Prolongando a presença dos Encontros da Imagem de Braga para além do encerramento oficial da edição deste ano, a exposição “Comunidades ciganas”, de José Firmino Ribeiro, pode ainda ser visitada na Casa da Cultura de Avintes até ao próximo dia 7 de Novembro. Reunindo um apreciável conjunto de fotografias a preto e branco, realizadas entre 1972 e 1976, sobretudo no interior do Alentejo e na Póvoa de Varzim, a mostra constitui um importante testemunho documental do quotidiano das comunidades ciganas em Portugal, numa época marcada pela discriminação, pela perseguição policial e pela exclusão social. Importa não esquecer que, durante o Estado Novo, estas populações foram alvo de vigilância e de restrições à sua mobilidade, vivendo frequentemente em guetos e sob a ameaça de expulsão dos locais onde se instalavam.
Num registo fotográfico depurado, sem artifícios nem dramatizações, José Firmino Ribeiro capta muito mais do que os hábitos e costumes destas comunidades. As imagens revelam a força dos laços familiares, a cumplicidade entre gerações, a vivacidade das crianças e o sentido de pertença que estrutura a vida comunitária. Há nelas uma dimensão humana que ultrapassa o valor etnográfico do registo, dando visibilidade a uma população frequentemente remetida para a margem da sociedade. Os olhares, os gestos, os ambientes domésticos e os momentos de convívio compõem um retrato de grande proximidade, no qual a dignidade das pessoas fotografadas nunca é sacrificada à condição documental das imagens. O preto e branco acentua a expressividade dos rostos e dos gestos, conferindo-lhes uma singular intensidade e uma beleza despojada.
Natural de Braga, José Firmino Ribeiro começou a fotografar em 1967 e foi um dos fundadores da AFCA – Associação de Fotografia e Cinema Amador de Braga, em 1970, associação que esteve na génese dos Encontros da Imagem, fundados em 1987. Com um percurso marcado pela participação em numerosas exposições individuais e colectivas e pela conquista de distinções nacionais e internacionais, o fotógrafo construiu, com “Comunidades Ciganas”, um documento de inegável relevância para a memória colectiva. Apresentada anteriormente em Braga, em 2022, e em Vila Verde, em 2023, a série mantém íntegra a sua actualidade. Quase meio século depois, estas fotografias continuam a interpelar o presente, lembrando que a integração, a igualdade de oportunidades e o reconhecimento dos direitos das minorias são desafios que permanecem por cumprir.
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