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sexta-feira, 1 de agosto de 2025

LUGARES: Catedral de Toledo



LUGARES: Catedral de Toledo
Calle Cardenal Cisneros, 1
Horários | De segunda-feira a sábado, das 10:00 às 18:30 e domingos, das 14:00 às 18:30
Ingressos | € 12,00 (bilhete normal)


A Catedral de Toledo, também conhecida por Catedral de Santa Maria ou Catedral Primaz da Espanha, ergue-se no mesmo lugar onde existiu o primeiro templo religioso da cidade na época romana e a posterior basílica visigóticas. Coube ao rei Fernando III, o Santo, e ao arcebispo Rodrigo Jiménez de Rada lançarem a primeira pedra no ano 1227. Desde então é considerada como um dos principais tesouros patrimoniais do mundo, a Rica Toledana, a Dives Toledana. Posteriormente a essa data, foram sendo terminadas as quinze capelas do deambulatório. Por volta do ano de 1300 foi finalizada a nave do cruzeiro, embora as obras tenham prosseguido durante os dois séculos seguintes. As últimas adições foram feitas no século XV, quando as abóbadas ao pé da nave central foram fechadas em 1493, durante o reinado dos Reis Católicos. Encomendado pelo cardeal Cisneros e realizado entre 1497 e 1504, o retábulo da capela principal, de cinco corpos, contém cenas do Novo Testamento, com esculturas policromadas de tamanho natural e em madeira dourada ao fogo. A Capela de Santiago, do século XV, é de estilo gótico flamejante e custodia os sarcófagos do condestável de Castilla, Don Álvaro de Luna, e de sua esposa, Doña Juana de Pimentel.

Várias reformas específicas foram realizadas nos séculos subsequentes, como as das suas fachadas, no século XVIII, e a construção da sua última porta de acesso pela rua, chamada La Llana, em 1800. O templo é composto por cinco naves, além do transepto e do deambulatório duplo. As naves externas são ligeiramente mais largas que as internas; todas possuem abóbadas quadripartidas, excepto o transepto e a capela-mor, que são reforçados com terceirões. Uma série de capelas menores abrem-se para as naves laterais e para o deambulatório do templo, projectadas com plantas retangulares e triangulares alternadas, resultando em diferentes tamanhos para cada capela. Entre as mais notáveis estão a Capela Moçárabe, a Capela de Santo Ildefonso, a Capela de Santiago, a Capela dos Novos Reis, a Capela-Mor ou a Capela da Descida, ao pé da nave do Evangelho. Destaque ainda para a torre, localizada no canto noroeste da fachada principal, em estilo gótico flamejante. A construção começou em 1380 pelo Mestre Alfonso, continuou com o Mestre Alvar Martínez e foi concluída por Hanequín de Bruxelas no século XV. Tem 92 metros de altura, externamente o seu corpo quadrado é dividido em seis seções desiguais e é coroada por uma torre metálica em forma de prisma piramidal de oito lados, construída no século XIX   

Considerado o mais grandioso da cristandade, o impressionante coro é a parte mais antiga da igreja e conserva alguns dos trifórios mudéjares originais que se estendiam ao longo das naves. O restante foi substituído, no período gótico, por grandes vitrais. A grade que o limita foi lavrada por Domingo de Céspedes entre 1541 e 1548. A Virgem Branca e o Menino Jesus, que a observa, sorri e acaricia o queixo, despertaram o entusiasmo dos toledos à época, nada habituados a ver as imagens a sorrir nos altares. O cadeiral do coro baixo começou a ser elaborado no século XV com cenas de rendição de praças e fortalezas até à conquista de Granada. Já o coro alto é composto de 72 lugares e foi realizado por Alonso de Berruguete e Felipe Vigarni no século XVI. O chamado Ochavo é uma suntuosa dependência do final do séc. XVI dedicada aos mártires e testemunhas de Cristo, que guarda peças de grande valor como o relicário de São Luís, um busto de São João Batista e a Cruz do cardeal Mendoza. Na sacristia principal é possível admirar obras de Luca Giordano, Caravaggio, Tiziano, Goya, Van Dick, Rafael, Orrente, Tristán ou Morales, mas é “El Expolio”, um quadro pintado por El Greco entre 1577 e 1579, quem mais atrai a atenção do visitante.

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

LUGARES: Mosteiro de Santa Maria de Salzedas



LUGARES: Mosteiro de Santa Maria de Salzedas
Praça António Pereira de Sousa, Salzedas
Horários | Terça-feira a domingo, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00 (horário de Verão); Terça-feira a domingo das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h30 (horário de Inverno)
Ingressos | Entrada grátis


Na margem sul do Rio Douro, a presença dos monges de Cister, a quem se atribui a plantação das primeiras vinhas na região, continua a fazer-se sentir. Do conjunto monástico do vale do Varosa, encabeçado pelo Mosteiro de São João de Tarouca, sobressai, entre o casario medieval da pequena freguesia de Salzedas, o Mosteiro de Santa Maria. Mosteiro masculino da Ordem de Cister, medieval, maneirista e barroco, o Mosteiro de Santa Maria de Salzedas começou a ser construído em 1168. Com a sua fundação intimamente ligada à figura de Teresa Afonso, esposa de Egas Moniz, o complexo monástico foi largamente ampliado no século XVII e XVIII, destacando-se um novo e monumental claustro no século XVIII, com traço do arquitecto maltês Carlos Gimach. Com a extinção das Ordens Religiosas em Portugal em 1834, a igreja foi convertida em igreja paroquial e parte das dependências monásticas vendidas a privados. Classificado Monumento Nacional em 1997, em 2002, ao abrigo de protocolo com a Diocese de Lamego, o Estado Português iniciou o progressivo restauro dos edifícios e espólio. A integração, em 2009, no Projeto Vale do Varosa, juntamente com o já referido Mosteiro de São João de Tarouca e, ainda, o Convento de Santo António de Ferreirim, possibilitou a abertura do espaço ao público em outubro de 2011.

O Mosteiro de Santa Maria de Salzedas é composto por igreja de planta longitudinal, sacristia, claustros e residência paroquial. A igreja reparte-se por três naves escalonadas, transepto e capela-mor. O corpo do transepto, ladeado por pilastras sustentando pináculos, é rematado por frontão de lanço encimado por cruz pétrea. Assente em arco em asa de cesto, o coro alto é marcado por moldura de cantaria contracurvada e protegido por guarda de madeira. A capela-mor apresenta em cada muro três grandes janelas, tornando o espaço intensamente iluminado. Destaque para o retábulo de talha policromada, cadeiral, anjos tocheiros a ladear o altar-mor e cobertura em abóbadas de aresta semelhantes às da nave. A sacristia, do lado da Epístola, abobadada com ogivas apoiadas em duas colunas, tem comunicação com o antigo dormitório. Do lado do Evangelho existe uma porta de acesso a divisão que comunica com o piso superior, que foi a antiga hospedaria, paralela à igreja e corpo paralelo dos antigos dormitórios. Ao alçado Sul, adossam-se os dois claustros e antigas instalações do mosteiro. Dependências do antigo mosteiro, em ruínas, e outras construções incaracterísticas completam o conjunto. No exterior, ao lado do alçado principal, encontra-se um edifício de dois pisos pertencendo ao antigo convento, com pórtico renascentista, sobre o qual se encontra um nicho rematado por frontão curvo. No exterior, à esquerda, um cruzeiro.

As sucessivas reconstruções da igreja mantiveram a planimetria, parte do alçado e até coberturas abobadadas de algumas capelas. As marcas da existência de outras duas igrejas anteriores à actual são visíveis entre os dois pilares da nave, num arco em ogiva à esquerda do transepto e na abóbada de berço do tramo da capela colateral Norte. No Mosteiro, importa atentar ainda nos silhares de azulejos barrocos, do tipo padronagem e figurativo azul e branco. Na antiga noviciaria, é possível visitar a exposição “Fragmentos. Expressões da arte religiosa do Mosteiro de Santa Maria de Salzedas”, espólio remanescente constituído por um conjunto de peças recolhidas, muitas delas, em muros ou ruínas da povoação e sua envolvente e que pertenceram a planos do Mosteiro entretanto desaparecidos. Neste espaço encontra-se o túmulo embutido de Dona Teresa Afonso, bem como obras de alguns dos maiores nomes da pintura dos séculos XVI, XVII e XVIII, nomeadamente Vasco Fernandes (Grão Vasco), Bento Coelho da Silveira e Pascoal Parente, este último reproduzindo as gravuras seiscentistas de Arnoldus von Wasterhout. No núcleo de escultura e ourivesaria avultam os bustos relicários de São Bento e São Bernardo. E na única cela de noviço ainda existente, observam-se diversas pinturas murais, que terão sido feitas por algum dos noviços que por ali passaram ao longo de 700 anos.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

LUGARES: Basílica da Estrela



LUGARES: Basílica da Estrela
Largo da Estrela, Lisboa
Acolhimento e Informações | De segunda a sexta feira, das 09h30 às 13h30 e das 15h30 às 18h45; sábados e domingos, das 10h00 às 13h30 e das 16h00 às 18h45
Visitas | Presépio de Machado de Castro, € 2,00; Terraço, € 4,00


A Basílica da Estrela, também designada por Real Basílica e Mosteiro do Santíssimo Coração de Jesus, é um templo católico e antigo convento de freiras carmelitas localizado na cidade de Lisboa, em Portugal. Foi a primeira igreja no mundo dedicada ao Sagrado Coração de Jesus tendo por base as revelações de Cristo a Santa Margarida Maria de Alacoque e reforçadas, mais tarde, à Beata Maria do Divino Coração. Classificada como Monumento Nacional desde 1907, esta vasta igreja, encimada por uma cúpula, ergue-se no alto de uma colina na parte ocidental de Lisboa, sendo um dos marcos da zona da Lapa. A sua construção remonta à segunda metade do século XVIII, altura em que D. Maria I e D. Pedro III, filha e genro-irmão de D. José I, fizeram voto de que construiriam uma igreja se tivessem um filho para herdar o trono. O seu desejo foi satisfeito e o projeto foi entregue a um grupo de arquitectos da Escola de Mafra que deram início à construção do templo em 1779.

O templo apresenta características do estilo barroco final e do neoclássico. A fachada é ladeada por duas torres gémeas e decorada ao centro com um relevo representando o Sagrado Coração de Jesus com estátuas de santos e figuras alegóricas da autoria de Joaquim Machado de Castro e dos seus pupilos. O amplo interior, de mármore cinzento, rosa e amarelo, iluminado por aberturas na cúpula, infunde respeitoso temor. Várias pinturas de Pompeo Batoni adornam o seu interior. O túmulo estilo império, de D. Maria I, que faleceu no Brasil, está no transepto direito. Este templo dispõe de dois órgãos – o grande órgão, construído em 1789, e o órgão de coro, de 1791 –, ambos construídos pelo organeiro António Xavier Machado e Cerveira. O órgão de coro foi restaurado em 1998. Em 2009, foi criada a Schola Cantorum da Basílica da Estrela que tem por missão reactivar em Portugal a prática da melhor música litúrgica, tradição desaparecida há dois séculos e ainda plenamente viva noutros países da Europa.

Uma das grandes curiosidades da Basílica da Estrela é o seu monumental Presépio o qual é composto por quase quinhentas peças. Foi criado pelo artista Machado de Castro, a pedido da Rainha D. Maria, e foi o primeiro em Portugal a incluir a Adoração dos Reis Magos. Como era comum neste período, o Presépio da Estrela é uma composição de figuras e grupos modelados em barro, cozido e policromado, dispostos na estrutura original de cortiça assente sobre um esqueleto de pranchas de madeira. Tal como noutros presépios barrocos, este tem representados seis momentos: A “Natividade – Sagrada Família”, a “Adoração dos Reis Magos”, a “Adoração dos Pastores e Populares”, o “Cortejo Régio”, a “Anunciação aos Pastores” e a “Matança dos Inocentes”. O restante espaço é preenchido com figuras do povo e cenas do quotidiano. Tem ainda, cinco nuvens suspensas com anjos. O conjunto encerra-se numa maquineta, executada em 1783, com aproximadamente cinco metros de largura, quatro metros de altura e três metros e meio de profundidade.