Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta Mobiliário. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mobiliário. Mostrar todas as mensagens

sábado, 15 de fevereiro de 2025

LUGARES: Museu Medeiros e Almeida



LUGARES: Museu Medeiros e Almeida
Rua Rosa Araújo, 41 - Lisboa
Horários | Segunda a sábado, das 10h00 às 17h00
Ingressos | Bilhete normal € 6,00 (entrada livre no primeiro sábado de cada mês, entre as 10h00 e as 13h00)


Situado no centro de Lisboa, o Museu Medeiros e Almeida (1895-1986) oferece ao visitante a possibilidade de apreciar as peças mais significativas da colecção de artes decorativas desta que foi uma prestigiada figura no plano empresarial português. A colecção distribui-se por duas áreas diferenciadas: a Ala Antiga, habitada pelos donos da casa e que foi mantida tal como estava, e a Ala Nova, construída sobre o jardim e formada por ambientes reconstituídos com recurso a apainelados, tetos pintados e decoração de aparato. Nas suas vinte e sete salas, expõem-se obras de arte nacionais e estrangeiras que incluem mobiliário, pintura, escultura, têxteis, ourivesaria, cerâmica, arte sacra e leques, num arco temporal que abrange do século II a.C. ao século XX. No hall do Museu, duas peças escultóricas prendem a atenção do visitante: São os bustos em mármore de António de Medeiros e Almeida e de sua mulher Margarida, realizados em 1972 por Leopoldo de Almeida, um dos mais prestigiados escultores portugueses. Casados desde 1924, sem filhos, viveram nesta casa de 1946 até 1971, quando  se mudaram para a moradia ao lado, depois do início das obras do museu. Empresário de sucesso, dedicou-se à importação de carros (Morris), à aviação, à produção de açúcar e álcool a partir da beterraba sacarina, à indústria de navegação,  têxtil e hoteleira. Pragmático, como na vida profissional,  António de Medeiros e Almeida estipulou a forma de financiamento do Museu, permitindo-lhe ser sustentável até à actualidade.

Com o seu altar em talha dourada e azulejos portugueses do século XVIII, a Capela é um dos primeiros espaços que se abrem ao visitante e que prendem a sua atenção. É aqui que se reúne a colecção de arte sacra, onde avulta um conjunto de esmaltes de Limoges, paramentos litúrgicos, alguma escultura medieval inglesa e, sobretudo, um púlpito indo-português, intensamente colorido, seguindo as formas do barroco europeu a que se junta a tradição escultórica popular local. Executado entre 1710 e 1759, pertenceu à Capela de Nossa Senhora do Monte, em Velha Goa, cuja construção foi iniciada em 1510 e onde ainda hoje permanecem o seu espaldar e baldaquino. No átrio Linke encontramos quatro peças de François Linke, duas das quais estiveram presentes na Exposição Universal de Paris de 1900: o móvel de aparato e o relógio de caixa alta. Também ali encontramos um carrinho de passeio infantil, português, que era conduzido pela criança e empurrado por um criado e que pertenceu ao filho do Arthur Wellesley, 1.º duque de Wellington. A sala das tapeçarias recria o ambiente dos salões franceses e nela se destacam as tapeçarias “O Camelo” e “Oferta a Pã”, pertencentes à armação “Os Grotescos”, criada sob a direção de Philippe Béhgale e produzida a partir de 1688-89. O seu interesse deve-se à novidade da decoração, uma composição cénica povoada de personagens exóticas, fauna e flora e arquitecturas efémeras, numa leveza ornamental até então desconhecida.

A sala do Piano tenta igualmente recriar um ambiente francês e nas suas paredes, forradas com painéis de carvalho, destacam-se o  retrato de “Velho com Espada”, de Giandomenico Tiepolo ou ainda o retrato de Rembrandt, de autor desconhecido. Ainda nesta sala, avulta o belo piano francês da Casa Erard, de 1898. Na Sala dos Esmaltes o olhar recai sobre o cofre de aparato, composto por 51 placas de cristal de rocha lapidado e gravado, cuja decoração, nos inusitados e intensos verdes, laranjas e turquesas, bem como nos elementos geométricos, anuncia já a estética Arte Nova. No Salão A, assim designado, o retrato de Amédée Berny d’Ouville, pintado por Eugène Delacroix, prende a nossa atenção, tal como um relógio francês do reinado de Luís XVI, cujos símbolos reais escaparam à revolução francesa, como por exemplo o pêndulo que representa o Rei-Sol. Num espaço contíguo, a mesa de quatro tampos descreve o que de melhor se fez na marcenaria do século XVIII português: a sua elaborada concepção, as proporções graciosas aliadas aos delicados entalhamentos e ao minucioso trabalho de embutidos, ilustram a delicadeza do mobiliário rococó do reinado de D. José I. No corredor de entrada o olhar do visitante assenta nas oito pinturas a óleo sobre tábua do pintor Jan van Goyen, representando vários tipos de paisagem: marinhas, campo, rios, dunas, gelo, praias, vistas de cidades e cenas de quotidiano.

A Sala dos Leques expõe parte da colecção de 210 leques reunida por António Medeiros e Almeida, caracterizando-se pelo ecletismo de materiais, tipologias, origens e temáticas, havendo exemplares em papel, marfim, pele, madrepérola, seda, tartaruga ou penas. Na casa de banho de António Medeiros e Almeida (existe uma outra do outro lado do quarto de dormir do casal, pertencendo a sua mulher), a atenção do visitante vai para o aparelho de ginástica, vindo dos Estados Unidos nos anos sessenta, e que reflecte as preocupações com a saúde do seu proprietário. Usada no dia a dia e em ocasiões formais, a sala de jantar constitui uma das poucas exceções no panorama estilístico da casa, porque decorada com predominância de mobiliário de origem inglesa. Junto a uma das portas da sala, pode ser visto um plano de mesa manuscrito por António Medeiros e Almeida, para o jantar de cerimónia oferecido aos príncipes do Mónaco, Rainier e Grace, em 16 de Abril de 1964. No Salão D, para além de “Arquimedes”, figura de grandes dimensões do atelier de José de Ribera, observam-se dois trabalhos de pintores flamengos: “A Paragem”, de Jan Brueghel, que retrata uma cena quotidiana junto a uma hospedaria, e “O Cobrador de Impostos”, uma pintura do seu irmão Peter Brueghel, de 1634, que é uma crítica declarada à situação de exploração do povo holandês durante o governo de ocupação de Filipe II de Espanha.

A sumptuosa Sala do Lago apresenta paredes revestidas a azulejos portugueses do século XVIII, que recriam, em cada canto, as Quatro Estações, e ao fundo os Quatro Continentes. Provenientes do Convento dos Inglesinhos, em Carnide, são inspirados em gravuras francesas, datando da primeira metade do século XVIII. O tecto, de origem portuguesa, em madeira pintada, representa igualmente Os Quatro Continentes. Ao centro da sala, dispõe-se um lago em mármore italiano rosa de Verona. À sua volta, as vitrinas contêm caixas de tabaco em materiais preciosos e porcelana da China, bem como a colecção de jóias do casal. No lado oposto, o conjunto escultórico em chumbo representa a cena bíblica na qual Sansão mata um Filisteu com uma queixada de burro. Trata-se de uma reprodução inglesa da escultura do século XVI encomendada pelos Medici de Florença ao seu escultor de eleição, Giambologna. Recheada de vitrinas, a Sala dos Relógios apresenta cerca de duzentos relógios dos mais de seiscentos que compõem a colecção. Impressionante é a vitrina Breguet, na qual é possível apreciar um relógio de bolso que foi pertença do General Jean-Andoche Junot. A elegância discreta, assim como, a assinatura “secreta” e numeração das mesmas que caracterizaram a sua produção, são bem visíveis neste exemplar. O relógio de bolso transforma-se em relógio de mesa ao ser introduzido numa caixa de metal dourado guilhochado e em relógio de viagem quando guardado num estojo de mogno.

quarta-feira, 24 de maio de 2023

LUGARES: Museu Municipal de Estremoz Professor Joaquim Vermelho


[Clicar na imagem para ver mais fotos]

LUGARES: Museu Municipal de Estremoz Professor Joaquim Vermelho
Largo Dom Dinis, Estremoz
Horário | Terça feira a domingo, das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30
Ingressos | Bilhete normal € 1,55 (entrada livre à terça feira e exposições temporárias)


Localizado numa das mais emblemáticas Praça de Armas portuguesas, o Museu Municipal de Estremoz Professor Joaquim Vermelho tem como patrono um ilustre estremocense, nascido em 01 de Março de 1927. Na página do Museu pode ler-se que, com 14 anos, Joaquim Vermelho já escrevia crónicas literárias e poesia para o “Brados do Alentejo”. Durante a década de 50 trabalhou para diversos periódicos, entre os quais o “Jornal de Notícias”, o jornal “A Planície” e o “Jornal de Estremoz”. Ainda nesta década tomou por profissão a de Professor de Trabalhos Manuais do Ensino Básico. No ano de 1968 foi chamado pela autarquia para trabalhar na Biblioteca. Porém, pouco tempo esteve ao serviço da Câmara Municipal de Estremoz, tendo efectivado em 1970 na Escola de Ponte de Sôr. A partir dos anos 70, iniciou uma atividade cultural intensa na Biblioteca e no Museu Municipal do qual foi Director até Agosto de 2002, um mês antes do seu falecimento. Em 01 de Março de 2003 a Câmara de Estremoz homenageou-o postumamente. Nesse dia o seu nome foi atribuído oficialmente ao Museu Municipal.

A génese do Museu remonta a 1879, quando o Presidente Deville pediu em sessão camarária “auctorização para crear um pequeno museu annexo á bibliotheca, ao qual deseja dar uma feição por assim dizer, local; vindo a ser mais propriamente uma exposição permanente de varias industrias peculiares de Extremoz, e a par dos productos industriaes, como, por exemplo, dos nossos marmores, cortiça, ceramica, podiam estar representados productos agricolas”. Em 06 de Março de 1880 já o espaço “Biblioteca e Museu anexo” estava provisoriamente aberto aos visitantes, sendo inaugurado definitivamente a 02 de Maio desse ano. Entretanto, adquirem-se colecções para a exposição. Em 1941 compra-se à Escola Industrial cerca de setenta bonecos, e em finais da década de 60, adquire-se ao antiquário Chambel peças de arte sacra, artesanato, mobiliário e faiança, valorizando desta forma o acervo inicial. Em 1971 é comprada a Reis Pereira a sua colecção de quase quatro centenas de bonecos. Necessitando de espaço, o Museu foi ocupar um imóvel no Largo D. Dinis, no início da década de 70, local onde ainda hoje se localiza. Em 1982 foi aberto ao público um espaço para exposições temporárias no Museu, e no ano seguinte foi inaugurada a Galeria de Desenho nos antigos Paços do Concelho.

A exposição permanente divide-se pelos dois pisos do Museu, sendo que as suas primeiras salas apresentam colecções de arte popular de artesãos como Mestre Rolo, José Vinagre, António Amaral e Joaquim Velhinho. Nas Salas 3, 4 e 5 reconstitui-se uma Casa Alentejana de finais do séc. XIX, com a sua Cozinha, Casa de fora e um Quarto. A trempe com a tigela da cachola, os chavões usados para marcar os bolos e por vezes o pão, os escaparates pintados à alentejana, os Pratos Ratinho e um Senhor da Cana Verde, representado num oratório com os Passos de Cristo são algumas das peças de grande valor que aqui podemos encontrar. As salas 6, 10 e 11 são dedicadas, respectivamente, à azulejaria, faiança e olaria. Na primeira destas três salas podem ainda ver-se três grandes arcas e uma Caixa Padrão Manuelina de 1499, tentativa por parte da Coroa de uniformizar as medidas de pesos usadas no comércio. As salas 7, 8 e 9 pretendem fazer a reconstituição possível de um espaço oficinal que vai das primeiras décadas aos anos 60n do século passado. Nelas, o figurado de Estremoz é rei, dando-se a conhecer a tradição através de um filme de Lauro António que data de Abril de 1976. Um escaparate e uma mesa de barrista, a par de centenas de bonecos de Estremoz, integram este particular espaço expositivo.

O projecto da Galeria de Desenho do Museu Municipal de Estremoz Professor Joaquim Vermelho resulta do trabalho desinteressado de um grupo de pessoas que quis dotar a cidade de um centro de cultura contemporânea, sendo o acervo composto por mais de duas centenas de obras doadas, na sua maioria, pelos próprios artistas. É aqui que volta a estar patente ao público uma parte do acervo de desenho do Museu e que desde 1996 está colocado em reserva, dadas as condições ambientais existentes nos Antigos Paços Medievais do Concelho. Embora se realize anualmente pelo menos uma exposições temporária a deste ano tem um significado especial já que assenta nas comemorações do quadragésimo aniversário da Galeria. É lá que podemos encontrar obras de Rogério Ribeiro, Armando Alves, Jorge Vieira, José Tagarro, Abel Manta, Julio, José Dias Coelho, João Hogan, Júlio Resende, Guilherme Casquilho, Sá Nogueira e Espiga Pinto, entre outros. Motivos de sobra para visitar Estremoz e, em particular, o seu Museu Municipal, espaço que, desde 18 de maio de 2010, integra a Rede Portuguesa de Museus.