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quinta-feira, 12 de junho de 2025

EXPOSIÇÃO DE PINTURA: “Memórias de um Andarilho” | Roberto Chichorro



EXPOSIÇÃO DE PINTURA: “Memórias de um Andarilho”,
de Roberto Chichorro
Igreja de Santiago, Monsaraz
12 Abr > 06 Jul 2025


É sempre com a mais viva emoção que nos cruzamos com Roberto Chichorro e nos é dado apreciar o trabalho pictórico de um dos maiores nomes da arte contemporânea africana. Por estes dias, ele pode ser visto na vila medieval de Monsaraz, na Igreja de Santiago, trazendo consigo uma proposta de viagem através das suas “memórias de um andarilho”, as quais reúnem um significativo conjunto de trabalhos representativos dos seus mais de sessenta anos de carreira artística, entre óleos, acrílicos, aguarelas e técnica mista sobre papel ou cartão. Ao todo são dezoito as peças expostas, de cujas formas expressivas e cores exuberantes emerge a colossal diversidade cultural e étnica de Moçambique. Apreciados com enlevo, os seus trabalhos dão prova de um universo de poeticidade e onirismo que nos convida a sonhar, a imaginar e a compreender a complexidade e a beleza do continente africano, chamando a atenção para a importância de preservar e valorizar a sua identidade histórica, social, cultural e humana.

Roberto Chichorro nasceu em Maputo, em 1941, e uma parte importante da sua vida foi passada sob a influência do regime imperialista português, numa época caracterizada por opressão, segregação racial e desigualdades sociais profundas. Além disso, Moçambique passou por um período de luta pela independência nas décadas de 1960 e 1970, com muitos moçambicanos a darem nota de uma enorme determinação e coragem e a envolverem-se na luta armada contra o domínio colonial português. Inevitavelmente, a história de Moçambique acabou por desempenhar um papel fundamental na influência e inspiração para o trabalho do artista, testemunha atenta e sensível de eventos históricos e transformações sociais significativas no seu país e que se viram reflectidos de maneira notável na sua arte. Por outro lado, Moçambique é um país onde várias influências culturais se encontram, incluindo africanas, europeias e asiáticas. Roberto Chichorro soube capturar essa miscigenação de influências nas suas pinturas, criando obras que reflectem a diversidade única da sociedade moçambicana.

“Noite Suburbana”, “Concerto de Fim de Tarde”, “Natureza Morta com Peixe”, “Música Circense”, “Noite com Violino e Pássaro Verde”, “Via Sacra”, “Suburbano” ou “Serenata em Noite de Lua Cheia”, são quadros que podem ser apreciados nesta mostra e nos quais o uso vibrante das cores e o figurativismo se mesclam com o sentido da abstracção, do mágico e do onírico, valorizando as narrativas visuais intrínsecas a cada uma das obras, bem como a sua expressão emocional. Memória e história, cenas do quotidiano e natureza e meio ambiente, surgem representados como pilares do trabalho de Roberto Chichorro, capazes de transmitir a alegria e a espontaneidade que são factores identitários primordiais na cultura africana. Em resumo, a história rica e complexa de Moçambique é uma influência inegável no trabalho de Roberto Chichorro, moldando as suas obras como uma expressão vibrante da identidade e diversidade cultural do país, ao mesmo tempo em que aborda questões sociais e políticas cruciais que marcaram a nação ao longo da sua história. Para ver até ao próximo dia 06 de Julho.

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