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quarta-feira, 23 de abril de 2025

EXPOSIÇÃO: “O Sal da Democracia. Mário Soares e a Cultura”



EXPOSIÇÃO: “O Sal da Democracia. Mário Soares e a Cultura”
Curadoria | José Manuel dos Santos, Pedro Marques Gomes
Casa de Serralves
06 Dez 2024 > 01 Jun 2025


“Foi o amor à cultura, foi a relação constante e visceral que a ela sempre me ligou, que fez com que a minha vida política se tivesse sempre entrelaçado com a minha constante paixão pela liberdade.”
Mário Soares

Figura fundamental da nossa história contemporânea, tudo o que Mário Soares fez na política — na resistência à ditadura, nos combates da democracia e nos altos cargos públicos que ocupou — decorreu de uma atitude cultural forte e funda. Nascido em 1924, viveu a adolescência e a juventude durante a Guerra Civil de Espanha e a Segunda Guerra Mundial. Os mestres intelectuais que então teve, a começar pelo pai, foram também os seus mestres cívicos, morais e políticos. Com eles, aprendeu a conhecer Camões, Kant, Antero de Quental, Eça de Queiroz, Rembrandt ou Columbano, mas também a ganhar consciência do que estava em causa naqueles trágicos acontecimentos decisivos para o destino da liberdade. Para ele, a política e a cultura passaram a ser inseparáveis. Um dia, disse: “A cultura é o sal da democracia.” É esta afirmação que dá título a esta exposição.

A visão que tinha de Portugal, da Europa e do mundo era política e era cultural. Foi construída pela reflexão e pelo conhecimento da história, da literatura, da arte, do pensamento crítico. No longo tempo da sua vida, Soares viveu sempre rodeado de livros (os que escreveu, leu e reuniu como bibliófilo) e de obras de arte (as que, com a mulher, Maria Barroso, colecionou). Celebrando o centenário do seu nascimento, esta exposição mostra a intimidade inspiradora de Soares com a cultura e com aqueles que a criam através de uma seleção antológica de obras das suas coleções de arte (pintura, desenho, escultura, tapeçaria, gravura) e de bibliofilia (livros raros, primeiras edições, manuscritos). Mostrando obras de grande significado pessoal, qualidade artística e representatividade cultural, esta exposição revela faces desconhecidas de uma personalidade fascinante — português universal, cidadão do mundo, viajante incansável, dotado de uma curiosidade infinita, que fez da aventura da sua vida uma criação prodigiosa e um testemunho de liberdade livre.

A Casa de Serralves cria as condições para que a exposição se possa apresentar na fidelidade ao carácter pessoal e privado destas colecções, evidenciando a subjectividade das escolhas, guiadas pelo gosto, pela amizade e pelo conhecimento. A colecção de arte, de que a exposição é uma antologia representativa, inicia-se cronologicamente com os naturalismos (António Carneiro, Alfredo Keil, Abel Salazar, Veloso Salgado) e depois com os modernismos (Francis Smith, Almada, Stuart, Barradas, António Soares, Júlio, Alvarez, Carlos Botelho, Bernardo Marques, Tagarro) e alcança a contemporaneidade (Ângelo de Sousa, Noronha da Costa, Álvaro Lapa, Jorge Martins, Batarda, Ana Vieira, Palolo, Julião Sarmento, Graça Morais, Mário Botas, Cabrita Reis, Carlos Nogueira, Ilda David, Ana Vidigal, Miguel Branco). Nela, estão representados alguns dos artistas mais importantes das correntes, escolas e tendências fundamentais que configuraram a arte portuguesa do século XX e do início do século XXI.

O destaque vai para a importância da presença na colecção das obras de Maria Helena Vieira da Silva e de Júlio Pomar. A primeira manteve com Soares um entendimento e uma amizade que, em larga medida, estão na origem da reaproximação a Portugal da grande artista naturalizada francesa e hostilizada longamente pelo governo de Salazar. Com Pomar, Soares esteve preso em Caxias, quando ambos eram muito jovens, e o pintor fez-lhe o primeiro retrato. Esta proximidade pessoal e artística ligava-se a uma grande cumplicidade política que se manteve toda a vida. Nesta coleção e nesta exposição, têm natural destaque os artistas das gerações mais próximas de Soares, com quem ele tinha laços pessoais e políticos muito fortes: Dacosta, Hogan, Resende, Pomar, Nadir, Nikias Skapinakis, Cesariny, Cruzeiro Seixas, Manuel Cargaleiro, Fernando Lanhas, Menez, Lima de Freitas, Paula Rego, Eduardo Luís, Escada, Cutileiro, João Vieira, Lourdes Castro.

Como bibliófilo, o político e homem de cultura colecionava primeiras edições, livros raros, manuscritos e correspondência. A escolha dos autores era presidida por critérios de admiração intelectual e até de genealogia político-literária. Soares era um político-escritor, com uma obra vasta, da qual fazem parte alguns livros fundamentais da nossa literatura de ideias e da nossa memorialística. Considerava a palavra, escrita e falada, como um instrumento fundamental de ação e persuasão. A presença na biblioteca da Casa de uma das secretárias onde escreveu e leu durante as décadas finais da sua vida simboliza este seu trabalho verbal incansável. Estes interesses e estas afinidades, que fundam uma visão do mundo, tiveram também uma importante repercussão na sua ação de homem público e marcam, direta ou indiretamente, a nossa história contemporânea.


terça-feira, 29 de agosto de 2023

EXPOSIÇÃO DE ESCULTURA E PINTURA: "Joan Miró / Alexander Calder: Espaço em Movimento"


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EXPOSIÇÃO DE ESCULTURA E PINTURA: “Juan Miró / Alexander Calder: Espaço em Movimento”
Curadoria | Philippe Vergne
Casa de Serralves
22 Jun 2023 > 07 Jan 2024


O encontro entre Joan Miró e Alexander Calder representou uma das mais férteis amizades artísticas e diálogos visuais continuados do século XX. Já em 1936, o jornal The New York World-Telegram descrevia os móbiles de Calder como “abstrações de Miró vivas”. Um imaginário em constelação era um princípio formal do trabalho de ambos. Em vez de construírem as suas imagens em torno de um núcleo central, como acontece nas abordagens tradicionais à pintura e à escultura, Joan Miró e Alexander Calder concebiam as suas obras como estruturas abertas, em que as formas flutuam livremente no espaço ou estão distribuídas uniformemente pela superfície da tela. Quando próximos, os móbiles, stabiles e esculturas de parede ou de base de Calder parecem ativar as qualidades espaciais inerentes às pinturas de Miró, tal como o universo imagístico de Miró, com os seus signos e apontamentos esquemáticos de figuras, explora em duas dimensões muitas das sugestões das esculturas de Calder.

Com uma série de “cabeças-retrato” que fez de amigos entre 1927 e 1930, Calder ampliou os limites da sua prática escultórica. Executadas em arame torcido, as “cabeças” possuem o aspecto de desenhos tridimensionais pairando no espaço. Algumas pinturas de Miró do início e meados dos anos 1930 parecem transpor as lições das “cabeças” de Calder para a forma bidimensional. Em “Tête d’homme”, de 1935, Miró estabelece uma armação linear para a figura, cujas feições estão reduzidas a signos para os olhos e para a boca. Em dois desenhos tardios da Coleção depositada em Serralves, a linha orgânica de Miró estabelece por seu turno um ritmo orgânico que dá à composição um movimento virtual, sugerindo que as figuras estão a girar no espaço. Em várias das suas obras de grande dimensão em pintura e cerâmica, Miró dispõem os seus signos para pássaros, estrelas e personagens de forma a que pareçam flutuar num ritmo contínuo. À medida que estes se cruzam com outros objetos, Miró altera a paleta, fazendo com que linha, figura e cor troquem de lugar, num bailado lírico de formas. As configurações assim criadas, que lembram fragmentos, têm afinidades com a tensão em equilíbrio dos móbiles de Calder, particularmente o majestoso “Black Polygons”, de 1947.

Nos seus trabalhos tardios, Calder e Miró simplificaram e ampliaram frequentemente as suas formas. As esculturas de Calder de grandes formatos dos anos 1950 e 1960 inscrevem-se na mesma linha das telas monumentais de Miró dos anos 1970. Nestes trabalhos, os signos elementares do pintor para corpos astrais e solares, figuras e pássaros tornam-se mais densos e mais expansivos. A sua linha delicada dá agora lugar a uma intensa ênfase de formas discretas e muito coloridas, cujas identidades se metamorfoseiam à medida que o observador vai explorando as imagens. No catálogo da retrospetiva de Calder na Galeria Maeght de Barcelona em 1977, Miró escreveu duas pequenas homenagens ao seu amigo, preenchendo-as com uma imensidão de signos simples os quais evocam as inúmeras associações com o trabalho tardio de Calder.

Concebidas em total independência, as “Constelações” de Calder e Miró têm sido frequentemente consideradas contrapartes bi- e tridimensionais. A série de vinte e três guaches de Miró, executados em 1940 e 1941, é uma das grandes realizações da sua carreira. A sua estrutura de inscrições e formas lineares disseminadas pelas superfícies tem forte afinidade com a série de Calder de 1943, em que formas de madeira ligadas a varas metálicas se expandem em todas as direções. Miró tinha começado a trabalhar na disseminação em constelação do seu léxico de imagens — signos organizados no plano frontal da pintura em aglomerados de maior ou menor extensão — já em 1925–27, nas chamadas “Pinturas Oníricas”, mas foi na série “Peintures” de 1933 que realmente explorou as suas possibilidades formais. Oito anos mais tarde, em plena carnificina da Segunda Guerra Mundial, Miró simplificou os seus signos para criar uma grelha linear de “Constelações” que reflete a sua experiência dúplice de trauma e alívio espiritual. Nestas obras, contudo, Miró parece evitar a transcendência: na rude aplicação da tinta e nas manchas de tinta da China que alastram pela superfície o pintor sublinha agora as condições físicas dos suportes que emprega.

[Texto composto a partir do Roteiro da Exposição]

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

EXPOSIÇÃO DE ESCULTURA E PINTURA: "Alexander Calder, Uma Linha de Equilíbrio"


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EXPOSIÇÃO DE PINTURA E ESCULTURA: “Alexander Calder, Uma Linha de Equilíbrio”
Curadoria | Philippe Vergne
Casa e Parque de Serralves
22 Jun 2023 > 19 Mai 2024


No Museu de Arte Contemporânea de Serralves está patente a exposição “Alexander Calder, Uma Linha de Equilibrio”, dedicada a um dos mais influentes escultores do século XX. Distribuídas entre o espaço da Casa de Serralves e o Parque, as obras ilustram a visão singular do artista ao longo das suas cinco décadas de envolvimento com a forma abstracta. A exposição apresenta algumas das peças mais importantes do escultor, criadas durante a sua estadia em Paris, feitas em arame e produzidas ao mesmo tempo que as figuras do famoso “Circo Calder”, bem como um importante grupo de móbiles da década de 1940. No ano em que se comemora o centenário do Parque de Serralves, a mostra inclui ainda quatro esculturas monumentais de Calder, dispostas nos jardins em vários locais. Fazendo uso da linguagem da abstracção, Alexander Calder deixou-se fascinar, ao longo da sua carreira, pelo potencial cinético da arte e captou o movimento através de uma série de estruturas que se apresentavam como alternativas radicais às noções tradicionais de escultura da época e que tiveram um impacto profundo na história da arte do século XX. “Uma Linha de Equilíbrio” revela o desejo do artista de criar uma arte que ressoasse com a vida, através de um envolvimento constante com a força da gravidade, a circulação do ar e o jogo do acaso.

Alexander Calder começou a sua carreira como pintor e rapidamente desenvolveu uma paixão pelos guaches, aprofundando esta técnica nos anos 1930, enquanto vivia em Paris. Preferia guache porque secava rapidamente e tinha uma pronunciada opacidade. A facilidade com que podia trabalhar com este meio atraiu-o, permitindo-lhe combinar o seu gosto pelo desenho e o seu olho para a cor. Os seus guaches revelam um domínio da linha, um equilíbrio de composição e uma preferência pelas cores primárias. Nesta exposição, as obras “Composition”, “White Spiral”, “Pointes” e “Cercles”, denotam a mesma angularidade e cinetismo que iremos encontrar nas suas esculturas. Na mesma sala, o visitante pode observar a obra “Yellow Panel”, pintura em relevo que dá continuidade à investigação do artista acerca da integração pintura / escultura, cinética e do enquadramento de formas tridimensionais num quadro espacial. No chão, somos confrontados com uma peça singular, “Requin et Baleine”, duas peças de diferentes tipos de formas de madeira, um conjunto frágil e ténue que ilustra a atenção que Calder dispensa ao movimento e testemunha o gosto pelo primitivismo, reavivado aqui pelos seus contactos com o surrealismo.

A exposição é pontuada por obras da série “Constelações”, iniciada em 1943, cujo título reflete a influência de Marcel Duchamp e do crítico James Johnson Sweeney. Alexander Calder produziu um grupo de móbiles suspensos e móbiles em pé (stabiles) em madeira e arame que, décadas mais tarde, em 1971, relacionou com as “Constelaciones” de Joan Miró, uma série de vinte e três pinturas a guache e têmpera realizadas entre 1940 e 1941, que Calder viu em 1944 quando foram expostas em Nova Iorque. Calder concebeu esta série, expandindo o seu interesse pela física do mundo natural. As “Constelações”, criadas durante a escassez de metal em tempo de guerra, eram feitas através da anexação de formas de madeira esculpidas à mão, algumas lisas, outras pintadas, às extremidades de fios de aço rígidos. Calder criou, aproximadamente, vinte e nove constelações nesta altura, cujas estruturas variam consideravelmente. O átrio do piso inferior é dominado pela presença de “Les Boucliers”, 1944. O visitante pode passear em torno da obra, composta por uma constelação de grandes elementos de chapa metálica preta, de tamanho variável e formas ligeiramente ameaçadoras, na sua maioria rombóides alongados, que têm o potencial de se sobreporem uns aos outros à medida que giram a partir de um complexo sistema de hastes interligadas, equilibradas num tripé.

Na sala hexagonal, é exposto um grupo de três delicados móbiles — “Fish Bones”, “Mobile, 1949” e “Mobile, 1955” —, confrontando o visitante com o seu movimento e a visão para o espaço exterior. A exposição abre-se para o Parque de Serralves, onde estão patentes quatro importantes obras de exterior. Calder dedicou-se também à realização deste tipo de esculturas em grande escala, em chapa de aço aparafusada. Na década de 1950, o reconhecimento internacional de Calder aumentou significativamente, permitindo-lhe expandir os seus estúdios nos Estados Unidos e em França. Como resultado, foi capaz de criar os seus móbiles e stabiles numa escala monumental e que hoje adornam praças públicas em cidades de todo o mundo. No Parque de Serralves, podemos ver três stabiles importantes: “Les Trois Ailes”, “Guillotine pour Huit” e “Nageoire”, bem como “Horizontal”, um monumental móbil assente no chão. Este último é constituído por uma secção de suporte fixa com uma estrutura móvel no topo. Cinco lâminas rebitadas são movidas por correntes de ar, conferindo à peça a componente lúdica e otimista que é tão essencial à arte de Calder, ao mesmo tempo que produz um contraste espontâneo entre a solidez estética industrial da base e a variabilidade da parte superior.

[Texto composto a partir do Roteiro da Exposição]

quarta-feira, 16 de março de 2022

EXPOSIÇÃO: "Signos e Figurações"


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EXPOSIÇÃO: “Signos e Figurações,
de Joan Miró
Curadoria | Robert Lubar Messeri
Casa de Serralves
09 Out 2021 > 06 Mar 2022


Pela segunda vez em cinco anos, Miró voltou a preencher de cor e vida os espaços nobres da Casa de Serralves. A primeira exposição, “Materialidade e Metamorfose”, teve lugar em 2016 e tratou-se de uma mostra temática. Desta vez, “Signos e Figurações”, que esteve patente até ao passado dia 06 de Março, permitiu apreciar na íntegra o conjunto de oitenta e cinco obras que integram a colecção do estado português, oferecida ao Município do Porto e cujo depósito de longo prazo compete ao Museu de Arte Contemporânea de Serralves. Fazendo coincidir com o recente restauro da Casa de Serralves, segundo projecto de Álvaro Siza, a curadoria desta exposição optou por um tipo muito diferente de instalação, tendo por cenário o magnífico espaço da Casa e toda a sua verde envolvência. “Signos e Figurações” vive, em grande medida, desta relação simbiótica entre arquitectura, paisagem e a obra de Miró, permitindo ao visitante alargar os horizontes muito para além do simples espaço da tela.

Abrangendo seis décadas de trabalho intenso e profícuo, de 1924 até 1981, a colecção divide-se entre desenho, pintura, escultura e tecelagem, constituindo assim uma excelente introdução à obra e às principais preocupações artísticas de Joan Miró. Ao arrepio de qualquer formato cronológico ou linear, as obras estão agregadas tematicamente, tentando dar uma visão holística do percurso do mestre catalão. As várias salas abordam diferentes aspetos da sua arte: o desenvolvimento de uma linguagem de signos; o encontro do artista com a pintura abstracta que se fazia na Europa e na América; o seu interesse pelo processo e pelo gesto expressivo; as suas complexas respostas ao drama social dos anos 1930; a inovadora abordagem da colagem; o impacto da estética do sudoeste asiático na sua prática do desenho; e, acima de tudo, a sua incessante curiosidade pela natureza dos materiais.

“Criador de formas” por excelência, Joan Miró foi simultaneamente um “assassino” estético que desafiou os limites tradicionais dos meios em que trabalhou. Na sua arte, as diferentes práticas dialogam entre si, cruzando os meios: a pintura comunica com o desenho; a escultura seduz os objetos tecidos; e as colagens, sempre conjugações de entidades díspares, funcionam como princípio maior ou matriz para a exploração das profundezas do real. Um inventário dos suportes físicos usados pelo artista ao longo da sua carreira inclui materiais tradicionais como a tela, madeira ou cartão, mas também vidro, lixa, serapilheira, folha de alumínio ou papel alcatroado. Sempre em delicado equilíbrio com o suporte, os materiais vão desde óleo, tinta acrílica, giz, grafite, têmpera de ovo ou stencil, até ao uso inovador de bases menos ortodoxas, como gesso, caseína ou alcatrão. Numa exploração da materialidade talvez apenas rivalizada por Paul Klee, Miró expandiu decisivamente as fronteiras das técnicas da produção artística do século XX.