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sexta-feira, 22 de agosto de 2025

EXPOSIÇÃO: “31 Mulheres. Uma Exposição de Peggy Guggenheim”




EXPOSIÇÃO: “31 Mulheres. Uma Exposição de Peggy Guggenheim”
Várias artistas
Curadoria | Patricia Mayayo
MAC / CCB – Museu de Arte Contemporânea e Centro de Arquitectura
27 Fev > 07 Set 2025


Peggy Guggenheim afirmou ser, ela própria, uma obra de arte — uma declaração que traduz não apenas a sua personalidade irreverente, mas também o seu contributo ímpar para a história da arte do século XX. Oriunda de uma família abastada e herdeira de uma fortuna após a morte prematura do pai no naufrágio do Titanic, Guggenheim construiu um percurso autónomo e singular. Ao decidir abandonar os estudos, estabeleceu-se em Paris nos anos 1920, onde se inseriu no ambiente artístico e boémio da cidade, travando contacto com figuras como Marcel Duchamp e Man Ray. Começou, então, a coleccionar obras de artistas que viriam a tornar-se centrais na história da arte moderna, como Salvador Dali e Piet Mondrian. A sua paixão pelo coleccionismo levou-a a abrir, em 1938, a galeria “Guggenheim Jeune”, em Londres, onde promoveu a arte surrealista e abstracta. Com o advento da Segunda Guerra Mundial, transferiu-se para Nova Iorque, onde fundou, em 1942, a galeria “Art of This Century”, espaço determinante para a afirmação da arte moderna nos Estados Unidos.

A sua actividade como coleccionadora e mecenas foi marcada por uma visão vanguardista e por um forte sentido de missão cultural. Impulsionada por uma relação pessoal e profissional com Max Ernst, um dos seus muitos amantes e artistas patrocinados, Guggenheim desempenhou um papel crucial na divulgação de movimentos como o cubismo, o dadaísmo e o surrealismo, ao mesmo tempo que apoiava artistas então emergentes, como Jackson Pollock. Contudo, um dos aspectos mais notáveis da sua acção foi o apoio pioneiro às mulheres artistas, numa época em que o reconhecimento feminino no campo das artes era escasso. Em 1943, organizou a exposição “Exhibition by 31 Women”, concebida em colaboração com Marcel Duchamp, André Breton e Max Ernst, que deu visibilidade a obras de artistas norte-americanas e europeias num contexto dominado por uma visão patriarcal da produção artística. Esta iniciativa, hoje reconhecida como um marco na história da arte no feminino, destacou-se pelo critério curatorial informado, ao mesmo tempo estético e político.

Após encerrar a sua galeria nova-iorquina em 1947, Guggenheim instalou-se definitivamente em Veneza, onde fundou a sua própria colecção no Palazzo Venier dei Leoni, hoje um museu de referência. Rodeada pelas suas obras e pelos seus catorze cães, consolidou uma posição enquanto figura incontornável da história da arte moderna, não apenas pelo acervo que reuniu, mas pelo papel disruptivo que desempenhou no reconhecimento de artistas e linguagens até então marginalizadas. Este legado encontra expressão na exposição actualmente patente no MAC / CCB - – Museu de Arte Contemporânea e Centro de Arquitectura, em Lisboa, intitulada “31 Mulheres. Uma Exposição de Peggy Guggenheim”. Recuperando a intenção original da coleccionadora, a mostra está organizada em quatro núcleos temáticos — “O ‘Eu’ como Arte”, “Bestiários”, “Estranhamente Familiar” e “O Caminho do Meio: Linguagens da Abstracção” — que abordam aspectos relevantes da criação feminina, nomeadamente a autorrepresentação, a iconografia animal e a apropriação de géneros tradicionais como a paisagem ou a natureza-morta.

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