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terça-feira, 8 de abril de 2025

CONCERTO: Efterklang



CONCERTO: Efterklang
Com | Casper Clausen (guitarra, voz), Mads Brauer (teclados), Rasmus Stolberg (baixo), Tatu Rönkkö (bateria) e Ensemble Vocal da Escola Profissional de Música de Espinho
Auditório de Espinho - Academia
06 Abr 2025 | dom | 18:00


Foi em 2004 que a banda de indie rock Efterklang (nome que vem do dinamarquês e significa “reverberação”) se deu a conhecer ao mundo com o álbum “Tripper”. Duas décadas depois desse trabalho inicial, e já com sete álbuns de estúdio gravados - o último dos quais, “Things We Have In Common”, lançado em finais de Setembro do ano passado -, a banda apresenta um currículo invejável, com várias colaborações com orquestras sinfónicas, documentários e centenas de concertos à volta do mundo. Mostrando uma frescura e uma vitalidade inabaláveis, os Efterklang continuam a dar cartas e ensaiaram, neste início de Abril, uma curta digressão pela Península Ibérica, pisando palcos em Barcelona, Madrid e Lisboa. No passado fim-de-semana foi a vez de Espinho abrir o seu Auditório para dois momentos aguardados com enorme interesse, como o comprova a procura dos bilhetes a fazer esgotar rapidamente as sessões. Mantendo o espirito aventureiro e a autenticidade das suas criações, o gosto por uma certa teatralidade e uma relação fortemente empática com o público, a banda não frustrou as expectativas e mostrou uma música calorosa e envolvente, densa e misteriosa, em harmonia perfeita com a natureza e o universo, a vida e a eternidade.

A abrir o concerto, os Efterklang recuaram a 2012 e ao álbum “Piramida”, revisitando os momentos marcantes de uma viagem à cidade-fantasma de Pyramiden, na ilha de Spitsbergen, apenas a mil quilómetros do Pólo Norte. Mais do que oferecer-nos a imensidão gelada, a força dos ventos glaciares ou o ruído abafado das passadas na neve, “Dreams Today” trouxe consigo uma proposta de viagem imersiva, convidando a escutarmos, na harmoniosa combinação de sons, aquilo que em nós há de mais íntimo. Num exercício de natural alienação, somos desarmados por uma música carregada de magnetismo, que chega até nós como uma dádiva: Catártica, fecunda, libertadora. Seguiram-se “Sentiment” e “Ambulance”, extraídos do álbum mais recente, e a veia interpretativa manteve-se, como se o fosso de doze anos entre ambos os trabalhos não existisse. Casper Clausen ensaiava a pose do menino que parece pedir desculpa por estar ali a mimosear o público com as suas “lamechices” analíticas e espirituais, mas o olhar travesso dizia o contrário. O público sabe que está a fazer “bluff”, ri-se e Clausen ri também. O público rende-se à banda, Clausen está rendido ao público.

Ao mergulhar nos primórdios, “Swarming” reforça a ideia de continuidade e complementaridade em temas como “Supertanker”, “Vi er Uendeling”, “Animated Heart” e o sublime “Sedna”. Está cumprida uma hora de concerto e os Efterklang despedem-se do palco, toda a gente de pé a aplaudir como se não houvesse amanhã. O público quer mais e vai ter mais, só que a nota seguinte é de absoluto desconcerto. A banda não regressa ao palco, vindo em seu lugar o Ensemble Vocal da Escola Profissional de Música de Espinho. Quinze frescas e bem cuidadas vozes, perfeitamente síncronas, começam por entoar o tradicional “Coro das Maçadeiras”, enriquecido com um invulgar exercício de percussão que embala o público e o deixa em êxtase absoluto. Já com a banda de novo em palco, o Ensemble Vocal acompanhará, de forma brilhante, “Hold Me Close When You Can” e “Cutting Ice to Snow”, dois dos temas mais emblemáticos da banda. Sempre em crescendo, ainda escutaremos “The Ghost”, “Living Other Lives” e “Modern Drift”. O grande momento chegará mesmo no fim, Clausen & companhia a subirem a escada lateral e a “estacionarem” na fila G para uma última canção, rodeados de um público completamente rendido, que não se cansa de cantar, dançar e bater palmas. A glória, enfim.

sábado, 29 de março de 2025

CONCERTO: Ensemble Vocal da Escola Profissional de Música de Espinho



CONCERTO: Ensemble Vocal EPME
Ensemble Vocal da Escola Profissional de Música de Espinho
Direcção musical | Luís Castro, Miranda Sinani
Com | Luís Duarte (piano)
ReabilitaSons 2025
Centro de Reabilitação do Norte
27 Mar 2025 | qui | 17h30


Foi um final de tarde feliz, aquele vivido no Centro de Reabilitação do Norte na passada quinta feira. Perante um numeroso público, que encheu de alegria e sorrisos o espaço luminoso onde decorreu o evento, o Ensemble Vocal da Escola Profissional de Música de Espinho teve para oferecer um programa dedicado à voz e à expressão vocal, tanto numa vertente próxima do canto popular e, em particular, dos cânticos de trabalho, quanto numa vertente mais lírica, com abordagens a vários géneros musicais, em particular à música clássica. Integrando o ciclo “ReabilitaSons”, conjunto de cinco momentos musicais do qual este foi o segundo (depois do Combo de Jazz, no passado dia 06 de Março), o concerto juntou à vertente de saúde, pela importância das actividades deste âmbito no processo de reabilitação dos doentes, as componentes artística e educacional, reunindo um coro de quinze alunos da EPME, sob a direcção musical de Luís Castro e Miranda Sinani e com acompanhamento ao piano de Luís Duarte.

Os dois temas que abriram o concerto levaram os presentes numa viagem à Bulgária, ao encontro da sua tradição vocal e dos seus executantes, geralmente conhecidos por vozes búlgaras. “Bre Petrunko” e “Vecheryai, Rado” mostraram um conjunto de vozes de grande harmonia, capazes de transmitir as particularidades de uma música muito influenciada pela história trácia, otomana e bizantina da Bulgária, com os seus maravilhosos timbres inconfundíveis, escalas modais, ritmos irregulares e harmonias dissonantes. O momento teve o condão de conquistar o público e predispô-lo para os registos a solo ou em duo que se seguiram, com acompanhamento do piano. Numa bonita voz, Joana Pereira trouxe-nos “Heart of Stone”, um tema composto por Toby Marlow para o musical da Broadway, “Six”, viagem de cinco séculos entre a Inglaterra dos Tudor (o título remete para “As Seis Mulheres de Henrique VIII”) e os actuais ícones da pop.

Guilherme Oliveira mostrou-se convincente nas interpretações de “La Conocchia”, de Gaetano Donizetti, “Die Nacht”, de Richard Strauss e “Quero Cantar, Ser Alegre”, de Francisco de Lacerda, temas integrantes dos repertórios de alguns dos mais importantes cantores líricos do mundo e que, no Centro de Reabilitação do Norte, foram merecedores de vivos aplausos. Em crescendo, Polina Arkhanhelska interpretou, com grande segurança, “Mandoline”, de Fauré, para de seguida protagonizar, com Guilherme Oliveira, o mais aclamado momento do concerto, graças à apaixonada interpretação de “Love Unspoken”, da opereta “A Viúva Alegre”, de Franz Lehár. O coro voltou ao palco para novo tema do cancioneiro tradicional búlgaro, “Dilmano Dilbero”, as sonoridades arrebatadoras a tomarem de novo conta dos presentes. A fechar o concerto, a escolha recaiu sobre um tema da nossa tradição, o “Coro das Maçadeiras”, com a expressão corporal e a percussão a juntarem-se às vozes, num final enérgico e particularmente apelativo. Bravíssimo!