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terça-feira, 9 de setembro de 2025

CERTAME: WOOL | Festival de Arte Urbana da Covilhã 2025



CERTAME: WOOL | Festival de Arte Urbana da Covilhã 2025
Vários locais, Covilhã
21 > 29 Jun 2025


Criado em 2011, o WOOL – Festival de Arte Urbana da Covilhã foi o primeiro do género em Portugal, surgindo com o objetivo de revitalizar o centro histórico da cidade através da arte urbana. O nome “WOOL” remete directamente para as histórias e memórias ligadas à Covilhã — outrora um dos grandes centros nacionais da indústria de Lanifícios —, simbolizando a relação entre a memória colectiva e a renovação do espaço urbano. Ao longo das suas doze edições, o certame tem acolhido dezenas de artistas nacionais e estrangeiros, muitos dos quais deixaram intervenções que continuam a pontuar as ruas da Covilhã, naquilo que constitui um roteiro permanente de arte urbana. A iniciativa tem vindo a posicionar a cidade como uma referência incontornável no panorama artístico português, integrando-a em redes internacionais e destacando a sua originalidade ao trabalhar directamente com o património, seja ele material ou imaterial. A distinção com o Selo de Qualidade EFFE e a classificação, em 2023, como Projecto de Interesse Cultural pelo Ministério da Cultura – que o integra no Regime do Mecenato Cultural –, são o reflexo, não apenas da qualidade artística do projecto, mas também do seu impacto social, económico e turístico para a região.

Não tendo podido acompanhar a edição deste ano do Festival durante o seu curso, no último terço do passado mês de Junho, aproveitei agora para rumar à Covilhã com o propósito exclusivo de revisitar a cidade e apreciar o que de bom o WOOL nos deixou. Perdi, claro está, uma parte importante da essência de um festival que se faz de conversas e concertos, exposições e visitas guiadas, filmes e acções comunitárias, masterclasses e workshops, residências artísticas e instalações. Pude, isso sim, visitar um conjunto de murais que, à semelhança dos anteriores, preenchem de cor e vida fachadas até então esquecidas, transformando-as em peças de arte acessíveis a todos. Mas não só murais, porquanto nesta edição o WOOL reforçou o seu carácter comunitário com uma Acção Artística orientada pela A Avó Veio Trabalhar e designada “Todos Somos o Outro”. Nele, várias dezenas de participantes construíram colectivamente uma instalação têxtil de grandes dimensões, evocando as tradições da cidade e promovendo a empatia e o encontro intergeracional. O resultado voltou a poder ser visto no decurso da FIADA – Feira Internacional de Artesanato, Design e outras Artes, que decorreu no passado fim de semana, constituindo um momento particularmente relevante pela sensibilidade, engenho e dedicação que cada um daqueles quase seiscentos retalhos encerra.

Em busca do legado do WOOL 2025, subimos a Calçada de S. Martinho, ao encontro da espanhola Lídia Cao e do seu “O Velo de Ouro”, graças ao qual a artista traz para dentro da Arte Urbana a sua faceta de ilustradora. Uma das grandes revelações deste WOOL foi a portuguesa Lígia Fernandes, pela forma sensível como abordou a infância de outros tempos, feita de tropelias e correrias, de jogos às escondidas ou ao arco, ao berlinde ou ao trinca-cevada (que era assim que se dizia quando eu era miúdo). “Verde memória” e “Naranjo para calle” são duas intervenções no espaço urbano com a assinatura do duo espanhol Ampparito, simples na aparência, mas abertas a narrativas onde predominam temas como a memória, a opressão ou a resiliência. O grego Stelios Pupet prestou tributo aos lanifícios da Covilhã com a obra “Portrait of a woven memory”, a qual pode ser vista na Rua António Augusto Aguiar. Enfim, num espaço de grandes dimensões entre dois prédios, o colectivo espanhol Boa Mistura fez nascer um mural com o título “Amor”, o qual, em si mesmo, é um abraço ao WOOL e à sua “missão de transformar pela Arte e de fazer comunidade, no cuidado e no encontro”. Para ver na Covilhã, a qualquer hora do dia... ou da noite!

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

EXPOSIÇÃO DE CERÂMICA: Portugal Cerâmico



EXPOSIÇÃO DE CERÂMICA: Portugal Cerâmico
Vários artistas
Associação Portuguesa de Cidades e Vilas de Cerâmica
Galeria António Lopes - Covilhã
07 Ago > 28 Set 2025


A cerâmica em Portugal possui raízes muito antigas, remontando ao período pré-romano, com vestígios de produção cerâmica datando da Idade do Ferro. Contudo, foi com a romanização da Península Ibérica que a cerâmica se consolidou como actividade estruturada, quer para fins utilitários — ânforas, talhas, utensílios domésticos —, quer para fins decorativos. Durante a Idade Média, sobretudo com a influência árabe, a cerâmica portuguesa enriqueceu-se tecnicamente, com o aperfeiçoamento do torno e o uso de vidrados e motivos geométricos ou vegetalistas. No período moderno, a produção diversificou-se ainda mais, acompanhando as necessidades do mundo rural e urbano: panelas, alguidares, potes, mas também azulejos e loiça artística. A tradição manteve-se viva nas aldeias e vilas, passada de geração em geração, com saberes empíricos e técnicas adaptadas aos recursos locais — como o barro vermelho, amarelo ou branco. Esta persistência ao longo dos séculos faz da cerâmica uma das expressões mais autênticas do património cultural imaterial português.

Os principais centros cerâmicos em Portugal distribuem-se por várias regiões, reflectindo a diversidade geológica e cultural do país. Destacam-se, a norte, Bisalhães (Vila Real), famoso pela sua olaria negra — hoje Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO —, e Barcelos, onde a cerâmica assume uma vertente mais decorativa e comercial. No centro, destaca-se o concelho de Tondela, também com produção de barro negro, Condeixa e Caldas da Rainha, que combinaram a olaria tradicional com a cerâmica artística, sobretudo a partir do legado de Rafael Bordalo Pinheiro, neste último caso. No Alentejo, os núcleos de Viana do Alentejo, Redondo, Reguengos de Monsaraz e Estremoz mantêm uma forte tradição, com peças utilitárias e decorativas, muitas vezes pintadas à mão e com motivos florais. Nos Açores destaca-se Vila Franca do Campo, graças ao trabalho de recuperação de uma actividade que se mostra hoje em expansão, tanto nas peças utilitárias como de intenção artística. 

Actualmente, a cerâmica portuguesa enfrenta desafios sérios, que vão do envelhecimento dos mestres oleiros à dificuldade às alterações nos hábitos de consumo. Contudo, há também sinais positivos que apontam para a sua revitalização, com a criação de projectos de design colaborativo, turismo criativo, certificações de origem e iniciativas de educação patrimonial — e que mostram um futuro possível, onde tradição e inovação possam conviver em equilíbrio. Fundada em 2018, a Associação Portuguesa de Cidades e Vilas de Cerâmica insere-se nesta dinâmica de promoção do património cultural associado à atividade cerâmica, integrando até à data trinta e um municípios associados. “Portugal Cerâmico”, a exposição que por estes dias pode ser vista na Galeria António Lopes, no coração da Covilhã, é o corolário lógico deste trabalho de promoção da cerâmica nacional, dando a ver um conjunto de peças representativas de cada um destes territórios, levando o visitante a desfrutar de uma viagem de descoberta e conhecimento do património português.

quinta-feira, 22 de junho de 2023

LUGARES: Museu da Covilhã


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LUGARES: Museu da Covilhã
Rua António Augusto de Aguiar, Covilhã
Horários | Terça a domingo, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00; encerra à segunda feira
Ingressos | Entrada gratuita


Os museus são lugares únicos que nos proporcionam experiências memoráveis e uma aprendizagem indispensável à formação da identidade. O novíssimo Museu da Covilhã não foge à regra e é, pela sua beleza e enquadramento, pelas suas colecções e pela forma como nos são apresentadas, um espaço de transmissão de valores e de recuperação de memórias por excelência. Mas há algo que distingue o Museu da Covilhã da esmagadora maioria dos espaços do género no nosso País e isso tem a ver com a forma como os percursos expositivos e todos os conteúdos se encontram desenhados, procurando garantir a acessibilidade dos mais diversos públicos. A “grande aposta na inclusão, com vários aspetos de adaptação do novo museu ao acolhimento dos públicos com limitações a vários níveis” foi mesmo o elemento diferenciador, aquele que mais terá pesado na atribuição do Prémio Museu do Ano 2022, atribuído ao Museu da Covilhã pela Associação Portuguesa de Museologia. Aqui, as peças não existem apenas para serem vistas. Pedem ao visitante que as escutem, que as sintam nas mãos. O apelo é irresistível.

A visita começa no Piso 3, a atenção centrada nos primeiros vestígios de ocupação do território e, em particular, na romanização que se estendeu entre o século II a.C. e o século V d.C. . Das gravuras do Paleolítico Superior (há mais de 10.000 anos) ao harmonioso templo romano de Orjais, do valoroso guerreiro Viriato à incrível história do Tesouro da Borralheira, tem aqui o visitante muito para explorar. Descemos um piso e avançamos no tempo até à Idade Média. O foral de 1186 faz da Covilhã o centro de um vasto território que se estendia da Serra da Estrela ao Rio Tejo e incluía terras que pertencem hoje aos concelhos do Fundão, Castelo Branco, Belmonte, Idanha-a-Nova, Pampilhosa da Serra e Oleiros. No século XV, a Covilhã é erigida em Senhorio e as suas gentes, da mão do Infante D. Henrique, passam a ter um papel de destaque nas viagens marítimas da expansão portuguesa. Ante o olhar do visitante desfilam nomes como os de Frei Diogo Álvares da Cunha ou Mestre José Vizinho, D. Fernando de Castro ou Francisco Cabral, Rui Faleiro ou, o mais ilustre de todos, Pero da Covilhã, o espião português cuja missão ao Médio Oriente e ao Oceano Índico facilitou a descoberta do caminho marítimo para a Índia, navegado por Vasco da Gama, em 1498.

Ainda no Piso 2 podemos ver que o perímetro da muralha, no tempo de D. Dinis, envolvia cerca de 9 hectares (o equivalente a 12 campos de futebol), e como os seus muros, com 25 metros de altura, foram derrubados na sua quase totalidade com o terramoto de 1755, assim como a Torre de Menagem do Castelo. Também a Judiaria é alvo de atenção, bem como a discriminação contra os judeus, acentuada no reinado de D. Afonso V que reduziu a metade os acessos à Judiaria e mandou transformar em frestas as janelas de casas viradas para adros de igrejas. Já no Piso 1, é a cidade contemporânea que emerge ao olhar (e ao escutar e sentir) do visitante. A indústria dos lanifícios atinge enorme pujança e torna-se, juntamente com a exploração mineira (Minas da Panasqueira) como principal motor da economia, da sociedade e da cultura covilhanense. Entretanto, passeamos pelos Penedos Altos, o primeiro bairro social construído na Covilhã pelo Estado Novo, vibramos com a conquista da monumental Taça “O Século” pelo Sporting Clube da Covilhã na época de 1947/48, aplaudimos de pé o espectáculo da Companhia Amélia Rey Colaço - Robles Monteiro na inauguração do Teatro-Cine da Covilhã e assistimos a uma Corrida de Toiros na Praça do Pelourinho.

A visita está a chegar ao fim, mas há ainda dois núcleos para visitar. Começamos pelo Piso -1 que abriga uma exposição permanente de pintura portuguesa do século XX. A mostra insere-se no projecto de descentralização da arte desenvolvido pelo Novo Banco Cultura e engloba cinco obras dos artistas Eduardo Malta, Maria Helena Vieira da Silva, Arpad Szenes, Júlio Resende e Malangatana. O Piso 0 é assim como uma espécie de corolário do percurso, mostrando como a Covilhã de hoje é o resultado do esforço e capacidade de trabalho das suas gentes. As marcas do passado, ao mesmo tempo humilde e ilustre, estão bem presentes no património e no urbanismo da Covilhã. É em torno de pessoas e do espaço da cidade que esta sala se centra, tendo para oferecer uma vasta gama de recursos interactivos que não deixarão de fazer as delícias de todos. A história das estátuas que ornamentam os Paços do Concelho, a transformação sofrida pelo Largo do Pelourinho ou a evolução demográfica da Covilhã (em 1900, 54% da população tinha menos de 25 anos; em 2011, eram apenas 22%) são outros temas a explorar, num percurso que se pretende que não acabe aqui. Há todo um centro histórico riquíssimo que importa igualmente conhecer.

quinta-feira, 8 de julho de 2021

ARTE URBANA: WOOL - Festival de Arte Urbana da Covilhã 2021


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CERTAME: WOOL | Festival de Arte Urbana da Covilhã 2021
Vários locais, Covilhã
26 Jun > 04 Jul 2021


A celebrar dez anos de vida, o mais antigo festival de Arte Urbana em Portugal voltou a assentar arraiais na Covilhã com o espírito de sempre: Trazer a Arte para o Interior, exaltar os valores do território e envolver a comunidade. Pinturas murais, residências artísticas, exposições, cinema, visitas guiadas, conversas com artistas e ações comunitárias, voltaram a preencher um programa que se estendeu de 26 de Junho a 04 de Julho, animando e enriquecendo ainda mais o miolo urbano da Cidade Neve. O resultado de uma década de intervenções está à vista de todos, constituindo um enorme prazer um passeio pela cidade, ao encontro de obras de grande qualidade saídas das mãos de alguns dos melhores artistas do mundo.

Orientada por Lara Seixo Rodrigues – juntamente com Pedro Seixo Rodrigues e Elisabet Carceller, uma das fundadoras do WOOL -, a Visita Guiada percorreu o “miolo” da cidade, permitindo evidenciar a extraordinária concentração de peças e o perfeito estado de conservação da esmagadora maioria. Foi, assim, possível (re)visitar trabalhos tão emblemáticos como os dos portugueses Bordallo II, ARM Collective, Mr. Dheo, Aheneah, Mário Belem, Pantónio, Samina, Tamara Alves, Regg Salgado, Third ou Half Studio, dos espanhóis KRAM, Alberto Montes, Jofre Oliveras ou BTOY, do belga Gijs Vanhee ou do argentino Bosoletti. Outra das boas surpresas foi poder ver como os originalíssimos trabalhos a que Catarina Glam de o nome de covilhocos, passaram do atelier para as portas e janelas de casas devolutas da cidade, preenchendo-as de cor e vida.

O grande atractivo desta edição do WOOL foi, como não podia deixar de ser, o conjunto de intervenções que, há semelhança das edições anteriores, ficaram a cargo de dois artistas nacionais e dois estrangeiros. Inspirados em elementos naturais e do património construído da Serra da Estrela, os dois murais de TheCaver evidenciam-se pela exuberância do traço e das cores, bem ao jeito único deste artista. Num mural de enorme beleza, dominado por tons de azul, Daniel Eime homenageia o papel da mulher no desenvolvimento da indústria dos lanifícios nesta região do País. O Colectivo Licuado, do Uruguai, opta pelo naturalismo para recuar 140 anos no tempo, ao encontro da primeira expedição científica à Serra da Estrela. Finalmente, a espanhola Marta Lapeña reflecte sobre o trabalho em torno da lã, num quadro intimista e introspectivo.

Neste verdadeiro périplo pelo que de mais belo a Covilhã tem para oferecer em matéria de Arte Urbana, foi possível apreciar o resultado de uma residência artística de Raquel Belli, fotógrafa e artista visual que aplica técnicas e padrões usados em cestaria e tecelagem e cujos trabalhos se encontram expostos em espaços de comércio local. O resultado da acção comunitária “Juntos por um Ponto”, conduzida por Aheneah, pode também ser visto em local de destaque. Foi igualmente interessante perceber que, por intermédio da leitura de um QR Code, muitos dos trabalhos dialogam com o visitante, quer falando de si e do seu criador, quer propondo um roteiro sonoro com dez paisagens sonoras da autoria do covilhanense Defski. Finalmente, no New Hand Lab, o artista catalão Jofre e a premiada fotógrafa Lucía Herrero expõem “Crisis”, um trabalho impactante e que merecerá uma abordagem em separado. O WOOL e os seus promotores estão, uma vez mais, de parabéns. E que mais dez extraordinários anos possam vir!

quarta-feira, 7 de julho de 2021

TEATRO: "Nosocómico"



TEATRO: “Nosocómico”
Texto | José Carretas, a partir de “Médecin Volant” e “La Jalousie du Barbouillé”, de Molière
Encenação, cenografia e cartaz | José Carretas
Figurinos | Margarida Wellenkamp
Música | Ambre de Souze, Thiago Mûriere e Jean-Baptiste Lully
Interpretação | Fernando Landeira, Hâmbar de Sousa, Sílvia Morais, Susana Gouveia e Tiago Moreira
Produção | Teatro das Beiras
55 Minutos | Maiores de 12 anos
Teatro das Beiras, Covilhã (ao ar livre)
02 Jul 2021 | sex | 22:00


É sob os melhores auspícios que, nos idos de 1974, Fernando Sena e Rui Sena fundam o Grupo de Intervenção Cultural da Covilhã, precursor do actual Teatro das Beiras. Os princípios de então - “a companhia nasce fruto das necessidades culturais da região e do objectivo dos fundadores de produzir espectáculos teatrais com mais regularidade” - foram-se alicerçando e o colectivo vem acolhendo nas suas instalações, com uma regularidade impressionante, exposições, workshops, espectáculos e debates culturais, contribuindo assim para dar mais vida à vida desta região do interior do País. O fruto deste trabalho tem nas 109 produções até à data uma medida deveras significativa, assente na qualidade de encenadores como Gil Salgueiro Nave, Isabel Bilou, Rogério de Carvalho, Graeme Pulleyn, Mário Barradas ou José Carretas e nas peças de autores tão importantes como Calderón de la Barca, Luigi Pirandello, Molière, Bertolt Brecht, Eduardo de Filippo, Karl Valentin, José Sanches Sinisterra, Dario Fo, Carlo Goldoni, Gil Vicente e muitos outros.

Com encenação de José Carretas, “Nosocómico” é a segunda produção do Teatro das Beiras no corrente ano e tem como ponto de partida dois textos do início de carreira de Molière - “Médecin Volant” e “La Jalousie du Barbouillé”. Neles, é já possível perceber “o enorme talento que veio a consagrar o Mestre: um humor feito de irreverência, de quebra de preconceitos, de crítica social desbragada, sem filtros, sem auto-censura”, segundo José Carretas, nesta que é a sua oitava encenação com o GICC / Teatro das Beiras. À roda de Esganarelo, um falso médico, e do seu engenho para ludibriar até os mais precavidos, a peça leva-nos ao encontro de médicos e de doenças ao tempo de Molière, recordando-nos a terrível Peste Negra que dizimou milhões de pessoas em todo o mundo. Também na peça esta doença parece querer tomar a vida de uma formosa jovem, mas felizmente será apenas “andaço” e tudo parecerá ter remédio numa dose reforçada de pastéis de molho.

Belo momento de teatro, aquele vivido e sentido no exterior do Teatro das Beiras, numa noite de autêntico Verão. Movimentada e bem disposta, a peça vive, em grande medida, da qualidade interpretativa de Fernando Landeira que, no papel de Esganarelo, consegue arrancar saborosas gargalhadas a um público que, na noite da passada sexta feira, esgotou o espaço. O cenário, com tanto de simples como de versátil, presta-se ao jogo de enganos que preenche o texto, as entradas e saídas de cena sucedendo-se a um ritmo furioso, os trocadilhos e subentendidos a tomarem conta das falas e a tornarem tudo ainda mais divertido. E há ainda uma máxima que se retira da peça e que distancia a Medicina de hoje daquela que se fazia há trezentos e cinquenta anos atrás: “Médico é mais do que um estatuto; é uma missão”. A peça entra agora em itinerância, com vinte e duas apresentações que se estendem até meados de Agosto. Imperdível!

domingo, 25 de outubro de 2020

LUGARES: Museu de Lanifícios


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LUGARES: Museu de Lanifícios
Rua Marquês d’Ávila e Bolama, Calçada do Biribau e Estrada do Sineiro, Covilhã
Horário | terça a domingo - 10h00 -13h00 e 14h30 - 18h00 (Núcleo da Râmolas do Sol com acesso livre pelo exterior)
Ingressos | 3,00 € (normal)


O Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior foi instituído com a finalidade de salvaguardar a área das tinturarias da Real Fábrica de Panos, uma manufatura de Estado, fundada pelo Marquês de Pombal em 1764. Com o lema “os fios do passado a tecer o futuro”, é um museu de ciência e tecnologia cuja missão consiste em defender uma “conservação ativa” do património têxtil, bem como a investigação e divulgação da tecnologia associada ao processo de industrialização dos lanifícios. A contextualização antropológica, económico-social, cultural, político-institucional e ambiental é outra das suas finalidades, permitindo afirmá-lo como um centro de interpretação da rota turística peninsular Rota da Lã - Translana.

Distribuindo-se por três lugares distintos da cidade da Covilhã, este é um museu polinucleado que integra o núcleo da Real Fábrica de Panos, focalizado no período da pré e proto industrialização dos lanifícios (séc. XVIII), bem como o núcleo da Real Fábrica Veiga, Centro de Interpretação dos Lanifícios e sede do Museu desde 2004, no qual estão implantadas as valências de Núcleo Museológico da Industrialização dos Lanifícios (séculos. XIX e XX) e de Centro de Documentação / Arquivo Histórico dos Lanifícios. Ao ar livre é ainda possível visitar o núcleo das Râmolas de Sol, constituído por um conjunto de râmolas de sol e um estendedouro de lãs.

Durante séculos, o trabalho dos lanifícios dominou a economia da Covilhã e da região envolvente. Mergulhar neste património industrial é percorrer uma paisagem com características próprias, distinguindo a cidade-neve no contexto nacional. Tão importante quanto o impacto visual suscitado pelas numerosas fábricas e as suas chaminés, são as memórias que perduram e que devem ser preservadas e transmitidas às gerações futuras, pela identidade e coesão que conferem às gentes da região. Daí que compreender o ciclo da lã, os processos de tingimento ou o funcionamento dos antigos teares seja tão importante como as memórias de industriais e operários que dedicaram a sua vida à actividade fabril e que reflectem a importância dos testemunhos físicos e simbólicos de uma cultura industrial milenar. É isto que uma visita ao Museu de Lanifícios tem para oferecer.

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

CERTAME: WOOL | Festival de Arte Urbana da Covilhã 2020


 
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CERTAME: WOOL | Festival de Arte Urbana da Covilhã 2020
Vários locais, Covilhã
19 Set > 27 Set 2020


Um pouco mais tarde do que o habitual devido à actual pandemia, o WOOL – o mais antigo Festival de Arte Urbana de Portugal – regressou à Covilhã, instalando-se no seu centro histórico entre os dias 19 e 27 de Setembro. Seguindo o modelo habitual, a organização do certame convidou quatro criadores - dois nacionais e dois estrangeiros – cuja obra, para além de enriquecer o legado das edições anteriores, reforçou o objectivo de homenagear a história e identidade única deste território. Lara Seixo Rodrigues e a equipa da Mistaker Maker estão uma vez mais de parabéns pelo excelente trabalho desenvolvido, continuando a somar ideias, a congregar interesses, a apontar caminhos e a cativar adeptos para este fascinante mundo da Arte Urbana.

No Largo Infantaria 21, em diálogo franco com a peça criada por Sebas Velasco em 2019, o ilustrador Tiago Galo presta tributo à Banda da Covilhã, este ano a soprar centena e meia de velas. No seu jeito muito peculiar de se exprimir, o artista junta à regência da banda os naipes de sopro e percussão, oferecendo-nos uma peça fortemente estilizada, muito rica do ponto de vista visual e que transpira energia e animação. Catarina Glam expõe a sua arte em seis locais distintos da cidade. Usando a madeira como suporte principal, a artista desenvolveu peças de design multi-dimensionais cuja identidade convoca as mais variadas narrativas, colocando-as “à janela” de prédios devolutos e promovendo, desta forma, a sua interacção com o habitante local ou com o visitante ocasional.

No Largo Dr. Valério de Morais, à vista da peça de SAMINA que representa José Carlos Campos, o icónico “Sr. Viseu”, três figuras da terra impõem-se na fachada de um edifício: Entre os dois progenitores, um jovem com um vibrante vestido vermelho e de ar altivo parece desafiar quem passa. O espanhol Jofre Oliveras quis chamar a atenção para o preconceito de género que continua a grassar na nossa sociedade mas este é um trabalho cuja leitura não se esgota no tema, assentando num projecto mais vasto de recolha em colaboração com a fotógrafa Lucia Herrero e cujo resultado a organização espera poder desvendar na íntegra na edição de 2021, quando o WOOL celebrar uma década de vida. Finalmente, na Rua dos Bombeiros Voluntários, não muito longe da incrível peça de Bosoletti, o espanhol Alberto Montes oferece-nos um mural de grande beleza, num austero preto e branco, marcado pela relação geométrica das formas que o compõem e onde se percebe o trabalho agrícola como um vínculo forte entre as pessoas e todo o vasto interior do país.

Mas esta edição do WOOL foi muito mais do que o trabalho dos quatro artistas referidos. Entre visitas guiadas, workshops, uma exposição de fotografia intitulada “Serra ao Alto”, de Rui Gaiola, e as usuais conversas com artistas, destacaria dois momentos relevantes e sobre os quais falarei detalhadamente aqui no blogue nos próximos dias: o documentário de Selina Miles, “Martha: A Picture Story”, exibido no Salão da Banda da Covilhã na passada sexta feira à noite; e ainda, no mesmo local mas no dia seguinte, a apresentação do livro de fotografia de viagem e paisagem “I Wish I Could Drive These Roads Forever”, de Rui Gaiola. Em jeito de balanço, resta acrescentar que uma visita à “cidade neve” por altura do WOOL é sempre um prazer e a edição deste ano, apesar de todas as restrições, não foi excepção. Empenho, rigor, qualidade, disponibilidade e simpatia continuam a ser imagens de marca de um evento que tudo faz para agradar a todos e que insiste em trazer a Arte para a rua e em mostrá-la das mais variadas formas a todos os públicos.

sábado, 15 de junho de 2019

CONCERTO: Tó Trips & João Doce



CONCERTO: Tó Trips & João Doce
WOOL – Festival de Arte Urbana da Covilhã
Escadinhas do Castelo, Covilhã
09 Jun 2019 | dom | 22:30


Foi em casa do tio Francisco, ali mesmo, na Covilhã, que Tó Trips terá tido um primeiro contacto com a guitarra, “quando era puto e vinha aqui passar as férias grandes”. Se isto é verdade ou não e que importância poderá ter tido no seu percurso musical, não o sabemos. Sabemos, isso sim, que o domínio que hoje tem do instrumento, a sua capacidade de lhe arrancar sonoridades únicas e distintas, é absolutamente ímpar. O que faz dele um músico muito especial na cena musical portuguesa, desde os tempos convulsivos dos “Amen Sacristi”, ainda no Liceu Pedro V, e dos “Santa Maria Gasolina em Teu Ventre!”, até ao recente “Dead Combo”, com Pedro Gonçalves, passando pelos “Lulu Blind”, nos anos 90, e por uma série de projectos a solo.

Na Covilhã, Tó Trips apresentou-se em palco ao lado do percussionista João Doce, músico angolano que reside actualmente em Esmoriz e que é sobejamente conhecido por integrar projectos como os Wray Gunn ou Legendary Tigerman. Do entendimento, cumplicidade e profunda amizade entre os dois músicos – que vem desde um primeiro encontro, durante uma tour dos Wray Gunn, em 2004 – nasceu e cresceu este espectáculo entusiasmante, oferecido ao público em noite de festa, “à boleia” do WOOL – Festival de Arte Urbana da Covilhã. Assente nos trabalhos “Guitarra Makaka – Danças A Um Deus Desconhecido”, que Tó Trips gravou a solo em 2015, e “Sumba”, registo de 2016 em parceria com João Doce, o concerto propôs uma viagem exploratória pelos recantos desta imensa ilha que habitamos, ao encontro das suas peculiaridades sonoras, da sua musicalidade intrínseca, dos segredos e enigmas que esconde e que só a música permite desvendar.

Tocadas em sequência, “Danças a Um Deus Desconhecido”, “Baía das Negras”, “Cuca”, “Makumba das Foncas”, “Pedra Lume” e “Migratória”, músicas extraídas de “Guitarra Makaka”, levaram o público a viajar por Bolonha e pelo intenso repicar dos seus sinos num quente final de tarde, a ser “heróis do mar” a caminho do Oriente, a assistir à vingança do forasteiro de “Era Uma Vez no Oeste” sobre um renegado Frank, a viúva Jill McBain à espreita, a dançar em êxtase no terreiro da macumba ou a contemplar do alto Lisboa com as suas sete colinas. “Primitiva” e “Suva Blues”, do recente trabalho da dupla, encerraram o concerto e reforçaram o fascínio da viagem, uma viagem profundamente interior e imaginária, tornada real pelas memórias convocadas e pela certeza da melodia e dos ritmos que abraçam os cinco continentes. Genial!

terça-feira, 11 de junho de 2019

VISITA GUIADA: WOOL - Festival de Arte Urbana da Covilhã


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CERTAME: WOOL – Festival de Arte Urbana da Covilhã
Covilhã, vários locais
01 > 10 Jun 2019


Exemplo peculiar de uma “cidade de montanha”, rara no urbanismo português, a Covilhã é hoje um núcleo dos mais pulsantes de toda a região da Serra da Estrela. Historicamente, a cidade nunca deixou de apontar caminhos ao mundo. Foi berço de descobridores e exploradores, beneficiou da presença duma comunidade judaica forte no seu seio e, sob a acção do Marquês de Pombal, tornou-se no maior centro de produção de lanifícios de todo o país. Este ascendente manteve-se ao longo de mais de dois séculos, mas a crise dos têxteis, nos anos 90, ditou a falência de muitas fábricas e a deslocalização de muitas outras, daí resultando uma onda de desemprego que atingiu mais de oito milhares de trabalhadores, sobretudo mulheres. Perante este autêntico flagelo, a Covilhã foi obrigada a redesenhar-se, a ir em busca de novos caminhos, a reinventar-se. A Universidade da Beira Interior – que acolhe actualmente sete mil estudantes do mundo inteiro, distribuídos por cinco Faculdades – foi fundamental para uma certa dimensão cosmopolita que a cidade hoje detém. Mas depois há todo um conjunto de iniciativas – da reabilitação urbanística ao alojamento local, da oferta gastronómica aos eventos culturais -, muitas delas da esfera privada, que se têm revelado determinantes para que esta chama revivificante não esmoreça.

O WOOL – Festival de Arte Urbana da Covilhã é uma destas iniciativas. Fruto do dinamismo e desassombro dos irmãos Lara e Pedro Seixo Rodrigues e da espanhola Elisabet Carceller, o certame conheceu a sua primeira edição em Novembro de 2011 e, com uma ou outra vicissitude pelo meio, chega aos nossos dias pleno de vitalidade, continuando a somar ideias, a congregar interesses e a cativar novos adeptos para o fascinante mundo da Arte Urbana. Contando com os apoios do Município da Covilhã e da Águas da Covilhã, como principais financiadores do projecto, aos quais se somam um conjunto enorme de parceiros, a edição deste ano voltou a convidar quatro criadores - dois nacionais e dois estrangeiros - para enriquecerem o espólio de Arte Urbana que a cidade já possui. No intuito de dar a conhecer melhor todo este vasto espólio e, em particular, as novas peças, a Organização promoveu um conjunto de Visitas Guiadas, no decurso das quais foi possível perceber que, mais do que um Festival, o WOOL é um projecto artístico que tem mudado a face da cidade, trazendo um novo encanto ao seu centro histórico e, ao mesmo tempo, espalhando mensagens plenas de significado e às quais ninguém fica indiferente.

Ciceroneada por Lara Seixo Rodrigues, a visita começou por uma das quatro peças de grande formato que marcaram o arranque do WOOL, em 2011, num trabalho com assinatura da ARM Collective, de Miguel Caeiro e Gonçalo Ribeiro que joga nas dinâmicas criadas entre a bela fachada azulejada da Igreja de Santa Maria e um conjunto de murais que nos falam da agonia da indústria dos lanifícios e da deslocalização de muitas fábricas para o sudoeste asiático. Seguiu-se “Olhos de Coruja”, do hoje mundialmente famoso Bordalo II, mas que dava em 2014 os primeiros passos, alcançando com este trabalho – que foi considerado nesse ano um dos 25 melhores murais a nível mundial – uma enorme projecção. Regressando a 2011, foi possível apreciar, no Largo da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, o trabalho da espanhola BTOY que retrata um pastor da Serra da Estrela, enquanto no outro lado do largo, a fachada de um edifício oferece a visão do artista Mr. Dheo sobre a crise que tomou conta do país e atingiu o auge em 2014, ao representar uma jovem remendando a bandeira nacional.

O percurso prosseguiu com a apreciação do gigantesco mural criado pelo artista espanhol KRAM, em 2012, e que nos fala duma lenda sobre um terrível monstro, com os olhos na ponta do nariz, que aterrorizava as populações mal caía a noite. De seguida, tempo para ver “Covilhã Cidade Neve”, um belíssimo trabalho de “lettering” dos HalfStudio, de 2017, inspirado no fado com o mesmo nome de Amália Rodrigues e, a dois passos deste, o mural do espanhol Pastel, criado no ano passado e baseado na flora local. A caminho de outro espectacular mural, desta feita da autoria do português Frederico Draw, também do ano passado, e que representa o engenheiro, escritor, crítico, ensaísta e artista plástico Ernesto Manuel Geraldes de Melo e Castro, nascido na Covilhã em 1932, tempo para apreciar dois trabalhos de pequeno formato, um do holandês Pfff (2012) e outro do português Adres – considerado por muitos como o Banksy português – de 2011 e onde se pode ler “quando for grande quero ser feliz”. Felicidade foi o que todos sentiram ao ver “Arrebatamento”, um trabalho do argentino Bosoletti (2017) com um cunho marcadamente realista e evocativo da mulher trabalhadora, que se une às outras mulheres e juntas travam uma luta desigual contra aqueles que as exploram e oprimem.

No regresso à Igreja de Santa Maria, deu-se início à segunda metade da visita com a apreciação de uma peça bordada, executada em 2018, através da qual a portuguesa Aheneah quis homenagear a sua avó. Já na Rua das Portas do Sol, tempo para ver a homenagem de Samina a um dos símbolos vivos da cidade, o Sr. Viseu, operário desde criança na indústria dos lanifícios e emblemático jogador de futebol no Sporting da Covilhã. “Orfão Selvagem”, obra de 2014 da autoria de Tamara Alves e que mostra uma mulher a bordar o seu próprio vestido em rendas de bilros e “Fio Condutor”, do português Regg Salgado (2017), representando umas mãos a coser uma peça de tecido, ocupam estrategicamente o espaço junto ao miradouro das Portas do Sul e impressionam pela sua dimensão e beleza. Baixando através duma vereda íngreme e muito estreita, chega-se à Rua de S. Tiago, onde um coração tridimensional feito de maquinaria de tecelagem, da autoria do português Third (2017), convive com o mural Lata 65, um projecto que traz para a rua e para o universo da Arte Urbana criadores com 65 anos de idade ou mais.

A parte final da visita é dedicada às novas peças, mas pelo meio há ainda tempo para apreciar o notável mural do açoriano Pantónio, inspirado no voo dos andorinhões. Assim, a portuguesa Kruella d'Enfer dá-nos a sua visão da Covilhã a partir da janela manuelina que orna o espaço nas traseiras do edifício da Câmara Municipal, recorrendo aos elementos vegetalistas que lhe são característicos e não esquecendo as estrelas, que aqui têm um brilho certamente muito diferente daquele que têm em Lisboa. O espanhol Sebas Velasco traz-nos um pouco da noite da Covilhã, tanto no rosto duma jovem como nas luzes dum candeeiro que incidem sobre um automóvel antigo. Finalmente, na escadaria que envolve a Fonte das Três Bicas, o português Mário Belém fala-nos da água e da sua importância na perpetuação dos ciclos vitais, através de quatro intervenções de enorme beleza, como se de um conto ilustrado para crianças se tratasse.

Com tanto de intensa como de enriquecedora, a visita foi fantástica e permitiu ver a cidade com outros olhos. Peças houve que ficaram por ver e que acabaram por se constituir num motivo acrescido para ir mais além neste intento de descoberta da cidade. Foi desta forma que, por “conta própria”, visitei no edifício dos Bombeiros Voluntários da Covilhã o trabalho de Roc Blackblock (2018) de homenagem aos soldados da paz, apreciei as obras do belga Gijs Vanhee e do português +MaisMenos+, vi os pequenos-formato de Mário Belém e BTOY, deliciei-me com “Oddments”, trabalho de Add Fuel (2014) inspirado nos típicos padrões utilizados na produção dos tecidos locais e, por fim, observei “O Observador”, trabalho do brasileiro Douglas Pereira feito para a edição deste ano e que “olha” para a natureza do ponto de vista de quem a ama e preserva. Esta descrição não ficaria completa sem a “extensão” do WOOL à cidade vizinha do Fundão, onde tive oportunidade de apreciar belíssimos trabalhos de Pantónio, Milu Correch, Nespoon e Bordallo II. Um luxo!