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sábado, 2 de maio de 2020

CINEMA: Shortcutz Ovar 2020 | Sessão #35



CERTAME: Shortcutz Ovar 
Ovar Cultura 
facebook.com/shortcutzovar/


É caso para dizer: “Se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé”. Em tempos de confinamento, com as salas de espectáculos encerradas, a fórmula encontrada para manter viva a animação cultural passa, pelo menos em parte, pela disponibilização de conteúdos através das redes sociais. É assim com a música e o teatro, com a literatura e as artes plásticas. É assim com o cinema, também. Fazem falta a plateia e a discussão, o ambiente e a comunhão, faz falta até a confusão, mas os tempos a tal obrigam. E enquanto não chegam as tão ansiadas noites do reencontro, as alternativas possíveis vão-se abrindo aos interesses e gostos de cada um nas mais variadas plataformas e nos moldes mais diversos, “alimentando o vício” e mantendo viva a esperança.

Vem isto a propósito do Shortcutz Ovar, evento focado no cinema curto português e que, desde 2017, se vem afirmando como uma das mais sólidas actividades de programação de cinema em Portugal. Celebrando a cinefilia num formato relativamente desvalorizado pelo grande público, o Shortcutz Ovar decidiu passar em revista a sua terceira edição competitiva, propondo, ao longo de nove sessões, a revisitação da quase totalidade dos filmes projectados no Museu Júlio Dinis - Uma Casa Ovarense ao longo de 2019. Da ficção ao cinema documental e à imagem animada, a proposta recai sobre vinte e oito filmes representativos do que de melhor se faz em Portugal. Duma abrangência notável no que respeita ao conjunto de vozes e visões que deles é possível extrair, os filmes são exibidos num canal do Youtube criado e gerido pela Ovar Cultura.

Com três sessões realizadas até ao momento, o mínimo que se pode dizer é que as noites de quinta-feira ganham um novo encanto. Entre as 22:00 e as 02:00 são disponibilizados os filmes respeitantes a cada sessão e o tempo é de fruição. Até à data foi possível ver ou rever trabalhos de uma enorme qualidade, como foram os casos de “Ensaio Sobre a Morte”, de Margarida Madeira, “Um Homem Não é Um Homem Só”, de Alberto Seixas (Menção Honrosa na secção “Primeira Obra”), “Nevoeiro”, de Daniel Veloso, “California”, de Nuno Baltazar ou esse notável “Agouro”, de David Doutel e Vasco Sá, grande vencedor do Prémio para “Melhor Animação”. Mas há mais, muito mais para ver. Vale a pena estar atento, ir acompanhando a página do Shortcutz Ovar em https://facebook.com/shortcutzovar/ [não esquecer de deixar um “gosto”] e reservar na agenda as noites de quinta-feira. Pequenos na duração mas gigantes na qualidade e intenção, cada filme é a prova provada de que a curta-metragem portuguesa está boa e recomenda-se!


domingo, 15 de março de 2020

CONCERTO: Salvador Sobral e André Santos | "Quinta das Canções"



CONCERTO: Salvador Sobral e André Santos | “Quinta das Canções” 
Página do Facebook de Salvador Sobral 
14 Mar 2020 | sab | 21:30


Foi no início de Julho de 2019 que André Santos e Salvador Sobral começaram a dar forma ao projecto “Quinta das Canções”, partilhando o primeiro trabalho na página de Salvador Sobral no Youtube. Todas as quintas feiras, os dois músicos e amigos propuseram-se a interpretar um tema da sua preferência, destacando canções que os inspiram, ao mesmo tempo homenageando os seus afectos, admirações e influências musicais. De espírito livre e sem regras, o projecto foi avançando e conta, até ao momento, com vinte e dois episódios, todos eles sobre temas de cantores e compositores portugueses. 

Agora, em tempo de medidas excepcionais determinadas pela pandemia do novo coronavírus, a dupla fez questão de levar mais longe e sua criatividade e, sobretudo, a sua generosidade, oferecendo a todos aqueles que, voluntária ou involuntariamente, se encontram confinados às suas casas, um concerto online onde recuperaram a quase totalidade das músicas que compõem o projecto. Com transmissão em directo a partir da página do Facebook de Salvador Sobral – em https://www.facebook.com/salvadorsobralmusic/ -, a iniciativa colheu do público uma forte adesão e, de Edimburgo às Caldas da Rainha, de Creta à Ilha da Graciosa, de Berlim, Roma ou Madrid ao Marco de Canaveses ou a Ovar, as mensagens de gratidão e carinho foram-se sucedendo ao longo de todo o concerto. 

“O Primeiro Gomo da Tangerina” marcou o arranque do concerto, fazendo-nos recuar mais de 25 anos ao encontro das palavras e da música de Sérgio Godinho. Seguiu-se “Só”, de Jorge Palma, “O Navio Dela”, de Manel Cruz e o genial “Senta-te Aí”, dos Rio Grande, com a música de João Gil e as palavras de João Monge a falarem-nos de “ter uma luta que é só tua”. “No Fundo dos Teus Olhos de Água”, de Lena d’Água e “Tu e Eu”, a versão do Conjunto Académico João Paulo sobre um original dos The Turtles, “Happy Together”, precederam um curto intervalo determinado pelo apelo a uma “corrente de esperança e energia dedicada a todos os profissionais de saúde que trabalham em todo o país” e que levou muitos portugueses a baterem palmas às varandas e janelas de suas casas, em jeito de agradecimento a quem, na primeira linha, lida diariamente com tão delicada situação. 

A segunda parte do concerto começou com Salvador Sobral ao piano, a falar do adiamento da sua tournée europeia e a “furar” o alinhamento da “Quinta das Canções”, dedicando aos seus fãs polacos, mas também belgas, holandeses, alemães e luxemburgueses, o lindíssimo tema “Dwa Serduszka”. De novo na companhia de André Santos, tempo para escutar José Mário Branco e o muito adequado “Travessia do Deserto”, bem como “Sem Emenda”, de Joana Espadinha, “Lado Esquerdo”, dos Clã, “O Verdadeiro Amor”, de Luísa Sobral, “Todos os Homens São Maricas Quando Estão com Gripe”, de Vitorino e, do próprio Salvador Sobral, “Anda Estragar-me os Planos”. Ainda que sem palmas, todos sabemos o quanto se esperava o “encore” e a dupla não se fez rogada. “Casei com uma Velha”, do enorme Max, “Isso e Aquilo”, de Nana Caymmi, o incontornável “Amar Pelos Dois” – no caso concreto um “amar por TODOS” – e “Verdes São os Campos”, de Zeca Afonso, colocaram um ponto final num momento que nos deixa sem palavras. Pela arte, pela solidariedade, pelo exemplo, obrigado!