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sábado, 4 de maio de 2019

ESPAÇOS: Museo Della Folia


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ESPAÇOS: Museo Della Folia
Cavallerizza, Piazzale Verdi, Lucca
27 Fev > 18 Ago 2019


É no renovado espaço da Cavallerizza, no belo interior muralhado da cidade de Lucca, que vamos encontrar o Museo Della Folia. Penetrando no espaço expositivo, o visitante vê-se imediatamente invadido por um conjunto de sons rumorejantes que, ecoando num ambiente obscurecido e sombrio, concorrem para mimetizar uma instituição de alienados. Neste cenário labiríntico e despojado, está traçado um percurso sensorial composto por cerca de 200 obras, entre pintura, fotografia, escultura, objectos vários e instalações multimédia, que convidam à reflexão sobre o tema da loucura. Com uma filosofia próxima daquela que preside à apresentação das colecções de Arte Bruta, o Museo Della Folia ganha vantagem em relação àquelas na medida em que aposta na contextualização “in loco” do processo de criação artística em condições tão particulares, mediante a “oferta” de um ambiente desumanizado e repressivo.

A mostra articula-se em várias secções, abrindo com as pinturas e esculturas de alguns nomes maiores da arte internacional, casos de Silvestro Lega, Fausto Pirandello, Antonio Ligabue ou Francis Bacon, nelas se reflectindo um conjunto de obras alucinadas e visonárias, frutos duma marcada perturbação mental. Prossegue depois com “Stereoscopi”, onde somos convidados a “visitar” o Hospital Psiquiátrico de Mombello, local de internamento de Gino Sandri, Tarcisio Merati, Fiore ou Venturino Venturi, entre outros, e cujas obras podem ser igualmente apreciadas ao longo desta mostra. Outra instituição psiquiátrica que pode ser “visitada” é o manicómio de Teramo, hoje desactivado, e que nos é trazido pelas soberbas fotografias de Fabrizio Sclocchini numa série designada “Gli assenti”. Sede de testemunhos preciosos, as secções “Lettere mais spedite” e “Stanza dei Ricordi” falam-nos de humilhação e dor, da impotência e incredulidade daqueles que foram incriminados e encarcerados sem outra culpa que não a de serem diferentes.

O quarto de Mario Tobino, dá-nos a conhecer o psiquiatra que escolheu viver quase quatro décadas da sua vida entre os 1040 “amigos” do Manicómio de Maggiano, partilhando com eles o ar, a vida e o sonho. De Cesare Inzerillo pode apreciar-se a escultura de grandes dimensões “Apribocca”, réplica de modelo original também presente nesta mostra e que era usado para administração forçada de medicação aos mais renitentes. Também deste autor, “Griglia” é uma instalação onde se recuperam as fotografias das fichas clínicas de alguns doentes mentais. Entre os muitos autores presentes na mostra, destaque ainda para Enrico Robusti e para o seu colossal fresco a óleo, representando um barco apanhado pela tempestade, a bordo do qual o visitante encontrará um conjunto de personagens grotescas e dominados pela loucura. Uma mostra imperdível numa visita a Lucca, um pretexto para reflectir sobre conceitos tão controversos como os da normalidade e da loucura.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

ESPAÇOS: Museu do Dinheiro


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ESPAÇOS: Museu do Dinheiro
Largo de S. Julião, Lisboa
Visitas | de Quarta a Sábado, das 10h00 às 18h00 (visita guiada aos Sábados, às 15h00; não carece de marcação prévia)
Ingresso | Gratuito


Distinguido com o Prémio “Museu do Ano” em 2017, o Museu do Dinheiro conta a história do dinheiro e da sua relação com o homem, expondo em salas temáticas o acervo numismático, notafílico e artístico do Banco do Portugal, entidade que tutela o espaço. Inaugurado em abril de 2016 na Baixa Pombalina de Lisboa, o Museu possui uma mostra permanente de 1.200 objetos, assentando em núcleos temáticos que focam os artigos-padrão, o dinheiro no mundo e a sua história ao longo dos séculos, o fabrico da nota e da moeda, e ainda testemunhos pessoais sobre o papel do dinheiro na vida quotidiana.

Uma barra de ouro acessível ao tacto, uma estátua representativa de Hermes que interpela directamente o visitante, as primeiras formas de moeda convencionadas no mundo ocidental e oriental, uma floresta tubular que dá voz às mais emblemáticas peças da colecção, exemplares que traçam a história da moeda e da banca comercial em território português, as matérias-primas e maquinaria utilizada na produção de moedas e notas, exemplares de notas de todo o mundo e testemunhos e pontos de vista da relação das pessoas com o dinheiro dão a ver ao visitante os comos e os porquês de “tocar”, “trocar”, “convencionar”, “representar”, “narrar”, “fabricar”, “ilustrar” e “testemunhar”.

Da barra de ouro com mais de 12,6 kg (acessível ao tacto e protegida pela antiga porta da caixa forte) à nota falsa (e a verdadeira) que deu a Alves dos Reis o reconhecimento como um dos maiores burlões da história de Portugal, passando pelo terço de estáter, a primeira moeda do Ocidente surgida na Lídia (actual Turquia), pela primeira nota do Oriente, pelo “Português” de D. Manuel I, pelo Morabitino de D. Afonso II ou pela Dobra de 24 escudos, a maior e mais pesada moeda de ouro da história portuguesa, com 85 g de peso e quase o tamanho de uma bolacha, é todo um manancial de peças imperdíveis aquele que se abre aos olhos e ao tacto do visitante, de forma extraordinariamente lúdica e didáctica. Um Museu que é um verdadeiro acontecimento e que merece uma visita atenta!

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

ESPAÇOS: Museu Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho


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ESPAÇOS: Museu Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho
17 Avenue de la Paix CH, Genebra
Visitas | de Terça a Domingo, das 11:00 às 18:00 (de Abril a Outubro) e das 10:00 às 17:00 (de Novembro a Março)
Ingresso | 15,00 CHF / 7,00 CHF (tarifa reduzida), com audioguia incluído
Site | https://www.redcrossmuseum.ch/


Emoção, descoberta, reflexão. Rompendo com o conceito museográfico tradicional, “A Aventura Humanitária”, a exposição permanente do Museu Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, propõe uma experiência única de iniciação à acção humanitária. Ao longo de três espaços, cada um deles concebido por um arquitecto de renome e de um horizonte cultural diferente, o público é convidado a explorar três grandes desafios actuais: Defender a dignidade humana (Gringo Cardia, Brasil), reconstruir os laços familiares (Diébédo Francis Kéré, Burkina Faso) e limitar os riscos naturais (Shigeru Ban, Japão). Independentemente dos períodos conturbados da História ou das zonas de conflito actuais, estas são problemáticas que dizem respeito a todos e a cada um de nós nos dias que correm e, de forma mais global, ao nosso destino comum num futuro que se abre a cada dia.

Ao longo do percurso, o visitante cruza-se com Jean-Henri Dunant, o homem que esteve na génese do Comité Internacional da Cruz Vermelha, fundado em 1863, em consequência da sua experiência pessoal na Batalha de Solferino. Encontra, também, o manuscrito da primeira Convenção de Genebra, de 1864, no qual se estabelecem as normas para as leis internacionais relativas ao Direito Humanitário e na qual avulta e que vem assinado, entre outros, por um representante do “Rei de Portugal e dos Algarves”. Mas encontra, sobretudo, uma “Sala das Testemunhas”, doze homens e mulheres que se apresentam em conjunto, inicialmente, para se darem a conhecer, em contextos muito particulares, ao longo da visita; também, os objectos dos prisioneiros ou as cores da dignidade, as listas de consulta das pessoas desaparecidas nos mais diversos contextos – com o genocídio do Ruanda ou os massacres de Srebrenica à cabeça -, uma árvore de mensagens, um jogo interactivo perante uma situação de alteração climática severa e meios de divulgação criados no sentido de prevenir catástrofes naturais ou provocadas pelo homem.

“A Aventura Humanitária” representa uma cronologia interactiva que dá a ver 150 anos de história humanitária, focando-se sobretudo na actualidade e nas operações da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho nas mais diversas partes do globo. No limite, esta exposição resume o trabalho daquela que é a maior rede humanitária do mundo, presente em todos os países e contando com o apoio de milhões de voluntários, e que tem por missão aliviar o sofrimento humano, proteger as vidas e a saúde das pessoas e preservar a dignidade humana, sobretudo durante os conflitos armados e outras emergências. Absolutamente imperdível!

terça-feira, 14 de agosto de 2018

ESPAÇOS: Collection de l'Art Brut, Lausanne


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ESPAÇOS: Collection de l'Art Brut
11, av. des Bergières CH – 1004 Lausanne
Visitas | de Terça a Domingo, das 11h00 às 18h00; aberto às Segundas nos meses de Julho e Agosto
Ingresso | Adultos 10,00 CHF; Estudantes 5,00 CHF; entrada gratuita no primeiro sábado de cada mês


"Sob esta designação [Arte Bruta] falamos de obras executadas por pessoas não contaminadas pela cultura artística, nas quais, portanto, o mimetismo, ao contrário do que acontece entre os intelectuais, tem pouca ou nenhuma participação, de modo que seus autores estabelecem tudo (temas, escolha de materiais utilizados, meios de transposição, ritmos, formas de escrita, etc.) a partir da sua própria formação e não por intermédio de clichés de arte clássica ou de arte da moda. Aqui assistimos à operação artística pura, crua, reinventada em todas as suas fases pelo autor, a partir dos seus próprios impulsos. Arte, portanto, na qual a única manifestação é a invenção, e não aquelas, constantes na arte cultural, do camaleão e do macaco”.

É ao pintor francês Jean Dubuffet (1901 – 1985) que se deve o conceito de Arte Bruta, definida por ele próprio no parágrafo acima. Baseada em características sociais e peculiaridades estéticas, a Arte Bruta é o produto de criadores autodidactas, marginalizados pelo seu espírito rebelde ou impermeáveis a normas e valores colectivos, projectando um universo para seu próprio uso, sem a necessidade de reconhecimento ou aprovação por parte do público. Utilizando meios e materiais geralmente inéditos, os seus trabalhos são livres de influências da tradição artística e implementam modos de figuração singular.

Em busca de uma arte livre do condicionamento cultural e social, convencido da fecundidade criativa da loucura, Dubuffet desenvolve, a partir de 1945, um esforço de recolha e inventariação que lhe permite iniciar uma colecção de objectos criados por residentes em hospitais psiquiátricos, prisioneiros, indivíduos solitários ou, de alguma forma, excluídos. Ele percebeu nessa criação marginal, uma “operação artística pura, crua, reinventada em todas as suas fases pelo autor, partindo apenas de seus próprios impulsos”. Em 1964, dá inicio à publicação dos folhetos Art Brut, cujos primeiros oito títulos ele próprio escreve e cuja publicação continua até hoje. Em 1971, o pintor doou a sua colecção à cidade de Lausanne, num total de 5000 obras de 133 criadores. A Collection de l'Art Brut está aberta ao público desde 26 de Fevereiro de 1976 e é uma verdadeira referência no circuito cultural europeu.

Primeiro museu de Arte Bruta do mundo, a Collection de l'Art Brut estabeleceu fortes laços com as instituições matrizes dedicadas a essa forma de expressão fora das normas, com elas desenvolvendo uma rede de trocas, emulação e colaboração. Desde a sua criação, a Collection de l'Art Brut tem trabalhado intensamente para o reconhecimento da Arte Bruta mediante um considerável enriquecimento das colecções, a realização de quase 100 exposições temporárias monográficas ou temáticas de referência, a publicação de mais de 60 catálogos ou monografias, a realização de documentários e a colaboração com instituições, a nível nacional e internacional, através do empréstimo de obras. O museu possui agora um espólio de mais de 70.000 obras de 1000 autores e cerca de 700 obras estão permanentemente expostas nas salas do Château de Beaulieu, dispostas em quatro andares para acomodar as criações dos autores nas suas colecções.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

ESPAÇOS: Sinagoga Kadoorie - Mekor Haim



ESPAÇOS: Sinagoga Kadoorie – Mekor Haim
Localização | Rua Guerra Junqueiro, Porto
Horário | Domingo a Sexta feira, das 14:00 às 17:30 (visita com marcação)


Sede da Comunidade Israelita do Porto, a Sinagoga Kadoorie – Mekor Haim (“Fonte da Vida”) situa-se na Rua Guerra Junqueiro e é a maior da Península Ibérica. O início da sua construção teve lugar em 1929 e foi concluída nove anos mais tarde, em grande medida graças aos muitos fundos doados pela comunidade judaica internacional mas, particularmente, pelos Kadoorie, uma família de Hong Kong que quis, desta forma, honrar a memória de Laura Kadoorie, descendente de portugueses. Trata-se de um edifício de características Art Deco, de linhas e dimensões invulgares, com traço dos Arquitectos Arthur de Almeida Júnior, Augusto Santos Malta e, muito provavelmente, Mestre Rogério de Azevedo.

A história da Sinagoga Kadoorie – Mekor Haim encontra-se intrinsecamente ligada à vida e obra do seu fundador, o capitão Artur Barros Basto, um oficial do exército português convertido ao Judaísmo em 1920. Tendo-se estabelecido no Porto em 1921, conseguiu reunir à sua volta cerca de vinte judeus asquenazim, originários da Alemanha, Lituânia, Polónia e Rússia, fundando em 1923 a Comunidade Israelita do Porto. A inauguração da Sinagoga em vésperas do início da II Guerra Mundial permitiu abrigar temporariamente centenas de judeus que encontraram no Porto um ponto de passagem para paragens mais tranquilas e distantes das zonas de conflito. Barros Basto viria a ser julgado em 1937 pelo Conselho Superior de Disciplina do Exército e afastado da instituição militar por participar nas cerimónias de circuncisão dos alunos do Instituto Teológico Israelita do Porto, facto que aquele Conselho considerou “imoral”. Só em 29 de Fevereiro de 2012 o nome de Barros Basto foi reabilitado, no seguimento de uma petição apresentada à Assembleia da República, pela neta, a 31 de Outubro de 2011.

Apresentando a austeridade natural de um local de culto, o interior da Sinagoga Kadoorie – Mekor Haim integra uma profusão de elementos decorativos de estilo marroquino-sefardita, desde as letras hebraicas contendo passagens da Torah, aos cerca de 20 mil azulejos, todos portugueses e pintados à mão que recobrem parte das suas paredes. Coberta por uma cortina com dois leões bordados, a arca sagrada contém a Torah que é retirada para os serviços religiosos e está sempre virada para Jerusalém, como manda a tradição. Durante o serviço religioso, os homens são os únicos que podem ficar na parte principal do templo, no rés-do-chão. As mulheres ficam em cima, num primeiro andar em redor do espaço central. Para se entrar na sinagoga, a tradição obriga ao uso de kippah na cabeça e durante a oração um judeu deve ter sempre a cabeça coberta em sinal de respeito a Deus. Todos os serviços são em hebraico e fechados ao público.

A Sinagoga Kadoorie – Mekor Haim integra ainda um Museu Judaico onde é possível encontrar pedaços da história do Judaísmo e das perseguições a que os judeus foram sujeitos em Portugal. Numa das salas é possível apreciar o local onde funcionou, logo nos primeiros dias do edifício que mais tarde se tornou sinagoga, uma escola. Entre 1930 e 1935, o Instituto Teológico Israelita, criado em regime de internato, teve ali as suas instalações. Chegou a ter 80 alunos e é possível ver carteiras antigas, o quadro de madeira preto e vários mapas. Além de diversos objetcos, como uma cadeira onde se realizavam as circuncisões e muitos documentos e fotos, há outros motivos de interesse como uma lista de 842 nomes de vítimas da Inquisição entre 1541 e 1737, só da zona do Porto. Ocupam também lugar de destaque registos documentais provenientes de Hong Kong sobre a família de beneméritos Kadoorie e a sua ligação aos judeus do Porto.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

LUGARES: Museu de Portimão



LUGARES: Museu de Portimão
Localização | Rua D. Carlos I, Portimão
Horários | 01 Set > 31 Jul: 3ª das 14h30 às 18h00; 4ª a domingo das 10h00h às 18h00. 01 Ago > 31 Ago: 3ª das 19h30h às 23h00; 4ª a domingo das 15h00h às 23h00. Encerra: Segunda, Terça (até às 19h30) e nos Feriados Nacionais.
Ingresso (Adulto) | € 3,00. Gratuito ao Sábado, das 10:00 às 14:00 (ou das 15:00 às 19:00, durante o mês de Agosto)


A história de Portimão encontra-se profundamente interligada com os recursos naturais da matriz mediterrânica do seu território e com a forte relação fluvial e marítima. Neste contexto, surgem desde a antiguidade os processos de transformação e conservação pelo sal da riqueza piscícola das suas águas e mais tarde, no século XX, uma importante indústria piscatória e conserveira que ocupou as margens do Arade. Em 1996, a necessidade de preservar toda esta relação histórica motivou a aquisição, pelo Município de Portimão, da antiga fábrica de conservas de peixe “São Francisco”, localizada na frente ribeirinha da cidade. É desse renovado edifício fabril, datado dos finais do séc. XIX, que surge a 17 de Maio de 2008 o Museu de Portimão, pólo de difusão cultural e espaço de descoberta das origens e da evolução da comunidade, do seu território e dos aspectos mais marcantes da sua história industrial e marítima.

Programada como a principal exposição de referência do museu, ocupando as naves industriais do anterior edifício fabril e distribuída por uma área de cerca de 1000 m2, “Portimão, Território e Identidade” representa uma síntese histórica do percurso desenhado pelas comunidades locais, desde a pré-história até à actualidade. Num primeiro pólo, podemos apreciar os elementos históricos mais decisivos e presentes na organização da cultura das sociedades locais. Por ordem cronológica são mostrados os sinais da ocupação milenar do território, das comunidades pré-históricas de Alcalar, à presença românica e islâmica. A ligação ao Rio Arade – uma porta entre o Mediterrâneo e o Atlântico -, a indústria de construção naval em madeira e a transformação do figo, que resultou no primeiro grande momento de expansão económica de Portimão, são marcas distintivas dum passado não muito longínquo. A história singular do portimonense Manuel Teixeira Gomes, Presidente da República entre 06 de Outubro de 1923 e 11 de Dezembro de 1925, merece igualmente um lugar de destaque neste pólo.

A memória industrial conserveira e a profunda relação histórica com o rio Arade e o Atlântico constituem-se como os temas centrais do segundo pólo expositivo. Através dele, destaca-se o papel dos homens e mulheres na actividade económica mais relevante de Portimão e do Algarve, antes da mudança para o novo paradigma, a indústria do turismo. Partindo do próprio espaço fabril e em especial da recuperada “Casa de Descabeço”, o visitante é conduzido da antiga lota do cais de Portimão até ao coração das fábricas, acompanhando o processo de fabrico, embalagem e promoção das conservas portimonenses. Particularmente interessante é o documentário “O Jogo da Sardinha”, de 1946, que descreve todo o processo do fabrico das conservas de peixe e oferece uma ideia clara sobre a actividade laboral nos anos dourados da indústria conserveira. O último pólo expositivo convida o visitante a descer um piso até à antiga cisterna da Fábrica. No mesmo local onde se recolhiam e reaproveitavam as águas pluviais para alimentar os tanques de salmoura e as caldeiras da fábrica, descobrem-se agora as imagens em movimento da fauna e flora subaquáticas do Rio Arade e da orla costeira de Portimão. Nesta mesma Cisterna, em Setembro de 2013, foi instalado o núcleo Ocean Revival - Parque Subaquático de Portimão, possibilitando ao visitante acompanhar em terra o que se passa debaixo de água com os navios afundados a cerca de três milhas da Praia de Alvor.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

LUGARES: Museu Cargaleiro



ESPAÇOS: Fundação Manuel Cargaleiro | Museu Cargaleiro
Localização | Rua dos Cavaleiros, 23 – Castelo Branco
Horários | Terça a Domingo, das 10:00 às 13:00 e das 14:00 às 18:00
Ingresso (Adulto) | 2,00 €


A planificação duma visita a Castelo Branco, por curta que seja, não pode deixar de fora o Museu Cargaleiro. Constituído por dois edifícios contíguos – o “Solar dos Cavaleiros”, um palacete construído no século XVIII e um edifício contemporâneo já deste século – o Museu alberga uma boa parte do espólio doado pelo mestre Manuel Cargaleiro à Fundação com o seu nome, constituindo um património de enorme valor artístico, histórico e cultural. Trata-se duma oportunidade única de espraiar o olhar sobre obras duma singular beleza e duma harmonia ímpar, juntando a alegria da cor e do traço à emoção das coisas simples.

No edifício do Solar dos Cavaleiros, encontra-se exposta parte da Colecção de Cerâmica da Fundação Manuel Cargaleiro. As duas primeiras salas de exposição concentram um núcleo muito especial de faiança, vulgarmente denominada Cerâmica Ratinha, que ocupa uma posição particular no âmbito da cerâmica nacional. Nas seguintes salas expositivas encontramos ainda a Cerâmica de Triana, em que se destacam os Lebrillos Trianeros. Tal como o nome indica esta cerâmica é proveniente de Triana, um bairro típico de Sevilha, junto ao rio Guadalquivir. Ainda neste edifício, o visitante não deverá perder o documentário sobre Manuel Cargaleiro, cuja visualização lhe permitirá compreender melhor o artista e a sua obra.

No edifício contemporâneo é possível apreciar cerca de duzentas obras de Manuel Cargaleiro, naquilo que constitui um roteiro pela sua vida e obra. No primeiro piso encontramos um núcleo que evidencia as diversas fases do artista, desde a década de 50 até à actualidade, com principal destaque para a área da pintura. No segundo piso estão expostas obras de relevo do artista enquanto ceramista, numa retrospectiva pelo seu percurso e pelas técnicas utilizadas. No último piso está patente a exposição “Cargaleiro e Amigos”, a qual incide sobre uma parte dos 70 anos do percurso artístico do mestre. Entre esculturas, pinturas e desenhos, as obras dos trinta e sete artistas representados nesta exposição servem como apresentação e convite à exploração da história da cultura e da arte, ao mesmo tempo que constituem um manifesto que remete para a celebração da arte e da amizade.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

ESPAÇO: Museo Nacional de Cerámica y Artes Suntuarias González Martí



ESPAÇO: Museo Nacional de Cerámica y Artes Suntuarias González Martí
Palacio del Marqués de Dos Aguas, Valencia (Espanha)
De Terça a Sábado, das 10:00 às 14:00 e das 16:00 às 20:00 horas.
Domingos e Feriados, das 10:00 às 14:00
Encerrado às Segundas


O Museo Nacional de Cerámica y Artes Suntuarias González Martí está situado no Palacio del Marqués de Dos Aguas, bem no coração da cidade de Valencia (Espanha). Foi inaugurado em 18 de Junho de 1954, a partir da doação ao Estado da coleção de cerâmica de Manuel González Martí. Independentemente da parte museológica e do enorme valor e interesse das obras expostas, o Palácio merece, por si só, uma visita. Declarado monumento historico-artistico en 1941, foi adquirido pelo Estado em 1949 para receber a coleção de cerâmica. De planta quadrangular irregular, está organizado em torno de um pátio e com torres nos cantos. O imponente portal principal, todo em alabastro, é encimado pela imagem da Virgem do Rosário e ladeado por dois atlantes (colunas antropomórficas), com um aspecto de voluptuosidade transbordante e que simbolizam dois rios, numa alusão ao título dos marqueses. Decoradas com estuques e pinturas murais, as salas apresentam, para além de parte do mobiliário original, pinturas e objetos variados.

O percurso museológico foi desenhado cronologicamente, começando por uma abordagem ao período neolítico, com amostras de materiais e peças de diferentes culturas. A cerâmica hispano-árabe está bem representada, principalmente com exemplares das oficinas muçulmanas da região de Valência, destacando-se as dos séculos XIII e XIV decoradas a verde e manganês. Estes tipos de cerâmica estão na base da cerâmica de produção espanhola e cristã a partir de Málaga e que se estendeu posteriormente a Valência. Em lugar de destaque encontramos a cerâmica de Manises de louça dourada cujo enorme sucesso no Século XV, fez com que se exportasse para toda a Europa onde serviu para ornamentar os salões da nobreza. Louça do Renascimento, azulejaria heráldica, louça dourada de inspiração mourisca e porcelana chinesa e suas imitações tomam conta das salas dedicadas aos séculos seguintes. A Real Fábrica de Alcora, o grande centro inovador da porcelana valenciana no século XVIII, está aqui igualmente bem representada.

O advento do modernismo levou à recuperação das peças cerâmicas com reflexos metálicos, aplicando-se à decoração arquitetónica de interiores e exteriores de edificios, bem como a objetos decorativos. Estão neste caso algumas obras do escultor valenciano Mariano Benlliure. A cerâmica de autor está igualmente representada com diversas obras de autores do Século XX, entre as quais se encontram algumas doações de Pablo Picasso.