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quarta-feira, 19 de março de 2025

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: "Paisagens Construídas" | Inês d'Orey



EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “Paisagens Construídas”,
de Inês d’Orey
Curadoria | Valdemar Cruz, Inês d´Orey, Luís Martinho Urbano
Fundação Marques da Silva
11 Jan > 09 Abr 2025


Quando folheei pela primeira vez o livro de Valdemar Cruz,“Paisagens Construídas – O passado e o presente da arquitetura portuguesa em 16+1 obras”, aquilo que desde logo prendeu a minha atenção foi a quantidade e qualidade das fotografias. O livro é belíssimo, conforme já tive oportunidade de referir AQUI no blogue. Além do arranjo gráfico extremamente cuidado, é um livro com peso, literalmente. Passando pelas suas páginas, é evidente a predominância de textos e entrevistas, mas destaca-se essa forte componente visual, consubstanciada nas mais de cem imagens que o livro encerra e que têm a assinatura de Inês d’Orey. Estou certo que, mesmo sem o manancial de “mil palavras” que associamos a cada imagem, o livro teria tudo para ser - como é! - de leitura obrigatória. A abordagem conhecedora e sensível de Valdemar Cruz a cada uma das obras arquitectónicas, do ponto de vista da sua complexidade e desafios, sabendo encontrar o tom certo para realçar aquilo que as une, independentemente do muito que, eventualmente, possa separá-las, disso se encarregaria. Mas há a imagem, como se de um bónus se tratasse. E há Inês d’Orey: Curiosa e afoita, perspicaz e sensível, inteligente e talentosa. Tal como Valdemar Cruz.

São de Inês d’Orey, como disse, as fotografias de “Paisagens Construídas”, exposição patente ao público na Fundação Marques da Silva. Com curadoria conjunta de Valdemar Cruz, Inês d’Orey e Luís Martinho Urbano, e design gráfico de André Cruz Studio, dela fazem parte dezasseis imagens referentes a obras de arquitectura portuguesa e que Valdemar Cruz aborda no seu livro. As obras - seleccionadas a partir das escolhas individuais de mais de meia centena de personalidades, na sua maioria arquitectos, mas também académicos, engenheiros, artistas plásticos, críticos, curadores, fotógrafos e um geógrafo - mostram os múltiplos e diversos caminhos, com amplo reconhecimento dentro e fora de portas, seguidos pelos arquitectos portugueses desde o início do século XX até à actualidade. A partir de uma selecção inevitavelmente circunstancial e provisória, os edifícios aqui representados assumem um mínimo denominador comum assente no facto de se constituírem obras referenciais para a formação, conhecimento e estudo de sucessivas gerações de arquitectos.

Porque de arquitectos e arquitectura nos fala “Paisagens Construídas”, importa referir que esta é uma exposição magistralmente “arquitectada”. Iniciativa da Fundação Marques da Silva, organizada em parceria com a Zet Gallery, a exposição tira o maior partido do espaço da Casa-Atelier do arquitecto Marques da Silva, que forma conjunto com o palacete da família Lopes Martins, em plena Praça Marquês do Pombal, lugar estratégico da cidade do Porto. Habilmente dispostas ao longo das salas, as imagens dialogam com um conjunto de desenhos oriundos de vários arquivos nacionais, complementando-se e enriquecendo-se mutuamente. É um privilégio poder, de uma assentada, espraiar o olhar pela Ponte da Ribeira da Carpinteira, na Covilhã, ou pela Piscina de Marés, em Leça da Palmeira, apreciar o traço de Álvaro Siza, Carrilho da Graça ou Eduardo Souto Moura, ler os excertos poéticos e sensíveis que Valdemar Cruz entendeu por bem trazer para a exposição e, ao mesmo tempo, beber a esplêndida luz que se derrama dos grandes janelões ou da extraordinária clarabóia que encima o edifício. Uma exposição imperdível, para ver até 09 de Abril.

sábado, 23 de janeiro de 2021

EXPOSIÇÃO: "Siza - Inédito e Desconhecido"


[Clicar na imagem para ver mais fotos]

EXPOSIÇÃO: “Siza – Inédito e Desconhecido”
Obras de Álvaro Siza, Maria Antónia Siza, Álvaro Leite Siza, Henrique Siza, Joana Siza e outros 
Curadoria | António Choupina, Kristin Feireiss
Design expositivo | Álvaro Siza, António Choupina
Produção | Anabela Monteiro, António Choupina, Chiara Porcu
Fundação Marques da Silva
17 Out 2020 > 16 Jan 2021


“Siza – Inédito e Desconhecido” é uma exposição desenvolvida no Museu do Desenho de Arquitectura, em Berlim, com itinerância na Fundação Marques da Silva onde esteve patente até ao passado dia 16 (na verdade, só até dia 14, por obra e graça desta pandemia e das medidas governamentais impostas para a conter). Projectada por António Choupina, em co-curadoria com Kristin Feireiss, a mostra explora um tema lançado pelo centenário da Bauhaus, a partir da (des)conhecida obra de Álvaro Siza: o legado académico, familiar e profissional. Um legado que começou a construir-se em torno de uma modernidade que buscava afirmação, primeiro enquanto estudante e, após 1966, enquanto professor.

A exposição, porém, não trata apenas do legado académico de Álvaro Siza, mas também familiar, desde logo com importante enfoque no trabalho da talentosa Maria Antónia Siza, com quem se casou em 1961, em frente ao seu primeiro projecto público – a Casa de Chá da Boa Nova. Mas também nos seus dois filhos, Álvaro (1962) e Joana (1964), em cujas influências se deve reconhecer menos uma propensão genética para o desenho mas, sobretudo, um “zeitgeist” exponenciado pelo convívio doméstico, pelas viagens e amigos, pelas experiências pedagógicas e sociológicas que partilham. Ao longo da mostra, apreciam-se ritmos genealógicos claros, cada um trabalhando independentemente em temáticas convergentes de geometria, mitologia ou religião. Monjas e monges helénicos transfiguram-se em criaturas atléticas, entrelaçadas entre si e entre edifícios.

Álvaro Siza nasceu em 1933, no mesmo ano em que a Bauhaus encerra as suas portas. Ele é porventura o último verdadeiro modernista ou, pelo menos, a voz mais significativa a dar seguimento ao inacabado projecto Moderno no século XXI. Esquissos, esculturas e maquetes demonstram essa continuidade, bem como as suas inevitáveis contradições. Proveniente do seu arquivo mais íntimo ou da colecção de amigos e familiares, cada desenho é uma janela para o mundo. Neles encontramos o sonho de infância de se tornar escultor, as primeiras propostas internacionais em torno da modernidade berlinense, as propostas de habitação social enquanto “arquitecto da participação” no pós-25 de Abril ou os contornos maneiristas da sua obra (a casa de Avelino Duarte, em Ovar, a surgir como referencial neste contexto). Sem que possa ser vista no seu contexto original, espera-se que a itinerância possa levar Álvaro Siza ao encontro de mais públicos. Ficam, por agora, este texto (baseado no catálogo da exposição) assim como algumas imagens da exposição.