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sábado, 4 de janeiro de 2025

O MELHOR DE 2024: DANÇA, TERTÚLIAS, VIAGENS, OUTROS



10. CINEMA: “O Homem da Câmara de Filmar”
Realização | Buster Keaton, Edward Sedgwick
Interpretação: Buster Keaton, Marceline Day, Harold Goodwin, Sidney Bracey 
Batalha Centro de Cinema
07 Set 2024 | sab | 15:15

“ (…) Eis um filme com a marca ineludível de Buster Keaton. Desde as situações mais inverosímeis em que se deixa envolver, ao domínio do corpo e às capacidades acrobáticas, tudo com o sentido da maior precisão e rigor, Buster Keaton mostra que o seu filme não é uma mera sequência de vinhetas, embora a história careça de alguma coesão. Os cinco minutos ou mais gastos com Buster imitando um jogo de beisebol num estádio dos Yankees totalmente vazio são absolutamente supérfluos, mas tudo isso faz parte da diversão. Infelizmente a marca MGM fez prevalecer a sua força, incapaz de entender os métodos de trabalho de Buster Keaton, a espontaneidade livre do seu processo criativo, a sua expressão inexpressiva”. Tudo para ler em https://errosmeusmafortunaamorardente.blogspot.com/2024/09/cinema-o-homem-da-camara-de-filmar.html
 


9. OPERETA: “A Nossa Aldeia”,
de Egas Moniz
Adaptação, direcção artística, encenação e cenografia | Leandro Ribeiro
Interpretação | Marco Nunes, Sara Moreira, José António Stréna, Ana Paula Lapas
Cine Teatro de Estarreja
30 Nov 2024 | sab | 21:30

“ (…) Espectáculo que, na sua multidisciplinaridade, abraça a figura eclética, dinâmica e empreendedora de Egas Moniz, “A Nossa Aldeia” é um arrojado exercício artístico que contou com o envolvimento de mais de uma centena de elementos, entre actores, figurantes, músicos e equipa técnica. A união do texto original com um aturado trabalho de investigação sobre a vida e obra do Nobel da Medicina forneceu a matéria-prima para a construção dos vários quadros que a peça contempla, aos quais Leandro Ribeiro soube acrescentar emoção, ironia e humor em doses generosas, desenhando um retrato de época que, bem vistas as coisas, acaba por se revelar particularmente actual. Tudo para ler em https://errosmeusmafortunaamorardente.blogspot.com/2024/12/opereta-nossa-aldeia.html



8. DANÇA: “Bantu”
Direcção artística | Victor Hugo Pontes
Interpretação | Dinis Abudo Quilavei, Dinis Duarte, João Costa, José Jalane, Maria Emília Ferreira, Marta Cardoso, Osvaldo Passirivo
Centro de Artes de Ovar
23 Fev 2024 | sex | 21:30

“ (…) “Bantu” estabelece pontes entre Portugal e Moçambique, ao mesmo tempo que promove a circulação e internacionalização da dança. Acerca do projecto, podemos ler que “Bantu é um caminho por traçar, e o percurso é feito entre dois países com afinidades complexas e memórias profundas um do outro”. Para criadores e intérpretes, “este é também um lugar que desejamos ocupar, um lugar diferente para cada um dos corpos que o habita, partilhado nas feridas que rasga, titubeante no trilho que percorre; um lugar exuberante na celebração da comunidade reunida em palco” (…)”. Tudo para ler em https://errosmeusmafortunaamorardente.blogspot.com/2024/02/danca-bantu.html



7. CONCERTO: “Pítia – Vasos de carne, palavras do Céu”
Ensemble Irini
Direcção musical | Lila Hajosi
Cistermusica – 32º Festival de Música de Alcobaça 2024
Mosteiro de Alcobaça – Refeitório
14 Jul 2024 | dom | 18:00

“ (…) Sacerdotisas dos templos de Delfos e de Cuma, profetisas do mundo antigo e arautos dos conselhos dos deuses, as doze Sibilas fascinaram Roland de Lassus com as suas figuras oníricas e evocadoras de lugares maravilhosos e longínquos (Sibila Pérsica, Líbica, Cumana, Helespontíaca, Délfica…). São elas que voltam a encantar com os seus cantos delicados, que nos mergulham num transe harmonioso e enigmático. No seu cantar, a enorme riqueza cromática reveste uma música plena de significados, convidando a visitar lugares de mistério e despojamento, numa viagem sensorial única e irrepetível”. Tudo para ler em https://errosmeusmafortunaamorardente.blogspot.com/2024/07/concerto-pitia-vasos-de-carne-palavras.html

 

6. EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “Os Sobreviventes”,
de Pedro Lopes
🖤 GALERIA, Rua Gomes Freire nº1
09 Mar > 21 Abr 2024

“ (…) Entremos, pois, no “prédio da Marimar”. É lá que somos acolhidos de braços abertos pela D. Ana do Delmar, com ela lembrando viagens de tempos idos, quando nem sonhávamos com ryanair’s, airbnb’s e tripadvisor’s. Também pelo Senhor Lopes, com quem partilhámos gloriosas noitadas de ping-pong na sede do Orfeão, ali aos Combatentes; ou pelo Paciência e o seu brio na afinação das “máquinas” a pedal; ou pelo Coutinho e o dedo para a cozinha que é parte do seu ADN. De quase todas estas pessoas guardamos uma palavra avisada, um conselho, uma opinião, uma atenção. Daí que “Os Sobreviventes” seja uma mostra do domínio dos afectos”. Tudo para ler em https://errosmeusmafortunaamorardente.blogspot.com/2024/03/exposicao-de-fotografia-os-sobreviventes.html



5. EXPOSIÇÃO: “O Castelo Surrealista de Mário Cesariny”
MAAT - Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia
05 Out 2023 > 04 Mar 2024

“ (…) A legitimidade das filiações propostas nesta exposição só deve ser questionada poeticamente. Recua-se, por isso, à Antiguidade, à Idade Média, ao romantismo e ao simbolismo para chegar aos tempos e às poéticas coincidentes com as afinidades eletivas de Cesariny, colocando tudo isto em diálogo com os seus amigos ou companheiros de geração e com os estratos culturais populares e extra-ocidentais que tanto lhe importavam. Os desenhos e a pintura de Mário-Henrique Leiria, Cruzeiro Seixas, António Maria Lisboa, Alexandre O’Neill, Marcelino Vespeira, Gonçalo Duarte ou Malangatana, a fotografia de Vitor Palla e Fernando Lemos ou a escultura de Reinata Sadimba aí estão para o comprovar”. Tudo para ler em https://errosmeusmafortunaamorardente.blogspot.com/2024/01/exposicao-o-castelo-surrealista-de.html

 

4. TERTÚLIAS LITERÁRIAS: “Conversas às 5”,
com Aurelino Costa
Participação especial | Francisco Bereny Domingues
Centro de Reabilitação do Norte
20 Jun 2024 | qui | 17:00

“ (…) “Como se fosse uma liturgia”, o recital fluiu nas asas do improviso, com os poemas e a música a mostrarem-se individualmente ou a despontarem “de mãos dadas”. Às “Canciones Populares Catalanas”, com arranjo de Miguel Llobet, foi Francisco Bereny Domingues buscar duas preciosas peças, “El Testament d’Amelia” e “Cançó de Lladre”, abrindo o recital com sensibilidade e emoção. “As palavras adormeceram / na madrugada em que partiste”, declama o poeta que lança o olhar sobre “dedos entrelaçados sem laços” e “barcos ancoradas neste nó de garganta” (…)”. Tudo para ler em https://errosmeusmafortunaamorardente.blogspot.com/2024/06/tertulia-literaria-conversas-as-5.html



3. VIAGEM LITERÁRIA: “Zeca Afonso, Cantor e Poeta”
Criação artística | Carla Gomes e Carlos Campos
Coimbra e Aveiro, vários locais
29 Jun 2024 | sab | 13h30

“ (…) “A cidade é um chão de palavras pisadas”. É no Largo da Sé Velha que a viagem principia. Olhamos o espaço em volta e tudo nos faz lembrar Zeca Afonso. Quantas vezes não terá pisado as pedras deste chão? Quantas vezes não terá tocado e cantado nas escadinhas da Sé? Arautos de uma poesia rica e viva, uma dezena de actores dá voz à palavra. Numa esplanada de café ou no salão do Ateneu, escutam-se poemas. Em frente à casa onde viveu “o trovador da liberdade”, as palavras de Zeca Afonso levam-nos ao encontro de Catarina Eufémia, Teresa Torga e Alípio de Freitas”. Tudo para ler em https://errosmeusmafortunaamorardente.blogspot.com/2024/06/viagem-literaria-zeca-afonso-cantor-e.html



2. EXPOSIÇÃO: “Plug-In”,
de Joana Vasconcelos
MAAT - Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia
28 Set 2023 > 08 Abr 2024

“ (…) Um bom exemplo disso é a peça “Árvore da Vida”, inspirada na escultura de Apolo e Daphne, de Gian Lorenzo Bernini. Um trabalho monumental, surgido durante o confinamento devido à pandemia de Covid-19 e que partiu do pedido da artista aos artesãos que com ela trabalham para que se ocupassem da produção de folhas. São 140.000, no total, todas bordadas à mão, assentes em 354 ramos que dão forma a uma árvore com mais de 13 metros de altura. Criação site-specific para a Sainte-Chapelle de Vincennes, em Paris, a obra reforça a verticalidade do vínculo entre terra e céu, mundano e espiritual. Adaptada agora ao espaço do MAAT, prossegue o diálogo com as especificidades da arquitetura, ao mesmo tempo que combina perícia manual e eletricidade, estabelecendo na perfeição a ligação entre “arte e tecnologia” (…)”. Tudo para ler em https://errosmeusmafortunaamorardente.blogspot.com/2024/02/exposicao-plug-in.html



1. DANÇA: “The Köln Concert”
Schauspielhaus Zürich Dance Ensemble
Coreografia, encenação, banda sonora, figurinos | Trajal Harrell
Interpretação | New Kyd, Maria Ferreira Silva, Trajal Harrell, Rob Fordeyn, Thibault Lac, Songhay Toldon, Ondrej Vidlar
Rivoli - Grande Auditório
13 Set 2024 | sex | 19:30

“ (…) Com um solo de abertura ao som da voz de Joni Mitchell, Trajal Harrell sobe ao palco sozinho e depois povoa-o com criaturas marginalizadas transformadas em indivíduos independentes, desafiando o seu abandono em momentos de dor, sensualidade e adversidade. Nesse início de espectáculo, rapidamente se percebe que o desafio artístico não recai apenas sobre os intérpretes. A plateia é chamada a “ler” a peça, mas o livro que tem nas mãos está escrito em braille. De leitura imediata só os figurinos, determinantes na identificação de estratos sociais díspares, elementos que encontram prolongamento na música, na forma diversa como cada indivíduo a sente e vive. Mais subtilmente, o corpo como memória colectiva acaba por se impor, já que a ausência de contacto físico, traço indelével do carácter deste “The Köln Concert”, remete para tempos de incerteza e angústia”. Tudo para ler em https://errosmeusmafortunaamorardente.blogspot.com/2024/09/danca-koln-concert.html

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

OPERETA: "A Nossa Aldeia"



OPERETA: “A Nossa Aldeia”,
de Egas Moniz
Adaptação, direcção artística, encenação e cenografia | Leandro Ribeiro
Composição e direcção musical | Vítor Sousa
Figurinos e adereços | Marta Baldaia
Coreografia | Vera Lopes
Captação, edição de vídeo e fotografia de cena | Diogo Marques
Interpretação | Gabriel Garrido, Ana Rodrigues, Marco Nunes, Sara Moreira, José António Stréna, António Alves, Armanda Queirós, Margarida Laranjeira, Ana Paula Lapas, Gustavo Silva, Emília Maia, Luna Rodrigues, Carolina Santos, Bernardo Azevedo, Patrícia Quintino, Mónica Pinto, Otília Borges, Dionísia Santos, Ana Rita Ferreira, Palmira Baptista, Maria João Melo, Luís Rola, José Marques, Diana Coutinho, Maria Guimarães, Joana Guimarães, Vítor Sousa, Mariana Valente, Rita Lucas, Flávia Lucchi, Bruno Azevedo, Ana Moutela, Francisco Laranjeira, Paulo Santos, Jorge Azevedo, Fábio Vaz, Cândida Jardim, Hernâni Sá e comunidade estarrejense.
Produção | Município de Estarreja, No Sorriso da Lua e Sol d’Alma - Associação de Teatro
120 Minutos | Maiores de 6 Anos
Cine Teatro de Estarreja
30 Nov 2024 | sab | 21:30


29 de novembro de 1874. Nesta data, nascia em Avanca aquele que viria a ser o Prémio Nobel da Medicina em 1949, o médico e cientista António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz. Ao cumprirem-se 150 anos sobre a efeméride, o Município de Estarreja apresentou ao público o espetáculo multidisciplinar “A Nossa Aldeia”, baseado na opereta que Egas Moniz escreveu e levou à cena na Casa do Marinheiro a 22 de setembro de 1920. A história original conta-se em dois actos e retrata a chegada a Avanca, vindos de Lisboa, dos irmãos José Maria e Maria José, a quem o Regedor obriga a abrir as malas para investigar se não traziam bombas, pois “com gente de Lisboa é preciso ter muito cuidado”, numa alusão irónica aos distúrbios constantes na capital. Os irmãos vêm à procura da “cadeira marcónica”, um aparelho maravilhoso que permite viajar no tempo e que os levará a apreciar o contraste entre a “Avanca do passado”, que cultivava a distinção e as boas maneiras, a “Avanca de hoje”, que apreciava a vida simples, e a “Avanca de amanhã”, dos “sports” e do “feminismo”, que dançava o “foxtrot” e o “twostep” e que dispunha de um teatro em que actuavam cantores vindos de Paris pelo Sud Express. Entretanto chega um rapaz, o Manuel da Rosa, que está de partida para a América, para onde iria emigrar, deixando chorosas as moças da terra.

Espectáculo que, na sua multidisciplinaridade, abraça a figura eclética, dinâmica e empreendedora de Egas Moniz, “A Nossa Aldeia” é um arrojado exercício artístico que contou com o envolvimento de mais de uma centena de elementos, entre actores, figurantes, músicos e equipa técnica. A união do texto original com um aturado trabalho de investigação sobre a vida e obra do Nobel da Medicina forneceu a matéria-prima para a construção dos vários quadros que a peça contempla, aos quais Leandro Ribeiro soube acrescentar emoção, ironia e humor em doses generosas, desenhando um retrato de época que, bem vistas as coisas, acaba por se revelar particularmente actual. Mas se o trabalho de adaptação da obra e a sua encenação envolveram enormes desafios, o que dizer da parte musical cuja partitura original, da autoria de Estefânia Macieira, cunhada de Egas Moniz, e do condiscípulo Alberto Rego - além de incluir melodias tradicionais e fragmentos de outras origens, como a ópera “Manon” de Massenet -, se perdeu. Apoiando-se nas anotações de Acafem (pseudónimo sob o qual Egas Moniz escreveu a opereta), Vítor Sousa assumiu a tarefa de compor uma nova partitura, fazendo o acompanhamento da peça nas suas diversas variações e revelando-se em engenho e virtuosismo nos quadros estritamente musicais.

Imaginativo, ousado, irreverente, provocador, o espectáculo oferece momentos de boa disposição, a começar na longa viagem que leva os irmãos até Avanca, numa sucessão inesgotável de meios de transporte. A interpretação de uma cantiga na festa de despedida de Manuel da Rosa é um momento de grande emoção, tal como o excerto da ópera “Manon”, n’O Grande Lírico Avancanense, cantado a quatro vozes. A jornada das peixeiras que, de canastra à cabeça, levavam a sardinha da Torreira até ao Loureiro não ficou esquecida, como não ficaram esquecidas as colecções do Marinheiro, as lavadeiras no Rio Gonde, a saborosa broa de Avanca e uma Santa Marinha rezingona. Ao longo de quase duas horas houve alecrim e camarinhas pelo chão, um amolador de facas, tesouras e línguas, um rally automóvel, o desfilar dos ofícios, Carmen Miranda e o reclame radiofónico da Companhia de Curtumes de Antuã, os anúncios da Nestlé, as cadeiras da Adico nas esplanadas de Paris, uma cigana a ler a sina, um coro de omnipresentes alcoviteiras, burros em figura de gente e gente em figura de burro. O tema da emigração assumiu lugar de destaque, sobretudo as ligações inquebráveis entre quem parte e quem fica. A multiplicidade de referências às gentes e aos lugares arrancou gargalhadas à plateia e o resultado é de aplaudir pela inteligência e dignidade da obra e pelo empenho de todos quantos nela participaram. Caso fosse vivo, Egas Moniz sentiria orgulho em ver, na nossa aldeia, esta versão da sua opereta.