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domingo, 31 de dezembro de 2017

CINEMA: "Corpo e Alma"



CINEMA: “Corpo e Alma” / “Teströl és lélekröl”
Realização e Argumento | Ildikó Enyedi
Fotografia | Máté Herbai
Interpretação | Morcsányi Géza, Alexandra Borbély, Zoltán Schneider, Ervin Nagy, Tamás Jordán, Zsuzsa Járó, Réka Tenki, Júlia Nyakó e Itala Békés
Produção | Ernö Mesterházy, András Muhi e Mónika Mécs
Hungria | 2017 | Drama | 116 minutos
Cine-Teatro de Estarreja
28 dez 2017 | qui | 21:30

É no universo violento dum matadouro que se desenrola esta história de amor que junta Endre, o Diretor Financeiro, e Mária, a nova responsável pelo controlo de qualidade. Da diferença de idades às suas peculiaridades físicas e psíquicas, são muito mais as diferenças do que os aspectos comuns a ambos. Tudo acaba por se jogar, literalmente, no campo dos sonhos e o improvável acontece.

Dezoito anos depois de “Simon the Magician” / “Simon mágus”, Ildikó Enyedi regressa à realização com este surpreendente “Corpo e Alma”. Ao longo de praticamente duas horas, a atenção do espectador recai sobre uma história onde a brutalidade e insensibilidade dos que lidam com a morte dos animais serve de contraponto à violência interior daqueles que desconhecem as pulsões vitais ou a forma como lidar com elas. O quotidiano veste-se das cores do sangue e a paz e a liberdade estão para lá do real. Neste campo, a figura da jovem mulher chega a ser dilacerante, na sua inabilidade em gerir o turbilhão de emoções que brotam duma experiência com tanto de concreto como de onírico, estreitada que está pelas margens opressivas da doença de Asperger que tomou conta dela.

Sangue que corre, artérias que pulsam, vida e morte num vai e vem constante, “Corpo e Alma” é o grande filme de 2017. O Urso de Ouro, galardão máximo do Festival Internacional de Cinema de Berlim, faz jus à qualidade patente a todos os níveis: um argumento inteligente e sensível da própria Ildikó Enyedi, uma cinematografia depurada e belíssima de Máté Herbai, uma montagem rigorosa e contida de Károly Szalai e, sobretudo, uma extraordinária interpretação de Alexandra Borbély, no papel de Mária. Da Hungria, com amor, um símbolo de exaltação à vida e um grito à liberdade.

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