente únicos, ao longo dos quais se evidenciou o seu enorme talento e brilhantismo, mas também – não menos importante! - o grande conhecimento e um gosto particularmente apurado pela melhor música que se faz do lado de lá do Atlântico. Cobrindo um espaço temporal que vai de “Carinhoso”, escrito por Pixinguinha e publicado em 1917, aos recentes “Organdi e Gomalina” e “Só Xote”, ambos de Nelson Ayres e lançados em 2017, o concerto visitou, num século de música, géneros tão fundamentais como o frevo ou o choro, o samba ou a MPB e nomes incontornáveis como os de Moacir Santos, João Bosco, Nailor Proveta, Letieres Leite, António Adolfo, K-Ximbinho ou o incontornável António Carlos Jobim, de quem se escutou “Corcovado” e “Wave”.

Porque a noite era de “música brasileira”, mas também de “músicos portugueses”, importa referir mais uma notável prestação da Orquestra Jazz de Matosinhos, sob a direcção do maestro Pedro Guedes. Brilhantes os solos de trompete de Ricardo Formoso, Luís Macedo ou Javi Pereiro, de saxofone tenor de José Pedro Coelho ou de trombone de Daniel Dias ou Andreia Santos. E que dizer da qualidade de um Carlos Azevedo no piano, de Demian Cabaud no contrabaixo ou de Andres Tarabbia nas percussões? Para o fim, propositadamente, deixo Kiko Freitas, baterista profissional desde 1987, um homem que acompanha João Bosco há 19 anos e que já tocou com nomes como Michel Legrand, Gonzalo Rubalcaba, Lee Ritenour ou a NDR Big Band. Ele veio propositadamente do Brasil para este momento (na verdade, terá sido uma “exigência” de Zuza Homem de Mello) e a sua actuação foi brilhante. A cereja no topo do bolo de um concerto memorável!

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