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sexta-feira, 15 de junho de 2018

CINEMA: "A Eterna Desculpa"



CINEMA: “A Eterna Desculpa” / “Nagai iiwake”
Realização | Miwa Nishikawa
Argumento | Miwa Nishikawa
Fotografia |Yutaka Yamazaki
Montagem | Ryûji Miyajima
Interpretação | Masahiro Motoki, Pistol Takehara, Eri Fukatsu, Kenshin Fujita, Tamaki Shiratori, Sôsuke Ikematsu, Haru Kuroki, Keiko Horiuchi, Maho Yamada
Produção | Takashi Iwamura, Kazumi Kawashiro, Kiyoto Matsui, Shûichi Nagasawa, Yasuhito Nakae, Asako Nishikawa, Tetsuo Ohta, Akihiko Yose
Japão | 2016 | Drama | 124 minutos | M/12
Cinema Dolce Espaço, Ovar
15 Jun 2018 | sex | 16:00


A aclamada escritora e realizadora Miwa Nishikawa regressa ao grande ecrã com “A Eterna Desculpa”, um filme baseado no seu romance homónimo e no qual Sachio Kinugasa, um escritor arrogante que acaba de perder a esposa num acidente de autocarro, tem de fingir a dor que todos esperam dele. A verdade é que há muito que o amor no seu casamento tinha terminado e o “luto” é como que um jogo devidamente orquestrado para manter as aparências. Tudo começa a mudar no dia em que conhece Yoichi Omiya, camionista, cuja esposa morreu no mesmo acidente, deixando-o a braços com a educação dos seus filhos. É, pois, chegada a hora de fazer opções verdadeiramente difíceis.

Calmo e subtil, “A Eterna Desculpa” evita da melhor forma o sentimentalismo gratuito. Embora lide com matérias tão delicadas como a dor, o luto ou as sombras do passado, o filme não é uma simples jornada redentora, antes guarda o devido distanciamento na forma como aborda a complexidade e variedade das relações humanas através duma trama surpreendentemente dura. Focando-se nas diferenças entre Sachio e Yoichi e no vínculo com as crianças, o filme estabelece uma dinâmica profundamente envolvente que esbate a previsível dicotomia entre os dois homens.

Mas é em Sachio que as atenções se irão centrar por inteiro, apresentando-o logo de início como um homem repulsivo, com um enorme ego e uma total ausência de respeito pelo outro, acabando por emergir como uma figura agradável e envolvente. No papel principal vemos Masahiro Motoki, actor que tinha já surpreendido com a extraordinária interpretação dum aspirante a violoncelista que acaba como agente funerário em “A Partida”, obra que, em 2009, conquistou o Óscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira. Ele volta a ter aqui uma prestação exemplar, absolutamente crível e comovente, sem jamais dar a ideia do “canalha” que apreende as habituais lições de vida. Explorando os limites da dor e do seu impacto, “A Eterna Desculpa” é um momento de cinema de enorme qualidade e a confirmação do talento de Miwa Nishikawa, tanto atrás das câmaras quanto na delicada arte de escrever.

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