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domingo, 30 de agosto de 2026

EXPOSIÇÃO: “You, Me, Us [O, Hau, Ita; Tu, Eu, Nós]” | Maria Madeira



EXPOSIÇÃO: “You, Me, Us [O, Hau, Ita; Tu, Eu, Nós]”,
de Maria Madeira
Museu do Oriente
14 Ago > 13 Dez 2026


A exposição “You, Me, Us [O, Hau, Ita; Tu, Eu, Nós]”, patente no Museu do Oriente, em Lisboa, coloca no centro do olhar a obra de Maria Madeira, artista timorense-australiana cuja criação nasce de uma experiência marcada pelo deslocamento, pela memória e pela procura de uma identidade feita de várias geografias. Nascida em Gleno, Ermera, Maria Madeira tinha nove anos quando, em 1976, foi evacuada de Timor-Leste, com a família, pela Força Aérea Portuguesa, depois de um período de fuga e refúgio em Timor Ocidental. Seguiram-se anos num campo de refugiados da Cruz Vermelha, nos arredores de Lisboa, antes da emigração para a Austrália, em 1983. É desse percurso entre Timor, Portugal e Austrália que nasce uma exposição construída em torno de uma pergunta aparentemente simples, mas de profundas implicações: como passar do “eu” ao “nós”, do “mim” ao “nós”? Ao longo de trinta e quatro pinturas, desenhos, tecidos, colagens e instalações, Madeira confronta a experiência individual com uma memória colectiva, procurando transformar a dor, a perda e a distância em matéria de encontro.

A relação entre Portugal e Timor-Leste percorre toda a exposição, não como uma narrativa linear da história, mas como um território de afectos, tensões e sobrevivências. Na obra de Maria Madeira, a herança colonial portuguesa cruza-se com crenças ancestrais, práticas comunitárias e uma cultura material em que o papel das mulheres assume particular relevância. O “tais”, tecido tradicional timorense, surge como elemento fundamental dessa reflexão: mais do que objecto artesanal, é suporte de memória, instrumento de troca e expressão de vínculos entre pessoas, famílias e clãs. A própria história da artista encontra-se ligada a essa tradição através de Dona Verónica Pereira Maia, tecelã que conheceu durante os anos passados no campo de refugiados e que viria a inspirar a sua prática. Também a memória materna ganha forma quando a artista recupera peças de croché feitas pela mãe e as sobrepõe ao “tais”, submetendo o conjunto à luz intensa da Austrália Ocidental. O gesto deixa marcas no tecido e transforma a ausência em presença: os dedos da mãe, o trabalho das mulheres e a herança das antepassadas tornam-se visíveis numa espécie de arqueologia íntima.

Terra vermelha, lama, pedras trituradas, café, Betadine, tinta, fibras e fios de “tais” encontrados em sobras de tecido compõem uma linguagem plástica deliberadamente física, onde a matéria transporta consigo histórias de violência, resistência e regeneração. As manchas e os vestígios de noz de areca evocam os encontros e rituais timorenses, enquanto a Betadine, associada ao tratamento das feridas, introduz uma dimensão de dor que remete para as marcas deixadas pela invasão indonésia. Mas “You, Me, Us [O, Hau, Ita; Tu, Eu, Nós]” não é uma exposição sobre o trauma enquanto destino. É, antes, uma tentativa de o atravessar e de encontrar nele possibilidades de cura, ligação e futuro. Ao dar protagonismo às práticas artesanais femininas e ao diálogo entre natureza e cultura, Maria Madeira transforma a sua história pessoal numa reflexão mais ampla sobre pertença e comunidade. Depois de mais de três décadas de exposições em vários países e de ter representado Timor-Leste na 60.ª Bienal de Veneza, Madeira regressa simbolicamente a Lisboa para reabrir uma história que não pretende fechar, mas partilhar.

terça-feira, 12 de novembro de 2024

EXPOSIÇÃO: “O Teatro Kabuki e a Estampa Japonesa: Tradição e Transição”



EXPOSIÇÃO: “O Teatro Kabuki e a Estampa Japonesa: Tradição e Transição”
Museu do Oriente - Galeria Nascente
27 Set > 29 dez 2024


Vibrantes, dramáticas, provocadoras, e intelectuais - o Teatro Kabuki e a xilogravura Ukiyo-e (cuja tradução é “imagem do mundo flutuante”) são duas das formas de arte mais proeminentes do mundo. Emergiram simultaneamente no seio da cultura popular japonesa do século XVII e, durante quase trezentos anos, prosperaram em conjunto. A singularidade de cada uma é produto tanto da tradição, como da sua capacidade de adaptação. “O Teatro Kabuki e a Estampa Japonesa: Tradição e Transição” junta noventa e uma estampas Japonesas pertencentes ao acervo do Museu do Oriente, as quais retratam o Kabuki oitocentista, entre o final do Período Edo e o início do Período Meiji. Fascinantes imagens de actores, peças e camarins documentam a prolífica relação entre o palco e uma indústria massificada de xilogravuras. Uma era de transição que marca a união final destas duas práticas e que assinala a transformação do Kabuki num orgulhoso símbolo de identidade nacional. Hoje, com mais de quatro séculos de história e desde 2005 proclamado Património Cultural Imaterial da UNESCO, o Teatro Kabuki é uma arte viva e a sua popularidade intemporal. Outrora consideradas efémeras e descartáveis, os milhares de estampas Ukiyo-e sobreviventes são estimadas como uma expressão artística única e uma janela para o incrível universo do Kabuki.

O Teatro Kabuki teve a sua origem no início do século XVII nas planícies fluviais da cidade de Quioto, com as danças provocadoras e pouco convencionais de mulheres e jovens rapazes. No entanto, o palco principal para o desenrolar da sua história foi Edo, actual Tóquio, sede feudal do governo militar Tokugawa e da sua repressiva autocracia samurai entre 1603 e 1868. Neste agitado centro urbano, o Kabuki prosperou como uma expressão de música, dança e teatro, adorada pelos cidadãos comuns. Convenções de representação únicas deram vida às peças inspiradas no quotidiano, nos contos históricos, ou na ficção romântica. Foi visto pelo governo como extravagante, disruptivo e uma ameaça à ordem social, banindo as mulheres do palco, em favor de um elenco inteiramente masculino, e exilando os teatros para a periferia da cidade, perto do bairro de prazer de Yoshiwara. Em 1868, uma revolução pôs fim ao regime Tokugawa e o novo governo do imperador Meiji (r. 1868 - 1912) reconhece na popularidade inabalável do Kabuki uma ferramenta essencial para a construção de uma sociedade moderna, respeitável aos olhos de aristocratas e recém-chegados Ocidentais. Os teatros mudam-se para uma prestigiada localização central, perto do Castelo de Tóquio. Não mais ostracizado, o Kabuki foi elevado ao estatuto de teatro nacional.

Através de noventa e uma estampas e onze objectos, acervo da Fundação Oriente nunca antes exposto, “O Teatro Kabuki e a Estampa Japonesa: Tradição e Transição” destaca a fascinante relação entre a xilogravura e o teatro popular japonês. A exposição abre com um convite à experiência do teatro: cenas de peças famosas projectadas em grande escala, enquadradas pela recriação de um palco tradicional com o seu passadiço hanamachi. A partir daqui, a exposição mostra o Kabuki dentro e fora do palco, ilustrada por cartazes, trajes, perucas e outros adereços. Em seguida, explora-se a função promocional das estampas com imagens sobre o seu processo de fabrico e uma animação que identifica estampas com retratos de celebridades e de grandes clãs teatrais, cuja reputação cimentaram ao longo de gerações. Centrando-se agora no palco, a exposição apresenta cenas de peças famosas, extraídas da literatura popular e erudita, ou inspiradas na história, mitologia ou vida quotidiana. Uma selecção de estampas raras dá ainda a conhecer as particularidades da cultura teatral de Osaca, segunda grande cidade do Kabuki. A exposição termina com estampas do período pós-revolução Meiji, revelando como a tradição teatral abraçou novos temas e perspectivas, inspirados na liberdade e modernização.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

EXPOSIÇÃO DE DESENHO: "No Plan For Japan" | Ana Aragão



EXPOSIÇÃO DE DESENHO: “No Plan For Japan”,
de Ana Aragão
Museu do Oriente – Galeria Sul Piso 0
05 Nov 2021 > 13 Fev 2022


Formada em Arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Ana Aragão é uma artista plástica que se dedica exclusivamente ao desenho, explorando temáticas ligadas à cidade através dos seus ensaios de “arquitectura de papel”. Alguns dos seus projectos recentes incluem a participação na Representação Portuguesa de arquitectura na Bienal de Veneza de 2014 (Homeland) e 2021 (Pavilhão Italiano, “Visions from 2050”) e ainda o o destaque da Lüerzer's Archive na publicação 200 Best Illustrators Worldwilde, referente ao ano de 2014. É esta artista que, por estes dias, apresenta no Museu do Oriente “No Plan for Japan”, conjunto de trabalhos através dos quais nos vem dizer que “o Japão não é um conjunto de ilhas, é outro planeta”.

“O Japão”, define Roland Barthes com exactidão, “é um sistema de traços”. O Japão é um lugar eminentemente gráfico, contudo ilegível, e que por isso mesmo levanta um problema intransponível: como construir novas narrativas gráficas a partir do expoente máximo do gráfico? Muitas tentativas, todas “lost in translation”, porque não se traduz aquilo que não se compreende. Por isso mesmo, “No Plan for Japan” é uma exposição desengonçada, com a falta de coerência que interrupções inesperadas, viagens canceladas e muitas mudanças de plano foram causando. Daí que Ana Aragão recorra mais à imaginação do que à memória na construção deste projecto composto principalmente por ensaios de arquitectura de papel — talvez ilustrações, decididamente desenhos.

“No Plan for Japan” é composta por seis colecções. “Blind Dates” fala-nos de encontros insólitos que dão origem a megaestruturas. “Forever Lost” é uma espécie de teoria sobre as relações, a fragilidade, a complexidade, a transitoriedade e outros conceitos não listáveis. “Fictions” mostra-nos casas voadoras, estruturas instáveis, edifícios origami e outras ficções que passaram, de forma duplicada, diante da folha de papel. “Kanji” traz-nos o preto sobre o branco em traços tão rigorosamente dispostos quanto aleatórios. “The Metabolic Ones” são narrativas distópicas que reinventam edifícios icónicos. Finalmente, “Obi Collection” é uma sequência acerca da impossibilidade da repetição: unidades com anterioridade dividem temporariamente o infinito. Não importa se estamos perante planos urbanos, dentro de um game center ou apenas perante padrões. Assume-se a polissemia.

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: "Livros de Imagens" | Ulrike Ottinger



EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “Livros de Imagens”,
de Ulrike Ottinger
Doclisboa 2021
Museu do Oriente – Lounge Piso 0
21 Out 2021 > 14 Nov 2021


Convidada de honra da 19ª edição do Doclisboa, Ulrike Ottinger esteve presente no Festival para acompanhar a retrospectiva integral inédita da sua obra, apresentada na sua maioria em cópias restauradas. Aos 79 anos, com mais de duas dezenas de filmes no currículo, a realizadora alemã é reconhecida pela singularidade da sua obra e pela aproximação a contextos tão variados quanto o Novo Cinema Alemão, o feminismo, o movimento queer ou o pós-colonialismo. A par dos seus filmes, Ottinger produziu um extenso trabalho fotográfico que navega entre o surrealismo e a etnografia. Foi nesse contexto que o Doclisboa apresentou, em colaboração com o Museu do Oriente, uma exposição de fotografias tiradas nas viagens da cineasta por territórios como a Europa de Leste, os Estados Unidos, a Mongólia e a China.

O caminho de Ulrike Ottinger no Cinema tem início no início dos anos 70 do século passado e, ao longo das décadas seguintes, viaja pelo mundo, interpretando-o através das suas lentes, numa síntese radical entre a mitologia, a ilusão e o realismo. Tratando, com o mesmo entusiasmo e empenho, o cinema e a fotografia, Ottinger preparou “livros” de materiais visuais e textos recolhidos que serviram de guias para as filmagens. Ferramentas que a ajudaram a explicar a sua visão àqueles que filmou. Fixas ou em movimento, as imagens de Ottinger são um diálogo através de línguas e culturas. Foi isso que puderam constatar aqueles que tiveram a oportunidade de visitar a exposição e apreciar dezoito belíssimas imagens, a mais antiga datada de 1975 e a mais recente - “Mr. Nakataya Bleaches the New Crepe Fabrics”, que ilustra este texto - de 2011.

A exposição que esteve patente até ao passado dia 14 de Novembro incluiu uma série de fotografias criadas, na sua maioria, em paralelo com a produção dos filmes de Ottinger. Estas variam entre composições teatrais surrealistas e retratos etnográficos, habitando o espaço liminar entre a ficção e o documentário. Os territórios representados são diversos, mas é estabelecida uma especial ligação com a China e a Mongólia, países onde a realizadora fez diversas incursões, a partir das quais produziu um vasto trabalho fílmico e fotográfico. Em estreita relação com algumas destas fotografias, o Museu do Oriente foi igualmente palco da exibição das obras “Taiga” (1991–92) e “China. The Arts – The People” (1985). Uma exposição de enorme qualidade e significado que, apesar de ter já terminado, merece uma referência neste espaço.

terça-feira, 16 de novembro de 2021

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: "Outros Mundos" | Ana Abrão



EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “Outros Mundos”,
de Ana Abrão
Museu do Oriente, Galeria Nascente – Piso 0
15 Out 2021 > 30 Jan 2022


A mão pousada no regaço, entre as pernas, é a de uma velha mulher. O nosso olhar fixa-se naquela mão, nas rugas fundas como curvas de nível de um mapa que o tempo desgastou, na deformidade que atinge as articulações, na textura de uma pele que parece mumificada. Garrido, o vestido cor de laranja oferece a nota dissonante num ambiente cuja decrepitude é palpável. Entre a pinça formada pelo polegar e pelo dedo médio, a mulher segura uma fotografia polaroid. A dela própria, tirada talvez momentos antes, o queixo pousado nesta mesma mão, o ar cansado, a resignação na pose. Ao longo de seis dezenas de imagens, a história repetir-se-á. “Outros Mundos”, a exposição de fotografia de Ana Abrão que pode ser vista, por estes dias, no Museu do Oriente, traz-nos a inquietação que advém deste verdadeiro choque de culturas. Mas traz-nos também o fascínio e a magia de mundos saídos como que de um sonho, que nos aproxima de povos e culturas milenares com os quais partilhamos este espaço a que chamamos Terra.

De origem brasileira, onde nasceu, estudou e seguiu carreira académica, Ana Abrão vive há duas décadas na costa sul de Portugal, naquilo que ela considera “um dos recantos mais lindos da Europa”. Graduada em Psicologia e doutorada em Psicologia/Informática, decidiu em dado momento da sua vida trocar a carreira de professora universitária para seguir o gosto pela Fotografia e partir ao encontro de outras gentes e de outras culturas. Com um bilhete só de ida para a Ásia e sem roteiro definido, seguiu o fluxo dos acontecimentos, sem planos, sem datas e sem regras. “Embebedei-me de liberdade”, conta na sua página na internet [AQUI]. A Índia foi o seu ponto de partida, à qual se seguiram o Nepal, Myanmar, Vietname, Camboja, Laos, Tailândia, Singapura, Malásia, Indonésia, Bornéu e Sulawesi.  Durante um ano, um mês e uma semana, foi a lugares esquecidos do mapa. E, por ter ido a lugares fora dos roteiros turísticos, viveu experiências incomuns, algumas surpreendentes, algumas excêntricas. Experiências que fez questão de partilhar.

É desse desejo de partilha que surgem as imagens que constituem esta exposição, as pessoas vistas “por dentro e através dos olhos”, cada uma delas como “o espelho do melhor que têm, das suas mais belas expressões, da melhor parte de si mesmas”. O resultado são todas estas histórias contadas com enorme sensibilidade, a lente a incidir com força nas mãos e no olhar e a devolver-nos imagens que falam por si, que dispensam legendas. Posicionando-se face ao outro de alma aberta e sem julgamentos, Ana Abrão pede-nos que façamos o mesmo. Que o abracemos, abraçando a sua identidade, a sua diversidade, os seus contrastes, o seu modo de vida. É esta a melhor forma de olharmos à nossa volta e sentirmos o cheiro das especiarias, o gosto de mil sabores, a abundância de cores e a hospitalidade em cada um dos muitos sorrisos. Então perceberemos que também nós, despojados do preconceito e abertos ao outro como a nós próprios, somos parte de “Outros Mundos”.

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

CONCERTO: Matthew Halsall



CONCERTO: Matthew Halsall
Misty Fest 2021
Museu do Oriente
11 Nov 2021 | qua | 21:00


Compositor, trompetista, produtor e DJ, Matthew Halsall deu no Museu do Oriente o primeiro de dois concertos agendados para o nosso país no âmbito do Misty Fest. Rodeado por seis outros músicos, trouxe com ele um jazz “espiritual”, reflectido num conjunto de temas de enorme força introspectiva que convidam à meditação e ao silêncio, a sentir o pulsar da energia vital, a saudar o sol e todos os espíritos do universo, a olhar as estrelas e a libertar a mente de tudo quanto de pernicioso e mau a possa preencher. Foi uma noite de felicidade em torno de temas cujo registo se mostrou profundamente enraizado nas concepções de vida de Halsall, ligadas à ecologia, ao ambiente, à natureza e à harmonia que dela se desprende.

Bem apoiado no saxofone e flauta de Matt Cliffe, com quem partilhou a frente de palco, Matthew Halsall ofereceu ao público que preencheu por completo o Auditório Dr. Stanley Ho uma hora e meia de música inebriante com temas extraídos do seu mais recente álbum, “Salute To The Sun”, mas também dos anteriores “Oneness”, “On The Go”, “Sending My Love” e “Colour Yes”. Esta abertura ao seu universo permitiu encontrar nele influências do jazz britânico das décadas de 60 e 70, bem como de grandes músicos como Alice Coltrane, Pharoah Sanders ou Miles Davis. Todavia, o seu registo foi revelador de uma dimensão mais global, a tocar franjas da world music, sublinhado por notas da música eletrónica tão ao seu gosto (uma “cover” da Cinematic Orchestra não poderia faltar).

Encorajado pelos aplausos do público, Matthew Halsall explanou a sua música com um misto de sensibilidade e energia, mergulhando os presentes em sons com uma grande dose de primitivismo, terrenos e orgânicos, sons da natureza, das profundezas da selva amazónica ou dos vastos campos de bambu do Japão, aos quais as percussões de Jack McCarthy emprestaram energia, ritmo e uma enorme verdade. Rendidos à força da música, os presentes deixaram-se levar numa espiral de arrebatamento e deleite, escutando o piano de Liviu Gheorghe, a harpa de Alice Roberts, o contrabaixo de Gavin Barras ou a bateria de Alan Taylor. Sentado no chão do palco, entre o expectante e o extasiado, Matthew Halsall deixava-se levar também.