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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

EXPOSIÇÃO: "Histórias de Violência"


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EXPOSIÇÃO: “Histórias de Violência”
Núcleo de Arte da Oliva
14 Abr > 14 Out 2018


Como é que se compreende que a violência esteja presente no homem e qual a sua origem? Como é que a arte utiliza os seus impulsos destrutivos? “Histórias de Violência - diálogo entre obras da Colecção Treger / Saint Silvestre”, aborda precisamente a questão da destrutividade própria do ser humano, recorrendo a um conjunto de pinturas, esculturas e desenhos, em busca de respostas a estas e outras questões. Ocupando o espaço nobre do Núcleo de Arte da Oliva, a exposição oferece ao visitante obras de arte bruta, arte singular e arte contemporânea, de mais de cinquenta artistas, muitos deles consagrados, casos de Henry Darger, Friedrich Schröder-Sonnenstern, Franco Bellucci, Robert Combas, Dado ou Gonçalo Mabunda.

Distribuindo o material expositivo ao longo de sete núcleos – “Pulsões”, “Rivais”, “Clausura”, “Armas”, “Batalhas”, “Vítimas” e “Transformações” – o comissário da exposição, Gustavo Giacosa, seleccionou contrapontos sugestivos que interpelam o visitante e o confrontam com o seu próprio imaginário, o humor e a poesia como substractos de tão fértil terreno. Do embate entre a pulsão da vida (eros) e a pulsão da morte (tanathos), às transformações induzidas pela capacidade própria dos artistas em reorientar os conflitos pulsionais, é todo um manancial de objectos surpreendentes que se abre aos nossos olhos, remetendo para Freud, a destrutividade como uma necessidade, a salvação dependente da destruição do outro.

Enriquecida através de empréstimos de obras pertencentes às Colecções Norlinda e José Lima, Gustavo Giacosa e Fausto Ferraiuolo, La “S” Grand Atelier e galeria Christian Berst Art Brut, nesta exposição encontramos, logo no início, o fascinante “Dans le Jardin d'Eros”, de Pier Brouet (1979). Os desenhos de Pascal Leyder, Dominique Théate ou Marilena Pelosi preparam-nos para outra obra fundamental desta mostra, “El Origen”, de Bruno Carillo (2009). Mais à frente, de Karine Rougier, apreciamos o perturbador “Les Îlots d'Aptitudes”, para logo nos impressionarmos com “The Glandelinians caught in the act by the ferocious Lagorian girls scouts”, de Henry Darger (c. 1930-1950) ou nos surpreendermos com a violência impressa nas séries de desenhos de Michail Paule ou de Foma Jaremtschuk. “O trono do Mineral”, de Gonçalo Mabunda, as armas de André Robillard, a pintura surrealista do montenegrino Dado (Miodrag Djuric) ou uma colecção de cristos crucificados, um dos quais de Julia Ramalho, são igualmente motivos que fazem desta uma exposição de visita obrigatória. Encerra a 14 de Outubro de 2018!

sábado, 3 de março de 2018

EXPOSIÇÃO: "D'Idalécio... Todos Temos um Pouco"



EXPOSIÇÃO: “D'Idalécio... Todos Temos um Pouco”,
de Idalécio
Galeria Cruzes Canhoto | Rua Miguel Bombarda, 452 – Porto
Abre diariamente às 10:00 (às vezes às 11:00, outras vezes não abre). Fecha às 19:00 (às vezes às 20:00, outras vezes não fecha)


Quando se juntam arte bruta, arte primitiva e arte popular, isso é... Cruzes Canhoto. Assim mesmo, a Galeria ao fundo da Miguel Bombarda, única no seu género na Península Ibérica e onde se esconde todo um mundo marginal, pleno de magia, mito e fantasia, à espera de ser descoberto. Criadas por pessoas com universos mentais absolutamente singulares – na sua maioria auto-didactas que se exprimem de forma intuitiva, sem pretensões comerciais ou ambições de celebridade – as peças exibidas na Galeria constituem um universo fantástico, de cores e formas fora do comum, com origem nas entranhas mais profundas e remotas da natureza humana.

É lá que é possível descobrir Idalécio, metalúrgico sexagenário, um artista auto-didacta, agora apresentado pela primeira vez ao público na exposição “D'Idalécio... Todos Temos um Pouco”. As suas esculturas, sobretudo as mais recentes, são quase todas monocromáticas e construídas com pedaços toscos de madeira, usando como ferramenta quase em exclusivo um machado, o que lhes confere um aspecto bruto, primitivo e minimal. Por outro lado, as suas telas, apesar de marcadas por figurações exuberantes e maximalistas, são definidas por traços seguros e por uma combinação de cores irrepreensível, qualquer que seja a paleta escolhida, numa construção harmoniosa e elegante.

Artista pop e populista, surreal e tropicalista, Idalécio inspira-se fortemente na arte popular portuguesa, de que é apreciável conhecedor, sendo um habitual frequentador das festas, romarias e feiras de artesanato que se realizam por todo o país. Ali, recupera alguns dos elementos e motivos do imaginário rural, em que o sagrado e o profano seguem quase sempre a par, para desferir duras e sarcásticas críticas aos poderes instituídos, em especial aos herdados da cultura judaico-cristã. Perante a ausência gritante de genuinidade do atual panorama artístico, a arte de Idalécio é duma pureza comovente, um bálsamo para os sentidos. Um artista a conhecer numa Galeria a visitar. Sempre!

[Texto baseado no catálogo da Exposição, gentilmente oferecido por Maria Canhota]