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sexta-feira, 13 de junho de 2025

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: "The Road to Nowhere" | Dominic Nahr



EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “The Road to Nowhere”,
de Dominic Nahr
100 Anos da Leica I - O Mundo Através do Visor
Curadoria | Magda Pinto
Museu Nacional Soares dos Reis
24 Mai > 13 Jul 2025


“The Road to Nowhere”, do fotógrafo suíço Dominic Nahr, foi a primeira série a ser galardoada com o Prémio Leica Oscar Barnack, na categoria de “estreante”. Estávamos em 2009 e o trabalho de Nahr olhava, de forma implacável, um dos conflitos mais brutais de África, centrado na dramática situação dos refugiados na República Democrática do Congo. Durante muitos anos, o seu trabalho profissional como fotógrafo e repórter de guerra colocou-o em cenários de tragédia por todo o mundo, evidenciando o impacto que os momentos de crise podem ter na vida das pessoas. A dar os primeiros passos na carreira, as experiências vividas na República Democrática do Congo acabaram por constituir um ponto de viragem na sua vida e viriam a revelar-se decisivas na orientação futura dos seus trabalhos. Então com 25 anos, o fotógrafo estava pela primeira vez num continente totalmente desconhecido para si. Ouvia dizer que os tumultos se tinham intensificado no leste do Congo e temia que a situação se agravasse ainda mais. Mesmo sem garantias de uma tão necessária protecção, a sua curiosidade empurrou-o para o local e o resultado está à vista, nesta brutal “estrada para sítio nenhum”.

Guerra no Congo, finais de 2008. Em Outubro, os rebeldes tutsis tomavam o controlo da maioria das principais estradas no leste do Congo. Com a aproximação dos rebeldes, mais de 250.000 civis fugiram através das fronteiras, na busca desesperada de algo que, simplesmente, não conseguiam encontrar: segurança. Num explosivo cenário de caos, violência e a crueldade, Dominic Nahr colocou-se a si e à sua câmara no meio da guerra, deixando que as imagens gritassem alto e permanecessem silenciosas. Arrepiantes, se pensarmos onde e como foram colhidos todos estes registos, parece-nos um quase milagre o facto de Nahr ter sobrevivido ao inferno e saído dele fisicamente ileso. As suas fotografias têm o poder de deixar o espectador em sofrimento e na esperança de encontrar uma saída para uma tão grave crise humanitária. Simultaneamente, é impossível não valorizar as composições e a estética que se desenham na obra de Dominic Nahr, absolutamente incríveis, de cortar a respiração.

Apesar de todas as vicissitudes, Dominic Nahr não hesita em afirmar que a República democrática do Congo é o país ao qual pode chamar o seu “primeiro amor africano”. Depois de passar vários meses a cobrir a guerra e a crise humanitária no leste do país, decidiu mudar-se para o continente africano até se fixar em Nairobi onde viveu durante quase dez anos. Estando no Quénia, pode continuar a trabalhar em temas que lhe interessavam, que estavam nas regiões vizinhas, como o Sudão do Sul ou a Somália. Dominic Nahr nasceu em 1983, em Appenzell, na Suíça, e cresceu em Hong Kong. Em 2008, formou-se em Toronto com um Bacharelato em Belas Artes e mudou-se para Nairobi em 2009. Desde então, dedicou-se a documentar conflitos, crises humanitárias e questões sociais críticas. Ganhou inúmeros prémios, incluindo o World Press Photo e o Swiss Press Photo Award. Patente no Museu Nacional Soares dos Reis, a série “The Road to Nowhere” inclui-se na exposição que celebra os 100 Anos da Leica I e pode ser vista até 13 de Julho.

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