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segunda-feira, 13 de julho de 2026

CERTAME: FESTA - Sons da Lusofonia



CERTAME: FESTA - Sons da Lusofonia
Com | OSSN, Daniel Pereira Cristo + Comunidade, Carla Castelhano, Bárbara Bandeira, Blaya, Lucas Santtana, Cheny Wa Gune, Do Cabo Do Mundo, Expresso Transatlântico, António Zambujo e Stereossauro + Convidados
Parque Urbano de Ovar
10 e 11 Jul 2025 | sex e sab | 18:00 às 00:30


Com uma forte adesão do público, o FESTA voltou a transformar o Parque Urbano de Ovar num amplo espaço de encontro entre a música de expressão lusófona, a natureza e a comunidade. Afirmando-se como uma das mais sólidas marcas identitárias da cultura ovarense, a 11.ª edição do festival reuniu milhares de pessoas em torno de uma programação que cruzou diferentes geografias, gerações e linguagens musicais, distribuída por três palcos e complementada por iniciativas que reforçaram a dimensão participativa do evento. Para além dos doze concertos, o “Lugar das Infâncias” voltou a afirmar-se como um espaço para todos, com oficinas, teatro, jogos e histórias, enquanto o “Espaço Conversas”, dinamizado pelo jornalista Rui Miguel Abreu, promoveu encontros informais entre artistas e público. A componente comunitária ganhou especial expressão no espectáculo de Daniela Pereira Cristo, desenvolvido com elementos dos coros Canto Décimo, Cáster Antiqua e Suspiro, bem como com o grupo de cordofones do Grupo Folclórico As Tricanas de Ovar, num projecto que reforçou a ligação do festival ao território e às colectividades locais. Mais do que uma sucessão de concertos, o FESTA voltou, assim, a afirmar-se como uma celebração da cultura em língua portuguesa, da partilha e da participação, proporcionando uma experiência vivida em família ou entre amigos, onde palco e plateia se encontraram num ambiente de proximidade e convivialidade.

A jornada inaugural abriu ao final da tarde de sexta-feira com OSSN, que apresentou um “live act” inspirado nas memórias e sonoridades cabo-verdianas, cruzando electrónica, ritmos hipnóticos e ambientes de forte carga evocativa. Seguiu-se um dos momentos mais marcantes desta edição, com Daniela Pereira Cristo a revisitar a música de raiz portuguesa num espectáculo construído em conjunto com dezenas de participantes locais, sublinhando a vocação comunitária do FESTA. Um pôr-do-sol exuberante viu Carla Castelhano assumir a banda sonora do recinto com um “dj set” que percorreu influências do jazz, da folk e das músicas do mundo e preparando o ambiente para os concertos da noite. Bárbara Bandeira foi a primeira cabeça-de-cartaz do FESTA, apresentando “Lusa: Acto II”, novíssimo trabalho que assinala uma nova etapa do seu percurso artístico e que conciliou os temas mais recentes com alguns dos maiores êxitos da cantora. O encerramento da primeira noite pertenceu a Blaya que, com “ARRAIÁ.L”, trouxe ao Parque Urbano um espectáculo marcado pela energia contagiante, cruzando o espírito dos arraiais portugueses com as festas juninas brasileiras, numa actuação de forte interacção com o público e que colocou milhares de pessoas a dançar pela noite fora.

O segundo dia evidenciou de forma ainda mais clara a matriz lusófona do festival, iniciando-se com Lucas Santtana, que apresentou os temas de “Brasiliano”, trabalho onde celebra a riqueza da língua portuguesa. Cheny Wa Gune prosseguiu a viagem musical através da fusão entre a tradição da timbila moçambicana e o afro-pop contemporâneo, antecedendo Do Cabo do Mundo, projecto que recria a obra de Fausto Bordalo Dias através da participação de músicos imigrantes residentes em Portugal e que se cotou como um dos pontos altos do certame. Expresso Transatlântico encerrou a programação da tarde com a energia do álbum “Trópico Paranóia”, voltando Carla Castelhano a assumir, ao início da noite, o habitual momento de transição entre os concertos. António Zambujo protagonizou o espectáculo mais aguardado do festival, percorrendo canções do seu mais recente disco, “Oração ao Tempo”, sem esquecer um vasto conjunto de temas que marcam a sua carreira e fizeram as delícias do público. O encerramento ficou entregue a Stereossauro que, acompanhado por um conjunto de convidados especiais, apresentou um espectáculo onde a electrónica dialogou com o património musical português. Foi o ponto final festivo numa edição que voltou a afirmar o FESTA como uma referência cultural da região e um espaço privilegiado de encontro entre artistas, público e comunidade.

terça-feira, 12 de março de 2024

CONCERTO: "Ressaca Bailada" | Expresso Transatlântico



CONCERTO: Ressaca Bailada | Expresso Transatlântico
Auditório de Espinho - Academia
09 Mar 2024 | sab | 21:30


Espinho, sábado à noite. Apesar do tempo pouco convidativo, o Auditório enche-se de público para ouvir os Expresso Transatlântico e a sua “Ressaca Bailada”, trabalho que viu a luz do dia (ou as luzes da noite) em finais de Setembro do ano passado. O burburinho na sala está uns decibéis acima do que é habitual e a expectativa cresce à medida que se aproxima o momento em que a tela recolhe e se fazem ouvir as palavras “bem vindo ao Auditório de Espinho, vai dar-se início ao espectáculo”. Os primeiros temas - “Primeira Rodada” e “As Ladras”, duas “malhas” do primeiro EP da banda - dão o mote àquilo que vamos poder esperar do tempo do concerto, deixando perceber que há ali uma guitarra portuguesa a apimentar a coisa, a brincar ao jogo do gato e do rato, divertida, atrevida, enérgica, destemida, irreverente, de bem com a vida. Será ela a marca distintiva de um projecto que, tocando uma e outra margem do grande lago atlântico, arrisca fundir géneros musicais tão díspares quanto o rock e o fado e fazer dessa ousadia a afirmação da sua identidade musical.

Do novo álbum seguem-se “Western à Lagareiro” e “Porque Nada Tem Um Fim”, temas que deixam entender uma maior complexidade nas composições e mais ambição na mensagem, mas ainda assim sem capitalizarem junto do público o seu potencial de qualidade e interesse. Gaspar Varela percebe isso e “obriga” toda a gente a levantar-se e a dançar o tema seguinte, “Azul Celeste”. O tiro, porém, sai-lhe pela culatra, já que, apesar de belíssimo, o tema é muito pouco “dançável”, dado a tímidos ademanes de anca que mais valia continuar sentado. Mas eis que surge “Bombália” e a sala parece despertar. Quem já estava em pé, em pé continuou. Quem não estava, levantou-se e juntou-se à garra e energia que se desprendia de um tema que é uma pérola de harmonia e ritmo. “O Gangster” e “Barquinha” reforçam o ambiente de dança que se vive na sala e é tempo de escutar as primeiras grandes ovações, nomeadamente ao ser nomeado o nome de Pedro Gonçalves e dos Dead Combo, referência incontornável da música dos Expresso Transatlântico.

Em jeito de parêntesis, diria que é inegável a proximidade entre a música dos Dead Combo e a deste Expresso, mas é justamente a guitarra portuguesa que, nas mãos de Gaspar Varela, marca a diferença. O que nos Dead Combo é introspectivo, crepuscular, imersivo, é nos Expresso Atlântico esfuziante, redentor, solar. E foi nesta toada que seguimos até ao final do concerto, “atravessando” um poema seguido de um solo (a abraçar o fado tradicional e o fado mais erudito), naquele que foi o momento mais intimista da noite (e também o mais saudado). “Ressaca Bailada” e “Beco da Malha” voltaram a puxar pelo público num permanente convite à dança, com “Alfama, Texas” a colocar um ponto final em pouco mais de uma hora de concerto. Muito reclamado, o “encore” permitiu escutar “Eu Dantes Cantava”, sentida homenagem dos irmãos Sebastião e Gaspar Varela à sua bisavô, Celeste Rodrigues, irmã de Amália. Faltou apenas o Conan Osíris a dar voz à “Barquinha” para o concerto ser perfeito. Mas não se pode ter tudo…

[Foto: Monstro Creative Studio | https://www.facebook.com/auditoriodeespinhoacademia]