CINEMA: “Corpo e Alma” /
“Teströl és lélekröl”
Realização e Argumento | Ildikó
Enyedi
Fotografia | Máté Herbai
Interpretação | Morcsányi
Géza, Alexandra Borbély, Zoltán Schneider, Ervin Nagy, Tamás
Jordán, Zsuzsa Járó, Réka Tenki, Júlia Nyakó e Itala Békés
Produção | Ernö Mesterházy,
András Muhi e Mónika Mécs
Hungria | 2017 | Drama | 116
minutos
Cine-Teatro de Estarreja
28 dez 2017 | qui | 21:30
É no universo violento dum
matadouro que se desenrola esta história de amor que junta Endre, o
Diretor Financeiro, e Mária, a nova responsável pelo controlo de
qualidade. Da diferença de idades às suas peculiaridades
físicas e psíquicas, são muito mais as diferenças do que os aspectos comuns a ambos. Tudo acaba por se jogar,
literalmente, no campo dos sonhos e o improvável acontece.
Dezoito anos depois de “Simon the
Magician” / “Simon mágus”, Ildikó Enyedi regressa à
realização com este surpreendente “Corpo e Alma”. Ao longo de
praticamente duas horas, a atenção do espectador recai sobre uma
história onde a brutalidade e insensibilidade dos que lidam com a
morte dos animais serve de contraponto à violência interior
daqueles que desconhecem as pulsões vitais ou a forma como lidar com elas.
O quotidiano veste-se das cores do sangue e a paz e a liberdade
estão para lá do real. Neste campo, a figura da jovem mulher
chega a ser dilacerante, na sua inabilidade em gerir o turbilhão de
emoções que brotam duma experiência com tanto de concreto como de
onírico, estreitada que está pelas margens opressivas da doença de
Asperger que tomou conta dela.
Sangue que corre, artérias que
pulsam, vida e morte num vai e vem constante, “Corpo e Alma” é o
grande filme de 2017. O Urso de Ouro, galardão máximo do Festival
Internacional de Cinema de Berlim, faz jus à qualidade patente a
todos os níveis: um argumento inteligente e sensível da própria
Ildikó Enyedi, uma cinematografia depurada e belíssima de Máté Herbai, uma
montagem rigorosa e contida de Károly Szalai e, sobretudo, uma
extraordinária interpretação de Alexandra Borbély, no papel de
Mária. Da Hungria, com amor, um símbolo de exaltação à vida e um
grito à liberdade.

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