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quarta-feira, 11 de junho de 2025

EXPOSIÇÃO: “A Revolução das Marionetas: 1970-1980”



EXPOSIÇÃO: “A Revolução das Marionetas: 1970-1980”
Bienal Internacional de Marionetas de Évora
Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo
18 Abr > 15 jun 2025


A Arte e a Liberdade dão-se as mãos com “A Revolução das Marionetas: 1970 - 1980”, exposição patente até ao próximo dia 15 de junho no Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo e que resulta de uma parceria com o Museu da Marioneta, o CENDREV - Centro Dramático de Évora e a BIME - Bienal Internacional de Marionetas de Évora. “Um acontecimento pioneiro, e também uma revolução, um Museu Nacional convidar a arte da marioneta para se apresentar numa das suas salas”, assim expressa o seu entusiasmo Ana Paula Rebelo Correia, Directora do Museu da Marioneta, na Folha de Sala que acompanha a exposição, acrescentando que “as marionetas que agora se expõe abriram um novo caminho no teatro de marionetas: audaciosas, deram voz a dramaturgias inspiradas na mitologia greco-romana, em Gil Vicente, Cervantes, António José da Silva, entre muitos outros, inovaram a sua expressão plástica, multiplicaram as possibilidades de manipulação, colocaram o poder de comunicador privilegiado da marioneta ao serviço de uma educação pela arte.

A partir de finais dos anos 60 do século XX, a arte da marioneta em Portugal é agitada pelo sopro de mudança que se começa a fazer sentir no campo das artes em geral. A marioneta começa a suscitar interesse junto de uma classe com formação académica, que olha para o poder de comunicação da marioneta do ponto de vista antropológico, social, artístico, pedagógico e sobretudo como um potencial mediador na construção de uma democracia cultural. Investiga-se o tema, o teatro de marionetas passa da rua para a sala, vai às escolas abre-se à dramaturgia. Em vinte anos desenvolve-se um interesse crescente pela arte da marioneta: recuperam-se repertórios antigos, reinventam-se tipologias de marioneta, investigam-se novos processos de criação plástica e de manipulação. A concepção plástica do espectáculo, mais elaborada, parte de um projecto, de um desenho e de um pensamento artístico. Trabalha-se com músicos e com orquestra, encontram-se novos públicos, de todas as faixas etárias e de vários estratos culturais. Nos anos 80 surgem os primeiros festivais de marionetas, nacionais e internacionais.

Esta exposição dá ao visitante a possibilidade de absorver a verdadeira “revolução das marionetas” num dos períodos mais férteis, criativos e originais do teatro de marionetas do século XX. Numa altura em que a televisão se tornou a principal forma de entretenimento dos portugueses, a primeira referência vai para as figuras de Maria Emília Perestrelo que passavam no pequeno ecrã e que representavam figuras reconhecidas de todos os portugueses, de Amália Rodrigues a José Saramago, de Mário Soares a Álvaro Cunhal ou Ramalho Eanes. Do Teatro de Branca-Flor e do trabalho pioneiro de Lília da Fonseca, entre 1962 e 1982, podemos ver um conjunto de peças que serviram de base a um ciclo de contos tradicionais portugueses. As personagens do elenco do “Auto da Barca do Inferno”, marionetas de varão e fio criadas por José Carlos Barros, ocupam um lugar destacado na sala, à semelhança das peças de “Dom Quixote e Sancho Pança”, com marionetas do mesmo autor, mas com a particularidade de os materiais utilizados - cobre, latão, zinco e ferro - representarem as classes sociais dos vários protagonistas.

Os Bonecos de Santo Aleixo não podiam faltar nesta mostra, sendo as marionetas apresentadas as mais antigas presentes na exposição, com os seus mais de cem anos. Também aqui se encontra a “Tourada” do Teatro Dom Roberto, uma forma de teatro itinerante, de cariz popular, com origem provável em finais do século XVIII e que tem na palheta e no característico som dos Robertos um dos seus elementos identitários. “As Histórias de Hakim”, uma das peças de teatro de Norberto de Ávila mais representadas, ocupa igualmente um lugar de destaque, do “elenco” sobrando apenas cinco marionetas de vara e fios, desenhadas e construídas por Salem Assef e restauradas em 2024 por José Carlos Barros. Outros pólos que chamam a atenção do visitante centram-se no trabalho da Companhia Marionetas de São Lourenço e o Diabo - Teatro de Ópera, no espectáculo “História mais ou menos verdadeira de um senhor e dos seus dois criados”, de Carlos Chagas Ramos, e ainda nalgumas fotografias dos anos 50 e 60 que mostram a arte da marioneta como arte de rua, itinerante e popular, permitindo pensar que nas aldeias mais afastadas dos centros urbanos, onde o acesso à cultura era praticamente inexistente, a actuação destes marionetistas era o único contacto que se tinha com uma ideia de teatro.

quarta-feira, 11 de março de 2020

LUGARES: Museu da Marioneta


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LUGARES: Museu da Marioneta 
Convento das Bernardas, Lisboa 
Horário | de terça-feira a domingo, das 10h00 às 18h00 
Preçário | Geral 5,00 €; 13-25 anos (não residentes em Lisboa) 2,50 € 
Site | https://www.museudamarioneta.pt


O Museu da Marioneta é o primeiro museu nacional inteiramente dedicado ao universo da marioneta, à sua história e interpretação e à divulgação do teatro de marionetas. As suas colecções são constituídas por distintas tipologias de máscaras e marionetas, oriundas das mais diversas partes do mundo e ilustrativas das suas funções sociais e culturais, bem como das variadas formas de manipulação: marionetas de luva, marionetas de varas e de fios, teatro de sombras, máscaras, marionetas de água e outras. Ao passar a cortina e entrar na primeira galeria onde estão expostas marionetas e máscaras oriundas da Ásia, o visitante é projectado para uma casa de histórias. Olhar cada um destes objectos é mergulhar nos enredos que têm para nos quer contar, nos significados e naquilo que representam, no impulso da nossa imaginação em querer dar-lhes vida. Ao longo das várias salas, a história repete-se e as emoções também.

Do Brasil ao Mali, do México ao Vietname, sem esquecer o nosso país, o visitante é convidado a viajar entre a tradição e a contemporaneidade desta forma de expressão artística cujas origens remontam à antiga Grécia, quando pequenas estatuetas articuladas – “neropastos”, em grego – eram utilizadas nas cerimónias religiosas. É fácil perceber a componente cultural e geográfica duma máscara japonesa, por exemplo, mas já não é tão fácil, perante uma marioneta do Mali, descobrir onde acaba o teatro de marionetas e começa um estudo antropológico. E há depois as marionetas europeias, mais próximas do nosso imaginário, nas quais se incluem, naturalmente, os bonecos D. Roberto, um tipo de teatro que esteve quase extinto há cerca de duas décadas e que, nos últimos anos, se revitalizou graças ao trabalho de algumas companhias portuguesas.

Veja-se, por exemplo, logo no início da visita, a “Anantareja” ou “Antareja”, em pele de búfalo, osso e fio de algodão, proveniente da Indonésia e parte integrante da colecção dedicada ao teatro de sombras. E que dizer de um “Rinaldo”, figura típica do imaginário italiano, em ferro e madeira e com mais de um metro de altura. Ou do “Deus Antílope”, manipulado por vara por baixo, em madeira e proveniente do Mali. Ou ainda do Dr. Fausto alemão, do Polichinelo francês, do Woltje belga, do Karagöz turco ou do Punch e da Judy britânicos, isto falando apenas do teatro de marionetas com raízes na Europa. Bem, o melhor é programar uma visita, mas tome nota que vai precisar de tempo e a sua atenção será constantemente posta à prova. São muitas as marionetas e máscaras de enorme perfeição no detalhe, que nos surpreendem pela sua criatividade e beleza.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

EXPOSIÇÃO: "Tim Burton - As Marionetas de Animação"


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EXPOSIÇÃO: “Tim Burton – As Marionetas de Animação” 
Museu da Marioneta, Lisboa 
Monstra – Festival de Animação de Lisboa 
06 Fev > 09 Abr 2020


Ao soprar vinte velas, a Monstra – Festival de Animação de Lisboa apresenta “Tim Burton – As Marionetas de Animação”, uma exposição dedicada ao trabalho na animação do conhecido realizador norte-americano e que pode ser vista no espaço do Museu da Marioneta até ao próximo dia 09 de Abril. Nesta exposição, para além de mais de duas dezenas de marionetas referentes aos filmes “Marte Ataca!”, “A Noiva Cadáver” e “Frankenweenie”, é possível apreciar igualmente um vasto conjunto de desenhos originais, maquetes, adereços, esboços e pesquisas gráficas produzidos pelos estúdios britânicos Mackinnon & Saunders. Do que cada personagem veste, de como este tipo de adereços são usados e como é que evoluem, aos espaços cénicos replicados dos filmes, é todo um mundo invulgar e intrigante que se abre ao olhar do público, num processo simultaneamente didáctico e divertido. 

Um dos aspectos mais fascinantes desta exposição tem a ver com os elaborados processos de animação, desvendando na sua essência os mecanismos que permitem dar vida às peças e oferecendo ao público a possibilidade de desconstruir todo um trabalho minucioso e altamente preciso que se abriga por detrás de cada personagem. Vista à lupa, literalmente, a cabeça de Victoria Everglot é disto um exemplo maior, ao revelar-se no detalhe como uma complexa e delicada obra de relojoaria. A delicadeza do manto de Emily, as placas de metal usadas para criar sequências de pálpebras a pestanejar, as sessenta minúsculas recriações de patas de corvo utilizadas para dar a ideia de movimento ou peças tão extraordinárias como as marionetas do Rapaz Ostra, do Rapaz Tóxico ou do Rapaz Nódoa, oferecem o ensejo de aceder ao imaginário do cineasta com um conhecimento mais apurado e um sorriso rasgado no rosto. 

Tim Burton iniciou a sua carreira nos estúdios da Disney como animador e é hoje um dos cineastas mais conhecidos do mundo, tendo realizado mais de duas dezenas de filmes, quer em imagem real, quer em animação stop-motion e 3D. A sua destreza em cruzar o universo gótico com um certo imaginário infantil é a razão pela qual esta é uma exposição que, tal como os seus filmes, não se destina apenas aos mais pequenos. Isso é patente em obras de culto como “O Estranho Mundo de Jack” ou “Charlie e a Fábrica de Chocolate”, onde as personagens são de carne e osso, mas também nos filmes de animação evocados nesta mostra ou nesse extraordinário momento de cinema que é “O Estranho Mundo de Jack”, por exemplo. Em qualquer dos casos, é magia aquilo que se espalha no ar e que puxa pelo lado mais inocente e sensível que habita o interior de cada um de nós. Talvez por isso, a expressão no rosto de miúdos e graúdos seja, na penumbra desta sala encantada, tão igual.