Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta Auditório Municipal de Gondomar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Auditório Municipal de Gondomar. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 24 de junho de 2026

EXPOSIÇÃO DE PINTURA: “Tumulto” | Agostinho Santos



EXPOSIÇÃO DE PINTURA: “Tumulto”,
de Agostinho Santos
Curadoria | Inês Falcão
Auditório Municipal de Gondomar
06 Jun > 01 Ago 2026


Começaria por dizer que “Tumulto”, a exposição que Agostinho Santos apresenta no Auditório Municipal de Gondomar, não é uma mostra para ser vista com ligeireza nem para satisfazer expectativas de conforto estético. Atravessá-la é aceitar um confronto com as inquietações do presente e com aquilo que de mais frágil habita a condição humana. Guerras, doenças, envelhecimento, violência, desigualdades, medo: os temas anunciam-se desde logo, mas seria redutor entendê-los apenas como matéria de denúncia social. Em Agostinho Santos, a realidade nunca surge como mera ilustração do mundo. O artista trabalha-a como quem a atravessa e a sofre, convocando para o desenho e para a pintura uma intensidade emocional que escapa à distância analítica e ao comentário circunstancial. As figuras multiplicam-se, fundem-se, contaminam-se umas às outras, como se cada corpo transportasse em si a memória de muitos outros corpos. O resultado é um universo visual onde a deformação se torna linguagem e onde a exuberância formal convive com uma profunda inquietação existencial. Mais do que representar o tumulto, Agostinho Santos parece procurar o lugar exacto onde ele nasce, esse território obscuro onde o humano se confronta com os seus limites, os seus fantasmas e as suas contradições.

Há muito que a obra do artista vem construindo uma reflexão persistente sobre o mal-estar do mundo, mas em “Tumulto” essa dimensão adquire uma particular densidade. As composições parecem organizadas segundo uma lógica de permanente transformação, como se nada pudesse permanecer fixo ou concluído. Rostos geram rostos, criaturas emergem de outras criaturas, gestos prolongam-se em novos gestos, numa espécie de fervilhar orgânico que recorda certas visões medievais do Paraíso e do Inferno, mas também a tradição da Arte Popular e da Arte Bruta que tão profundamente marcam o imaginário do pintor. Não estamos, porém, perante uma visão desesperada da existência. Por detrás do ruído, da turbulência e da aparente desordem, percebe-se uma procura incessante de sentido. O tumulto de Agostinho Santos não é apenas exterior; é igualmente interior, espiritual, resultado de um combate travado entre o medo e a esperança, entre a vulnerabilidade e a resistência. As obras funcionam como cartografias emocionais de um tempo em permanente sobressalto, mas também como exercícios de sobrevivência afectiva. Há nelas qualquer coisa de ritual, de exorcismo íntimo, como se o acto de desenhar e pintar permitisse ao artista domesticar os monstros que reconhece no mundo e em si próprio.

Nessa medida, a exposição encontra a sua grande força na capacidade de transformar a inquietação em possibilidade de encontro. Num tempo dominado pela velocidade da informação, pela banalização da violência e pela indiferença perante o sofrimento alheio, Agostinho Santos insiste em devolver rosto e humanidade àquilo que tantas vezes preferimos não ver. As suas figuras interrogam-nos silenciosamente e obrigam-nos a tomar posição perante aquilo que observamos. Não há aqui neutralidade possível. O visitante é chamado a participar, a reconhecer-se naquele vasto cortejo de seres híbridos, vulneráveis e excessivos que povoam as superfícies. Nesse sentido, “Tumulto” afirma-se como uma exposição profundamente política, não no sentido partidário do termo, mas enquanto exercício de consciência e de responsabilidade colectiva. A arte surge como espaço de resistência contra a anestesia moral do presente e como instrumento de reflexão sobre aquilo que nos une enquanto comunidade humana. Ao sair da exposição, permanece a sensação de termos atravessado um território povoado por sombras e sobressaltos, mas onde subsiste, ainda assim, uma obstinada confiança na empatia, na solidariedade e na capacidade do ser humano para encontrar serenidade no centro do próprio caos.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

CONCERTO: Raquel Tavares



CONCERTO: Raquel Tavares
Com | Raquel Tavares (voz), Pedro Viana (guitarra portuguesa), Bernardo Viana (viola de fado), Fernando Araújo (viola baixo)
Auditório Municipal de Gondomar
20 Jun 2026 | sab | 21:30


Cinco anos após ter interrompido o seu percurso discográfico e de palco enquanto fadista, Raquel Tavares regressou ao Fado com a convicção de quem nunca verdadeiramente dele se afastou. No Auditório de Gondomar, perante uma sala cheia e manifestamente predisposta a acolher este reencontro, a cantora apresentou-se com uma segurança artística desarmante, fazendo da noite uma homenagem ao Fado e às suas maiores referências, mas também um momento de catarse, emotivo e inspirador. O espectáculo abriu de forma particularmente feliz com “Lisboa”, ainda de cortinas fechadas, deixando que a voz surgisse antes da figura e que versos como “Vejo do cais mil janelas / da minha velha Lisboa” desenhassem, na imaginação do público, a geografia sentimental da capital fadista. Quando o palco finalmente se revelou, já Raquel Tavares tinha conquistado a plateia. Ao longo da noite, foi alternando temas emblemáticos do seu repertório, como “Zanguei-me com o Meu Amor”, “A Janela do Meu Peito” ou “Fama de Alfama”, com momentos de partilha pessoal que ajudaram a contextualizar o seu percurso. Fê-lo sempre com uma humildade rara em artistas da sua dimensão, evocando as suas origens nos “tascos” e “botecos” de Lisboa e levando os espectadores de Gondomar numa viagem às colectividades e casas de fado de Alfama. “Não há público como o do Norte”, afirmou, arrancando uma das muitas ovações da noite. E percebeu-se que não era uma frase feita: havia uma cumplicidade genuína entre artista e audiência, alimentada por uma comunicação espontânea e por uma presença em palco de enorme intensidade.

Um dos aspectos mais interessantes do concerto centrou-se na forma como Raquel Tavares transformou o espectáculo numa evocação da sua própria história. Falar na vitória na Grande Noite do Fado, aos doze anos de idade, foi uma forma de lembrar as raízes de uma carreira construída desde muito cedo. Particularmente emocionante foi a recuperação de “Olhos Garotos”, fado gravado numa cassete de 1997 e posteriormente incluído no seu álbum de estreia, em 2006. A audição de excertos dessas diferentes etapas constituiu um dos momentos mais reveladores da noite, permitindo observar a evolução de uma voz que soube manter intacta a sua identidade expressiva. Acompanhada com rigor e sensibilidade por Pedro Viana, na guitarra portuguesa, Bernardo Viana, na viola de fado, e Fernando Araújo, na viola baixo, a fadista prestou igualmente homenagem a algumas das maiores figuras da história do género, de Amália Rodrigues a Alfredo Marceneiro, de Lucília e Carlos do Carmo a Ada de Castro, Anita Guerreiro e Fernanda Maria, reservando uma especial reverência para Beatriz da Conceição. Foi igualmente nesse contexto que ganhou particular significado a apresentação dos temas que compõem “Deles Por Mim (e à antiga)”, um disco assumidamente tradicional, gravado ao vivo em estúdio e centrado numa ideia tão simples quanto ousada: uma mulher interpretar poesia originalmente escrita para vozes masculinas. Em “Ai Se os Meus Olhos Falassem”, “O Amor é Água que Corre” ou “Pontas Soltas”, Raquel Tavares não se limitou a revisitar clássicos; reinterpretou-os à luz da sua personalidade artística, revelando novas leituras e novas ironias, particularmente evidentes na mordaz “Mulher Deixada”.

Foi já na recta final que o concerto atingiu uma dimensão verdadeiramente memorável. Em “Fado da Ironia”, Raquel Tavares confrontou directamente os anos de ausência, transformando em arte as dúvidas e comentários que acompanharam a sua pausa. Os versos “Olhem só, eu não morri / eu só fiz mesmo uma pausa” soaram como uma declaração de princípios e um ajuste de contas sereno com quem apressadamente decretara o fim do seu percurso fadista. A resposta do público foi imediata e calorosa, preparando o caminho para uma interpretação arrebatadora de “Meu Amor de Longe”, recebida como um dos grandes momentos da noite. A sensação que ficou foi a de um regresso pleno, sem necessidade de proclamações grandiosas, sustentado apenas pela evidência do talento e da maturidade artística. Num muito reclamado “encore”, e num registo mais festivo, a marcha “São João Bonito” colocou toda a sala de pé, numa celebração colectiva dos Santos Populares a unir palco e plateia num mesmo coro. Entre balões imaginários e refrões populares, encerrava-se uma noite que teve tanto de reencontro como de afirmação. Raquel Tavares regressou ao fado sem procurar reinventá-lo nem reinventar-se. Fê-lo, como o título do seu novo disco sugere, “à antiga”: com verdade, com respeito pela tradição e com a consciência de que, no fado, a autenticidade continua a ser o valor mais difícil de imitar. Em Gondomar, ficou a prova de que a pausa terminou, mas a voz permaneceu intacta.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

EXPOSIÇÃO DE PINTURA: "No Chão do Paraíso"


[Clicar na imagem para ver mais fotos]

EXPOSIÇÃO DE PINTURA: “No Chão do Paraíso”,
de Albuquerque Mendes
Auditório Municipal de Gondomar – Sala Júlio Resende
14 Dez 2019 > 09 Fev 2020


Tirando alguns trabalhos avulso que tive oportunidade de apreciar no âmbito da Bienal de Arte de Gaia ou desse extraordinário projecto que é o Museu de Causas, a obra de Albuquerque Mendes é-me desconhecida. Busco informações e percebo que nasceu em Trancoso, em 1953, e que muitos não hesitam em considerá-lo um dos nomes fundamentais da arte portuguesa afirmados ao longo da década de 80 do século passado. “Poeta do traço e da cor, insere-se no restrito grupo de artistas que, de uma forma consciente, procura, numa abordagem contemporânea, explorar as inesgotáveis potencialidades da pintura, buscando referentes nas suas próprias histórias e memórias”, leio. A curiosidade aguça-se e vou à sua procura.

Com curadoria de Agostinho Santos, é na Sala Júlio Resende do Auditório Municipal de Gondomar que, por estes dias, se pode ver “No Chão do Paraíso”, exposição centrada na produção mais recente do artista. Nela é patente a arte como forma de expressão, adivinhando-se a inquietação e a dúvida do Albuquerque Mendes sobre alguns dos mitos da cultura e da história portuguesas. Há trabalhos que parecem remeter para a infância e juventude do pintor, revisitando um passado que se adivinha feliz. Outros há, porém, que se centram nas diferenças de género, no correr do tempo, na afirmação da força - a palavra “tropa” inscrita de forma clara - ou no valor do dinheiro, trazendo para a actualidade alguns dos temas que o afligem e para os quais busca respostas.

Os rostos são depurados, contidos, como se neles o artista buscasse, como ideário, a perfeição plástica das formas e, paradoxalmente, a inexpressividade. A tudo isto acrescenta uma tipificada panóplia de sinais - “ar”, “sal”, “amar”, “rã” -, “embrulhando” o todo numa disposição precisa ao longo da galeria, sobre painéis decorados, libertando a pintura das restrições da superfície da tela, tornando-a parte duma “tela” muito maior. Não há nisto acaso ou inocência: Os quadros são, cada vez mais, objectos, e é nessa dimensão que se apresentam ao olhar do público. Vale a pena rumar a Gondomar para conhecer a obra e o artista. O tempo não será dado por mal empregue.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

TEATRO DE MARIONETAS: "Circus"



TEATRO DE MARIONETAS: “Circus”
Direcção, dramaturgia e interpretação | Jordi Bertran
Produção | Companyia Jordi Bertran
4º Festival Internacional de Marionetas de Gondomar
Auditório Municipal de Gondomar
08 Jul 2018 | dom | 18:00


O menino recebeu das mãos do mago a bola imaginária, devolvendo-a de seguida com tanto de certeza como de ilusão que ela foi, à vista de todos, alojar-se direitinha no saco de onde tinha saído. Foi de apontamentos de encantamento e magia como este que se fez “Circus”, espectáculo da responsabilidade da Companyia Jordi Bertran e que encerrou o 4º Encontro Internacional de Marionetas de Gondomar. Reunindo no Auditório Municipal meia plateia de ávidos, interessados e participativos assistentes, o veteraníssimo marionetista catalão desenvolveu todo um espectáculo em torno de um dos grandes génios do século XX, Charlie Chaplin, rendendo homenagem aos artistas e à arte nas suas mais diversas formas, da música ao cinema, da fotografia ao circo.

Primeiro momento do espectáculo, “O Sonho de Charlot” levou-nos ao encontro de “Tempos Modernos” e “Luzes na Cidade”, duas obras primas do cinema de Chaplin, aqui evocadas pelo episódio dos patins e da vendedora de flores. Com “Fratello e Titina”, Jordi Bertran lembrou Chaplin através da música, enquanto dois palhaços demonstravam os seus sentimentos um pelo outro desafiando a morte num arriscado número de funambolismo. Colocando um ponto final na peça, um cantor de heavy-metal exibiu a sua presença excêntrica em palco ao som duma batida que pôs muita gente na sala a “abanar o capacete”. Pelo meio, houve ainda “Toti”, Jordi Bertran a fazer apelo ao palhaço que há em si e a evidenciar, de forma poética e divertida, a sua enorme capacidade de comunicar com o público, particularmente com os mais novos.

Tendo como ponto de partida um conjunto de marionetas de construção perfeita, Jordi Bertran provou uma vez mais a sua maestria na arte de manipular e interpretar a técnica de fios, logrando colocar uma nota de emoção em cada gesto, cada olhar e cada passo destes pequenos bonecos encantados. O resultado prova-se na adesão do público e essa não podia ser mais expressiva. Foi com um sorriso que se viu Charlot adormecer num banco público e descobrir uma flor ao acordar, foi com admiração que se percebeu quanta magia – ohhhhhhhh! – pode haver num simples guardanapo, foi com emoção que se recebeu das mãos de Jordi Bertran a bola mágica para depois a mesma ser energicamente devolvida, o pobre palhaço sem escapatória perante a infinidade de bolas que lhe acertaram na cabeça. Sobretudo, foi com um sentimento de gratidão que se aplaudiu de pé no final, de tão bom que foi este regresso à infância. Ainda que por um pedacinho de tempo, apenas!

terça-feira, 10 de julho de 2018

EXPOSIÇÃO DE PINTURA: "Murmúrios"


[Clicar na imagem para ver mais fotos]

EXPOSIÇÃO DE PINTURA: “Murmúrios”,
de Rosa Bela Cruz
Auditório Municipal de Gondomar - Sala Júlio Resende
22 Jun > 28 Jul 2018


“Não se nasce mulher, torna-se...”. As palavras são de Simone de Beauvoir e encerram um grito de revolta contra a existência de uma construção e uma imposição social em relação ao que é ser mulher e que nada tem a ver com o simples determinismo biológico. Deixada assim em suspenso, a frase é todo um libelo contra uma suposta construção do feminino que se afirma antes mesmo do nascimento e que exige que a mulher se enquadre na sociedade, à luz do que dela é suposto esperar. É por ser esta uma realidade tão actual e porque vivemos num mundo onde o preconceito continua a distorcer a luta pela igualdade de género, que escutar estes “Murmúrios” se torna imperioso, independentemente do que de cruel ou trágico possam encerrar.

“Eterno retorno” às “suas” mulheres, as mais de meia centena de obras de Rosa Bela Cruz expostas nos dois pisos da Sala Júlio Resende, no Auditório Municipal de Gondomar, exprimem a demanda interior da artista em busca do significado e alcance da figura feminina. Na linha de mostras anteriores, os trabalhos agora apresentados têm um cunho marcadamente intimista, neles sendo visível a importância que a artista confere aos sentidos, dando voz àquelas que sempre calaram, erguendo as cabeças das que sempre curvaram, devolvendo ao olhar o alcance que as lágrimas sempre turvaram.


Autêntico paradigma duma pintura interventiva e vibrante, a série “Murmúrios” - conjunto de quinze telas de pequeno formato – resume de forma brilhante a mensagem da pintora. Mulheres sem rosto ou sem olhos, em segundo plano, na contra-luz, meras silhuetas ou esboços apenas são, ainda assim, mulheres, com a emoção da sua presença, com a intensidade da sua mensagem. “Os teus murmúrios são os gritos são os uivos / Os teus olhares gritam a dor dos corpos a dor do mundo / São estes os murmúrios que eu sinto na pele”, clama a poetisa Aurora Gaia para os murmúrios de Rosa Bela Cruz, condensando nesse clamor o sentir perante a força destes trabalhos. Mostra de enorme significado e alcance, “Murmúrios” abre uma oportunidade única de fruir a enorme beleza, na forma e no gesto, do conjunto aqui apresentado e sentir a força da voz de protesto e denúncia da artista, juntando-se a tantas outras, de Chimamanda Ngozi Adichie a Grada Kilomba, de Roxane Gay a Marielle Franco. Imperdível!


sábado, 3 de fevereiro de 2018

EXPOSIÇÃO DE PINTURA: "Palco(s) da Memória", de Elizabeth Leite



EXPOSIÇÃO DE PINTURA: “Palco(s) da Memória”,
de Elizabeth Leite
Curadoria | Agostinho Santos
Sala Júlio Resende | Auditório Municipal de Gondomar
03 Fev > 17 Mar 2018


Visitamos uma exposição de Elizabeth Leite com a mesma emoção com que se visita um amigo querido. A franqueza no olhar e no traço são como o abraço que aquece e anima. Sem dissimulações nem falsidades, a vida vive-se aqui olhos nos olhos e a verdade é um ideal de todas as horas. Das personagens tão vivas, tão gente, derrama-se uma tal bondade que é com o coração pequenino que nos deixamos invadir pela sua sinceridade e nos revemos naquilo que fomos, naquilo que somos.

Em “Palco(s) da Memória”, a exposição agora patente na Sala Júlio Resende do Auditório Municipal de Gondomar, a artista volta a despir-se de preconceitos e a oferecer-nos a sua pintura naquilo que tem de mais puro e livre. Recuperando uma parte das obras que já tinha exposto em Ovar no Verão passado, Elizabeth Leite acrescenta-lhes um conjunto de trabalhos muito recentes, mais depurados mas não menos impactantes do ponto de vista emocional. Particularmente relevantes são as suas memórias dumas férias no Mediterrâneo e que se traduzem na série “Uma tarde de verão feliz”, as águas cálidas que servem de palco às brincadeiras das crianças sendo as mesmas que se constituem em cemitério insaciável para milhares de migrantes ano após ano.

O conjunto de obras expostas integra ainda a série “Retratos”, de 2005, e um conjunto de pinturas sobre azulejo, igualmente datados de 2005, o todo complementado com uma série de fotografias, catálogos e objetos pessoais, fundamentais para melhor se compreender e interpretar o universo pessoal da artista. Aos gondomarenses oferece-se agora a oportunidade de apreciar o talento de Elizabeth Leite, naquela que será uma das grandes exposições de 2018. Por mim, reitero aquilo que já tinha referido em anterior apreciação à obra da artista: “Paira no ar uma apaziguadora sensação de liberdade. A felicidade mora aqui!”