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domingo, 22 de julho de 2018

CONCERTO: "Orchestra in Blue"




CONCERTO: “Orchestra in Blue”
Orquestra Clássica de Espinho
Mário Laginha | Piano
Jan Wierzba | Direcção musical
44º Festival Internacional de Música de Espinho | FIME 2018Praça Dr. José Salvador (Câmara Municipal de Espinho)
21 Jul 2018 | sab | 22:00


O cosmopolitismo duma cidade como a de Espinho não é coisa de agora. O seu Casino e Piscina Solário de água salgada, o seu Aeródromo e o Campo de Golfe mais antigo da Península Ibérica, juntando-se à simpatia e hospitalidade das suas gentes, fazem da cidade, de há cem anos a esta parte, destino de eleição da bela região da Costa Verde. É neste cenário, de certa forma elitista, que gosto de ver inserido o Festival Internacional de Música de Espinho, um certame que este ano ofereceu à cidade um programa absolutamente luxuoso - ao qual tenho vindo a referir-me aqui nas páginas do blogue - e que ontem mesmo chegou ao fim. No espaço nobre da Praça Dr. José Salvador, em frente à Câmara Municipal, a Orquestra Clássica de Espinho, conduzida pelo maestro Jan Wierzba e tendo Mário Laginha como convidado especial, apresentou-se perante um numeroso público com “Orchestra in Blue”, nome feliz para dois concertos para piano e orquestra, o primeiro do próprio Mário Laginha e o segundo de George Gershwin.

Quem, como eu, se deslocou a Espinho pelo Gershwin, veio de lá rendido ao Laginha. Preenchendo a primeira parte do programa, o seu Concerto para Piano e Orquestra (2009) constituiu um momento de enorme intimidade e beleza, as paisagens sonoras a sucederem-se alegres, delicadas e coloridas. Misturando modernidade e classicismo com a inspiração e o virtuosismo que apenas aos maiores acode, Mário Laginha revelou a muitos dos presentes, seguramente, um verdadeiro tesouro escondido. À dolência dum primeiro andamento, entrecortada por momentos de grande emotividade e dinamismo, seguiu-se um segundo andamento intimista, em diálogo constante entre piano e orquestra, para tudo terminar de forma absolutamente empolgante, o jazz e a música étnica à espreita, o piano a tomar conta da peça e a fazer brilhar o solista na sua dupla condição de autor e intérprete.


Com menos cordas mas com mais metais, o segundo grande momento da noite estava guardado para Gershwin, a sua “Rhapsody in Blue” (1924) a fazer recuar os presentes aos “loucos anos 20”. De novo Mário Laginha a brilhar na forma como tintou de mil cores esta rapsódia, superiormente suportado por uma jovem Orquestra que merece todos os aplausos e que soube constituir-se no verdadeiro “ouro” sobre o “azul” duma noite inesquecível. Mas havia um terceiro grande momento guardado para o público – para ele também uma palavra de enorme apreço pela forma respeitosa como soube estar, conseguindo transformar um espaço ao ar livre numa imensa sala de concertos -, com a vinda de Laginha ao palco para não um, não dois, mas três “encores” que fizeram as delícias dos presentes. Interpretando as composições “Um Amor” e “Um Choro Feliz”, ambas do álbum “Chorinho Feliz” (2007) e tendo ainda espaço para “Tanto Espaço”, do álbum “Espaço”, também de 2007, o artista correspondeu da melhor forma às calorosas ovações que o público lhe votou, ficando nos corações de todos pela sensibilidade e beleza da sua música. O FIME chegou ao fim da melhor forma. Viva o FIME!

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