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quinta-feira, 8 de maio de 2025

EXPOSIÇÃO: “At-Tāriq - Uma viagem pelas tradições musicais rurais do norte de África e do mundo árabe” | Tarek Atoui



EXPOSIÇÃO: “At-Tāriq - Uma viagem pelas tradições musicais rurais do norte de África e do mundo árabe”,
de Tarek Atoui
Curadoria | Daniela Zyman
Museo Nacional Thyssen-Bornemisza
18 Fev > 18 Mai 2025


O “majlis” é o espaço onde tradicionalmente se recebem os convidados nas casas árabes e norte-africanas. É o local onde o abrigo e o convívio são oferecidos aos que chegam de longe. Este espírito de hospitalidade anima o novo projeto de investigação e exposição de Tarek Atoui, “At-Tāriq”, que significa “aquele que chega à noite” ou “a estrela da madrugada”. Inspirado pela associação da noite com o antigo e o desconhecido, “At-Tāriq” convida-nos a reunir, a ouvir e a mergulhar numa experiência partilhada de som e reflexão. Ao longo dos anos, Atoui desenvolveu uma prática artística profundamente enraizada na investigação e no trabalho de campo, tendo viajado em numerosas ocasiões para abordar o casamento musical de diferentes culturas. Projeto em constante evolução, “At-Tāriq”, apresenta-nos as histórias sonoras e as tradições artesanais do povo berbére da região marroquina do Atlas, ao encontro da ancestralidade das suas formas musicais. A exposição inclui cerâmicas, tapetes, instrumentos e missangas coloridas feitas por artesãos locais, todos com os vestígios do conhecimento e da sensibilidade material de muitas gerações.

Partindo da abordagem composicional de Atoui, que funde formas tradicionais e contemporâneas de som, performance e artesanato, “At-Tāriq” é activada por um conjunto de objectos sonoros experimentais. Suspensos do tecto em camadas sobrepostas, estes objectos-instrumentos cinéticos produzem tonalidades texturadas que parecem emanar dos núcleos minerais e dos materiais recolhidos nas montanhas do Atlas. Ao mexerem, vibrarem ou ressoarem, transformam o movimento físico e a fricção em som. Os conjuntos de fragmentos de argila, cestos, tambores, contas e metais funcionam como fontes sonoras, gerando ressonâncias subtis nos limites do audível. Algumas destas obras incorporam sensores e motores que respondem a ritmos e vozes berberes. Por exemplo, estes sons controlam o gotejar da água, a intensidade da luz e do calor, e até a fricção entre certos materiais. Tudo isto afecta as propriedades acústicas e a propagação do som no espaço de exposição.

“At-Tāriq” é também um repositório vivo de música árabe e berbére, traduzida numa “banda sonora” electroacústica composta e interpretada por Atoui e pelos seus muitos colaboradores. Desenvolvida durante uma residência de uma semana em Córdova com a percussionista Susie Ibarra, a musicólogas Nancy Mounir e o DJ e compositor Ziur - e posteriormente expandida com outros colaboradores - esta composição multi-camadas circula através dos objectos e reverbera através das salas “majlis” que integram a exposição. Nelas reside o convite a que o visitante se descalce e penetre em cada um dos espaços, disponível para escutar sons e silêncios. Mais do que uma instalação, a arte de Atoui expande a experiência do som em encontros multi-sensoriais, sintonizando o espectador com legados culturais e ecológicos que ressoam no presente. Em última análise, a exposição apresenta um encontro sempre instável entre sensibilidades tradicionais e estética contemporânea, convidando a uma conversa sobre memória, hospitalidade e o acto poético da escuta.

sábado, 26 de abril de 2025

EXPOSIÇÃO: "Proust e as Artes"



EXPOSIÇÃO: “Proust e as Artes”
Vários artistas
Museu Nacional Thyssen-Bornemisza
04 Mar > 08 Jun 2025


“Proust e as Artes”, exposição temporária patente ao público no Museo Nacional Thyssen-Bornemisza, fala-nos da importância da arte na obra de Marcel Proust, um dos escritores mais influentes do século XX, reconhecido na literatura, na filosofia e na teoria da arte. As ideias estéticas que Proust desenvolveu na sua obra, os ambientes artísticos, monumentais e paisagísticos que o rodearam e que recria nos seus livros, bem como os artistas contemporâneos ou do passado que lhe serviram de estímulo, são alguns dos aspectos que articulam o itinerário da exposição. O objectivo é realçar esta ligação e a inter-relação entre a arte e a sua figura, a sua vida e a sua obra. Proust era fascinado não só pelas artes, mas também pela modernidade que estava tão em voga no final do século XIX numa Paris em transformação com o aparecimento da eletricidade, dos automóveis, dos espectáculos, dos restaurantes e dos cafés. A imagem da modernidade criada pelos pintores impressionistas através da representação das ruas e outros ambientes de Paris está na base da estética proustiana: tudo isto marcará a sua biografia e os seus escritos.

Uma das suas primeiras obras publicadas, “Os Prazeres e os Dias” (1896), é apresentada na primeira sala da exposição, mostrando o seu gosto precoce pelas artes, pela música, pelo teatro e, sobretudo, pela pintura, e as suas frequentes visitas ao Museu do Louvre.  Este interesse continua na sua obra maior, o romance “Em Busca do Tempo Perdido”, publicado em sete partes entre 1913 e 1927. A Paris da Terceira República, em especial a zona dos Campos Elísios, o Bois de Boulogne e os palácios aristocráticos do Faubourg Saint-Germain, bem como as praias e as costas do Norte de França, são alguns dos cenários em que o romance se desenrola e que pintores como Manet, Pissarro, Renoir, Monet, Boudin e Dufy reflectem nos seus quadros. A importância do teatro na obra de Proust reflecte-se também na impressionante pintura de Georges Clairin, do museu Petit Palais, em Paris, representando Sarah Bernhardt, na qual se baseou, entre outras, a personagem Berma, omnipresente em todo o romance.

A exposição destaca ainda um dos temas mais marcantes da obra de Proust, o da criação e consolidação, nas últimas décadas do século XIX, de uma nova e moderna disciplina, a História da Arte, o seu fascínio por uma cidade como Veneza, à qual viajou duas vezes, no seu interesse pelas catedrais e pela arquitectura gótica e na não tão conhecida “ligação espanhola” do escritor, através das figuras de Mariano Fortuny y Madrazo e Raimundo de Madrazo, incluindo nas salas alguns trajes e tecidos desenhados pelo primeiro para mostrar um tema, o da moda, essencial para o autor francês e que a exposição pretende realçar. Para além de pinturas de Rembrandt, Vermeer, Van Dyck, Watteau, Turner, Fantin Latour, Manet, Monet, Renoir e Whistler, entre outros, uma escultura de Antoine Bourdelle e os já referidos desenhos de Fortuny e de outros artistas da época, a exposição inclui uma seleção de livros de Proust provenientes da Bibliothèque Nationale de France e da Biblioteca del Ateneo em Madrid, bem como empréstimos do Museu do Louvre, do Rijksmuseum de Amesterdão ou do Städel Museum de Frankfurt, entre outros.