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quarta-feira, 11 de julho de 2018

TEATRO DE MARIONETAS: "Circus"



TEATRO DE MARIONETAS: “Circus”
Direcção, dramaturgia e interpretação | Jordi Bertran
Produção | Companyia Jordi Bertran
4º Festival Internacional de Marionetas de Gondomar
Auditório Municipal de Gondomar
08 Jul 2018 | dom | 18:00


O menino recebeu das mãos do mago a bola imaginária, devolvendo-a de seguida com tanto de certeza como de ilusão que ela foi, à vista de todos, alojar-se direitinha no saco de onde tinha saído. Foi de apontamentos de encantamento e magia como este que se fez “Circus”, espectáculo da responsabilidade da Companyia Jordi Bertran e que encerrou o 4º Encontro Internacional de Marionetas de Gondomar. Reunindo no Auditório Municipal meia plateia de ávidos, interessados e participativos assistentes, o veteraníssimo marionetista catalão desenvolveu todo um espectáculo em torno de um dos grandes génios do século XX, Charlie Chaplin, rendendo homenagem aos artistas e à arte nas suas mais diversas formas, da música ao cinema, da fotografia ao circo.

Primeiro momento do espectáculo, “O Sonho de Charlot” levou-nos ao encontro de “Tempos Modernos” e “Luzes na Cidade”, duas obras primas do cinema de Chaplin, aqui evocadas pelo episódio dos patins e da vendedora de flores. Com “Fratello e Titina”, Jordi Bertran lembrou Chaplin através da música, enquanto dois palhaços demonstravam os seus sentimentos um pelo outro desafiando a morte num arriscado número de funambolismo. Colocando um ponto final na peça, um cantor de heavy-metal exibiu a sua presença excêntrica em palco ao som duma batida que pôs muita gente na sala a “abanar o capacete”. Pelo meio, houve ainda “Toti”, Jordi Bertran a fazer apelo ao palhaço que há em si e a evidenciar, de forma poética e divertida, a sua enorme capacidade de comunicar com o público, particularmente com os mais novos.

Tendo como ponto de partida um conjunto de marionetas de construção perfeita, Jordi Bertran provou uma vez mais a sua maestria na arte de manipular e interpretar a técnica de fios, logrando colocar uma nota de emoção em cada gesto, cada olhar e cada passo destes pequenos bonecos encantados. O resultado prova-se na adesão do público e essa não podia ser mais expressiva. Foi com um sorriso que se viu Charlot adormecer num banco público e descobrir uma flor ao acordar, foi com admiração que se percebeu quanta magia – ohhhhhhhh! – pode haver num simples guardanapo, foi com emoção que se recebeu das mãos de Jordi Bertran a bola mágica para depois a mesma ser energicamente devolvida, o pobre palhaço sem escapatória perante a infinidade de bolas que lhe acertaram na cabeça. Sobretudo, foi com um sentimento de gratidão que se aplaudiu de pé no final, de tão bom que foi este regresso à infância. Ainda que por um pedacinho de tempo, apenas!

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