Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta Galeria do Paço - Universidade do Minho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Galeria do Paço - Universidade do Minho. Mostrar todas as mensagens

sábado, 14 de outubro de 2023

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: "Malign Influences"


[Clicar na imagem para ver mais fotos]

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “Malign Influences”,
de Diego Moreno
Encontros da Imagem de Braga 2023
Galeria do Paço - UMinho
16 Set > 28 Out 2023


“Em criança, Diego Moreno serviu durante doze anos a Igreja Católica. Inspirado pela sua visão Apocalíptica, foi criado num ambiente altamente religioso, o que fez com que crescesse perturbado pela sua orientação sexual. A sua identidade estava encoberta pelos preconceitos e pela culpa que as doutrinas religiosas impõem. Ao longo da sua vida, a simbologia do monstruoso e do anormal foi a única imagem com a qual conseguiu criar empatia devido à rejeição. É destas vivências que nasce “Malign Influences”, projecto de intervenção gráfica sobre o arquivo fotográfico familiar do artista. Através da exploração manual com lápis de cor, grafite, tinta da China, marcadores, óleo ou materiais como a lixívia ou o vinagre, as fotografias sofrem vários processos de intervenção como forma de criar novas realidades inventadas a partir de uma verdadeira obsessão e fascínio pelo anómalo.

Reflectindo sobre o seu trabalho, Diego Moreno conta que “Malign Influences” lhe permite “construir um mundo alternativo sem culpa, prestando homenagem ao meu álbum de família, um dos principais artefactos ficcionais das nossas vidas que gera a nossa identidade ao longo do tempo”. Este projecto é protagonizado pelos seres que habitam a sua cabeça, que não se escondem nem se calam, mostram-se em toda a sua monstruosidade. Através das suas múltiplas vozes reivindicam a sua diferença. A sua linguagem não gramatical surge, assim, como uma recusa à condenação do silêncio. Partilhando com Matthieu Croizier uma vasta sala no piso térreo da Galeria do Paço - UMinho, Diego Moreno e a sua obra são uma lufada de ar fresco na forma de percepcionar o significado e alcance da fotografia nos dias de hoje e “Malign Influences”, com o realismo mágico que as imagens convocam, constitui um dos maiores momentos da edição deste ano dos Encontros da Imagem.

Diego Moreno [https://www.instagram.com/diiegotv/] recebeu vários prémios internacionais, entre os quais se destacam o Unstuck Photography Grant 2022 pela Magenta Foundation Toronto, o The Foam Talent 2022 Amsterdão, o LensCulture Art Awards 2021, Amsterdão, o Cheerz Photo Festival 2019 Paris e o Acquisition Award da X Biennial of Puebla de Los Angeles 2015, no México. O seu trabalho é apresentado tanto a título individual como em exposições colectivas, e faz parte de colecções públicas e privadas um pouco por todo o mundo. O seu trabalho foi também publicado em diferentes meios de comunicação internacionais, tais como The Guardian, The British Journal Of Photography, Vogue Italia, GQ Magazine, GLAM Cult, Creative Review, LensCulture, PHMuseum; Der Greif, The Sun, BuzzFeed, FutureShoots, Dienach Magazine, Photo World Magazine China e Burn Magazine, entre outros.

sábado, 7 de outubro de 2023

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: "Everything goes dark a little further down"


[Clicar na imagem para ver mais fotos]

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “Everything goes dark a little further down”,
de Matthieu Croizier
Encontros da Imagem de Braga 2023
Galeria do Paço - UMinho
16 Set > 28 Out 2023


“Everything goes dark a little further down” é uma exploração pessoal do conceito de monstruosidade, bem como uma exploração das peculiaridades do próprio artista. Analisar a construção do conceito de monstruosidade ao longo da história, desde a invenção da histeria no século XIX até ao papel dos ‘freak shows’, onde a encenação era primordial e as imagens eram manipuladas para desempenhar um papel vital no reforço da norma, serviu de ponto de partida ao projecto. “Agarramo-nos a ideias binárias de beleza, distinguindo ativamente entre o que é belo e feio, doente e saudável, normal e anormal”, refere Matthieu Croizier na falha de sala que acompanha esta exposição, para de imediato referir a sua intenção de, com este trabalho, diluir estas ideias e mostrar que a monstruosidade existe dentro de todos nós, e que é um conceito que foi moldado e construído ao longo do tempo.

Através da auto-representação, o artista utiliza o próprio corpo como matéria-prima, procurando fabricar a monstruosidade a partir de coisas simples que o rodeiam, abraçando-a em vez de a rejeitar. Nas suas palavras: “Fiquei fascinado pela reapropriação de certos termos estigmatizantes, como “aberração”, “bicha” e “maricas”, como forma de resistência, e assim transformar as aparentes fragilidades em força. Isso foi o que realmente inspirou este projeto, através do qual decidi reivindicar a minha própria monstruosidade”. “Everything goes dark a little further down” transforma-se, assim, numa carta de amor ao anormal, uma renúncia à normalidade. Em matéria de iconografia médica ou anatómica, Matthieu Croizier procura desconstruir as representações normativas do corpo. Até que ponto um corpo é um corpo e como pode libertar-se das normas que o constrangem?

Destacando-se do suporte onde se inscrevem nesta exposição, as fotografias retratam um extraordinário acto de metamorfose, onde fragmentos são fundidos para criar algo novo. A estética espetacular das imagens acaba por acentuar aquilo a que o artista se refere como “espectáculo de banalidades”, e a monstruosidade, que a princípio parece perturbadora, acaba por revelar a sua própria criação. Matthieu Croizier [https://matthieucroizier.ch/] é um fotógrafo baseado em Lausanne e tem um Bacharelato em Fotografia na Lausanne University of Arts and Design. Participou em exposições coletivas e recebeu vários prémios Internacionais, entre os quais o Paris Photo's Carte Blanche Students 2020, Futures Talents 2021 e British Journal of Photography’s Ones to Watch 2021. Neste momento encontra-se a trabalhar na publicação do seu primeiro livro de fotografia com a editora Mörel Books, “Everything goes dark a little further down”.

terça-feira, 18 de outubro de 2022

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: "Fountain of Youth"


[Clicar na imagem para ver mais fotos]

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “Fountain of Youth”,
de Laure Andrillon
Encontros da Imagem 2022
Galeria do Paço UMinho
17 Set > 30 Out 2022


O Hansborough Recreation Center, no coração do Harlem, em Nova Iorque, é o ponto de encontro dos “Harlem Honeys and Bears”, equipe de natação sincronizada fundada em 1979. Com idades compreendidas entre os 58 e os 95 anos de idade, os elementos da equipa são todos de raça negra e treinam para competições municipais e estaduais, nas quais participam regularmente. É lá que apresentam as mais graciosas e complexas coreografias, em particular a icónica e exclusiva “pirâmide”, ponto alto da sua performance, ao som de Vangelis e do épico “Chariots of Fire”. Longe vai o tempo da segregação racial, que os mais velhos recordam com amargura. Nessa altura, o acesso às piscinas apenas era permitido nos chamados “dias coloridos” ou nos dias em que estas eram esvaziadas para os brancos nadarem. A uns diziam que não conseguiriam flutuar devido à composição dos seus ossos; às meninas lembravam-lhes que saía caro alisar os cabelos naturalmente crespos depois de molhados. Afastadas as sombras do passado, é com leveza e entusiasmo que, três vezes por semana, deslizam para dentro de água e mostram o quão jovens se sentem. A sua alegria é contagiante. A sua vitalidade é inspiradora.

Interessada em mostrar de que forma se tornam em realidade os sonhos mais improváveis, a escritora e fotógrafa freelancer Laure Andrillon dá-nos a ver “Fountain of Youth”, projecto documental que faz da piscina um lugar de cura física e psicológica. Descontraídos nas suas conversas e brincadeiras ou concentrados naquilo que o treinador tem para lhes dizer, de touca às pintinhas cor de rosa ou com o cabelo solto e escorrido, prontos a saltar para a água para umas voltas de aquecimento ou ensaiando pequenas coreografias, eles são a prova provada de que não há barreiras intransponíveis. Não importa a idade, o grau de incapacidade ou a intensidade do desafio, todos desempenham um papel importante no seio do grupo. Dentro de água, os pontos fracos esbatem-se e a força do colectivo afirma-se sobre todas as coisas. Na expressão de cada um avulta o prazer que retiram desta peculiar forma de convívio e o orgulho de, com o seu exemplo, contribuirem para fazer do mundo um lugar melhor.

Com um corpo de trabalho centrado em questões relacionadas com as migrações, o ambiente, o envelhecimento e as minorias, Laure Andrillon explora as dinâmicas no seio deste grupo tão particular, procurando, através da imagem, transmitir uma noção clara de partilha, cumplicidade e superação. A emoção que retiramos da visualização deste trabalho é directamente proporcional ao prazer que percebemos nos olhares e nos gestos destes verdadeiros campeões. Sabemos que os pontos fracos estão lá e são muitos; mas há em Laure Andrillon o mérito de pôr em evidência apenas os pontos fortes, trazendo ao rosto do visitante um sorriso perante tão clara demonstração de vontade e de crer. Transportados, pelo poder das imagens, ao interior dos espaços, sentamo-nos nos mesmos bancos corridos, sentimos o mesmo calor húmido e o forte odor a cloro, o aconchego de uma toalha pelas costas ou de uma mão que ajeita debaixo da touca uma madeixa de cabelo mais rebelde. Mas são as conversas pausadas, sem pressas, sem gritos, que nos tocam e nos lembram que há mais vencedores para além daqueles que saudamos no pódio de medalha ao peito.

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: "The Day You Were Born, I Wasn't Born Yet" | Kay Yokoyama


[Clicar na imagem para ver mais fotos]

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “The Day You Were Born, I Wasn’t Born Yet”,
de Kay Yokoyama
Encontros da Imagem de Braga 2021
Galeria do Paço - Universidade do Minho
17 Set > 31 Out 2021


Quando a epidemia de COVID-19 se espalhou pelo mundo, Kay Yokoyama sentiu, tal como a generalidade das pessoas, que o controlo da situação não era mais uma questão de vontade própria. As alterações induzidas num quotidiano reorientado para um pretenso “novo normal” ofereceram-lhe uma oportunidade soberana de olhar em volta e pensar no milagre de estar aqui, na sucessão de milagres que envolvem o simples facto de ter nascido. É dessa reflexão que nasce “The Day You Were Born, I Wasn’t Born Yet”, reduzido mas extraordinariamente significativo conjunto de imagens que funcionam como o testemunho de um regresso às origens e do refazer de um trajecto pessoal. Visitar a sua antiga casa, vasculhar álbuns de fotografias antigas ou regressar aos locais onde os avós já falecidos moraram, proporcionou-lhe uma natural conexão do presente com o passado, uma viagem no tempo e no espaço feita do cruzamento de memórias carregadas de amor mas também de dor e tristeza.

Ao atentar nas imagens tão simples mas tão belas de Kay Yokoyama, não posso deixar de olhar para mim próprio e para aquilo que me tem sido possível fazer neste ano e meio que passou. Na sucessão de milagres que fazem com que estejamos aqui, vivendo um presente carregado de incertezas mas que se abre em esperança, são as questões existenciais que mais nos assaltam. De súbito, a vida vivida a um ritmo frenético, como se de uma fuga em frente se tratasse, desacelerou até quase parar. Subordinadas aos novos paradigmas do distanciamento social, das dotações seguras dos espaços partilhados ou do uso dos equipamentos de protecção individual, as incontornáveis rotinas viram o tempo distorcer-se até se romper a sua marca de escravizadora linearidade. Mais sós e, portanto, mais livres, partimos em busca de respostas. Encontramo-las no mais fundo de cada um de nós.

Um retrato antigo de uma família numerosa, uma pulseira de recém-nascido, um ramo de folhas mortas que desce vagarosamente o rio ou umas lágrimas que se escapam de um rosto cansado são testemunhos de um pulsar de vida onde se misturam os mais díspares sentimentos. Sob um manto de silêncio, a sós com as nossas próprias memórias, olhamos as imagens que Kay Yokoyama partilha connosco e não podemos deixar de fazer nossos os seus traços. Mais do que aquilo que revelam, estas fotografias são um convite a intuirmos a sua essência, outrora rica e pulsante de vida, hoje não mais do que marcas cada vez mais ténues de um tempo que se afasta inexoravelmente. Depuradas, contemplativas, de um cromatismo austero, elas são a prova da insustentabilidade da leveza do ser, num mundo que precisa urgentemente de se libertar dos pesos e das pressões que o levam por caminhos da auto-destruição. A não perder, até ao último dia deste mês!