Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta Theatro Circo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Theatro Circo. Mostrar todas as mensagens

sábado, 8 de novembro de 2025

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “Alén do Lago” | Carlos Folgoso



EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “Alén do Lago”,
de Carlos Folgoso
Curadoria | Vítor Nieves
Encontros da Imagem Braga 2025
Theatro Circo, Braga
20 Set > 18 Out 2025


A fotografia contemporânea convida-nos a interpretar o mundo que nos rodeia e a dialogar com ele. Muito para além de uma função estética, esta forma de arte procura despertar emoções, chamar a atenção para problemáticas sociais ou explorar dimensões da realidade que frequentemente escapam ao olhar comum. No ritmo acelerado dos dias de hoje, a fotografia mostra-se particularmente relevante, permitindo captar e preservar momentos efémeros do quotidiano. Inapelavelmente, tornou-se um novo meio de comunicação, capaz de transmitir mensagens e congelar instantes únicos no tempo. É neste contexto que se insere o projeto “Alén do Lago”, série vencedora do XII Prémio Galiza de Fotografia Contemporânea 2024, ao destacar-se como uma expressão visual que convida à contemplação e à introspeção.

Em “Alén do Lago”, Carlos Folgoso oferece-nos uma visão pessoal da Galiza rural, profundamente ligada às suas tradições e ao seu imaginário. Através de um olhar que emerge da floresta para revelar novas narrativas, o autor conduz-nos por uma paisagem quotidiana carregada de significado. A sua abordagem metafórica à paisagem e ao povo galego transcende a superfície e propõe uma leitura emocional e simbólica, despertando no espectador memórias, sensações e vivências passadas. Mais do que simples registos visuais, as suas imagens constroem uma narrativa não-verbal, onde cada fotografia é um fragmento de realidade social e de mitos partilhados. Através do domínio da retórica visual, Folgoso transforma a imagem numa linguagem autónoma, plena de intenção e densidade poética, que nos ensina a valorizar cada recanto do território que habitamos.

Mergulhar nas imagens que compõem “Alén do Lago” é aceder a uma nova perspetiva sobre a Galiza rural, onde o quotidiano se transforma em arte e a arte nos devolve às nossas memórias mais profundas. Nesta criação, os contrastes e as dualidades assumem um papel central, despertando a consciência para a importância de preservar a natureza, a história e os valores que definem a nossa identidade colectiva. Cabe ainda neste espaço a menção a uma iniciativa que visa fomentar a criação artística, permitindo o surgimento de propostas inovadoras e de qualidade excepcional, merecedoras de uma maior visibilidade. Criado em 2013, no âmbito do Festival Internacional Outono Fotográfico (os Encontros da Imagem dedicam a este certame uma atenção especial, com uma mostra patente ao público no Mosteiro de Tibães), o Prémio de Fotografia Contemporânea da Galiza contribui para legitimar e valorizar a fotografia enquanto forma artística contemporânea e serve também para estimular novas propostas, inovações visuais e diálogo estético, levando em conta as linguagens fotográficas alternativas.

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: "Syracuse" | Bruce Gilden


[Clicar na imagem para ver mais fotos]

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “Syracuse”,
de Bruce Gilden
Encontros da Imagem de Braga 2021
Theatro Circo
17 Set > 23 Out 2021

O amplo e belíssimo espaço do Salão Nobre do Theatro Circo acolhe uma das mais impactantes exposições desta edição dos Encontros da Imagem de Braga. Trata-se de “Syracuse”, de Bruce Gilden, conjunto de fotografias recolhidas durante uma residência naquela cidade do norte do Estado de Nova Iorque, de cuja capital dista cerca de quatrocentos quilómetros, há precisamente três décadas. Gilden tinha esquecido quase por completo estas imagens, até que descobriu os negativos em finais do Verão de 2018. Entre fotos de feiras, festas e piqueniques, o que mais gratas recordações terá trazido ao artista neste reencontro com as suas imagens terá sido, porventura, a série que se debruça sobre as comunidades locais que eram alvo de algum tipo de apoio graças aos problemas mentais que apresentavam e em relação às quais a população, muito activamente, mostrava uma atitude de grande abertura, comunhão e solidariedade.

O projecto nasceu por acaso, depois de muito deambular pelo centro e arredores de Syracuse. Bruce Gilden conta: “Num canto movimentado na esquina entre a rua S. Salina e a East Fayette, descobri rapidamente que Syracuse tinha mais deficientes mentais por metro quadrado do que qualquer outro lugar que houvera visitado antes. De repente, vi ali uma grande oportunidade de fazer um trabalho interessante. Todos os dias à tarde esses homens e mulheres deixavam os empregos e reuniam-se na paragem de autocarro com as suas lancheiras na mão, à espera do transporte que os levaria de volta às suas casas. Muitos deles tinham a possibilidade de viver em casas compartilhadas com outras pessoas como eles, em vez de morar em instituições de assistência social, e isso dava-lhes uma sensação de independência e realização.”

Aquilo que é proposto ao visitante de “Syracuse” vai muito além da autenticidade dos gestos ou da genuinidade destas pessoas num meio que sentem e vivem como seu. Percebe-se que há um diálogo forte e amistoso entre o artista e a sua câmera, de um lado, com alguém que é, finalmente, o alvo das atenções. Nesse sentido, “Syracuse” funciona como uma lente que recupera e amplia a pessoa, fazendo com que ela seja tida em conta, seja notada na sua dimensão humana. O carácter integrador do projecto assume particular relevância pelo facto de poder ser visto como um exemplo para a sociedade em geral. Para além do tema em torno dos quais giram estas imagens, há ainda a qualidade de Bruce Gilden evidenciada em imagens de uma espontaneidade tocante e não isentas de humor. Elliott Erwitt ou Henri Cartier-Bresson não desdenhariam assinar algumas destas imagens. Para ver só até ao dia 23 de Outubro.

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: "Live, Love, Refugee" | Omar Imam


[Clicar na imagem para ver mais fotos]

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “Live, Love, Refugee”,
de Omar Imam
Encontros da Imagem de Braga
Theatro Circo
11 Set > 31 Out 2020


É no lindíssimo espaço do Salão Nobre do Theatro Circo, verdadeira jóia arquitectónica da cidade de Braga, que se encontra patente ao público “Live, Love, Refugee”, uma das mais singulares exposições da 30ª edição dos Encontros da Imagem. Pela lente de Omar Imam (Damasco, 1979), fotógrafo e realizador a residir actualmente em Amsterdão, viajamos até ao Líbano ao encontro dos campos de refugiados, procurando entender as causas e consequências da Guerra Civil na vizinha Síria, um conflito que se arrasta há praticamente uma década e que obrigou cerca de 12 milhões de pessoas – metade da população do país – a refugiar-se no estrangeiro ou a viver deslocada dentro das suas próprias fronteiras.

Após ter sido exibida em variadíssimos países ao redor do mundo, a mostra que se apresenta agora em Braga é uma viagem ao coração da desesperança, a um espaço suspenso onde estar vivo é apenas um detalhe. Através das imagens de Omar Imam, damos conta desta verdadeira luta pela manutenção da dignidade do ser humano, apesar das condições degradantes em que estas pessoas se encontram. É aí que encontramos Yasin e Faten, pais de cinco crianças, ele paraplégico, que comparam os médicos a mecânicos de automóveis; ou, Bassan, desfigurado aos seis meses de idade por uma terrível queimadura e que casou com uma mulher cega a quem conta as séries de televisão e vai mudando a história ao encontro dum final mais feliz; ou, ainda, Amenah, 41 anos, que apenas tinha erva para comer e se obrigou a engoli-la para que os seus filhos o vissem e aceitassem.

Evocação visual da dor e do desejo dos sírios que lutam pela sobrevivência numa nova terra, “Live, Love, Refugee” penetra no mais fundo das suas mentes, questionando-se até que ponto as relações interpessoais e os sonhos de cada um se encontram abalados. Recusando as imagens chocantes que tantos prémios de fotojornalismo vão valendo por esse mundo fora, Omar Imam prefere a fotografia encenada, carregada de uma profunda ironia, onde o real e o onírico se misturam e confundem. Entre representações mundanas e sonhos totalmente impossíveis, o artista dissolve a representação recorrente dos refugiados sírios, trocando números e estatísticas por sonhos e alucinações. Surrealistas e carregadas de simbolismo, as imagens evocam mundos interiores profundos e sombrios, oferecendo ao espectador uma visão clara da dimensão interior da tragédia. Absolutamente a não perder!