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sexta-feira, 29 de junho de 2018

CINEMA: "Godard, o Temível"



CINEMA: “Godard, o Temível” / “Le Redoutable”
Realização | Michel Hazanavicius
Argumento | Michel Hazanavicius, Anne Wiazemsky
Fotografia | Guillaume Schiffman
Montagem | Anne-Sophie Bion, Michel Hazanavicius
Interpretação | Louis Garrel, Stacy Martin, Bérénice Bejo, Micha Lescot, Grégory Gadebois, Félix Kysyl, Arthur Orcier, Romain Goupil
Produção | Florence Gastaud, Michel Hazanavicius, Riad Sattouf
Itália, França | 2017 | Biografia, Comédia, Drama | 107 minutos | M/14
Cinema Dolce Espaço
29 Jun 2018 | sex | 16:00


Michel Hazanavicius está de regresso ao grande ecrã com “Godard, o Temível”, uma adaptação do livro de Anne Wiazemsky que desvenda a relação da actriz com Jean-Luc Godard ao longo de um ano tormentoso. A acção remete para 1967, em Paris, numa altura em que o “enfant-terrible” conhece Anne e com ela dá início às filmagens de “La Chinoise”. Aquilo que começou por ser um amor idílico foi-se tornando num suplício para a jovem actriz, convertida em joguete pelo realizador, agora que o radicalismo das suas ideias começava a fazer dele uma criatura inconstante, tumultuosa e, não poucas vezes, incoerente.

Causa uma certa estranheza ver a forma desprezível como Jean-Luc Godard é tratado no filme e é legítimo o espectador interrogar-se sobre a verosimilhança desta personagem quase maligna, nos antípodas daquilo que se imaginaria de alguém que nos legou “O Desprezo”, “O Acossado”, “Pedro o Louco”, “Eu Vos Saúdo Maria” ou “Paixão”, entre outros. Mas esta é apenas a verdade de Anne Wiazemsky e, em absoluto, trata-se da visão de um único ângulo, o que deve ser tido em conta com a devida cautela. Mas mesmo que a verdade se resuma a metade daquilo que é dado a ver, digamos que o filme é tudo menos abonatório para a figura do cineasta.

Inteligente, mordaz e muito divertido, “Godard, o Temível” oferece momentos de grande cinema, do papel primordial desempenhado pelos óculos do realizador (a fazer lembrar Woody Allen em “O Inimigo Público”, 1969), às sequências vibrantes das manifestações de Maio de 68, como ficaram conhecidas. Se a isso acrescentarmos a correcção das interpretações – Louis Garrel é particularmente verosímil no papel principal – e o verdadeiro tributo que Hazanavicius presta à arte de filmar de Jean-Luc Godard, podemos afirmar que esta é uma homenagem com o seu quê de incisivo a um dos pais da Nouvelle Vague, mas onde não passa despercebido um enorme respeito e carinho pelo seu trabalho.

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