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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

CERTAME: XII Festival Literário de Ovar - Dia 5



CERTAME: XII Festival Literário de Ovar
Ágata Pereira, Aurelino Costa, Aurora Gaia, Carlos Nuno Granja, Cristiana Rodrigues, Hélder Bruno, Iuri Oliveira, João Pedro Vala, Jorry, José J. Cabral, Mara Domingues, Maria Martins, Marisa Lemos, Miguel Gouveia, Rafael Gallo, Rui Guedes, Surma, Teresa Carvalho, Zetho Cunha
Parque Urbano de Ovar, Bar do CAO e Centro de Artes de Ovar
20 Set 2026 | dom | 10:00 e 15:00


Há sempre uma espécie de melancolia no último dia de um Festival. Em Ovar, no passado domingo, ela foi-se insinuando devagar, entre livros, desenhos, histórias e conversas, como se ninguém se atrevesse a dar por adquirido que a festa estava a chegar ao fim. O Parque Urbano recebeu as primeiras palavras do dia, com a apresentação de “Sr. Loisas - A biblioteca itinerante é bastante extravagante”, de Carlos Nuno Granja, ilustrado por Yana Marques. Seguiu-se uma oficina de ilustração de Cristiana Rodrigues e uma conversa moderada por Rui Guedes e dedicada à mediação da leitura. Marisa Lemos, Ágata Pereira e Mara Domingues, as convidadas desta penúltima mesa do FLO, falaram da escrita como lugar de humildade, da leitura como encontro e das histórias como instrumentos capazes de nos tocar antes mesmo de sabermos exactamente porquê. “A criança lê pelos ouvidos”, lembrou Marisa Lemos. Ágata Pereira haveria de dizer que, mesmo se tivesse escrito vinte livros, não abdicaria nunca de ser professora. E Mara Domingues deixou uma ideia particularmente bonita: um livro pode ser apenas uma história que nos soube bem; não tem necessariamente de carregar consigo uma moral. Depois, os contos de Miguel Gouveia prolongaram essa manhã em que as palavras ainda hesitavam em despedir-se.

À tarde, já no Bar do CAO, a literatura ganhou outros contornos. “Cinzas & Sudário”, de Aurelino Costa, abriu caminho para uma “Poesia A Meias”, partilhada pelo próprio autor, com Zetho Cunha Gonçalves e Aurora Gaia, num encontro em que a palavra poética encontrou uma particular dimensão de voz, respiração e presença. Mas seria na última mesa do Festival, moderada por Teresa Carvalho, que a conversa haveria de se deter sobre esse território onde a literatura respira entre o íntimo e o colectivo. João Pedro Vala falou de uma literatura mais próxima da vírgula do que do ponto de exclamação, um espaço de respiração e não de exaltação. Rafael Gallo lembrou o perigo dos pontos de exclamação quando se pretende dar demasiado peso às frases e falou do medo de perder a casa ou o emprego de que se alimentam as narrativas neofascistas. José J. Cabral reclamou para os escritores a responsabilidade de reflectirem a verdade dos seus países e contrariarem as narrativas institucionais: nem tudo o que vemos, disse, é postal ilustrado. Entre o manguito e a vírgula, entre a História que herdámos e aquilo que ainda precisamos de reinventar, ficou a literatura como lugar de confronto, mas também de conforto e transformação.

A música reservava uma surpresa para o final de um programa que, ao longo de cinco dias, teve tudo para agradar a todos. “Ether Sculptures”, de Hélder Bruno, encerrou o Festival Literário de Ovar como se o fim pudesse, afinal, ser uma outra forma de começo. No palco, piano, baixo eléctrico, teclados, guitarra, sintetizadores, bateria, percussões e violoncelo construíram uma matéria narcadamente sensorial. Hélder Bruno, acompanhado por Jorri, Surma, Iúri Oliveira e Maria Redes Martins, levou o público para esse território onde o som deixa de ser apenas som e passa a ser paisagem, memória, emoção. Foi, em grande medida, a despedida perfeita para um Festival feito de palavras: depois de tantos livros, autores, leitores, perguntas e respostas, restava aquilo que talvez seja mais difícil de nomear. Uma atmosfera. Uma vibração. Qualquer coisa que permaneceu dentro de nós quando as cadeiras começaram a esvaziar-se e as luzes se apagaram. Se uma imagem vale mil palavras, como dizia a apresentação do espectáculo, talvez uma música possa valer mil imagens. E naquela última hora, Ovar pareceu guardar dentro de si todas elas.

Foi assim que terminou a XII edição do Festival Literário de Ovar: sem um verdadeiro ponto final, porque os livros não sabem terminar assim, nem as histórias, nem as conversas que ficam a trabalhar dentro de quem as ouviu ou nelas participou. Escritores e leitores despediram-se da cidade, guardando consigo aquilo que os festivais verdadeiramente deixam: frases impossíveis de esquecer, outras tantas perguntas, encontros que continuam para lá destes dias inesquecíveis e a sensação rara de ter pertencido, por instantes, a uma comunidade reunida em torno da palavra. Depois, começa o silêncio. A cidade regressa ao seu ritmo habitual, os lugares onde durante dias se ouviram vozes ficam novamente à espera, instala-se aquele vazio agridoce que acompanha todas as despedidas felizes. O festival acaba, mas Ovar fica com a memória do que aconteceu e com a longa, quase insuportável espera pelo dia em que os livros voltarão a ocupar a cidade, as palavras tornarão a atravessar praças e ruas e alguém voltará a dizer que é hora de recomeçar.

terça-feira, 3 de março de 2026

CONCERTO: “Diálogo Interculturas no Mediterrâneo Medieval” | Ensemble Med



CONCERTO: “Diálogo Interculturas no Mediterrâneo Medieval”
Ensemble Med
Direcção musical | Daniela Tomaz
Com | Daniela Tomaz (flautas, adufe), Joana Godinho (canto), Sérgio Calisto (viola d’amore a chiavi e nyckelharpa), Laurent Safar (percussão)
CásterAntiqua - Festival de Música Antiga de Ovar
Bar do Centro de Artes de Ovar
28 Fev 2026 | sab | 21:00


Mais do que um imenso espaço líquido, ao longo de séculos o Mediterrâneo foi praça pública onde mercadores, peregrinos, exércitos e poetas teceram uma rede de trocas que moldou decisivamente a história cultural dos povos que o habitaram. Das rotas que ligavam o Levante às costas atlânticas da Ibéria chegaram especiarias, técnicas, cosmologias e, com elas, palavras que ainda hoje habitam a língua portuguesa, heranças árabes, hebraicas e latinas que sobreviveram às fronteiras políticas e às ortodoxias religiosas. Essa sedimentação fez-se também de música, dos modos melódicos que atravessaram sinagogas, mesquitas e catedrais aos ritmos que acompanharam o labor agrícola e a celebração litúrgica ou às práticas de transmissão oral que resistiram à erosão do tempo. O legado cultural mediterrânico é, por isso, uma corrente viva que continua a renovar-se na tradição. A língua que falamos, os cantares que reconhecemos como nossos, os timbres que associamos ao sagrado ou ao profano são testemunhos dessa convivência antiga, tantas vezes tensa, tantas vezes fecunda, que faz da diversidade um motor criativo. É essa memória partilhada - frágil e resiliente ao mesmo tempo - que programas como “Diálogo Interculturas no Mediterrâneo Medieval” convocam, lembrando-nos que a identidade ibérica se construiu no encontro e na escuta.

No Bar do Centro de Artes de Ovar, essa história ganhou corpo e respiração. O ambiente descontraído, de copo ou chávena na mão, e a proximidade cúmplice entre intérpretes e público, dissolveu qualquer ideia cristalizada de que a música medieval pertence apenas à penumbra das igrejas ou ao fausto dos palácios. O Ensemble Med apresentou um percurso que, do Cancionero Musical del Palacio às melodias sefarditas recolhidas por Isaac Levy, das inflexões do makam turco às Cantigas de Santa Maria, fez do concerto uma verdadeira cartografia sonora. Mesmo nas peças de natureza litúrgica, a pulsação rítmica e a entrega dos músicos foram capazes de imprimir-lhes uma dimensão festiva, quase dançável, como se cada modo antigo escondesse uma chama ainda viva, pronta a reacender-se ao primeiro fôlego. Foi um concerto marcado pelo rigor histórico, mas nunca rígido; houve estudo e pesquisa, mas sobretudo partilha. As percussões insinuaram pontes invisíveis entre margens, as cordas desenharam arabescos de fina filigrana e os sopros coloriram o espaço com uma paleta capaz de evocar mercados, pátios e claustros. A generosidade dos executantes sentiu-se na forma como ofereceram cada frase ao público, num gesto franco e hospitaleiro que foi espelho da própria matriz mediterrânica do programa.

Entre a pulsação do adufe de Laurent Safar, a sonoridade única das nyckelharpa de Sérgio Calisto e a doçura das flautas de Daniela Tomaz, foi  a voz de Joana Godinho que sobressaiu, erguendo-se como um fio de ouro. Capaz de se expandir na energia contagiante do “Coro das Maçadeiras” e logo depois saber recolher-se na intimidade contemplativa de uma “Cantiga de Santa Maria” - onde cada sílaba nos é oferecida como que suspensa numa oração sussurrada -, a cantora demonstrou uma versatilidade rara, aliando clareza tímbrica a uma expressividade intensamente comunicativa e empática. A sua prestação nunca cedeu ao exotismo fácil, antes caminhou, com verdade e firmeza, na senda de um legado onde cristãos, judeus e muçulmanos partilham uma mesma respiração histórica. Também por isso, o concerto foi mais do que uma sucessão de peças de uma longa e intensa jornada entre oriente e ocidente: foi manifesto discreto contra o esquecimento, uma afirmação de que a música antiga deixa de ser antiga quando se torna presente em corpos vivos e vozes que a reinventam. No final, entre aplausos calorosos e sorrisos cúmplices, ficou a sensação de que aquele bar, à semelhança de tantos cafés de outras épocas, foi por momentos ágora efémera, lugar onde a memória colectiva se celebra não como peso, mas como promessa.

terça-feira, 23 de setembro de 2025

CERTAME: XI Festival Literário de Ovar - Dia 5



CERTAME: XI Festival Literário de Ovar
Agrupamento de Escolas de Esmoriz – Ovar Norte | Curso Técnico de Multimédia | Alice Caetano, Andreia Confusa, Belmiro Carvalho, Bruno Henriques, Cândida Jardim, Carlos Nuno Granja, Cristina Carvalho, Edgar Pedro, Fernando Soares, Joana Leitão, José Manuel Castanheira, Lúcia Bandeira, Madalena Sá Fernandes, Manuel Frias Martins, Marcelo Teixeira, Matilde Horta, Nuno Bernardo, Paula Margato, Pedro Reisinho, Rita Correia, Rui Couceiro, Rui Guedes, Rui Manuel Almeida, Sérgio Duarte, Teresa Carvalho, Trigo Limpo – Teatro ACERT, Vanessa Martins
Parque Urbano de Ovar, Centro de Artes de Ovar, Bar do CAO
21 Set 2025 | dom | 10:00 e 15:00


A décima primeira edição do Festival Literário de Ovar chegou ao fim e o balanço, feito na primeira pessoa por Carlos Nuno Granja, programador de conteúdos literários e, incontestavelmente, a alma e o coração do certame, resume-se numa frase: “Esta foi a melhor edição de sempre do Festival.” Uma ideia partilhada pelos indefectíveis do FLO, que o vêm acompanhando com renovado interesse, e que vêem nele o ponto de encontro perfeito no final de cada Verão. Durante cinco dias, Ovar foi a cidade da palavra e da cultura, com onze mesas literárias, quinze apresentações de livros, seis concertos e performances, oito oficinas, três sessões de teatro ambulante e uma curta-metragem em estreia mundial. Ainda na ressaca duma verdadeira maratona de celebração da palavra, a emoção prevalece, pela alegria da novidade e o reconhecimento da surpresa, pelo abraço de amigos de antes e de agora. Mas há também como que uma estranheza, uma quase sensação de orfandade, pelo fim deste ambiente acolhedor, vivo e livre, que sabe bem e faz bem.

De uma beleza ímpar, o Parque Urbano de Ovar foi o palco da manhã do último dia do Festival Literário de Ovar. A jornada não poderia ter começado melhor, com a apresentação de “O descabido caso dos livros desaparecidos”, uma obra de Carlos Nuno Granja, com ilustrações de Andreia Confusa. Matilde Horta dirigiu uma oficina de ilustração, Paula Margato trouxe para a Sessão de Conto “Um Lobo, Uma Capuchinho & Companhia Ilimitada” e houve igualmente lugar a uma mesa, a penúltima do programa, superiormente moderada por Rui Guedes e que contou com a participação de Vanessa Martins, Alice Caetano e Joana Leitão. A sessão resultou num vivo e enriquecedor momento em torno da literatura infantil, no qual se falou do processo criativo, de onde nascem as ideias para escrever, do acto da escrita como catarse e da dificuldade em provar aos mais novos, fascinados pelas novas tecnologias, que o livro é um objecto carregado de magia e sedução. A tarde teve o seu início no Bar do CAO e, logo a abrir, foi animada por uma excelente conversa moderada por Marcelo Teixeira, com Cristina Carvalho e José Manuel Castanheira ao seu lado na mesa, nela se falando da vasta obra dos dois convidados e, em particular, do livro que escreveram em parceria, “Fabulário ou o Pequeno Circo do Mundo”.

A apresentação dos livros “A Dança dos Pássaros Invisíveis”, de Edgar Pedro, e “O Rufo do Tambor que Levamos no Peito”, de Rui Guedes, prenderam igualmente a atenção dos presentes, bem como a Sessão de Contos, animada por Cândida Jardim, e a Oficina de Ilustração, com Rita Correia. O Auditório do Centro de Arte de Ovar abriu-se ao público para a última mesa do Festival, com Madalena Sá Fernandes, Manuel Frias Martins e Rui Couceiro, e moderada por Teresa Carvalho. Sob uma frase de Miguel Torga - “Mas a vida é uma coisa imensa, que não cabe numa teoria, num poema, num dogma, nem mesmo no desespero inteiro dum homem” –, os convidados fizeram aquilo a que a moderadora chamou “esfregar sal na ferida que somos”. Também aqui se falou do processo de escrita, com Madalena Sá Fernandes a afirmar que “a literatura pode pouco, mas é esse pouco que a torna insubstituível” e Manuel Frias Martins a dizer que a base da escrita ficcional está no “não é, mas poderia ser”. Enfim, Rui Couceiro salientou que, “ainda que o futuro esteja sob a ameaça da Inteligência Artificial, haverá sempre uma literatura sem batota para nosso consolo.” A curta-metragem “Fui logo a Bela para Todos”, realizada por Belmiro Carvalho, e “Teatro Paraíso / Palavra Ambulante”, por Trigo Limpo Teatro ACERT, colocaram um ponto final numa edição memorável do Festival. O FLO regressa daqui a um ano. Viva o FLO!

sábado, 15 de março de 2025

CONCERTO: "Music for a While - Canções do séc. XVII"



CONCERTO: “Music for a While - Canções do séc. XVII”
Com | Pedro Martins (tiorba e guitarra barroca) e Thiago Vaz (voz)
CásterAntiqua - Festival de Música Antiga de Ovar
Bar do Centro de Artes de Ovar
14 Mar 2025 | sex | 22:00


De uma vontade antiga, que retira do rio Cáster, do onirismo e dramatismo das suas águas, a imagem e o modelo, nasce o CásterAntiqua - Festival de Música Antiga de Ovar. A dar os primeiros passos, pleno de vida e de esperança no futuro, mostra-se apostado em revelar novos mundos sonoros, ao encontro com o outro, com o desconhecido. Num abraço à música, está aí para se espraiar sem atender a fronteiras, colocando nas suas margens, suaves e harmoniosas, a ambição de envolver a cidade e estender o seu fluxo sonoro a Portugal e ao mundo. “Afirmar a diferença como princípio e o eterno nascer como objectivo” é esta a sua máxima, a sua linha de baixo contínuo. Uma máxima que é uma aposta, e uma aposta ganhadora, a julgar pelo concerto inaugural que juntou Pedro Martins (tiorba e guitarra barroca) e o tenor Thiago Vaz em torno de um repertório centrado no século XVII. O público acorreu em grande número ao espaço improvável do Bar do Centro de Artes de Ovar, mostrando o seu entusiasmo face a um programa sabiamente alinhado, deleitado com a profundidade e riqueza da música e incansável no apoio e carinho devotado aos músicos.

Abrangendo canções para voz e baixo contínuo do período barroco, além de peças instrumentais, o programa buscou estabelecer pontes entre diferentes estilos e compositores, oferecendo um percurso como se de uma viagem se tratasse. Itália, Espanha, França, Inglaterra e Portugal foram etapas de um caminho de riqueza e conhecimento, ao encontro de uma Europa seiscentista em profunda transformação, retalhada por conflitos religiosos, definições políticas antagónicas, progressivo afastamento da cultura erudita e popular e, simultaneamente, conjugação do âmbito do sagrado e do profano na vida das pessoas. “Já ri da minha dor enquanto esperava / Mas se a esperança morrer / Apenas tormentos e suspiros me avançam”. Entre a sorte e o lamento, “Già risi”, do compositor italiano Giovanni Kapsberger, foi o primeiro tema escutado, trazendo-nos um pouco da genialidade e virtuosismo daquele que foi conhecido como “o alemão da tiorba” e cuja actividade musical foi fundamental no desenvolvimento deste e de outros instrumentos pertencentes à família do alaúde como instrumentos solo.

No dia do seu aniversário, Thiago Vaz foi protagonista maior de um concerto que teve na voz um elemento de enorme riqueza, devidamente acompanhado por Pedro Martins que, “a jogar em casa”, revelou dotes de intérprete exímio de instrumentos com sonoridades tão ricas e distintas como o são a guitarra barroca e a tiorba. Foi isso que pudemos constatar em “O che felici giorno”, de Francesco Rasi e, sobretudo, na viva e audaz “Passacaglia della vita”, atribuída a Stefano Landi e que nos diz que “Oh, quão enganado estás / Se pensas que os anos / Não vão terminar / A vida é um sonho / A alegria é breve / É preciso morrer”. Entre o amor, o deleite e o bom gosto, nas asas da música cruzámos tempos e fronteiras. Com dois anónimos acompanhámos o enamoramento de Marizápalos e Pedro Martín e escutámos um “Rojão 1 tom italiano”, a melodia como que a transportar-nos à velha Lisboa ao encontro de um fado. Jean-Baptiste Lully abriu-nos sonoridades a lembrar a leveza das flores e a beleza dos céus e Henry Purcell mostrou-nos que a música, ainda que por breves instantes, é ainda o melhor lenitivo para as nossa angústias e preocupações. Um belíssimo concerto, coroado com uma enorme e muito merecida ovação, a colocar muito alta a fasquia deste CásterAntiqua no dia do seu arranque.