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sábado, 6 de janeiro de 2018

CINEMA: "O Amante de um Dia"



CINEMA: “O Amante de um Dia” / “L'amant d'un jour”
Realização | Philippe Garrel
Argumento | Jean-Claude Carrière, Caroline Deruas-Garrel, Philippe Garrel e Arlette Langmann
Fotografia | Renato Berta
Interpretação | Éric Caravaca, Esther Garrel, Louise Chevillotte, Paul Toucang, Félix Kysyl, Michel Charrel e Marie Sergeant
Produção | Saïd Ben Saïd e Michel Merkt
França | 2017 | Drama | 76 minutos
Cinema Dolce Espaço, Ovar
05 jan 2018 | sex | 18:30


Estreado nas Salas em Portugal neste início de ano, “O Amante de um Dia” centra-se em Gilles, um professor de filosofia interpretado por Ériv Caravaca que namora e vive com uma das suas alunas, Ariane (Louise Chevillotte). Tudo está bem até ao dia em que a filha de Gilles, Jeanne (Esther Garrel, filha do próprio realizador), da mesma idade de Ariane, vai morar com eles após colocar um ponto final na relação amorosa que mantinha com Mateo (Paul Toucang).

Quase 50 anos após “Le Révélateur”, o seu filme de estreia de 1968, Philippe Garrel regressa aos filmes para completar a chamada “Trilogia do Amor”, iniciada em 2013 com “Ciúme” e continuada dois anos depois com “À Sombra das Mulheres”. Filmado a preto e branco, “O Amante de um Dia” é uma evocação do amor naquilo que nele pode haver de mais carnal e convulsivo. Graças a uma realização depurada, o realizador trata com a devida sensibilidade os males que atormentam o coração das personagens, passando para o espectador as lágrimas de Jeanne face ao primeiro desgosto amoroso da sua vida, uma pontinha de malícia ante o olhar apaixonado de Ariane ou a raiva nos punhos de Gilles, duplamente traído.

Gerindo o filme com maestria, Philippe Garrel questiona essa multiplicidade de assuntos que pautam as relações afectivas (a liberdade e a fidelidade no amor, a diferença de idades, as relações entre ao físico e o intelecto) sem emitir julgamentos, limitando-se a acompanhar as subtis inflexões da vida em redor do eterno tema do desejo e do amor. Do filme retém-se as figuras das duas mulheres, da sua juventude e dos seus impulsos, e do homem, simultaneamente pai e amante, figura central neste triângulo, parecendo dominar os acontecimentos mas finalmente incapaz de exercer qualquer real influência naquilo que se desenrola à sua volta. História de amor intemporal, “O Amante de um Dia” merece ser visto de forma atenta.

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