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sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: "O Tempo das Mulheres"


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EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA: “O Tempo das Mulheres”,
de Alfredo Cunha
Museu de Lisboa – Torreão Poente
08 Nov 2019 > 31 Jan 2020


“Somos mulheres ou homens, por um jogo de acasos, desde o momento da concepção. Mas não é esse facto que nos une, a nós, mulheres. Vivemos em hemisférios diferentes, em continentes, países e sociedades desiguais, trilhamos percursos de vida próprios. A desigualdade que nos separa não depende da cor da pele, nem da língua que falamos, do traje que usamos, ou sequer da idade. O que nos torna diferentes é a cultura, as tradições, a circunstância de usufruirmos ou não de direitos. Nada disto depende de nós. O que nos torna diferentes é o facto de sermos livres ou não.”
Maria Antónia Palla

O que há de comum entre a imagem de uma criança que se senta encostada a uma cruz tombada, de uma jovem que carrega um peixe à cabeça ou de uma idosa a banhar-se numa piscina? Desde logo, o facto de serem mulheres, mas também o terem sido objecto de atenção de uma lente fotográfica e, através dela, do olhar de Alfredo Cunha. Em “O Tempo das Mulheres”, são precisamente esses dois aspectos que saltam à vista: O facto de ser esta uma forma de celebrar a condição feminina nas várias fases da vida, realçando a beleza, sensibilidade e importância da mulher nas sociedades, ao mesmo tempo assinalando os 50 anos de carreira deste veterano do foto-jornalismo, um artista que soube, tantas e tantas vezes, estar no momento certo à hora certa, trazendo-nos histórias e memórias de paisagens, revoluções, gente ilustre ou vidas alheias, sob a forma de magníficos retratos.

Atenta aos ritmos da vida e à diversidade cultural da figura feminina no nosso mundo, “O Tempo das Mulheres” tem como ponto de partida o livro homónimo editado no passado mês de Novembro pela Tinta da China, com imagens recolhidas em mais de duas dezenas de países entre 1970 e o ano presente, de entre as quais Alfredo Cunha seleccionou cerca de sessenta fotografias. Acrescentou-lhes excertos dos belíssimos textos de Maria Antónia Palla, igualmente “roubados” ao livro, e dividiu-as em quatro “capítulos” essenciais: “A Infância”, “A Juventude”, “A Idade Adulta” e “A Terceira Idade”. O resultado é uma viagem pelas sete partidas do mundo, ao encontro da essência, inexplicavelmente única, simples e complexa, do “ser mulher”. Da Guiné Bissau à Índia, do Níger a Timor, as imagens do fotógrafo e os textos da jornalista e escritora oferecem ao espectador um vislumbre da evolução histórica dos direitos das mulheres e põem a nu as desigualdades, sobretudo de género, em diferentes contextos económicos, políticos e sociais.

Retratadas por Alfredo Cunha num irredutível preto e branco, estas mulheres contam histórias onde a dor e o riso passeiam de mãos dadas com a angústia e a coragem. São histórias de afirmação e de insubmissão, mas também de resignação e resistência. Através delas, o fotógrafo lembra que ser mulher é ouvir com um abraço, é sorrir com os olhos, é chorar com o espírito e é sonhar quando nas costas se carregam culpas alheias. Ser mulher é sofrer, intuir, angustiar-se e dar a mão. Neste conjunto de imagens fortes, ele diz-nos também que todos os dias são dias da mulher e que exaltá-las é celebrar a vida e lembrar que nelas a vida fere mais fundo e mais fecundo. Ou, como canta Vinicius no pungente “O Desespero da Piedade”, “ninguém mais merece tanto amor e amizade, ninguém mais deseja tanto poesia e sinceridade, ninguém mais precisa tanto de alegria e serenidade”. A não perder, no Museu de Lisboa - Torreão Poente, até ao dia 31 de Janeiro do próximo ano.

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