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sábado, 1 de agosto de 2020

CERTAME: Eixos - Ciclo de Teatro de Marionetas


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CERTAME: Eixos – Ciclo de Teatro de Marionetas
Museu do Papel, Paços de Brandão
01 Ago 2020 | sab | 17:30


Após um doloroso período de encerramento motivado pela pandemia do novo coronavírus, o Museu do Papel Terras de Santa Maria, em Paços de Brandão, voltou a abrir as suas portas ao público. Em dose dupla, o Eixos – Ciclo de Teatro de Marionetas deu aqui o pontapé de saída, tomando conta, num primeiro acto, da belíssima sala de exposições no piso superior do edifício principal, onde se expõe o trabalho de Rui Sousa, um filho desta terra de gente boa e laboriosa, que aqui partilha histórias e memórias de duas décadas de actividade. Seguindo o curso das águas do Rio Maior a cantarolar ali ao lado, miúdos e graúdos desceram depois a encosta até ao jardim do Museu, onde o Teatro Dom Roberto prolongou o imaginário titereiro, colorindo a tarde e enchendo-a de peripécias divertidas e muita animação.

“Rui Sousa – 20 Anos com as Marionetas” é o resultado da reunião de onze espólios de espectáculos criados entre os anos 2000 e 2019. “O Lobo e a Rosa”, “Espanta-Pássaros”, “A Tragicomédia de Inês”, “Agripina” ou “Fogaceiras – Lenda ou História?” são apenas alguns exemplos da variedade temática e da versatilidade técnica de Rui Sousa, dividindo-se entre as marionetas de fios, a animação de objectos e o Teatro Dom Roberto. O respeito pela tradição é uma das imagens de marca deste criador e marionetista, adivinhando-se na beleza e expressividade de cada boneco aventuras incríveis a darem azo a algumas caras escondidas pelo medo, bocas abertas de espanto e muitas gargalhadas.

A espalhar magia desde 1997, a companhia S.A. Marionetas veio de Alcobaça até Terras de Santa Maria apresentar o seu Teatro Dom Roberto e, com ele, duas histórias mirabolantes cuja origem remonta aos séculos XVII e XVIII: “A Rosa e os Três Namorados” e “Tourada à Portuguesa”. A primeira peça traz-nos Rosa, criada de servir que se deixa levar nas cantigas dos seus pretendentes e acaba por se meter num belo sarilho. Tal como a anterior, a segunda peça é mega-incorrecta e nela tudo é feito incorrectamente, do toureio a pé ou das pegas de caras às manias do touro. Mestre José Gil mostra o porquê de ser um dos mais conceituados cultores desta arte secular, revelando-se exímio tanto na manipulação das marionetas como no domínio da palheta. Máscaras à parte, o final perfeito duma tarde a lembrar tempos antigos.

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