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quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

CINEMA: "Pé de Feijão"



CINEMA: “Pé de Feijão”
Edição e realização | António Pinto, Paulo D Alva
Argumento e guião | Leandro Ribeiro, Paulo D Alva
Imagem e som | António Pinto e Paulo D Alva
Edição de fotografia | António Pinto
Cenografia | João Barros, Leandro Ribeiro, Mónica Amaral
Coreografia e figurinos | Gabriela Frutuosa
Música | Rodrigo Leão, Júlio Pereira, Tó Trips
Coordenação do projecto | Mónica Amaral
Interpretação | André Sobral, Simão Ribeiro, Firmino Matos, Beatriz Pinto, Laura Barros, Maria Adelaide, Zelinda Moutela, Joaquim Duarte, Leandro Ribeiro, David Ricardo Leão (tamborileiro) Clara Oliveira (voz off), crianças do projecto Di-Ver(s)ão
Produção | Cerciesta – Cooperativa para a Educação e Reabilitação do Cidadão Inadaptado de Estarreja, C.R.L.
DiferenciArte – VIII Festival de Artes
Cine-Teatro de Estarreja 
16 Dez 2020 | qua | 19:00


“Ser luz não é sobre brilhar mas sim sobre iluminar caminhos.”

Obrigada a reinventar-se em plena crise pandémica, foi na sétima arte que a Cerciesta – Cooperativa para a Educação e Reabilitação do Cidadão Inadaptado de Estarreja, C.R.L. concentrou interesses e vontades no sentido de dar vida à VIII edição do DiferenciArte. E foi no grande ecrã do Cine-Teatro de Estarreja que o resultado deste projecto inclusivo se deu a ver, ao jeito de “prenda de Natal”, resultando num momento de enorme significado e emoção que elevou a expoentes de grandeza superior o primado do “todos diferentes todos iguais”. Mas seria profundamente injusto reduzir “Pé de Feijão” a um mero filme. Aliás, importa sublinhar que “Pé de Feijão” é, sobretudo, entrega, dádiva, brilho, afecto, ternura, partilha, bondade, concórdia, amizade, paz. E é, circunstancialmente, também um filme.

Fruto de um grande envolvimento por parte da comunidade de utentes da Cerciesta, do dinamismo de artistas e técnicos criativos e competentes e de um conjunto de inestimáveis apoios, tanto a nível logístico como ao nível de preciosos adereços, “Pé de Feijão” convida o público a viver a história de David, filho de um simples moleiro, cujo sonho é vir a ser bailarino. Uma espécie de fábula dos nossos tempos, assente num delicado argumento de Leandro Ribeiro e Paulo D Alva, na qual os “pozinhos de perlimpimpim” mais não são do que a farinha que se espalha no ar e há todo um mundo de sonhos que giram tal qual as velas de um moinho. Virando as costas ao ofício de moleiro, David vai agarrar o destino com mãos ambas e, contando sempre com o apoio do pai, acabará por se afirmar como a estrela entre as estrelas nos grandes palcos do mundo.

Metáfora de uma vida que cresce ao correr do sonho, “Pé de Feijão” é sobretudo uma enorme lição de querer. Querer, desde logo, pela reiterada desconstrução de conceitos como “normalidade” ou “padrão”, provando ser a arte um veículo para esbater diferenças e quebrar barreiras. Querer, também, pelo esforço de recriação de uma ruralidade que importa viva e próxima das terras e das gentes. Mas querer, acima de tudo, como sinónimo de resistência e teimosia, numa altura em que seria fácil baixar os braços. É emocionante perceber esta entrega e empenho no ecrã, desde a coordenação do projecto, a cargo de Mónica Amaral, até à cerca de meia centena de não actores que se afirmam nos seus desempenhos e à inclusão das crianças do programa Di-Ver(s)ão, verdadeiros artistas na arte de jogar à bola. Com “Pé de Feijão”, a Cerciesta e todos quantos a ela se associaram marcam um “golaço” nas balizas do preconceito, da demissão e do pessimismo, mostrando que a vida não pára e que o sonho é a última coisa a morrer.

[Foto: Cerciesta Estarreja | https://www.facebook.com/cerciesta]

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