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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

EXPOSIÇÃO: “Mário Cesariny: Em Todas as Ruas te Encontro”



EXPOSIÇÃO: “Mário Cesariny: Em Todas as Ruas te Encontro”
Curadoria | Marlene Oliveira, Perfecto Cuadrado, João Pinharanda
Fundação Cupertino de Miranda, Vila Nova de Famalicão
05 Ago 2023 > 08 Ago 2024


Numa ocasião em que se comemora o centenário do nascimento de Mário Cesariny, a Fundação Cupertino de Miranda promove uma exposição intitulada “Mário Cesariny: Em Todas as Ruas te Encontro”, recorrendo ao espólio do artista da qual é detentora. Obras de arte e elementos do arquivo e biblioteca pessoal de Cesariny, entre os quais se encontram mais de quatro mil fotografias, cadernos, correspondência, livros intervencionados e vários registos manuscritos em simples papéis, constituem a base de uma mostra com um forte cunho sentimental. A reforçar esta ideia, são igualmente expostos inúmeros objectos que se encontravam nas paredes da casa ou espalhados pelo quarto de Cesariny, e é apresentado “Autografia” – título de um poema seu –, um documentário realizado por Miguel Gonçalves Mendes, belo e íntimo retrato da vida, do percurso e individualidade do poeta e pintor surrealista.

Mário Cesariny, homem de natureza excepcional que representou de forma exemplar o Surrealismo como expressão artística e literária e, sobretudo, como uma forma revolucionária de ver, entender e viver a vida, é aqui revisitado de uma forma muito próxima, abrindo-se ao visitante a possibilidade de conhecer e aceder ao ambiente que o rodeava, a partir da observação dos objectos expostos, das construções e das suas criações. Uma parte da coleção de quarenta fotografias de Duarte Belo registadas na casa de Cesariny, em 2003, e que revelam a intimidade do espaço de habitação e de criação do artista, permite uma contextualização em relação a muitos dos objetos que se encontram em exposição. Trata-se de uma rara oportunidade de fortalecer o conhecimento do homem e do artista, que fez História e Estórias em Portugal, e que nos faz entender a personalidade irreverente de Mário Cesariny e o seu universo surreal.

Nascido a 09 de agosto de 1923, em Lisboa, Cesariny de Vasconcelos estudou na Academia de Amadores de Música, sob a orientação do professor Fernando Lopes Graça, e ingressou no princípio da década de 1940 na Escola de Artes Decorativas António Arroio, onde conheceu, entre outros, Fernando José Francisco e Cruzeiro Seixas, que o acompanharam na aventura surrealista. Foi protagonista de muitas acções e criações polémicas com os outros artistas surrealistas, mas a partir do início dos anos 1950 o grupo começou a desintegrar-se. Manteve-se activo na poesia, nas artes plásticas e na tradução, passando a conviver com Luís Pacheco, Manuel de Lima, António José Forte, João Vieira e Hélder Macedo. “Titânia”, “Pena Capital” e “Antologia do Cadáver Esquisito” são alguns exemplos da sua obra poética. Cesariny recebeu vários prémios pela obra escrita e plástica, nomeadamente o Prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores, e o Grande Prémio EDP de Artes Plásticas. Faleceu em Lisboa, aos 83 anos.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

EXPOSIÇÃO: "O Castelo Surrealista de Mário Cesariny"



EXPOSIÇÃO: “O Castelo Surrealista de Mário Cesariny”
Curadoria | João Pinharanda, Afonso Dias Ramos, Marlene Oliveira
MAAT - Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia
05 Out 2023 > 04 Mar 2024


Poeta e pintor - para além de antologista, compilador e historiador (polémico) das actividades surrealistas em Portugal -, Mário Cesariny de Vasconcelos nasceu em 09 de Agosto de 1923 e morreu em 2006, aos 83 anos, sendo considerado o principal representante do surrealismo português. Para assinalar o centenário do seu nascimento, várias instituições desenharam um programa variado de eventos cujo início teve lugar em Vila Nova Famalicão, na Fundação Cupertino de Miranda e que encontra no MAAT - Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia, um dos seus pólos mais significativos. É aqui que pode ser visto “O Castelo Surrealista de Mário Cesariny”, exposição que celebra não apenas o centenário do artista, mas que assinala também a data histórica dos cem anos da publicação do primeiro manifesto surrealista por André Breton, em 1924.

“O Castelo Surrealista de Mário Cesariny” é inspirado no livro que o artista, trabalhando entre Lisboa, Paris e Londres, dedicou à vida e obra de Vieira da Silva e Árpád Szenes. O próprio Cesariny fora buscar o seu título ao manifesto de Breton, na referência ao lugar imaginário no qual habitamos com todos aqueles, passados e presentes, que amamos e admiramos. Esta exposição procura, da mesma forma, pensar a obra de Cesariny no contexto alargado da genealogia (autoral, temporal, geográfica, disciplinar) que, para si mesmo (e para o Surrealismo) reclamou. Na exposição celebra-se a sua vida e a sua obra poética e plástica no contexto dos tempos e obras díspares que reivindicava como fonte de inspiração, das obras que lhe foram coevas, dos artistas que conhecia, daqueles de quem foi companheiro ou de outros que prolongaram diálogos com a sua obra, mas também dos retratos que lhe foram feitos, das culturas que admirava, dos amantes que conheceu e dos objetos de que se rodeava.

A legitimidade das filiações propostas nesta exposição só deve ser questionada poeticamente. Recua-se, por isso, à Antiguidade, à Idade Média, ao romantismo e ao simbolismo para chegar aos tempos e às poéticas coincidentes com as afinidades eletivas de Cesariny, colocando tudo isto em diálogo com os seus amigos ou companheiros de geração e com os estratos culturais populares e extra-ocidentais que tanto lhe importavam. Os desenhos e a pintura de Mário-Henrique Leiria, Cruzeiro Seixas, António Maria Lisboa, Alexandre O’Neill, Marcelino Vespeira, Gonçalo Duarte ou Malangatana, a fotografia de Vitor Palla e Fernando Lemos ou a escultura de Reinata Sadimba aí estão para o comprovar. Cada obra evoca e convoca um universo de outras obras a explorar, e remete para novos e mais vastos tabuleiros de jogo, dentro e fora do surrealismo, da Europa e do seu tempo histórico - ou, principalmente, no avesso de tudo isso.