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quarta-feira, 25 de outubro de 2023

LUGARES: Núcleo Museológico de Favaios - Pão e Vinho


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LUGARES: Núcleo Museológico de Favaios - Pão e Vinho
Rua Direita, Favaios
Horários | Segunda-feira a Domingo, das 10h00 às 18h00 [21 de Março a 11 de Novembro] e das 10h00 às 17h00 [12 de Novembro a 20 de Março]
Ingressos | € 2,00 (bilhete normal)
Contactos | Telefone: 259 950 073; E-mail: museu.favaios@cm-alijo.pt


Inserido numa vila que já teve foral e foi sede de concelho, o Núcleo Museológico de Favaios – Pão e Vinho encontra-se localizado nas proximidades dos antigos Paços do Concelho e integra a Rede de Museus do Douro. Inaugurado em Julho de 2012, este núcleo museológico pretende fazer a apologia de dois produtos ou riquezas inerentes a esta Vila, tendo como missão a preservação, documentação, interpretação e divulgação das tradições e saberes ligados ao pão e vinho Moscatel de Favaios. O pão de Favaios é sobejamente conhecido e goza de grande reputação na região, fruto das inúmeras padarias a laborarem ao longo do tempo e da qualidade intrínseca a este produto. Quanto ao vinho, neste caso específico o Moscatel de Favaios, não será menos conhecido e goza de fama dentro e fora das nossas fronteiras. O Núcleo Museológico de Favaios – Pão e Vinho conjuga assim duas das maiores riquezas locais, convidando a uma aliciante viagem no tempo, ao encontro destes seus dois verdadeiros ex-libris.

Espalhando-se por três áreas distintas mas complementares entre si, a exposição permanente dá a possibilidade ao visitante de conhecer os processos associados à produção do Vinho Moscatel bem como da farinha de Favaios, havendo ainda um núcleo de raiz arqueológica e etnográfica que se debruça sobre as origens e desenvolvimento desta localidade. O núcleo dedicado ao Vinho está recheado de belíssimas fotografias da autoria de Egídio Santos. Nele aprendemos que o Moscatel de Favaios tem a sua origem numa casta específica, o moscatel galego, que se sente em casa neste planalto metido entre os relevos durienses. Num expositor espreita-se o subsolo e a forma como o xisto e a argila se conjugam. Uma mesa preparada para o efeito convida-nos a destrinçar os aromas do vinho, o mel e a tangerina, a tília e a uva-passa. Há ainda um suporte onde são mostradas as cores do vinho ao longo do tempo, variando entre o laranja vivo do favaíto (três anos) até uma cor escura, quase negra, de um moscatel centenário.

Os lagares escavados na rocha, atestando a produção de vinho já na época romana, são mostrados através de fotos dispostas ao longo de um corredor que marca a transição para o núcleo do pão. Aqui, nova experiência sensorial, desta vez táctil, sendo possível perceber as várias texturas por que passa o cereal desde o grão até à sua transformação em farinha. Num breve vídeo, Manuela Barriguda, a padeira mais famosa da terra, explica todo o processo de confecção do afamado trigo de quatro cantos. À imensa panóplia de instrumentos ligados ao Vinho e ao Pão – onde não faltam imagens de rótulos do período “Arte Nova”, cujas reproduções são apresentadas em garrafas, em painéis de suporte às garrafas e num puzzle de cubos pensado para entretenimento das crianças em acções do serviço educativo – juntam-se informações complementares que em muito enriquecem a visita. Os homenageados - Pão e Vinho - saboreiam-se no final, com vista para as vinhas douradas que se estendem a perder de vista.

terça-feira, 17 de outubro de 2023

CERTAME: 11ª Bienal Internacional de Gravura do Douro 2023


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CERTAME: 11.ª Bienal Internacional de Gravura do Douro 2023
Curadoria | Nuno Canelas
Alijó, Celeirós, Chaves, Favaios, Vila Nova de Foz Côa, Peso da Régua, S. Martinho de Anta e Vila Real
10 Ago > 31 Out 2023


Alicerçado na mais antiga região vinícola demarcada do mundo - laureado por dois patrimónios da humanidade atribuídos pela UNESCO e mundialmente reconhecido quer pela sua paisagem vinhateira, quer pelo património arqueológico do Vale do Côa (o maior santuário de gravura paleolítica do mundo) -, o Douro é palco, também na contemporaneidade, de um dos maiores eventos de arte gráfica do mundo. Falo da Bienal Internacional de Gravura do Douro, certame que reune dentro de si uma força e dimensão que ultrapassa as fronteiras do país e se projecta para horizontes infinitos. Fundado em 2001, o certame tem sobrevivido aos desafios da interioridade, das sucessivas crises económicas e da própria crise da gravura, mantendo vivos os pressupostos da arte e a autonomia da gravura no contexto da arte contemporânea. Para tal, muito têm contribuído os tributos da gravura tradicional e suas alquimias seculares, bem como as renovadas tendências da gravura digital e dos novos media ao seu dispor, garantindo-lhe a autonomia de que necessita para subsistir.

Assumindo a responsabilidade de ser única no género no nosso país, a Bienal Internacional de Gravura do Douro ombreia, hoje em dia, com as mais importantes Bienais do mundo. A comprovar tal fasquia, salientam-se as exposições de homenagem a artistas mundialmente reconhecidos como Antoni Tàpies, Paula Rego, Vieira da Silva, Octave Landuyt, Gil Teixeira Lopes, Nadir Afonso, David de Almeida, Bartolomeu do Santos, Júlio Pomar, José de Guimarães e agora Silvestre Pestana, mas também pela abrangência e internacionalidade alcançada ao longo de onze edições, registando a presença de mais de mil artistas de uma centena de países. Para que se perceba a dimensão do certame, atente-se nos números da presente edição: sessenta e cinco países, quinhentos artistas, oitocentas gravuras, e oito exposições distribuídos por vários núcleos centrados em Alijó, Celeirós, Chaves, Favaios, Foz Côa, Peso da Régua, São Martinho de Anta, eVila Real.

Atentando naquilo que me foi possível ver nesta edição da Bienal, começaria por referir os trabalhos que se encontram no Museu do Côa, onde se concentram as instalações. No Espaço Miguel Torga, em S. Martinho de Anta, pode o visitante encontrar uma vasto número de trabalhos, onde qualidade e variedade se combinam na perfeição (pessoalmente, foi aqui que encontrei os trabalhos mais desafiantes e imaginativos). Em Alijó, é na Biblioteca Municipal e no Complexo de Piscinas que se concentram os trabalhos mais interessantes ou, pelo menos, aqueles que se dão a ver em melhores condições, já que as condições de luminosidade no Auditório Municipal prejudicam grandemente a visualização da maior parte das obras. O mesmo acontece no Núcleo Museológico de Favaios, onde muitas das obras sofrem o efeito de múltiplos reflexos e deixam de poder ser apreciadas com detalhe. Finalmente, Celeirós e Vila Real reúnem um número interessante de obras com qualidade, merecendo também eles a visita. A Bienal de Gravura do Douro encerra já no próximo dia 31.