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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

EXPOSIÇÃO: “10 Anos d’ESTAU”



EXPOSIÇÃO: “10 Anos d’ESTAU”
ESTAU - Estarreja Arte Urbana
Design expositive e projecto gráfico | Mistaker Maker - Plataforma de Intervenção Artística
Casa Municipal da Cultura de Estarreja
12 Set > 31 Out 2026


“As grandes escolas de Arte Plástica são os museus. Quisera um em cada cidade, em cada vila e em cada aldeia, para que o povo se elevasse na comunhão espiritual do belo.”
Professor Egas Moniz, Prémio Nobel da Medicina

Foi em 2016, na primeira edição do ESTAU, que aprendi a olhar para a Arte Urbana. Ou talvez seja mais exacto dizer que foi aí que aprendi a olhar para a cidade. Guiado por Lara Seixo Rodrigues, descobri que uma parede pode ser muito mais do que uma parede e que uma obra de arte pode não pedir apenas para ser contemplada, mas habitar um lugar, conversar com quem passa, escutar uma paisagem, acordar uma memória. Desde então, acompanhei religiosamente o ESTAU, regressando a cada edição com a expectativa de quem sabe que algo de misterioso e belo faz com que a cidade mexa — e, seguramente, alguma coisa dentro de nós mexa também. Vi paredes ganhar outras vidas, lugares esquecidos reencontrarem-se consigo próprios, histórias antigas descobrirem novas linguagens. E fui percebendo que esta é uma das grandes forças do ESTAU: acrescentar à cidade não apenas cor ou beleza, mas espessura. Histórias. Memórias. Significados. Fazer do território um livro que se pode percorrer a pé, onde cada esquina pode esconder uma narrativa e cada obra é uma possibilidade de ver de novo aquilo que julgávamos conhecer. Dez anos depois, Estarreja é também esse museu sem portas nem horários, onde a Arte se mistura com a vida e onde a cidade, sem deixar de ser cidade, se tornou lugar de descoberta.

Guardo imagens. Uma folha que se desprende da sua natureza para se transformar em pássaro. A precisão desconcertante de uma radiografia aberta sobre uma parede. Rostos que parecem querer libertar-se da pedra e conduzir o olhar para lá de si mesmos, até aos arrozais imensos, onde a paisagem se demora. Guardo conversas com artistas, tardes de trabalho, o silêncio de quem observa uma parede antes que ela deixe de ser apenas parede. Guardo também a surpresa de encontrar uma obra onde antes nada havia e a estranha sensação de que, depois dela, deixou de ser possível regressar ao lugar anterior. Foi assim que o ESTAU me ensinou que a Arte pode ser uma forma de pertença. É essa a razão pela qual, ao longo destes dez anos, tenha encontrado nele muito mais do que um festival: um ponto de encontro de vontades, de saberes, de geografias. E de pessoas. Um lugar onde o Baixo Vouga lagunar — a água, o arroz, o bunho, os barcos, os ofícios, as fábricas, as histórias — deixa de ser apenas património para se tornar matéria de criação. O ESTAU não inventou este território. Fez talvez algo mais difícil: ensinou-nos a reconhecê-lo. A aproximarmo-nos dele. A perceber que uma comunidade também pode construir a sua identidade através do seu imaginário.

E depois há o que desaparece. Há obras que já não estão lá. O tempo levou-as, a chuva gastou-lhes as cores, uma parede mudou, uma intervenção cumpriu o seu destino de ser passageira. E houve, confesso, alguma mágoa em vê-las desaparecer. Como se perdêssemos qualquer coisa que julgávamos nossa. Mas é justamente aí que a exposição “10 Anos d'ESTAU” começa a fazer sentido. Porque estas fotografias, estes objectos, estas imagens não são apenas documentos: são vestígios que nos surgem como que colados à pele. Pequenas provas de que estivemos ali. De que alguém criou, alguém olhou, alguém se emocionou. A memória tem também a sua própria arquitectura e, por vezes, aquilo que já não existe é o que mais profundamente permanece. Dez anos de ESTAU são, por isso, dez anos de marcas - algumas inscritas nas paredes, outras na paisagem, outras ainda, talvez as mais importantes, dentro de nós. Esta exposição é feita dessas marcas e das histórias que elas guardam. É uma exposição sobre o tempo, sobre a Arte e sobre a vida, mas sobretudo sobre aquilo que acontece quando as três se encontram. Porque uma cidade não é apenas aquilo que permanece de pé. É também aquilo que recordamos. E, se o ESTAU transformou Estarreja num museu a céu aberto, talvez a sua obra maior seja ter transformado também a nossa memória num lugar onde estas histórias continuamente acontecem.

sábado, 28 de setembro de 2024

FESTIVAL: ESTAU - Estarreja Arte Urbana 2024



FESTIVAL: ESTAU - Estarreja Arte Urbana 2024
Vários Locais
14 > 22 Set 2024

“É a primeira vez que venho a Portugal e estou a gostar muito. Tenho encontrado aqui muitos amigos.” As palavras são de Tellas, talentoso artista de Cagliari, na Sardenha, com quem troquei algumas palavras no decurso da visita que fiz a Estarreja e à sexta edição do ESTAU - Estarreja Arte Urbana 2024. A palavra “amigos” tem aqui um valor real, já que Tellas se referia a um conjunto de artistas que, tal como ele, têm passado por Estarreja, deixando a sua marca em peças de enorme beleza e significado. Amigos de outras paragens, de outros festivais, de quem se guarda o convívio, a troca de saberes e experiências, o nome e o traço nas peças que assinam, a partilha da paixão pela Arte Urbana. Amigos que se podem “rever” numa parede, num muro, num posto de transformação eléctrico ou num depósito de água. Não em Stavanger ou Grenoble, Montreal ou Brisbane, mas aqui bem perto, em Estarreja. E é isto, o ESTAU: Um ponto de convergência entre a arte e a cultura, uma forma de juntar a comunidade em torno das suas histórias e memórias, enfim, uma oportunidade única de ver ao vivo o trabalho dos artistas que vêm visitando Estarreja desde 2016, que fazem da rua o seu atelier e tornam a arte acessível a todos, difundindo-a e democratizando-a.

À semelhança das edições anteriores, também este ano o primeiro fim de semana do ESTAU foi dedicado ao conhecimento do território, permitindo aos artistas perceber melhor a realidade desta magnífica região do Baixo Vouga Lagunar. Nesse contacto inicial reside a força inspiradora que permite, nos dias seguintes, partir para o terreno com ideias bem assentes e trabalhar peças que, nos seus mais diversos estilos, são evocativas da identidade estarrejense e prestam homenagem à terra e às suas gentes. Parto ao encontro do trabalho acabado ou por acabar e, com a preciosa ajuda de Lara Seixo Rodrigues, traço o meu próprio roteiro. Começo pelo centro da cidade onde, no Mercado Municipal de Estarreja, a ilustradora e artista visual Barbara R. põe em prática “Exquis”, resultado de uma acção comunitária com alunos da turma de Artes do 12º ano da Escola Secundária de Estarreja. Rumando a Sul, a próxima paragem é Salreu, onde o argentino Facio presta homenagem ao Visconde de Salreu. De regresso a Estarreja, é tempo de apreciar o mural de Tellas que faz do depósito de água junto à Estação de Comboios um espaço viçoso e verdejante, que mescla a realidade com a abstracção.

Preparo-me para seguir rumo ao Bairro da Teixugueira quando, ao fazer a manobra, vejo pelo retrovisor, mesmo atrás de mim, uma estranha personagem a passear-se com um carrinho de compras do supermercado. É Jaune, artista de nacionalidade belga, que tem como protagonistas das suas humorísticas instalações e quadros, funcionários de limpeza urbana, trabalho que o próprio exerceu durante algum tempo. No caso de Estarreja, o alvo da sua homenagem foram os bombeiros, verdadeiros heróis no combate aos incêndios que devastaram áreas enormes dos concelhos vizinhos de Oliveira de Azeméis e Albergaria-a-Velha, e que se podem encontrar um pouco por toda a cidade, em muros e bancos, em portas e caixas eléctricas. No Bairro da Teixugueira, por fim, vejo como o espanhol Sojo interpreta, de forma singular, o Carnaval de Estarreja. A viagem de regresso faz-se pela EN 109 onde, num dos muros que delimitam os terrenos da Bondalti, se abre ao nosso olhar a “missão impossível” de Bigod, jovem artista de Benfica do Ribatejo que evoca os que (ainda) trabalham a terra. E digo “missão impossível” porque o multicolorido mural, onde não faltam os tractores, tem só 540 metros. De fora ficou Tiago Hesp e o trabalho que desenvolveu numa casa isolada nas margens do Esteiro de Salreu, praticamente inacessível num período que coincidiu com as marés vivas na Ria de Aveiro.

Mas não acaba aqui o ESTAU - Estarreja Arte Urbana 2024. Rico e variado, o programa integrou um vasto conjunto de oficinas, visitas guiadas, cinema, exposições, instalações e concertos. E é justamente de duas destas iniciativas que quero dar nota, visto ter participado em ambas (e me ter deixado encantar). A primeira é “O Som da Fábrica”, oficina desenvolvida pela Frenesim Cooperativa Cultural, com a Rita Campos Costa e o José Figueiredo como formadores. Dividida em três fases, a oficina convidou os participantes a viver e sentir os ambientes do recém inaugurado Museu Fábrica da História - Arroz. O resultado foi uma peça sonora inspirada e animada, feita de nomes, frases, sons, cantares e ambientes únicos. A segunda trata-se do “Gamelão de Porcelana e Cristal”, instalação sonora desenvolvida pela Companhia de Música Teatral, na pessoa de Mariana Miguel. “Instrumento musical coletivo” constituído por centenas de peças de porcelana, faiança, grés, vidro e cristal, o gamelão reuniu à sua volta um numeroso grupo de pequenos artistas, fascinados com o som extraído de tão exótico instrumento, cientes de estarem a fazer música. Fascínio que me invadiu, igualmente, não só pela competência da Mariana, pela sua mímica coontagiante e pel forma como soube cativar a plateia, mas também por ter podido experimentar um objeto visual versátil e de tanto encanto.

domingo, 25 de setembro de 2022

INSTALAÇÃO: "Entre Agulhas - Um Novo Olhar Sobre o ESTAU"


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INSTALAÇÃO: “Entre Agulhas - Um Novo Olhar Sobre o ESTAU”
Projecto “Entre Agulhas”
ESTAU - Estarreja Arte Urbana 2022
Varanda dos Paços do Concelho
13 Set > 14 Out 2022


Desenganem-se aqueles que pensam que o ESTAU - Estarreja Arte Urbana se limita à concepção de murais. Um olhar rápido sobre o programa permite perceber que há toda uma série de actividades a decorrer em paralelo e que, no seu todo, fazem do Festival uma grande festa. Das instalações artísticas “Provocar a Paisagem” e da exposição de fotografia “Fábrica de Histórias”, já me debrucei aqui de forma circunstanciada. Espero ainda falar de João Carlos Celestino Gomes e do seu trabalho de ilustração que está patente na Casa da Cultura e toma o delicioso título de “João, Querido Amigo”. Mas a oferta desta quinta edição rodou igualmente em torno de manifestações artísticas tão diversas como o teatro, a música e o cinema, as conversas com os artistas, os workshops e as visitas guiadas, acrescentando-lhe variedade, qualidade e interesse. Destas não falarei, porque as não vi. Há, contudo, um momento do qual quero falar, do qual é obrigatório falar. Trata-se da instalação “Entre Agulhas - Um Novo Olhar Sobre o ESTAU” e que, até ao dia 14 de Outubro, embeleza a fachada dos Paços do Concelho, bem no coração da cidade.

Combinação de quadrados e retângulos bordados e ligados entre si, de cores harmoniosas e dimensões generosas, a peça impõe-se pelo seu significado e beleza. Não passará despercebida aos muitos que atravessam em passo apressado a Praça Francisco Barbosa, embora nela não consigam ver mais do que uma simples colcha. Se a olharmos com atenção, porém, é uma singela e sentida homenagem ao ESTAU aquilo que se abre ao nosso olhar, numa fusão de saber e tradição com a arte e a cultura. Uma tecedeira, a fachada de uma casa, uma mãos que se estendem, uma viola, um rosto de todos conhecido, peixes, aves e plantas, saltam das paredes e muros das casas para as linhas e tecidos e, com bom gosto, dedicação e muito amor, trazem com eles os nomes de Millo e Ana Maria, Camilla Watson e Mohamed L’Ghacham, Fintan Magee e The Caver, Kruella d’Enfer, Pedro Podre e todos os outros que, com engenho e talento, vêm fazendo de Estarreja um verdadeiro museu de Arte Urbana. Neste labor entre agulhas, nem mesmo a artista polaca Nespoon faltou à chamada, ainda que o seu maravilhoso bordado tenha deixado de fazer parte do “reino dos vivos”.

Chegar até este “Entre Agulhas - Um Novo Olhar Sobre o ESTAU” convida a percorrer um caminho que cruza a cultura e o lazer com a arte e os saberes, num exercício feito de paixão, afectos, memórias, competências, cumplicidade e solidariedade. Criado em 2018 no âmbito do Programa “Viver +”, o projecto “Entre Agulhas” é dinamizado pelo Laboratório de Aprendizagem Criativa da Câmara Municipal de Estarreja. Cruzando a Acção Social com o Turismo e a Cultura, esta é uma forma de dar resposta aos desafios relacionados com a longevidade e o envelhecimento da população, valorizando a aprendizagem ao longo da vida e a educação pela arte. Neste ano de 2022, o “Entre Agulhas” envolveu utentes de dez instituições locais e ainda uma instituição da Torreira, no vizinho concelho da Murtosa, fazendo da Arte Urbana o seu mote e pondo em evidência as capacidades, competências, saberes e cultura das pessoas envolvidas, num exercício que é também uma forma de valorizar a sua auto-estima e a sua auto-confiança. Até ao dia 14 de Outubro ainda vai a tempo de apreciar a peça e de se deixar surpreender.

[Foto gentilmente cedida por Ana Paula Lapas]

terça-feira, 20 de setembro de 2022

CERTAME: ESTAU Estarreja Arte Urbana 2022


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CERTAME: ESTAU – Estarreja Arte Urbana 2022
Estarreja, vários locais
10 Set > 18 Set 2022


Domingo, dez da manhã. O amontoado de nuvens no céu não impede o sol de brilhar e adivinha-se um dia de muito calor. A caminho de Ribeira de Aldeia, o verde dos milheirais preenche o olhar. No centro de Pardilhó, são muitos aqueles que gozam a sombra do jardim público e põem a conversa em dia. Estamos no último dia do ESTAU – Estarreja Arte Urbana e importa apreciar devidamente o resultado final desta quinta edição. Vou ao encontro de Bordalo II, um dos mais conceituados artistas a nível mundial, um génio a transformar o desperdício em arte. A expectativa não sai gorada, já que a visão da peça não poderia ser mais impactante. Verdadeiro ex-libris da fauna da Ria, majestosa no seu voo, uma Águia-sapeira repousa agora numa parede lateral do Centro de Interpretação de Construção Naval. Bico curvo, olho vivo, parece espreitar a presa que, incauta, ignora a sua presença. É inevitável fazer a ponte entre esta Águia-sapeira e o Guarda-rios que, desde 2015, embeleza parte de uma parede do Pavilhão Multiusos de Estarreja e que, nesse ano, alcançou o 9º lugar entre os 100 melhores murais de Arte Urbana do mundo. O entusiasmo em torno da peça foi determinante para o lançamento, no ano seguinte, da primeira edição do ESTAU. O resto, é o que se sabe. A cidade possui hoje um espólio invejável de mais de quatro dezenas de obras de extraordinária qualidade e é, indiscutivelmente, um dos grandes museus de Arte Urbana a céu aberto em Portugal.

A visita prossegue e o ponto de paragem seguinte é um tanque industrial da empresa Bondalti, no Parque Químico de Estarreja. Intervencionada pelo brasileiro Thiago Mazza, a peça não se encontra ainda finalizada, mas não deixa de encantar pela cor e vida que dela se desprendem, rasgando o cinzentismo das complexas estruturas industriais , com as suas torres fumegantes a perder de vista. Embora não lhe tenha atribuído um título, Thiago diz-me que poderia muito bem ser “Colecta”, remetendo para o trabalho de recolha de plantas que povoam o vasto espaço da BioRia. Da dedaleira à madressilva, da soagem aos bons-dias ou ao lúpulo, são as flores, com as suas cores, que se destacam nesta peça, ao mesmo tempo chamando a nossa atenção para factores como a sustentabilidade e o equilíbrio num mundo a viver uma gravíssima crise ambiental. Profundamente naturalista é também a peça que Daniela Guerreiro projectou numa parede de Salreu, uma das freguesias a sul do Concelho. Ainda por finalizar e, ao que julgo saber, sem nome, o trabalho da artista mostra-nos umas mãos com as veias salientes, segurando um punhado de plantas, onde se destaca o arroz. Serão mãos de mulher, certamente idosa, os pés enfiados na terra húmida, o corpo vergado no árduo labor de uma vida a retirar dali o sustento. Um mural que é um gesto de amor à terra e àqueles que a trabalham.

Um pouco mais a sul, na vizinha freguesia de Canelas, é a marca do projecto “Ruído”, dos artistas Frederico Draw e Rodrigo Contra, que podemos apreciar. A peça está concluída e é uma homenagem a um dilecto filho da terra, Francisco Joaquim Bingre, aqui nascido em 09 de Junho de 1763. Poeta arcadiano, muito influenciado pelo pré-romantismo, Francisco Bingre compôs uma vasta obra distribuída, entre outros, por sonetos, odes, sátiras, madrigais e hinos. Dos colegas literários recebeu o cognome de "Cisne do Vouga" e viria a ser alvo de homenagem daquela que é hoje a mais antiga colectividade do Concelho de Estarreja, a Banda Bingre Canelense, que desde 1932 se designa desta forma. São estes os elementos constantes no mural, com particular destaque para a interpretação da figura de Francisco Bingre e para a forma como o resultado se integra na composição. Mas, também, para os cisnes, muito belos, que vieram acrescentar cor à reduzida paleta que caracteriza os “Ruído”. Com o calor a apertar entramos na cidade. Junto à Estação de Caminhos de Ferro espera-nos um mural que recria o casario da zona, os comboios que percorrem a via férrea, os campos de cultivo que se abrem do outro lado da linha e se estendem até à Ria, a fauna e a flora características. Sob a orientação da artista Pitanga, os alunos vencedores do projeto “Muros Com Vida – Eco-Escolas”, da Associação Bandeira Azul da Europa, desenvolveram um trabalho que é, todo ele, uma explosão de cor e alegria, ganhando um novo significado através deste olhar terno e sensível sobre um território impar, que fazemos questão de preservar e valorizar.

Antes de visitarmos as duas últimas peças, uma palavra para Mário Afonso e o seu “Roteiro na cidade”. Distribuído por seis “estações”, o percurso está construído com base num conjunto de imagens do Arquivo Municipal que, depois de serem transformadas em cianotipias, foram impressas em azulejo. Um roteiro que remete para o espaço da memória, convocando o olhar entre o antes e o depois e abrindo portas à reflexão sobre as transformações às quais, tal como o espaço envolvente, vamos sendo sujeitos. Estarreja é indissociável do seu Carnaval e é esse o tema abordado por Mariana Duarte Santos num mural de grandes dimensões, bem no centro da cidade. Reproduzindo fielmente um conjunto de fotografias do Arquivo Municipal, a artista trabalha igualmente a memória, lembrando outros tempos e outros “carnavais”. A composição revela-se particularmente feliz e na parede, como se estivessem sobre uma mesa, as imagens pedem que as olhemos atentamente, que as sintamos, que falemos delas e com elas. Por fim, Pantónio e a ingrata tarefa de resumir este seu trabalho em duas ou três frases. É quase redundante dizer que o seu traço característico se mostra mais depurado que nunca, que é único o equilíbrio que resulta da interação da pintura com os elementos envolventes ou que a simbiose entre animais e plantas, entre orgânico e inorgânico, adquire nesta sua obra um significado de grandeza maior. O melhor é cada um de nós espreitar a peça, deixar-se sugar por ela, encher-se de vida e ser parte de um mundo onde reina a harmonia, a esperança e a felicidade. Vão por mim!

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: "Fábrica de Histórias"


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EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “Fábrica de Histórias”,
de Carlos Gomes
ESTAU - Estarreja Arte Urbana 2022
Fábrica da História - Arroz (Antigo Descasque)
11 Set > 18 Set 2022


“Senta-te, como quando te sentas em frente a um espelho. Conta-me o que guardaste dentro de ti…” “_____ Esta história que contamos _____ é a história de todos _____ e de cada um. _____ Começa em 1922 _____ Tinha 16 anos quando entrei para a fábrica. _____ Atravessa a Segunda Grande Guerra Mundial. _____ Esteve paralisada durante 10 anos. _____ É a história de todos _____ e de cada um. _____ É a história dos dias repetidos _____ Eu fui para lá em 1975 _____ É a história de todos os que viveram o seu fim. _____ À frente de ti, olho-te de novo e as lágrimas vêm-me aos olhos. _____ Vejo tudo abandonado. Tudo partido _____ O que pode sonhar um trabalhador quando a sua fábrica fecha? _____ Que gestos ainda duram para além da memória? _____ Esta é a minha fábrica. _____ Qual é a tua? _______________” (in, “Fábrica de Histórias”)

É no espaço da antiga Hidro-Eléctrica de Estarreja – Fábrica de Descasque de Arroz, no preciso lugar onde começa a erguer-se um núcleo museológico cuja missão primeira consiste na preservação das memórias da cultura do arroz neste concelho do Baixo Vouga Lagunar, que pode ser vista, ao longo da semana, a exposição de fotografia “Fábrica de Histórias”, da autoria de Carlos Gomes. Fotógrafo de cena, teve o “privilégio”, como o próprio refere na folha de sala que acompanha a exposição, de acompanhar o processo criativo homónimo, com texto e direcção de Ricardo Correia, numa produção da Casa da Esquina - Associação Cultural. O projecto foi apresentado à população estarrejense no terceiro fim de semana do passado mês de Junho, sob a forma de Visita Guiada aos espaços onde começa a nascer a Fábrica da História – Arroz. Os registos de Carlos Gomes, que podem ser agora apreciados nesta belíssima exposição, resultam numa “imersão no tempo”, documentando uma “viagem e experiência histórica a um passado recente” que importa preservar.

Entre a cor e o preto e branco, o trabalho de Carlos Gomes toca o visitante pela sensibilidade que se desprende do seu olhar nesta espécie de “regresso ao passado”, neste avivar de memórias na afirmação de marcas identitárias únicas e insubstituíveis. Não participei nas visitas guiadas, não senti de perto a emoção dos testemunhos que, na voz e nos gestos dos actores, ousaram lançar luz sobre o que repousava nas trevas do esquecimento. Mas adivinhei essa emoção nos admiráveis registos fotográficos que nos são agora oferecidos, cada imagem como “um momento de reparação desta ferida aberta que está a ser curada”. Apreciá-los, escutando em pano de fundo as palavras de antigos operários, elas no rotineiro labor de ensacar o arroz em saquinhos de serapilheira, eles com as funções mais pesadas da descarga dos vagões ao trabalho com a maquinaria. Entre todos, uma familiaridade enorme e uma cumplicidade cimentada no esforço de entreajuda, nas partidas que uns pregavam aos outros ou na partilha de momentos bons e menos bons. Uma exposição que é, sobretudo, um contributo para a compreensão do passado e a construção de um melhor futuro.

terça-feira, 13 de setembro de 2022

INSTALAÇÕES ARTÍSTICAS: "Provocar a Paisagem"


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INSTALAÇõES ARTÍSTICAS: “Provocar a Paisagem”,
de Márzia Bruno, Fernando Aranda e Mário Afonso
Curadoria | Rachel Caiano
ESTAU – Estarreja Arte Urbana
Parque do Antuã, Estarreja
10 Set > 18 Set 2022


Apostados em conservar, proteger, promover e desenvolver o seu património natural e cultural, os Municípios de Aveiro, Estarreja e Covilhã deram as mãos e trabalharam em rede em torno do projecto “Descobrir e Experienciar Novos Territórios”. Mediante curadoria de Rachel Caiano, artista plástica e ilustradora, um artista de cada uma das cidades envolvidas foi convidado a descobrir os ativos patrimoniais específicos de cada lugar, reflectindo sobre a melhor forma de os potencializar enquanto instrumentos de diferenciação e competitividade, acrescentando valor à cultura e património já existentes e, ao mesmo tempo contribuindo para a sua qualificação e valorização turística. Após quatro meses de pesquisa, muita troca de experiências, trabalho intenso e um programa de itinerância cuidadosamente arquitectado, o resultado, no seu conjunto, pode finalmente ser apreciado pelo público de Estarreja, com as três instalações a ocuparem um mesmo espaço no belíssimo Parque de Antuã em dia de abertura da 5ª edição do ESTAU, o Festival de Arte Urbana de Estarreja.

Diferentes formas de interpretar o território, aliadas a géneros de expressão artística distintos, passadas à prática em suportes e materiais os mais variados, resultaram num conjunto de três peças cuja complementaridade é notória. Se uma peça tem por base o triângulo, outra revela uma aparência esférica e outra, ainda, vive de um conjunto de cubos. A madeira é a base de uma peça, ao passo que as outras se erguem, essencialmente, a partir do ferro ou do papel. Numa curta viagem [de Estarreja para Aveiro], Mário Afonso vem ao nosso encontro com uma peça intitulada “Nova Dimensão Visual”. Partindo de um conjunto de imagens recolhidas nas suas deambulações pela cidade de Aveiro, o artista procedeu à sua revelação em papel através de um processo designado por cianotipia e aplicou-as em suportes acrílicos de formato cúbico que, tal como um jogo, têm o poder de articular entre si. A importância do uso da cianotipia nesta peça prende-se com a fragilidade das fotografias perante a exposição à luz solar, desbotando gradualmente até desaparecerem. Uma das leituras possíveis desta peça passa pela alusão indirecta à memória enquanto marca identitária de grandeza maior, a peça assumindo-se como um símbolo daquilo que, incapazes de reter, vamos perdendo com o passar do tempo.

[De Aveiro para a Covilhã] Marzia Bruno oferece-nos “Triangulações”, peça constituída por um conjunto de triângulos unidos entre si e em cujos vértices podemos adivinhar o perfil desta região de montanha. O vigor e a imponência da paisagem estão na base da opção pelo ferro como material primordial na construção da peça, ao qual a artista acrescentou matéria orgânica e inorgânica, oferecendo-nos a possibilidade de abraçar outras texturas. Complementarmente, os desenhos que a peça projecta no solo geram curiosos diálogos entre bidimensionalidade e tridimensionalidade, reforçados pelo conjunto de espelhos que desdobram a paisagem nesse continuum entre terra e céu. Finalmente, [da Covilhã para Estarreja], Fernando Aranda propõe-nos “Estuário Ria-Muro”, peça de enorme beleza plástica composta por dois discos de madeira que se interceptam, oferecendo um aspecto esférico que remete para uma ideia de circularidade e movimento, mas também para conceitos como o inteiro e o absoluto. Desenhadas a pirógrafo e desbastadas, as várias faces da peça dialogam entre si, oferecendo leituras ricas e variadas ao encontro da paisagem do Baixo Vouga Lagunar ou das texturas dos muros da cidade. Para ver até ao próximo domingo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

FESTIVAL: ESTAU - Estarreja Arte Urbana 2020


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FESTIVAL: ESTAU – Estarreja Arte Urbana 2020
Vários locais
12 Set > 20 Set 2020


Após um ano de interregno, o ESTAU está de volta para a sua quarta edição. Ao longo de nove dias, o museu de arte urbana a céu aberto que é a cidade de Estarreja vê-se enriquecido com cinco novas peças que voltam a unir a identidade cultural do território, o seu património cultural e ambiental, as histórias que marcam a história deste singular território e, neste ano tão atípico, as pessoas que a fazem. É sobre elas, e em particular sobre este período que vivemos, que as obras de Gonçalo Mar e Daniel Padure nos falam, o primeiro homenageando os profissionais de saúde e o segundo reflectindo sobre os estados de alma durante a quarentena. Mais orgânicos, os trabalhos de Mariana Rio, Los Pepes Studio e Pedro Podre vão ao encontro das questões ambientais, reflectindo sobre este magnífico espaço de luz e cor que é o Baixo Vouga Lagunar, e sobre a coabitação entre o homem e a natureza. Refira-se que a curadoria destes trabalhos pertence a Lara Seixo Rodrigues, figura maior do universo da arte urbana e a quem se deve muito da projecção que certames como o ESTAU têm vindo a adquirir num contexto nacional e internacional.

Na parede virada a Este do Centro de Saúde de Estarreja, não longe dos trabalhos legados em edições anteriores por Akacorleone, Mohamed L’Ghacham e Add Fuel, Gonçalo Mar presta um tributo sentido aos profissionais de saúde, oferecendo-lhes o melhor da sua arte. Num trabalho de grande escala e de inegável beleza, o visitante deparar-se-á com uma figura identificável pela bata e pelo estetoscópio, em cujo rosto afloram um conjunto de elementos surrealistas onde predominam as plantas e que são a actual imagem de marca do artista. Juntando num mesmo quadro os “guerreiros da linha da frente” e a natureza, Gonçalo Mar lança um apelo à consciencialização colectiva para o impacto que os nossos gestos têm sobre o ambiente e lembra de que forma as dinâmicas criadas nos podem afectar tão contundentemente. À entrada da Rua da Agra, em Salreu, na rotunda de acesso a Estarreja vindo de Sul, o romeno Daniel Padure dá-nos a ver os efeitos do confinamento sobre as pessoas. Com um estilo de linhas simples e limpo, o artista aproveita as três faces do imóvel onde implantou o seu trabalho, desenvolvendo nove quadros que interagem entre si e que vão do silêncio da leitura, da alegria de uma música ou da energia do exercício físico ao mais profundo dos desânimos. É como um “manual para pessoas em quarentena”, mas cuja cor e vida transmitem optimismo e nos ajudam a encarar o futuro com a esperança de que vai ficar tudo bem.

Rumando mais a Sul, à localidade de Fermelã, vemos como Pedro Podre tira o melhor partido do Posto de transformação da EDP localizado na Avenida da Igreja para desenvolver a sua própria fábula em torno das cegonhas, essas aves elegantes que desde tempos imemoriais alimentam o nosso imaginário e que aqui enchem os ares com as sua beleza e elegância. É igualmente um trabalho de grande escala, com cores muito vivas e onde a interacção do homem com a natureza se revela de forma muito evidente. Na Rua Desembargador Correia Teles, bem no centro da cidade, como que dialogando com o enorme mural que Millo nos legou em 2018, Mariana Rio dá-nos a sua visão do meio envolvente a Estarreja. Num trabalho de enorme minúcia, particularmente influenciado pela sua base como ilustradora, a artista oferece-nos uma multiplicidade de elementos onde o mundo real, feito de campos de cultivo do arroz, duma vegetação luxuriante e dos esteiros da ria, se mistura e confunde com o imaginário pessoal, resultando numa peça de enorme significado e alcance. Finalmente, na freguesia de Veiros, junto ao polidesportivo local, os portugueses Margarida Prata e Francisco Leal, que formam a dupla Los Pepes Studio, apropriam-se das doze lâminas que se encontram no exterior do imóvel para desenvolver um trabalho com uma matriz marcadamente aritmética, feito de formas abstractas e oferecendo ao visitante a liberdade para fazer a sua própria interpretação. No caso concreto, as formas giram quase exclusivamente em torno de circunferências e linhas muito simples, cujos padrões sugerem o sol, os pássaros, as árvores, as ondas do mar. De novo o homem e a natureza na sua relação mais pura e simples.

O ESTAU prossegue até ao próximo domingo e o programa do fim de semana é rico e variado. No sábado, pelas 11h00, está prevista uma visita guiada ao roteiro de arte urbana para crianças dos 6 aos 12 anos, enquanto às 18h00, a visita terá a particularidade de ser acompanhada com linguagem gestual, tal como sucederá no dia seguinte, pelas 17h00. No domingo, pelas 10h00, a visita guiada é dirigida ao roteiro de arte urbana nas freguesias e, por certo, levará os participantes ao encontro de Tiago Galo (Pardilhó), Samina e Ana Maria (Salreu), The Empty Belly (Avanca), para além dos já citados Pedro Podre (Fermelã) e Los Pepes Studio (Veiros). Mas há mais, do percurso sonoro pelas ruas da cidade a um workshop de arte urbana ministrado por Gonçalo Mar, da animação de rua pelas bandas Visconde de Salreu e Bingre Canelense aos contos para a infância, da conversa sobre “Arte e Espaço Público” à apresentação da App Smart City “Sentir Estarreja”, do cinema com o documentário “Vertical Conquests”, de Rosa Chiara Scaglione aos concerto de Júlio Resende ou de Ana Mariano, é todo um mundo de propostas aliciantes que se oferece aos visitantes nesta festa da Arte Urbana. A programação completa pode ser encontrada AQUI.

domingo, 23 de setembro de 2018

CERTAME: Festival de Arte Urbana ESTAU | Estarreja


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CERTAME: Festival de Arte Urbana ESTAU | Estarreja
Estarreja
21 Set 2018 | sex | 16:30


Cumprida que está a terceira edição do Festival de Arte Urbana ESTAU | Estarreja, o que ocorre dizer, no imediato, é que a cidade, depois duma semana de actividade intensa, está ainda mais viva e mais bela, as pessoas mais próximas entre si e da sua própria identidade cultural e a arte mais presente, afirmando-se no seu desígnio fundamental de transmitir e exprimir ideias e emoções. Foi esta a realidade constatada na tarde da passada sexta feira, no âmbito duma Visita Guiada orientada pela curadora do Festival, Lara Seixo Rodrigues, e que levou os participantes ao encontro da história do certame e das peças que testemunham três anos de muita paixão... e uma boa dose de loucura.

Partindo da peça icónica de Bordalo II para o Observa Ria 2015, os participantes nesta visita foram convidados a recordar Kruella d'Enfer, Bosoletti, Fintan McGee, Isaac Cordal, os Half Studio, Nespoon, os Bicicleta Sem Freio ou o resultado do projecto Lata 65, marcos fundamentais das duas anteriores edições e que, de forma clara, vêm contribuindo fortemente para mudar a face da cidade. Em plena Praça Francisco Barbosa, pendendo de uma das varandas da Câmara Municipal, foi possível apreciar a primeira peça da presente edição, “Estau És Tu”, resultado da acção orientada por Aheneah e que se pode resumir como uma manta de retalhos onde cabem os testemunhos das pessoas anónimas que por aqui foram passando e deixando as suas impressões sobre o Festival. Ainda na Praça e em artérias adjacentes, as montras do comércio local enchem-se de ditados e expressões populares próprias desta região, num trabalho apurado de branding design com a assinatura do Xesta Studio.

Passando às peças mais impactantes, Marina Capdevilla oferece-nos um olhar irónico sobre a forma como o homem continua a destruir a natureza mas parece comprazer-se nisso. Trata-se dum mural de grandes dimensões, com um colorido muito forte e a particularidade de apresentar aquilo que parece um donut no lugar duma bóia, certamente influência do aroma que se desprende da Pastelaria Bolivar, ali tão perto. Regg Salgado inspirou-se em duas fotografias do vasto espólio de Egas Moniz e trabalhou também num mural de grandes dimensões que dividiu em duas partes, a inferior retratando os sobrinhos-netos do Prémio Nobel da Medicina na Quinta do Marinheiro e a superior testemunhando uma festa dada pelo cientista na altura da sua distinção. Pela extraordinária dimensão, a peça de Millo, um italiano de Mesagne é das mais impactantes, mas também pela mensagem implícita, a de que compete ao homem actuar sobre o cinzentismo das nossas cidades e enchê-las de cor. TheCaver tem para nos oferecer um mural bastante estilizado, onde o cultivo do arroz e toda uma indústria constituem o tema fulcral. Finalmente, Add Fuel volta a reinterpretar a linguagem do tradicional azulejo português, oferecendo-nos uma peça lindíssima de cor e harmonia.

Mas porque este não é apenas um “festival de murais”, a cultura, o território, o património, a gastronomia e as mais variadas expressões artísticas marcaram presença no ESTAU 2018. Das instalações e residências artísticas, aos workshops, conversas, cinema, música, dança, performance, circo contemporâneo, o mostruário – espécie de feira temática que reúne artistas, editoras, escritores, cineastas, cantores, instagramers e adeptos do erro – e ainda uma exposição de fotografia, de Miguel Oliveira, que estará patente até ao dia 30 de Setembro e merece toda a atenção, de tudo um pouco foi possível ver, ouvir e sentir nesta terceira edição do ESTAU. Tudo motivos de sobra para olharmos para Estarreja e para o ESTAU como um Festival que é um espectáculo. Uma palavra, em particular, para Lara Seixo Rodrigues, uma sonhadora e uma lutadora, que tem depositado na cidade muito dos seus sonhos, dedicação e energia e a quem a cidade deve estar eternamente reconhecida. E agora é tempo de voltar a Estarreja - sempre! - e de saborear, de forma integrada, o conjunto de três dezenas de peças que fazem da cidade um museu a céu aberto. Boas visitas!