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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

CERTAME: XII Festival Literário de Ovar - Dia 4



CERTAME: XII Festival Literário de Ovar
Alberto Pereira, Alice Brito, Ana Rute Elias Lopes, Ana Zorrinho, Andreia Baptista, António Cabrita, Caius, Carlos Nuno Granja, Carlos Querido, Celina Lopes, Cláudia Pena, Cristina Carvalho, Cristina Marques, Daniel Completo, Elisa Costa Pinto, Filipa Mota Nesbitt, Francisco Mota Saraiva, Gonçalo Serras, Katya Delimbeuf, Luís Filipe Sarmento, Helena Ribeiro, José Fanha, Manuella Bezerra de Melo, Marco Neves, Maria Cláudia Rodrigues, Miguel Bonneville, O Poeta da Cidade, Paola d’Agostino, Rute Campanha, Sara Dias de Oliveira, Wake Up Sleep
Parque Urbano de Ovar, Museu Júlio Dinis - Uma Casa Ovarense, Centro de Artes de Ovar
19 Set 2026 | sab | 09:30, 14:30 e 21:00


Por tradição o dia mais preenchido do Festival Literário de Ovar, o passado sábado voltou a servir de teste à vontade e persistência dos muitos adeptos do Festival e a fazê-los sentir os mais variados momentos não como um programa, mas como uma viagem. O quarto dia do FLO foi, assim, uma longa viagem entre livros, vozes, rostos, memórias, perguntas e reflexões, começada por volta das nove da manhã e só finalizada quando no relógio da torre da Matriz se escutaram as doze badaladas. Entre o Parque Urbano, o Museu Júlio Dinis – Uma Casa Ovarense e o Centro de Artes de Ovar, escritores, leitores ou simples curiosos foram-se movendo entre uma palavra e outra, uma mesa e outra, como quem muda de sala no interior da sua própria casa. Apresentações de livros, oficinas, contos, poesia e cinco mesas de conversas constituíram, mais do que uma autêntica maratona, um exercício de resistência à voracidade dos dias. Porque se há coisa que a literatura nos pede é, justamente, que paremos. Que olhemos. Que abramos uma porta, mesmo não sabendo onde ela nos irá levar. E, por uma vez, que não tenhamos pressa de chegar ao outro lado.

A manhã começou com os livros a falarem para aqueles que estão ainda a descobrir o mundo, mas rapidamente se percebeu que falar de literatura infantil é falar de todos nós. Ana Rute Elias Lopes lembrou que, quando conta a história de um livro, conta também a sua própria história, fazendo com que essa humanidade aproxime o pequeno leitor daquilo que tem diante de si. Celina Lopes falou de uma ferida antiga transformada em livro. Andreia Baptista lembrou que mediar a leitura não é simplesmente contar uma história, mas criar condições para que ela seja descoberta com prazer, fruição e surpresa. Talvez seja por isso que a literatura para os mais novos tenha uma responsabilidade tão grande: porque pode ser o primeiro lugar onde alguém percebe que as palavras não servem apenas para dizer o mundo, mas também para inventar outros mundos, quiçá mais maravilhosos e fantásticos. Entre a oficina de ilustração de Cláudia Pena e os contos de Daniel Completo e José Fanha, a manhã foi deixando essa impressão bonita de que um livro começa muito antes de ser aberto e continua muito depois de dobrada a última página.

À tarde, no Museu Júlio Dinis, a conversa tornou-se mais densa, como se a literatura tivesse tirado o casaco leve da manhã e entrado noutra estação. Carlos Querido, Marco Neves e Elisa Costa Pinto falaram da complexidade e da simplificação, dessa tendência contemporânea para tornar tudo imediatamente compreensível, arrumado, consumível. Mas a literatura, talvez porque conhece demasiado bem a vida, desconfia das respostas fáceis. “Quem conhece a aldeia, conhece o mundo”, disse Carlos Querido, e ficou-me a frase. Porque é exactamente isso que os livros fazem, ao abrirem para nós um pequeno postigo e mostrarem-nos uma paisagem que não sabíamos que pudesse estar ali. Marco Neves lembrou que reduzir a língua à oposição entre simples e complexo é diminuir aquilo que ela nos oferece. Elisa Costa Pinto falou de uma Escola que não deve simplificar o mundo, mas dar-nos ferramentas para entrar no que ele tem de mais difícil. E ficou a sensação de que, num tempo que tantas vezes nos pede atalhos, a literatura continua a preferir o caminho menos fácil e menos óbvio. O caminho mais longo.

Foi também no Museu Júlio Dinis que Samuel Beckett apareceu, não como estátua literária, mas como homem. Alberto Pereira apresentou um livro que procura imaginar esse Beckett que poderia ter sido outra coisa, ter encontrado outras pessoas, vivido outra vida. Um homem entre a lucidez e o desequilíbrio, acompanhado pelo absurdo, pela espera, por Shakespeare, Joyce, Nietzsche, Hélia Correia, Dante, Saramago. Foram ideias através das quais se assistiu a uma das mais bonitas reflexões do dia, já que “falar de Beckett é falar de nós”. Porque também nós esperamos. Por um amor, por uma mudança, por alguma coisa que ainda não chegou, pela morte. Esperamos enquanto corremos. E corremos tanto que já quase não vemos os lugares por onde passamos. “A palavra fulcral é a velocidade”, ouviu-se. Talvez seja. Mas nessa tarde, em Ovar, tentou-se contrariá-la. Na mesa moderada por Ana Zorrinho, António Cabrita falou da paixão como força capaz de incendiar a escrita, para o bem e para o mal. Luís Filipe Sarmento encontrou na obscuridade da notícia o gatilho para escrever e a literatura apareceu, uma vez mais, como o lugar possível para chegar ao ponto cego, a esse cruzamento improvável entre diferentes maneiras de olhar.

Depois veio a memória, e com ela tudo aquilo que ainda não passou inteiramente. A última mesa da tarde trouxe para o centro da conversa os cinquenta anos da nossa democracia e os vestígios de um país que não se evaporam só porque o calendário avança. Paola d’Agostino falou de uma censura que pode terminar depressa, mas de uma auto-censura cujo desaparecimento é muito mais lento. Francisco Mota Saraiva evocou a reverência antiga ao patriarcado, à autoridade, ao “senhor”, e falou de um país onde ainda permanecem formas de desconfiança e desamor. Miguel Bonneville deixou uma pergunta difícil: nascer depois de Abril significa necessariamente ter nascido em liberdade? Talvez a literatura seja também isto: não deixar que as perguntas envelheçam. À noite, Cristina Carvalho e Alice Brito voltaram a essa memória através de “Perdeu-se Relógio de Senhora”, romance que olha para o fascismo no quotidiano, para aquilo que pode parecer pequeno, doméstico, quase invisível, e que, justamente por isso, se torna tão perigoso. “Esquecer”, disse Alice Brito, “é compactuar com um passado que não queremos que volte”.

Quando a última mesa começou, já o dia pesava no corpo, mas não na conversa tão habilmente moderada por Cristina Marques. Maria Cláudia Rodrigues falou da escrita como uma tentativa de iluminar aquilo que permanece na obscuridade. Filipa Mota Nesbitt lembrou a literatura como algo que resiste ao tempo, da leitura como lugar de encontro com o outro e da necessidade de escrever porque não basta viver: é preciso testemunhar. Katya Delimbeuf lembrou a força quase inexplicável desse acto que é escrever, essa tentação de deixar alguma coisa para além de nós. O verdadeiro fio de todo o dia estava encontrado: deixar. Deixar uma frase, uma imagem, uma pergunta, uma memória. Deixar qualquer coisa no outro. Na voz d'O Poeta da Cidade, “Metafisicamente d’Outro Mundo” veio fechar a noite com poesia. E assim se chegou ao final do quarto e penúltimo dia do FLO, após quase quinze horas de literatura, com a sensação paradoxal de cansaço e de fome. Cansaço no corpo, certamente. Mas fome de continuar. Porque estamos à beira do último dia e há viagens que, quando estão quase a terminar, nos dizem que não queremos realmente que cheguem ao fim. O Festival Literário de Ovar é uma dessas viagens.

sábado, 1 de agosto de 2026

LIVRO: “Perdeu-se Relógio de Senhora” | Alice Brito



LIVRO: “Perdeu-se Relógio de Senhora”,
de Alice Brito
Edição | Sofia Fraga
Ed. Companhia das Letras, Maio de 2026


“Não devemos ter sobre as pessoas juízos antecipados. Os estereótipos são a coisa mais obscuramente enganadora que há. Um militante clandestino do Partido Comunista, deste tempo contido na sexta década do século, não tinha de andar sempre com ar de espião, de boca cosida, ar carrancudo, cara de poucos amigos. É claro que eram pessoas com as limitações próprias de uma clandestinidade sofrida e brutal. Andavam no subterrâneo dos dias, em contínua dissimulação, sempre acompanhados pelo medo. Estavam as vinte e quatro horas da rotação da Terra naquela posição de aviso, cautelar e desconfiada. Mas eram pessoas tristes e alegres. Como as outras. Tinham fome e tinham sede. Como as outras. Havia gente de bom carácter e também havia gente que era uma peste. Havia criaturas sinceras, límpidas, dispostas a tudo e havia oportunistas do piorio. Como, de resto, em toda a Humanidade. Parte desse pessoal da militância clandestina era feito de figuras fascinantes e aventureiras e outra parte era uma grandessíssima seca. Havia criaturas bonitas e feias.” 

Há escritores que escolhem narrar os acontecimentos que determinam a marcha do Mundo e há aqueles que preferem escutar o rumor discreto das vidas anónimas, onde o peso da História se faz sentir com maior violência. “Perdeu-se Relógio de Senhora”, de Alice Brito, está neste segundo caso. Recuperado de uma senha clandestina utilizada pelo Partido Comunista para assinalar a prisão de um militante e activar uma cadeia de procedimentos de segurança, o enigmático título esconde, ele próprio, um romance onde a memória, a resistência e, sobretudo, o papel da mulher durante a ditadura, adquirem uma relevância histórica que só quem viveu os tempos do fascismo consegue abarcar na totalidade. Conduzindo o leitor por um Portugal cinzento, submetido ao Estado Novo, onde o medo era uma presença quotidiana e a liberdade uma aspiração silenciosa, Alice Brito socorre-se de três protagonistas oriundas de mundos distintos, que o acaso reunirá num apartamento da Duque d'Ávila, em Lisboa, pouco antes da Revolução de Abril. É através delas que a autora constrói um retrato social que ultrapassa largamente o destino individual de cada personagem, escapando ao panfleto ideológico e enveredando por um romance cuja ficção se alimenta da investigação histórica e da observação rigorosa da condição humana. O quotidiano ganha espessura narrativa, as pequenas escolhas tornam-se actos de sobrevivência e a intimidade revela-se um dos territórios onde a repressão exercia a sua autoridade mais implacável.

O maior mérito de “Perdeu-se Relógio de Senhora” reside na forma como ilumina essa violência invisível, mas latente. Em vez de privilegiar os grandes episódios da resistência política, Alice Brito fixa o olhar na disciplina moral imposta às mulheres, na educação, na sexualidade, nas convenções familiares e na submissão social transformada em norma. O fascismo aparece menos como uma sucessão de acontecimentos históricos do que como um sistema infiltrado nos gestos, na linguagem e nas expectativas de uma sociedade inteira. A experiência da autora enquanto advogada parece reflectir-se na atenção aos factos concretos e na capacidade de compreender as múltiplas formas de opressão, ao invés de aprisionar a escrita numa rigidez documental tendente a ceder ao estéril e ao fastidioso. Pelo contrário, a prosa mantém uma fluidez que permite às personagens respirarem para lá da sua função simbólica. Ainda que representem diferentes gerações e percursos sociais, nenhuma delas se reduz a um qualquer arquétipo; todas carregam contradições, desejos, medos e ambiguidades que lhes conferem rigor e autenticidade. A memória histórica surge, assim, filtrada pela experiência individual, tornando-se mais próxima e mais perturbadora. É essa conjugação entre verdade, sensibilidade e construção romanesca que impede o livro de cair na nostalgia ou na simples reconstituição de época, conferindo-lhe uma actualidade inesperada.

Mais do que revisitar um passado cada vez mais confinado a dois parágrafos num qualquer manual escolar, “Perdeu-se Relógio de Senhora” interroga o presente e recorda que o esquecimento é terreno fértil para o regresso de discursos autoritários ou, quem sabe, de três ou mais salazares. A preocupação de Alice Brito com a erosão da memória colectiva atravessa discretamente toda a obra e confere-lhe um alcance político sem sacrificar a qualidade literária. A chegada do 25 de Abril representa o desfecho luminoso de uma longa travessia, mas não dissolve as marcas deixadas por décadas de silêncio, medo e desigualdade. Nesse sentido, o romance não celebra apenas a conquista da liberdade; convida igualmente o leitor a compreender o preço que ela teve e a responsabilidade de a preservar. Sem se furtar à necessidade de uma retórica militante - deliciosas as passagens em que a autora assume o papel de personagem, opinando a seu bel-prazer -, Alice Brito demonstra que a literatura continua a ser um dos lugares privilegiados para pensar a História através das pessoas comuns, devolvendo voz àquelas que, as mais das vezes, foram apagados dos relatos oficiais. O resultado é um romance sólido, humanamente comovente e politicamente pertinente, cuja leitura se revela tão necessária pela evocação do passado como lúcida pelo diálogo que estabelece com as inquietações do presente.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

LIVRO: "O Dia Em Que Estaline Encontrou Picasso Na Biblioteca"



LIVRO: “O Dia Em Que Estaline Encontrou Picasso Na Biblioteca”,
de Alice Brito
Ed. Editorial Planeta, Maio de 2015


Picasso e Estaline, ou a crónica de um encontro improvável. Numa biblioteca, local perfeito para um encontro. É assim que se anuncia o segundo romance de Alice Brito, a ficção a fintar o real já que de encontros entre o pintor e o líder soviético não reza a História. Que Picasso nutria uma enorme simpatia por Estaline é publico e notório, sendo igualmente verdade que desenhou, para a revista literária “Lettres Françaises”, um retrato do líder soviético que acabou por gerar uma enorme controvérsia. E, ainda, que veio a receber o “Prémio Internacional Estaline para o Fortalecimento da Paz Entre os Povos”, isto numa altura em que a desestalinização já se tinha encarregado de substituir o nome de Estaline pelo de Lenine. Mas nada de encontros entre os dois, com calorosos apertos de mão. Tão longe um do outro e, no entanto, tão perto.

Com “O Dia Em Que Estaline Encontrou Picasso Na Biblioteca”, aquilo que Alice Brito tem para nos propor é uma deliciosa metáfora das relações humanas, ou de como, as mais das vezes sem nos darmos conta, a verdade se oculta debaixo dos nossos olhos. Orquestrando a trama com minúcia e engenho, a autora traz a Europa para cima do palco, fazendo incidir as luzes mais intensas sobre a incontornável cidade de Setúbal. Os cenários sucedem-se e, com eles, os tempos e os lugares da História. Matosinhos, Beja, Lisboa, Paris, Barcelona. Guerra Civil de Espanha, II Guerra Mundial, Estado Novo, o Maio de 68, o 25 de Abril, a “troika”. Andreu Nin, Hitler, Franco, Salazar, a PIDE, o KGB. Em cena, as personagens do romance – Julinha, Atiliano, Justina, Joaquim Manso, Juan, Maria Bento, Maria da Liberdade, Dulce, David, Nuno, Josefina e uma grande quantidade de “actores secundários” - vão-se mostrando, sabiamente conduzidas por Alice Brito, ela própria abandonando, de quando em vez, a penumbra dos bastidores e dando-se a ver na primeira pessoa.


Intercalando passado e presente, a autora vai narrando a história de uma família à medida que tece uma trama delicada e precisa do pulsar do Velho Continente. Este é também um trabalho de bastidor, sendo que o bastidor, neste caso, é “aquele aro de madeira onde se mete o bordado para esticar o pano e nele bordar com dedos finíssimos o desenho que a linha e agulha vão prosseguindo num prévio traçado de um olhar competente”. Já nas derradeiras páginas, uma breve frase tem o condão de assumir o livro por inteiro: “Sou um contentor da História do século XX”. A Alice Brito cabe o mérito de narrar os ciclos da História, lembrando que “o passado não é inocente”. Se depressa os muros se levantam, se muito duram, também de repente, ou mais depressa que de repente vêm abaixo. É disto que “O Dia Em Que Estaline Encontrou Picasso Na Biblioteca” nos fala, com a clarividência e a riqueza de imagens que só uma grande escritora consegue transmitir.


quinta-feira, 21 de março de 2019

LIVRO: "A Noite Passada"



LIVRO: “A Noite Passada”,
de Alice Brito
Ed. Editorial Planeta, Dezembro de 2018


Os que viveram o 25 de Abril, que sentiram o momento com a emoção de quem sabia que uma nova aurora se abria, fulgurante, sobre a longa e terrível noite do fascismo, que assistiram pelas rádios, pelos jornais, pela televisão, à queda do regime e vieram para a rua, em euforia, gritar vivas à liberdade e à democracia, não podem deixar de se emocionar com “A Noite Passada”. E mesmo não sendo eles os principais destinatários de um livro que se afoita em preservar as memórias, denunciando o medo e a raiva contida dos explorados e oprimidos contra a precariedade, a injustiça e as perseguições, é neles que o livro encontra eco, testemunhas vivas que são da exaltação e do júbilo de um tempo glorioso e belo.

Navegando no espaço temporal entre o final da II Guerra Mundial e o 25 de Abril de 1974, “A Noite Passada” recupera os episódios mais marcantes de um quarto de século da história recente do País. Centrando a acção em Setúbal, Alice Brito recorda-nos o viver e o sentir das gentes em torno da campanha para a Presidência do General Humberto Delgado ou da visita da Rainha de Inglaterra, do assalto ao Santa Maria ou da Guerra do Ultramar, traçando um retrato social extraordinariamente vivo, tornado mais rico pela descrição realista dum quotidiano remediado, de “deus pátria família” feito, a mesa posta para o homem que chega do trabalho, a mulher submissa que tudo cala, as conversas à boca pequena, a PIDE à espreita.

Narrado como se de uma conversa em família se tratasse (que não a do Marcelo, senhores, que não a do Marcelo!), em volta de uma mesa onde o choco frito é rei, “A Noite Passada” é um desfiar de memórias emotivas, a crítica contundente ao virar de cada página, o toque de humor inteligente servido em doses generosas, porque melhor é rir do que chorar. Com frequência percebemos o quanto Alice Brito se envolve na escrita do livro, os comentários de cariz pessoal a integrarem-se na acção com toda a naturalidade e a arrancarem ao leitor gargalhadas cúmplices. Nestes tempos em que a memória é tão desprezada, aqui está um livro com memórias que sabe bem saborear. Uma e outra vez!