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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

EXPOSIÇÃO: Olafur Eliasson | "O Vosso / Nosso Futuro É Agora"


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EXPOSIÇÃO: Olafur Eliasson | “O Vosso / Nosso Futuro É Agora
Museu e Parque de Serralves
31 Jul 2019 > 08 Mar 2020 (Museu) e 14 Jun 2020 (Parque)


Autor de uma vasta obra centrada nas mútuas relações entre a humanidade, a natureza, a arte, a ciência, a arquitectura e a sociedade, o artista dinamarquês-islandês Olafur Eliasson (Copenhaga, 1967) é conhecido pelas suas esculturas e instalações de grande escala. A sua prática artística estimula uma percepção viva do espaço entre o natural e o artificial e aborda questões e ideias fulcrais para a sociedade e a cultura contemporâneas, como o urbanismo, o desenvolvimento sustentável, as alterações climáticas e novas formas de produção de energia. Todas as obras apresentadas na exposição “O Vosso / Nosso Futuro É Agora” partem de fenómenos naturais para simultaneamente apelar aos nossos sentidos e suscitar temas filosóficos, estéticos, éticos e sociais que enquadram e informam a incessante reflexão do artista em torno dos diferentes modos de a arte influenciar e melhorar o futuro da humanidade.

Esta exposição em Serralves dá a ver uma selecção de obras produzidas nos últimos anos, que aqui dialogam com o parque envolvente do Museu e o átrio e a galeria central do edifício desenhado por Álvaro Siza. No átrio central do Museu, os visitantes são convidados a percorrer o caminho definido pela “Yellow Forest”, uma floresta artificial formada por dois grupos de bétulas que, sob uma luz amarela, evocam a ideia da floresta como um espaço onírico, um lugar de ligação entre os seres humanos e a Terra. A relação do ser humano com o meio envolvente é também o tema da obra “The Listening Dimension (Orbit 1, Orbit 2, Orbit 3), apresentada na galeria central do Museu. Ao entrar neste espaço, o espectador depara-se com espelhos do tamanho das paredes e anéis de grandes dimensões que parecem flutuar no espaço. Aparentando desafiar as leis da física e da óptica, eles produzem um efeito desestabilizador e inquietante, levando o público a questionar a sua percepção linear do espaço, a linha de fronteira entre a realidade e a representação, a relação entre o conhecimento e a experiência do visível.

Já no exterior, na rotunda da Avenida dos Liquidâmbares, “The Curious Vortex” assume-se como a mais espectacular entre as onze peças que compõem esta exposição. Associado às pesquisas de Olafur Eliasson em torno da geometria, da construção de espaços, da criação de ambientes e da sua reflexão sobre questões sociais e culturais, este pavilhão de grandes dimensões em aço inoxidável inspira-se nos movimentos giratórios do redemoinho, fenómeno natural criado por uma massa rodopiante de vento e água. O artista relaciona este fenómeno com a actividade das instituições museológicas na sociedade contemporânea: tal como os campos de força do vórtice se desenvolvem em redor de um centro de rotação, também os museus têm a capacidade de canalizar pensamentos, ideias, sentimentos, afectos.

Na Clareira dos Teixos, são apresentadas as três esculturas “Human Time Is Movement (Winter, Spring and Summer). As formas criadas por estas três espirais de aço inoxidável pretas e brancas, criadas a partir de um modelo matemático, desenvolvem-se no espaço como se de três desenhos se tratasse. Variações sobre uma curva Clelia — uma linha traçada pela rota de um ponto à medida que se move em simultâneo em torno de dois eixos de uma esfera —, as três formas, muito diversas entre si, comunicam o sentido da passagem do tempo materializada no movimento. Retomando uma tipologia de obras já apresentadas noutros contextos, Eliasson distribuiu também por vários espaços do Parque “Arctic Tree Horizon, replicando nos espaços verdes de Serralves as costas da Islândia — país onde chegam constantemente troncos trazidos da Sibéria pelas correntes marítimas. Para esta exposição, o artista revestiu troncos com tinta preta que evoca o alcatrão — um material noutros tempos usado para impermeabilizar os navios —, criando marcos na paisagem que evocam as migrações, a circulação e, num âmbito mais lato, o sistema ecológico em que vivemos. A exposição mantém-se patente ao público até 14 de Junho, excepção feita ao núcleo instalado no interior do Museu, o qual é visitável apenas até ao próximo dia 08 de Março.

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