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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: "Jean Dubuffet. L'outil photographique"


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EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “Jean Dubuffet. L’outil photographique”
Musée de l'Elysée, Lausanne
30 Mai > 23 Set 2018


“Jean Dubuffet. L’outil photographique” constitui o primeiro estudo da colecção fotográfica mantida na Fundação Dubuffet, no que diz respeito à produção do artista (pinturas, maquetes ou elementos do espectáculo Coucou Bazar). Desde o início de sua actividade artística nos anos 1940, Jean Dubuffet (1901-1985) desenvolveu um sistema de referenciação fotográfica o qual, a partir de 1959, se organizou no sentido de documentar todas as suas obras dispersas, com vista a compilar um catálogo que viria a ser publicado em forma de fascículos entre 1964 e 1991.

Estes vários milhares de fototipos (negativos, gravuras, álbuns) são o fruto da ambição do artista em construir um fundo documental exaustivo, posto ao serviço dos trabalhos em curso mas também como forma de controlar as suas colecções, nomeadamente de Arte Bruta, conceito por ele  criado e desenvolvido. Nesta quase obsessão, colocou Dubuffet o maior cuidado, o qual se mostra bem patente na qualidade das reproduções fotográficas e na evolução técnica dos meios empregues. Se essa organização deriva da sua convicção de que a obra só pode ser entendida na sua globalidade, ela é igualmente motivada pela necessidade de estabelecer “um mapa do caminho percorrido e perceber de que forma o mundo se ia vestindo com a sua arte”.

A fotografia está ainda entre as muitas ferramentas utilizadas pelo artista na realização das suas obras. Fonte iconográfica em algumas séries, o seu carácter múltiplo permite também a reprodução dos mesmos elementos e o seu uso em diferentes trabalhos. Para a exposição “Edifices” (“Edifícios”, 1968), Dubuffet apresentou um conjunto de fotomontagens integrando as suas criações arquitectónicas no espaço público. A projecção fotográfica intervém a partir dos anos 1970 como processo de ampliação para a realização de elementos como os que integraram o seu espectáculo “Coucou Bazar”. Finalmente, a exposição retrospectiva organizada pela Fiat em Turim, em 1978, mostra-se inovadora, com uma encenação espectacular combinando obras originais e projeções luminosas de outras pinturas, completadas por uma multiprojeção dedicada à sua obra prima, a Closerie Falbala, patente na Villa Falbala, em Périgny-sur-Yerres.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: "Jacques Henri Lartigue. La Vie en Couleurs"


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EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “Jacques Henri Lartigue. La Vie en Couleurs”
Musée de l'Elysée, Lausanne
30 Mai > 23 Set 2018


A exposição “Jacques Henri Lartigue. La Vie en Couleurs” revela um aspecto praticamente desconhecido do trabalho do artista. Nunca mostradas ou exibidas até hoje, as fotografias coloridas constituem uma parte importante do seu espólio (quase um terço das 120.000 matrizes de negativos e positivos em diversos suportes), das quais uma parte pode agora ser vista no espaço do Musée de L'Elysée, em Lausanne. Assim, não são apenas as fotografias coloridas que são apresentadas pela primeira vez, mas é também uma faceta desconhecida de Jacques Henri Lartigue que é dada a conhecer ao grande público.

Os primeiros autocromos feitos em 1912 revelam Lartigue como um jovem ocioso e criativo na sua casa de família. Os jogos no Château de Rouzat, os desportos de inverno ou os passeios pelo campo constituíram oportunidades únicas para se expandir numa gama completa de cores vivas. Lartigue foi particularmente sensível às mudanças na natureza que ele glorificou por detrás da objectiva e cujas cores tornaram possíveis as mais variadas nuances. Parece até que alguns dos seus temas se tornaram uma obsessão. É por isso que podemos encontrar centenas de imagens de papoilas nos seus álbuns, bem como vistas da sua janela em Opio - sem esquecer as imagens de Florette, a sua esposa durante 40 anos.

A partir da década de 1950, Lartigue virou-se para o mundo, em cores. Ele reinventa as obras que criara quando era jovem e as belas mulheres do Bois de Boulogne o fascinavam e atraíam. Da mesma forma, são retomados velhos temas a partir de fotografias anónimas, aventais de crianças, guarda-chuvas e outros. Lartigue também legou abundantes testemunhos do circuito ritual de férias passadas em estâncias balneares na Normandia, no País Basco e na Riviera Francesa, para iniciar uma série de viagens, primeiro em Itália, onde Florette teve as suas origens e, já na década de 1960, na América. Tudo para ver em Lausanne, até ao próximo dia 23 de Setembro.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

ESPAÇOS: Collection de l'Art Brut, Lausanne


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ESPAÇOS: Collection de l'Art Brut
11, av. des Bergières CH – 1004 Lausanne
Visitas | de Terça a Domingo, das 11h00 às 18h00; aberto às Segundas nos meses de Julho e Agosto
Ingresso | Adultos 10,00 CHF; Estudantes 5,00 CHF; entrada gratuita no primeiro sábado de cada mês


"Sob esta designação [Arte Bruta] falamos de obras executadas por pessoas não contaminadas pela cultura artística, nas quais, portanto, o mimetismo, ao contrário do que acontece entre os intelectuais, tem pouca ou nenhuma participação, de modo que seus autores estabelecem tudo (temas, escolha de materiais utilizados, meios de transposição, ritmos, formas de escrita, etc.) a partir da sua própria formação e não por intermédio de clichés de arte clássica ou de arte da moda. Aqui assistimos à operação artística pura, crua, reinventada em todas as suas fases pelo autor, a partir dos seus próprios impulsos. Arte, portanto, na qual a única manifestação é a invenção, e não aquelas, constantes na arte cultural, do camaleão e do macaco”.

É ao pintor francês Jean Dubuffet (1901 – 1985) que se deve o conceito de Arte Bruta, definida por ele próprio no parágrafo acima. Baseada em características sociais e peculiaridades estéticas, a Arte Bruta é o produto de criadores autodidactas, marginalizados pelo seu espírito rebelde ou impermeáveis a normas e valores colectivos, projectando um universo para seu próprio uso, sem a necessidade de reconhecimento ou aprovação por parte do público. Utilizando meios e materiais geralmente inéditos, os seus trabalhos são livres de influências da tradição artística e implementam modos de figuração singular.

Em busca de uma arte livre do condicionamento cultural e social, convencido da fecundidade criativa da loucura, Dubuffet desenvolve, a partir de 1945, um esforço de recolha e inventariação que lhe permite iniciar uma colecção de objectos criados por residentes em hospitais psiquiátricos, prisioneiros, indivíduos solitários ou, de alguma forma, excluídos. Ele percebeu nessa criação marginal, uma “operação artística pura, crua, reinventada em todas as suas fases pelo autor, partindo apenas de seus próprios impulsos”. Em 1964, dá inicio à publicação dos folhetos Art Brut, cujos primeiros oito títulos ele próprio escreve e cuja publicação continua até hoje. Em 1971, o pintor doou a sua colecção à cidade de Lausanne, num total de 5000 obras de 133 criadores. A Collection de l'Art Brut está aberta ao público desde 26 de Fevereiro de 1976 e é uma verdadeira referência no circuito cultural europeu.

Primeiro museu de Arte Bruta do mundo, a Collection de l'Art Brut estabeleceu fortes laços com as instituições matrizes dedicadas a essa forma de expressão fora das normas, com elas desenvolvendo uma rede de trocas, emulação e colaboração. Desde a sua criação, a Collection de l'Art Brut tem trabalhado intensamente para o reconhecimento da Arte Bruta mediante um considerável enriquecimento das colecções, a realização de quase 100 exposições temporárias monográficas ou temáticas de referência, a publicação de mais de 60 catálogos ou monografias, a realização de documentários e a colaboração com instituições, a nível nacional e internacional, através do empréstimo de obras. O museu possui agora um espólio de mais de 70.000 obras de 1000 autores e cerca de 700 obras estão permanentemente expostas nas salas do Château de Beaulieu, dispostas em quatro andares para acomodar as criações dos autores nas suas colecções.